1.31.2008
Quebra
Existe um mar imenso desconhecido entre a interpenetração dos sentimentos com os pensamentos. Que raio de esquisitice esta do ser me pôr a pensar naquilo que não consegue pensar mas apenas sentir! Inebriante? Confuso. Nenhum rasgo de crueza de um pensamento que se dedica a uma paisagem de sentimentos se acalma. Quando te sinto sinto-te completamente. Não me perguntes como, porquê, durante quanto tempo. Sinto-te. E penso sobre inefabilidade de sentir algo tão belo e de tal abraço de sentimentos ser um fenómeno corporalmente total, como todos. Como todos? O que dizes? Não se nota que quando penso nesta amálgama que serpenteia a existência da vida em mim tenho dificuldade em apreender exactamente os sentimentos que pavoneiam com a sua singularidade? Nota-se claro. Penso na palavra, sinto-me e penso: "xiça! que raio! Como é que posso passar para o pensamento toda a tonalidade dos sentimentos que sinto?". Sei que sinto e sinto que não consigo pensá-os enquanto me dedico a arranjar uma maneira de os organizar. No final tenho um breve trecho; um bloco de notas que assinala que hoje houve um terramoto que implodiu em silêncio. Ninguém fala lá fora. Mantenho-me atento às mudanças no meu panorama. Penso: "Como apreender tudo tudo tudo?" Alguém responde com a minha boca que não posso. Cala-te! Lá vou eu outra vez...Quem pensa cala um pouco do que sente mas não deixa de sentir que existe muito mais para além dos arranjos que o pensamento faz da vida. Hum...o que é isto? Consegues sentir?
1.17.2008
Problema de comunicação
"..Cada homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes.
A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens."
página 131 do livro "Organizem-se: a gestão segundo Fernando Pessoa", de Fernandes, F.
À luz da Economia do trabalho, o problema do recrutamento é um problema de informação.
“Uma relação de agência ocorre quando o principal delega alguns direitos – por exemplo, direitos sobre a utilização de recursos. a um agente que está obrigado através de um contrato (formal
ou informal) a representar os interesses do principal em troca de uma remuneração de
qualquer espécie” (Eggertsson, 1995, 40-41).
De acordo com a teoria da agência as relações entre principal e agente caracterizam-se por:
a) assimetria de informação - o agente dispõe de mais informação sobre os detalhes das tarefas a
executar do que o principal o que lhe permite tirar vantagens;
b) os interesses das partes
envolvidas (principal e agente) não coincidem e muitas vezes podem entrar em conflito; e
c) a existência de comportamentos auto-interessados e oportunistas por parte dos
agentes conduzem a custos mais elevados para o principal.
A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens."
página 131 do livro "Organizem-se: a gestão segundo Fernando Pessoa", de Fernandes, F.
À luz da Economia do trabalho, o problema do recrutamento é um problema de informação.
“Uma relação de agência ocorre quando o principal delega alguns direitos – por exemplo, direitos sobre a utilização de recursos. a um agente que está obrigado através de um contrato (formal
ou informal) a representar os interesses do principal em troca de uma remuneração de
qualquer espécie” (Eggertsson, 1995, 40-41).
De acordo com a teoria da agência as relações entre principal e agente caracterizam-se por:
a) assimetria de informação - o agente dispõe de mais informação sobre os detalhes das tarefas a
executar do que o principal o que lhe permite tirar vantagens;
b) os interesses das partes
envolvidas (principal e agente) não coincidem e muitas vezes podem entrar em conflito; e
c) a existência de comportamentos auto-interessados e oportunistas por parte dos
agentes conduzem a custos mais elevados para o principal.
1.10.2008
Tu e Deus: quem é quem?
Se Deus não responde às perguntas ou anseios dos crentes que tentam falar com ele, como será possível falar em Deus sem se dizer que Deus “está” em cada um de nós? A comunicação entre um ser que tem consciência de si próprio e uma entidade abstracta é problemática.
Aceita-se que Deus vive, de forma omnipresente, em todos os seres. Aqueles que dialogam com ele dialogam consigo próprios. Deus é personificado por uma posição individual que se molda pela imaginação que dele se cria. Portanto, todos os actos dirigidos a uma entidade abstracta como Deus visam, antes de mais, o próprio humano. Ele, ao rezar ou ao desejar algo, fala consigo próprio, dinamizando a fita elástica Eu-Outro. Será Deus um processo e não uma entidade? Um processo de auto desenvolvimento, de expressão da existência mais básica? Um artefacto cultural inefável que se assemelha à fluência da existência e à espontaneidade de existir?
