1.10.2008

Tu e Deus: quem é quem?

Se Deus não responde às perguntas ou anseios dos crentes que tentam falar com ele, como será possível falar em Deus sem se dizer que Deus “está” em cada um de nós? A comunicação entre um ser que tem consciência de si próprio e uma entidade abstracta é problemática.
Aceita-se que Deus vive, de forma omnipresente, em todos os seres. Aqueles que dialogam com ele dialogam consigo próprios. Deus é personificado por uma posição individual que se molda pela imaginação que dele se cria. Portanto, todos os actos dirigidos a uma entidade abstracta como Deus visam, antes de mais, o próprio humano. Ele, ao rezar ou ao desejar algo, fala consigo próprio, dinamizando a fita elástica Eu-Outro. Será Deus um processo e não uma entidade? Um processo de auto desenvolvimento, de expressão da existência mais básica? Um artefacto cultural inefável que se assemelha à fluência da existência e à espontaneidade de existir?
Quem não acredita em Deus estará a anular uma abstracção ou a modificar o processo de diálogo que alguém que acredita mantém? Não se acreditar em Deus não significa não dialogar...connosco. Não acreditar em Deus significa colocar de parte uma forma de dialogar com o próprio, não uma particular rejeição de algo em concreto. Significa seleccionar que o humano não quer falar de si próprio assim, num diálogo com características que lhe desagradam.
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