2.04.2009

Mudar

Os barulhos.
Sons desprezáveis emitidos pelo inaudito e arfante sonho de uma coerência desgraçada, apoiada numa infância em que a significação dos eventos se fazia através de contas de subtrair.
Os gritos.
As vozes que suam, que esperneiam, que tentam levar no bico uma existência maior do que elas. A expansão do ser verifica-se pela exaustividade e paveamento da voz. A calçada da materialização da voz é o grito.
A dor.
Sons de desconforto na composição das interconexões da existência. Quebras de razoabilidade e revolta auto-dirigida. Uivos de desespero de pensamentos que descamam e se perdem na fluência do dia. Uma fugidia sensação de incapacidade de colocar um marco. Aqui sou.
Os barulhos, os gritos e a dor dos...
...
...
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daqueles na aldeia que roem as unhas como roem os sonhos;
o toxicodependente que é independente de si;
o médico que perdeu o olhar num paciente que morreu;
uma criança que aprende a criar existências.
Todos eles, todos nós.
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