Quem não acredita em Deus estará a anular uma abstracção ou a modificar o processo de diálogo que alguém que acredita mantém? Não se acreditar em Deus não significa não dialogar...connosco. Não acreditar em Deus significa colocar de parte uma forma de dialogar com o próprio, não uma particular rejeição de algo em concreto. Significa seleccionar que o humano não quer falar de si próprio assim, num diálogo com características que lhe desagradam.
Aceita-se que Deus vive, de forma omnipresente, em todos os seres. Aqueles que dialogam com ele dialogam consigo próprios. Deus é personificado por uma posição individual que se molda pela imaginação que dele se cria. Portanto, todos os actos dirigidos a uma entidade abstracta como Deus visam, antes de mais, o próprio humano. Ele, ao rezar ou ao desejar algo, fala consigo próprio, dinamizando a fita elástica Eu-Outro. Será Deus um processo e não uma entidade? Um processo de auto desenvolvimento, de expressão da existência mais básica? Um artefacto cultural inefável que se assemelha à fluência da existência e à espontaneidade de existir?
Quem não acredita em Deus estará a anular uma abstracção ou a modificar o processo de diálogo que alguém que acredita mantém? Não se acreditar em Deus não significa não dialogar...connosco. Não acreditar em Deus significa colocar de parte uma forma de dialogar com o próprio, não uma particular rejeição de algo em concreto. Significa seleccionar que o humano não quer falar de si próprio assim, num diálogo com características que lhe desagradam.
1.03.2008
Organização básica
O self dialógico, enquanto processo organizador da existência humana, é um constante produto da alteração da relação entre existir e existência, entre a fluidez da existência e espontaneidade de existir. É um diálogo organizador do ser humano na relação que ele mantém com a vida (inclua-se o próprio ser, os outros, o meio físico, o futuro, o passado, etc..).
Dialogamos com a nossa criação fluída, corporizada, e com a nossa imaginação dos outros que habitam o nosso espaço de existência.
Sendo que o self dialógico visa compreender a organização geral do ser humano, nunca poderá tender a decalcar em papel químico o processo Humano de existir. Pensá-lo rondará a utopia. Responder a perguntas como "qual é o objectivo de ser Humano?", "qual é o sentido da existência?", "como existimos?", será impossível fora da fluência organizadora da existência Humana. E a que nível queremos responder a estas perguntas? E qual a vantagem de o fazer? E quais as desvantagens de não querer fazer?
A impossibilidade de sermos efectivamente, fisicamente, mais do que um, leva-nos a uma solidão dialógica. Presos ao diálogo do ser com os seres, não conseguimos ultrapassar o processo necessário que funda a existência: a organização da diferença.
Dialogamos com a nossa criação fluída, corporizada, e com a nossa imaginação dos outros que habitam o nosso espaço de existência.
Sendo que o self dialógico visa compreender a organização geral do ser humano, nunca poderá tender a decalcar em papel químico o processo Humano de existir. Pensá-lo rondará a utopia. Responder a perguntas como "qual é o objectivo de ser Humano?", "qual é o sentido da existência?", "como existimos?", será impossível fora da fluência organizadora da existência Humana. E a que nível queremos responder a estas perguntas? E qual a vantagem de o fazer? E quais as desvantagens de não querer fazer?
A impossibilidade de sermos efectivamente, fisicamente, mais do que um, leva-nos a uma solidão dialógica. Presos ao diálogo do ser com os seres, não conseguimos ultrapassar o processo necessário que funda a existência: a organização da diferença.
