7.15.2011

Para os meus pais

Não devemos agradecer àqueles que amamos apenas quando o calendário bate à porta em determinado dia ou quando as prendas fluem para as nossas mãos; não nos devemos vergar à vulgaridade materialista e inócua das relações, afirmando amor, paz, amizade e tudo mais em toneladas quando aquilo que nos articula é completamente difuso e contrário. 

Devemos (sim, estou a exigir) ser autênticos e respeitosos na vida que construímos; devemos respeitar quem nos soprou a vida e exigir-lhes a educação que deram ou que deveriam ter dado; exigir-lhes serem melhores se não o tiverem feito connosco, assim como nos exigimos a sempre mais. Mas deveremos mais. Temos que assinalar o privilégio de quem nos criou, quem nos apoia incondicionalmente, nos ama sem limites mesmo quando a sua humanidade tropeça nas idiossincrasias pessoais. Os pais são da nossa carne, as suas vidas únicas não diferem muito dos nossos mundos interiores. Os problemas surgem, as soluções tardam, a vida prossegue. 

Hoje, sem datas de parabéns, sem respostas a prendas, mas por tudo, reconheço humildemente o amor dos meus pais. Porque ainda estão vivos, porque os amo, porque estão sempre presentes mesmo quando não estou perto. Porque são um exemplo, cada um à sua maneira. 

Únicos, especiais e eternos.     

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