2.09.2013

As diferenças entre Portugal e o Canadá: a sociedade

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A pergunta é: should teachers have the right to strike?

Em português será qualquer coisa como: será que os professores têm direito a fazer greve? Esta questão tem sido colocada a propósito de um diferendo entre a província de Ontário e as suas restrições financeiras e os sindicatos de professores e as suas progressões na carreira, autonomia, entre outras questões.

Bem, na perspetiva dos sindicatos e dos professores, não se trata de uma questão de dinheiro mas de perda de autonomia e de direitos. Para comunicarem os seus argumentos, criaram este site intitulado FightBill115.ca.

Este exemplo vem a propósito de uma das diferenças entre Portugal e o Canadá: a forma como a comunicação social e os sindicatos agem no contexto da sociedade e as consequências que daí decorrem.
Quando em Portugal se pensa em cacofonia sem controlo, pensa-se na amplificação da comunicação social. Não há dia nas notícias portuguesas em que não esteja um político ou um comentador omnisciente, capaz de desvendar os mais ínfimos pormenores de um discurso ou a antecipar cenários de A a Z.

Existe também um aparente mas paradoxal benefício desta situação, muita transparência das mensagens que são veiculadas, mas não necessariamente do conteúdo. Isto significa que uma notícia deste tipo em Portugal suporia a existência de uma revolta nacional, com alusão à Constituição da República e ao suposto atraso de Portugal e os incompetentes dos seus governantes. Qualquer coisa assim. Talvez se aludisse a Salazar e à falta de liberdade e às pressões inadmissíveis sobre os professores. Mais, como esta questão resulta de questões de natureza financeira, talvez se afirmasse que o governo era uma cambada de neoliberais ao serviço da sra. Merkel. Enfim, a mesma lenga-lenga do costume.

A verdade no entanto, e com as devidas diferenças históricas, é que as semelhanças são muitas.  Vejamos o que o presidente do sindicato dos professores do ensino secundário de Ontário afirma sobre esta famosa lei 115 de congelamento dos salários e perda de autonomia das escolas.

Ken Coran, President of OSSTF/FEESO questioned, “How can the government claim on one hand, that the education workers of Ontario, along with many other workers in this province, must have their wages and benefits cut drastically, yet, on the other hand, is willing to forgive over a billion dollars in mainly business and corporate taxes?”   

Hum...onde é que eu já ouvi isto?

Ou então:

"This government would appear to have two major priorities these days; to demonize education sector workers by blaming them for the province’s budget challenges, and to forgive businesses and corporations for not paying over a billion dollars in unpaid taxes. I think it is safe to say that while these may be government priorities, these are not the priorities of most Ontarians,” concluded Coran.
Interessante, não é?

No artigo de jornal referido atrás refere-se que:

Teachers occupy a special rung on the public-sector ladder. Many play heroic roles in motivating and inspiring children to become their best selves, and they deserve to be well compensated.
Hum...Quem é que eu já ouvi a dizer isto?

E ao afinal de 1 ano parece que não chegaram a acordo. 1 ano? 1 ano! O governo da província acabou por afirmar a sua autoridade e decidiu o que achou melhor. Claro, os sindicatos e os professores não ficaram contentes.

Imaginemos o que aconteceria em Portugal se ao final de 1 ano não houvesse um acordo entre o governo e os sindicatos...Eu sei: o governo já teria caído.

Resumindo, as diferenças parecem ser muito poucas e caracterizadas apenas por uma maior tendência de amplificação do caos, tão singular da sociedade portuguesa. Aqui é um problema do governo e dos sindicatos. O país e a província permanecem intactos, o Primeiro-Ministro contínua a dizer que o Canadá é o melhor país do Mundo, o povo continua a adorar a sua terra.
Afinal, os professores têm direito a fazer greve...?

À Fernando Pessa, e esta hein?
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