Menos Humanos do que Humanos
Somos estranhos. Somos espontâneos e fluídos. Espontâneos porque a nossa existência impele-nos a inovar a cada momento; fluídos porque existe um contínuo de organização da existência individual, incessante e incontrolável. É a fluência da existência. E somos menos tempo espontâneos do que fluídos. A nossa vida organiza-se tacitamente, sendo o nosso organismo o principal organizador da nossa relação com a vida, incluindo-se nesta relação todas as expressões de vida. Esta organização constante e adaptada à vida idiossincrática, permite-nos existir. Todavia, muitas vezes somos mais espontâneos do que fluídos. Isto acontece quando utilizamos o nosso organismo como chefe de uma existência. Planeamos, inventamos, organizamos, dialogamos. Temos o poder de alterar a vida de forma incisiva e tremulamente controlável. Escrevemos texto, pensamos no que deverá ser escrito e naquilo que não faz sentido escrever. Construímos. No entanto, ao mesmo tempo, somos um curso incessante de fluência de vida. Inevitável, incontrolável, sustentável. A vida flui e, retrospectivamente, olhamos para aquilo que foi feito e perguntamos: "porquê? porquê assim? porque fiz isto assim?". Desviamos a cara de um rosto amargo, fixamos o olhar numa paisagem inefável. Fluímos. Não reconhecemos o pensamento sobre algo. Nessas alturas somos Humanos, na nossa mais primitiva expressão, e menos Humanos na nossa conceptualização moderna e racional de ser Humano, de existir.
12.22.2007
Tu, AA.
Tu, a tua voz doce urde a membrana que nos une, fazendo com que a distância entre a mente e acção seja uma ilusão. Tudo surge como se o significado fosse um bote no mar, com uma luz a iluminar as rotas já conhecidas. Tudo me leva a ti. O teu odor guia-me por esta floresta da qual me alimento. Uma floresta de energia na qual vou buscar as gotas com que vertes as lágrimas, nas quais o bote se move. Que alegria! Que inefabilidade! Não me deixes aqui, perto de mim, longe de mim, longe de ti. Vem para a minha beira. Vamos encostar os ouvidos junto às nossas bocas e deliciar o escuro e os fantasmas que lá habitam. O desconhecido do sonho, o errático pesar do incógnito. Tudo conheço, tudo vejo e tudo sinto. Tudo isso! Tu, aqui, junto de mim, e beijo-te na boca, sem parar, sem parar! Ouves o som? A manifestação da arte é um requinte da existência. E que requinte! Não te mexas!
12.18.2007
Polifonia
“Até seria melhor o seguinte: eu próprio acreditar nalguma coisa daquilo que acabei de escrever. Juro-vos, meus senhores, que não acredito em coisa alguma do que escrevi, em nenhuma das palavras que acabo de garatujar! Ou seja, se calhar acredito, mas ao mesmo tempo, sabe-se lá porquê, sinto e desconfio que estou a mentir com quantos dentes tenho."
página 61 dos Cadernos do Subterrâneo de Dostoiévski
página 61 dos Cadernos do Subterrâneo de Dostoiévski
12.13.2007
Papel
Quando escrevemos reescrevemos uma imagem de nós. Ou melhor, somos outros aos olhos dos outros, e somos os mesmos no nosso Alter. Quando escrevemos anulamos um pouco do diálogo, seja por ele já ter acontecido e a escrita ser um produto, ou porque o diálogo precisa de vozes em sintonia para se imprimir na escrita. Todavia, isto está tudo errado. Não me vês a dialogar neste preciso momento? Pois, como pensei também nisso! Mas é verdade que me engano. Engano-me porque escrevo o produto de um processo interminável que se espera calmo e fluente. Quantas horas perdemos a ouvir-mo-nos? Consegues escrever nessas ocasiões? Não duvido! Eu consigo mas não no papel. Assim, desta forma tão organizada, não. Escrevo com linhas tortas ao longo de um tecido que me difunde pelo meu corpo, sem que consiga reconhecer o texto escrito. Linhas que escorrem por mim abaixo. Fica uma amálgama de existências tácitas quando me penso. Modificações fugidias de quem se escreve ao ouvir-se. Ao mesmo tempo, inevitavelmente. Como agora, inevitavelmente. Por isso, tenho dificuldade em aceitar completamente que quando escrevemos estamos perante uma mera escrita. Não, reescrevemos a existência através de novo diálogo: a escrita. Ou seja, produto é processo, diálogo é produto, diálogo é processo, escrever é reescrever, rever é voltar a escrever, sendo que o final é o princípio de um diálogo a iniciar.
