3.23.2010

Marketplace of Ideas

Liberdade. Debate de ideias e perspectivas. Transparência. Lógica. Razão. Lei.

Este termo – Marketplace of Ideas[1] –, cunhado por um tribunal americano na segunda metade do século passado, a propósito da deliberação sobre um processo que envolvia a Universidade do Estado de New York e professores assistentes que recusaram assinar uma declaração em como não eram comunistas, recolhe o seu fundamento na sabedoria de um dos fundadores da república americana, Thomas Jefferson.

Respeito. Participação. Educação. Verdade. Comunidade.

Todos nós concordamos numa ideia: queremos o melhor para nós. Egoisticamente compenetrados na nossa existência, esperamos que tudo de bom nos aconteça. Queremos ser felizes. Legitimamente. Contudo, será que poderemos extrapolar pacificamente esta perspectiva íntima de uma evolução exponencial na nossa escala interior? Afinal, a existência pessoal fundamenta-se na Relação. Connosco, com os outros, com a comunidade.

Uma comunidade que se cria de acordo com um Mercado de Ideias vibrante, que rejubila perante os desafios do futuro e o respeito pelo passado; que se enquadra num fórum cívico activo, em que os políticos têm uma visão, uma missão e prestam contas, e em que a comunidade as exige; que é renovável na sua energia incomensurável de criação de beleza. A estética da qualidade de vida. Um espaço livre de debate sério, que respeita a lei, a razão, a verdade e o bem comum. Um espaço sensato e partilhado.

A Ovar falta um vibrante e consequente Mercado de Ideias; um estado geral de comunicação multi-direccional, em que as vozes que sobem alto nos palcos desçam junto às vozes, que cosidas pela descrença, aguardam ansiosamente um beliscão para participarem.

É aflitivo viver numa comunidade que, por vários motivos e agentes, flutua no mar dos humores da unicidade discursiva, que aceita relações promíscuas, simpatias patéticas, cegueira parcial, numa apatia tremenda. Falta-nos algo. Alguns dirão, falta-nos tudo. Eu não acredito.

Temos uma pletora de pessoas inteligentes (aquelas com as quais discordamos também podem ser inteligentes…) capazes de algo interessante; recursos naturais riquíssimos; um novo Mundo por explorar.

Falta-nos uma visão para Ovar. O Mercado de Ideias fica assim inaugurado. Uma aspiração, um sonho, uma meta, uma ambição. Um documento materializado por ideias diversas mas consistentes, acções claras, linhas orientadores definidas, inclusiva de todos os agentes, ciente das dificuldades e organizado na estratégia e na sustentabilidade.

Deixo-lhe um repto: qual é a sua Visão da cidade de Ovar de 2025? Quais deverão ser as nossas – Comunidade – prioridades estratégicas

[1]-Poder-se-á traduzir este termo, de uma maneira simplista, como o Mercado das Ideias.
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