12.06.2007
Liberdade
Porque é que é importante "ter" liberdade? O que é a liberdade? Para além (???) do constructo, o que significa estar livre nesta prisão do tempo? Que correntes são estas que amarram o meu olhar ao teu e nos impedem de "ser" livres? Como alcançar a liberdade senão pelas nossas meta narrativas? Que liberdade quando aprisiono um determinado espaço de inteligibilidade? A liberdade é de algodão: tão suave e quente que nos adormece. A liberdade é uma definição curiosa para justificarmos o individualismo. Será que somos menos livres quando viramos as costas uns aos outros? Porventura, seremos mais livres quanto mais livremente conseguirmos harmonizar a discussão entre as vozes que nos habitam: sem prisões preventivas, sem multas e encarceramentos. Apenas discussão, contradição, permissão, recusa, definição, imitação e diálogo. Sim, peço a tua liberdade para me libertar, sem pensar que necessitas da minha para o fazeres. Egoísmo da liberdade? Não te enganes, liberdade. Estive a falar de ti ao longo destas linhas. Agora, e digo preso a estas linhas que se cosem ao longo do meu corpo, sou livre. Amanhã também? Veremos.
Quem és tu com quem eu dialogo?
Enquanto te vejo, vejo-me a tentar tratar-me da mesma forma de sempre. Procuro-me não no teu olhar mas na compreensão de que o teu olhar lança uma miríade de memórias que me relembram da minha missão. Ponto zero da vida. Reconheço-me sem que esteja preocupado em fazê-lo. Fico confuso por pareceres querer dizer que sou sempre o mesmo. Não sou produto. Sou processo. Esqueceste que me procuro dentro de mim, dentro dos teus sonhos e angústias, mesmo quando procuras procurar-me. Vazios no espaço. Longínquos no tempo e no espaço. Provavelmente nem existes. E eu procuro-te na terra que se levanta nos meus dedos. Estarás a dialogar comigo sem quereres ver que sou eu quem tu és? Enfraqueci. Nada mais que o meu rosto te ilumina. Nem as rotas com coordenadas passadas te fazem reconhecer-me. Pois, nem eu me reconheço nos meus esforços para te mudar em mim. Nada feito das sessões que progressivamente fui anulando, tentando eternizar-me. Não, não existes e enquanto não existes tenho que reconhecer que não existo...assim. Endereço-me por carta um ano antes de me ver. Escrevo de longe, longe das minhas redes prototípicas da minha subjectividade. Estou contigo neste mar infinito no qual mergulho. Tudo é meu, mesmo que aquilo que a verdade me ilude, embora sendo a minha verdade. E é tudo falso e é tudo verdade. Saí agora de casa. Volto já. Esperas?
11.24.2007
Struggle for freedom
Dear sirs,
My name is XYZ and I am a Portuguese owner of a Toshiba A200-17Z laptop (serial number 57154848k). Since I prefer Linux, I have been using Ubuntu for some time now. But now I got to this point where I want to make a bios update and Toshiba doesn't provide it. I have contacted the Portuguese Toshiba Technical Support and I got as an answer the suggestion to ask Canonical for the bios update. This was written by Mr X of the technical support at Toshiba Portugal. Well, but if I bought a Toshiba laptop why do I have to ask a BIOS UPDATE to Canonical???? Taking this point of view, consider this parallel: imagine that I bought a Toshiba laptop and it had Ubuntu. Toshiba provided only bios update for Ubuntu. Imagine now that I wanted to install a Windows OS..Would I be invited to ask Microsoft for a Toshiba bios update? Does this make any sense??? To me and several other friends it makes none! But worse than that is that it was said by someone from Toshiba. When I bought a Toshiba laptop I was thinking on a top company with great services. Now I see that my expectations were not fulfilled. I'm very disappointed with this situation and I will consider strongly the hypothesis of not buying a Toshiba laptop again. So, my suggestion is to make available a Linux version of Toshiba's laptops bios update, as well as other important drivers updates. In my opinion, it's not to much to ask.
My name is XYZ and I am a Portuguese owner of a Toshiba A200-17Z laptop (serial number 57154848k). Since I prefer Linux, I have been using Ubuntu for some time now. But now I got to this point where I want to make a bios update and Toshiba doesn't provide it. I have contacted the Portuguese Toshiba Technical Support and I got as an answer the suggestion to ask Canonical for the bios update. This was written by Mr X of the technical support at Toshiba Portugal. Well, but if I bought a Toshiba laptop why do I have to ask a BIOS UPDATE to Canonical???? Taking this point of view, consider this parallel: imagine that I bought a Toshiba laptop and it had Ubuntu. Toshiba provided only bios update for Ubuntu. Imagine now that I wanted to install a Windows OS..Would I be invited to ask Microsoft for a Toshiba bios update? Does this make any sense??? To me and several other friends it makes none! But worse than that is that it was said by someone from Toshiba. When I bought a Toshiba laptop I was thinking on a top company with great services. Now I see that my expectations were not fulfilled. I'm very disappointed with this situation and I will consider strongly the hypothesis of not buying a Toshiba laptop again. So, my suggestion is to make available a Linux version of Toshiba's laptops bios update, as well as other important drivers updates. In my opinion, it's not to much to ask.
11.21.2007
A tua liberdade é de papel
Que liberdade por entre estes carris desenfreados? Que liberdade recebo das minhas vísceras, urgentes no seu desígnio para me alimentarem? Que liberdade me reservo na minha ânsia metafísica? Um pouco de nada dentro do meu jogo reservado. Quando os meus olhos se entrelaçam nos teus fazem-no sabendo que a liberdade de o fazer encarece a responsabilidade de os imaginar? Que coimas pago eu por não querer esta liberdade tão fictícia! Carne, tempo, regras, pegadas. Rostos mutantes maquilhados com pós de arroz. Viramos nas esquinas programadas para nos verem. Contornamos os buracos da estrada, tomamos a decisão de prosseguir. O quê? Para onde? Porquê? Constrangidos pela tua necessidade de criar hábitos, erguemos mundos polivalentes. Mudámos-lhes os temas, pintamos-lhe os contornos, até trocamos-lhes os nomes, mas o que mudámos? Um risco diferente por entre caminhos mais “correctos”? Minha liberdade de viver aprisionado! Utopia derradeira esta de não ser tu e todos em todo o momento! O escape do individual emergido no colectivo. Que fumo de fugida? Sementes de pó. Ele assenta, ele voa. Nós ficamos, nós vamos. Mudamos? Sim. E queremos? Mudamos.
10.23.2007
O Contra do Pró
Existirão contras num programa como o Prós e Contras? Que maior Contra existirá do que aquele que ceifa a raíz do Pró? Será possível perceber que o programa Pós e Contras recebe da sua própria existência um grande Contra? Contra todos os pensamentos de justificação que me devoram, não ouso calar o Pró do meu Contra.
Um programa que começa tarde nunca acabará cedo. Certo! Uma criança percebe isto. Como será então possível falar, por exemplo, de produtividade, saúde, justiça, pobreza e energia sem que a nossa condição seja rasurada? A produtividade de um trabalhador (só para evitar falar de pessoa...tal seria chocante...) é afectada pela sua saúde. Um trabalhador que julgue ser importante seguir um programa que trata de assuntos interessantes vê-se confrontado com a súbita necessidade de decidir entre dormir pouco e muito pouco. Falaram de saúde (holisticamente)? De produtividade? Não fará este horário de exibição do programa de nós mais pobres? Pobres de sono, afectados na sua saúde para produzir. E será justo? Provavelmente não, Sr. Provedor do ouvinte. As vozes dos caros telespectadores não produziram uma saudável e produtiva decisão. Que justiça existirá quando uma pessoa é confrontada entre um interesse e uma necessidade? Resolve tudo com um interesse necessário e/ou com a necessidade imperativa de não olhar a interesses?
E que energia? Manter televisores ligados de madrugada para ouvir falar de energia? Não, talvez se debata os maus tratos que as crianças sofrem e essas, a essa hora, já estarão a dormir. Portanto, não faz mal.
O contexto social e histórico que mantém um programa que pretende mobilizar a sociedade (dizer “civil” implicará pedir aos militares para não ouvirem o programa? Que ironia esta...) desta maneira, denota que se está a perder uma grande oportunidade. Até lá, faremos contas sobre as horas de sono que não dormimos enquanto nos seduzem com a produtividade elevada, saúde excepcional, justiça sem demora, erradicação de pobreza e uma energia soberba. “Desculpe? Estou com sono...Estive a ver o Prós e Contras...” E sim, sou de facto muito menos inteligente que uma criança de 10 anos. Essas, felizmente, preferem ir dormir.
Um programa que começa tarde nunca acabará cedo. Certo! Uma criança percebe isto. Como será então possível falar, por exemplo, de produtividade, saúde, justiça, pobreza e energia sem que a nossa condição seja rasurada? A produtividade de um trabalhador (só para evitar falar de pessoa...tal seria chocante...) é afectada pela sua saúde. Um trabalhador que julgue ser importante seguir um programa que trata de assuntos interessantes vê-se confrontado com a súbita necessidade de decidir entre dormir pouco e muito pouco. Falaram de saúde (holisticamente)? De produtividade? Não fará este horário de exibição do programa de nós mais pobres? Pobres de sono, afectados na sua saúde para produzir. E será justo? Provavelmente não, Sr. Provedor do ouvinte. As vozes dos caros telespectadores não produziram uma saudável e produtiva decisão. Que justiça existirá quando uma pessoa é confrontada entre um interesse e uma necessidade? Resolve tudo com um interesse necessário e/ou com a necessidade imperativa de não olhar a interesses?
E que energia? Manter televisores ligados de madrugada para ouvir falar de energia? Não, talvez se debata os maus tratos que as crianças sofrem e essas, a essa hora, já estarão a dormir. Portanto, não faz mal.
O contexto social e histórico que mantém um programa que pretende mobilizar a sociedade (dizer “civil” implicará pedir aos militares para não ouvirem o programa? Que ironia esta...) desta maneira, denota que se está a perder uma grande oportunidade. Até lá, faremos contas sobre as horas de sono que não dormimos enquanto nos seduzem com a produtividade elevada, saúde excepcional, justiça sem demora, erradicação de pobreza e uma energia soberba. “Desculpe? Estou com sono...Estive a ver o Prós e Contras...” E sim, sou de facto muito menos inteligente que uma criança de 10 anos. Essas, felizmente, preferem ir dormir.
Que necessidade têm eles?
Qual será a necessidade de romper com a intimidade de aspectos da natureza humana? Para várias pessoas, romper será o primeiro passo que desvenda um sem número de possibilidades. Raptar partes íntimas que se movem nas relações amorosas e trazê-las ao palco público da putrefacção, não será apenas gritante como poderosamente satisfatório. Para essas pessoas, o proíbido ganha o estatuto de exibido com os contornos grotescos de quem encontra a chave para captar a atenção e a sedução mascarada. Esta putrefacção representa um assalto desmesurado. “Eu assalto a intimidade do ser porque sem trazer o sexo cru e materialista para a minha narrativa, não consigo alcançar-vos e mostrar-vos que o sexo para mim é como comer um fruto. Vejam bem! Não tenho pudor e considero-vos subjugadas ao meu poder de falar sobre a (vossa) intimidade!”. Talvez tentem imprimir um choque machista no útero da desgraça. Não compreendendo que o ser humano evoluiu, não lhes resta nada para além das muletas que sustêm o Amor. O Amor não vive de muletas. Mas isso eles descobrirão quando tentarem viver o que nos faz ser especiais. Eles lá chegarão...quando as muletas se partirem.
Que necessidade têm eles?
Qual será a necessidade de romper com a intimidade de aspectos da natureza humana? Para várias pessoas, romper será o primeiro passo que desvenda um sem número de possibilidades. Raptar partes íntimas que se movem nas relações amorosas e trazê-las ao palco público da putrefacção, não é apenas gritante mas poderosamente satisfatório. Para essas pessoas, o proíbido ganha o estatuto de exibido com os contornos grotescos de quem encontra a chave para abrir a atenção e a sedução mascarada. Esta putrefacção representa um assalto desmesurado. “Eu assalto a intimidade do ser porque sem trazer o sexo cru e materialista para a minha narrativa, não consigo alcançar-vos e mostrar-vos que o sexo para mim é como comer um fruto. Vejam bem! Não tenho pudor e considero-vos subjugadas ao meu poder de falar da vossa intimidade!”. Talvez tentem imprimir um choque machista no útero da desgraça. Não compreendendo que o ser humano evoluiu, não lhes resta nada para além das muletas que sustêm o Amor. O Amor não vive de muletas. Mas isso eles descobriram quando tentarem viver o que nos faz especiais. Eles lá chegaram...quando as muletas se partirem.
3.19.2007

Dentro de mim zangam-se as vozes humedecidas. São vozes do pântano que se cruzam no silêncio da amalgama interior. Têm nomes irreconhecíveis, tal a minha estranheza com os seus dedos, vozes da história. Conheço-os bem, venho de lá. A minha voz magnânime mendiga som, um calor entrecortado de confrontação. Inacabadas, em constante devir. Posições que se trocam, representações externas dos tentáculos internos. O “todo” que não precisa de outro meio para além da sua auto-reflexividade para chegar a si. Não. Para dialogar. De si não fogem as discordâncias, as incongruências ou as ininteligibilidades. Não são só palavras. Sou eu em diálogo. As fotos não me captam. Narro-me narrando, escutando os ineptos, os pusilânimes, os grilhetas, mas também os honrados, dignos, nobres…vozes. Conto histórias que respondem a uma relação, comigo e com o mundo, ou melhor, eu entre o Mundo e eu. Os animais descansam, a relva cresce. Respiro.
O quê?? Passagens.

São ruas largas de sorrisos e ruas largas de enternecedores gemidos. Os olhos rodopiantes desenham órbitas com pontos organizadores. A lágrima que escorre na rua esbate-se nos pés que a pisam. Um pé sorri, o outro desaba pela imensidão do buraco aberto na estrada. A incomensurabilidade adaptativa entre 2 estados de significação de vida. Dor e alegria em dois olhos são vida e morte no êxtase do inaudito da passagem. A rua alarga-se, um pé para uma rua, o outro empurrado pela motivação de resiliência. O lago, um barco, pedras, animais. O rubor das faces luzidias assemelham-se a um renascer. Passar uma montanha com dores nos pés e com alegria existencial. Sim. O carinho, vento reconfortante que impulsiona, vindo da natural expressão. O suco que seca a rua e que harmoniza os traçados. Desaguam na língua que conta a história. Sonhos, pesadelos, a mesma paisagem, mudam os tons, o riso e o toque. A integração total e complexa dos seres. A identidade. Maravilha dos maravilhados. Sublimação dos desgraçados Eu, único? Únicas, completas, complexas, comprometidas contigo, vida.
11.05.2006
Dream...
Os sonhos possuem uma iminente capacidade autoral. As comparações com o real poderão ser formativas mas aquilo que o “eu” faz é mais sublime. Utiliza a coroa e sem alusões demasiadas proclama-me rei. O objecto socializado que eu sou desaparece nos sonhos. Nos sonhos sou “eu”, “eu” e “eu”, daí o facto de os delírios de grandeza serem talvez um sonho entre normalidades pérfidas. A mudança de uma letra e consequente palavra revelam quase bilateralmente que as angústias mais despercebidas se exprimem. A capacidade e a execução profícua da autoria no sonho não padece de reflexões. A perfídia é esquecida. Existe-se. Desenvolve-se. Acorda-se o objecto e o “eu” adormece. Muitas vezes não. Flutuam, dialogam e desse diálogo um três aparece. 1+1 não é suficiente. A tonalidade da evolução de um sonho é um grande pesadelo, uma caixa de maravilhas e de formas sem valor de mercado. Não se transaccionam, não há quem os compre, não se podem verificar. A sua existência é idílica, dúbia e a nossa existência nele inefável. Não tenho dúvidas, a tensão que acompanha o desenvolvimento dos momentos é tão característica da inovação! O sonho é um diálogo entre a consciência reflexiva da realidade “acordada” e as projecções esbatidas do ser nos materiais, nos corpos, nos objectos, tempo, espaço, nos sentimentos e em todos os signos tangíveis, imagináveis e inteligíveis. Sonhar não é pensar porque não consigo provar que existo enquanto sonho. Talvez não exista enquanto sonho. Talvez tenha sido daí que nasci e me renovo, constantemente, mesmo quando não existe diálogo e o pano cai. O espectáculo empobrece, tiro-me do átrio e acordo pronto para importar-me com a vida. O sonho, esse filme passou. Não o vi. Realizei-me.
11.01.2006
Brothers
Devíamos olhar para as nossas faces remotas. Devíamos olhar os nossos amados. Perde-se o fio que liga um corpo adulto a uma história que começou bem cedo, mal acordámos. As faces serenas, de sorrisos intemporais devem ser um estandarte da pressão saudável para não esquecer. Não se trata de esquecer o amor mas de sentar os sentimentos na palpabilidade de uma expressão, em tons de carinho, de camisolas azuis com ornamentos amarelos, vermelhos e verdes. Trata-se do cabelo escuro e o rosto adocicado de quem olha sinceramente. O olhar sorrido menos fingido de todos. O colarinho vermelho já não mora naquele presente. Vive na recordação. Transforma-se numa panóplia de adereços de espaços psicológicos unidos a uma titubeante expressão corporal. Talvez por anos a passarem como raios indeléveis.
Transporto-vos para os vossos rostos actuais e sei que já não são o que rostos que vos criaram. Transformaram-se mas não vos mudaram o nome. Amamos resolutamente uma vida mas em extractos de diferentes aromas. Capitalizando a emoção transmitida de quadros incomensuravelmente distintos em direcção às vossas faces eruptivas, posso compreender-vos melhor à luz do meu amor. Sem medidores estáticos ou variáveis. Descomprometido Amor. Se agora os vossos silêncios de mármore são dolorosos e a dor um passatempo de exclusão, outrora seriam ilusões e receios do mistério do devir. Se não são os mesmos temos um problema, não o das vossas identidades mas vossas identidades em mim. A integração de uma flor com uma árvore pressupõe cronicidade, ordem, desenvolvimento. Vossas têm isso tudo e a inesquecível amnésia da doçura. Multiplicaram-se em árvores sem recordarem as flores. Vejo flores e vejo árvores e harmonizo um campo. O toque no cabelo, as bochechas de seda, os movimentos inconfundíveis e as expressões paradigmáticas são frutos de verão. Frutos colhidos, ventos passados, novos tempos. A distância é maior, a dedicação a própria arte é intensa. Sem tempo para novos retratos de imensidão temerários, surgem novos gestos infirmando a inocência, colaborando com arrojados golpes de mestre. Modificar o presente com o passado esquecido, ou seja, nadar num rio que foi oceano. Do azul das lágrimas ao azul da beleza do céu, sem esquecer os tons do verde da camisola de lã e das ternuras inexplicáveis. Tudo aqui num pedaço de viagem, sem que o vosso interior perceba, por agora. Não se cede no Amor. Cede-se à vida a adopção da evolução, com finos traços gradualmente delgados.
Transporto-vos para os vossos rostos actuais e sei que já não são o que rostos que vos criaram. Transformaram-se mas não vos mudaram o nome. Amamos resolutamente uma vida mas em extractos de diferentes aromas. Capitalizando a emoção transmitida de quadros incomensuravelmente distintos em direcção às vossas faces eruptivas, posso compreender-vos melhor à luz do meu amor. Sem medidores estáticos ou variáveis. Descomprometido Amor. Se agora os vossos silêncios de mármore são dolorosos e a dor um passatempo de exclusão, outrora seriam ilusões e receios do mistério do devir. Se não são os mesmos temos um problema, não o das vossas identidades mas vossas identidades em mim. A integração de uma flor com uma árvore pressupõe cronicidade, ordem, desenvolvimento. Vossas têm isso tudo e a inesquecível amnésia da doçura. Multiplicaram-se em árvores sem recordarem as flores. Vejo flores e vejo árvores e harmonizo um campo. O toque no cabelo, as bochechas de seda, os movimentos inconfundíveis e as expressões paradigmáticas são frutos de verão. Frutos colhidos, ventos passados, novos tempos. A distância é maior, a dedicação a própria arte é intensa. Sem tempo para novos retratos de imensidão temerários, surgem novos gestos infirmando a inocência, colaborando com arrojados golpes de mestre. Modificar o presente com o passado esquecido, ou seja, nadar num rio que foi oceano. Do azul das lágrimas ao azul da beleza do céu, sem esquecer os tons do verde da camisola de lã e das ternuras inexplicáveis. Tudo aqui num pedaço de viagem, sem que o vosso interior perceba, por agora. Não se cede no Amor. Cede-se à vida a adopção da evolução, com finos traços gradualmente delgados.
Para ti senhor...
Eu perdoo-te senhor. Não fizeste por mal porque nunca conheceste o seu teor. A cultura havia esquecido a imensidão da moralidade. A ti perdoo-te o perdão. Talvez assim sigas os teus caminhos traçados na leveza dos teus marcos. A ti, tudo. Sem me preocupar com os teus números, épocas ou falhas, sem querer ouvir o banal para compreender o essencial. Sinto-te perfeitamente como especial. Não chores, mel da primavera. Não te inspires no dióxido de carbono, nem em piadas sufocantes. A tua identidade não é fumo, apenas bela. Subtil e unicamente súbita quando te esqueces da complexidade da ilusão. Eu perdoo-te assim como não te perdoo. Não há perdão para o que é impossível de ser alvo de perdão. Por isso, resta-me apenas amar-te sem perdão.
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