10.22.2009

Instante

Num instante toda a nossa vida caí de um sorriso imenso para uma cara com contornos melancólicos. E espanta-mo-nos. Surpreendidos, procuramos um balão de ar quente que nos leve até onde o Sol brilha. Mas percebemos que algo mudou. As nuvens são espessas e deixamos de conseguir chegar ao sorriso que nos iluminava. Paramos. Pensamos nos pontos e nos elos, tentando descoser toda a trama. Rompemos os pensamentos à procura das incongruências. Constatamos. A força do momento subjuga-se a uma incrível e decepcionante falta de controlo da nossa vida.
Num segundo, eu ligo o interruptor.
Num segundo, tu desligas o interruptor.
Num segundo, eu desligo o interruptor.
Num segundo, tu vais embora.
Num segundo, procuro-te.
Num segundo, eu ligo o interruptor.
Num segundo, percebo o vazio da sala.
Num segundo, afastas-te para um canto invisível.
Num segundo, o vazio parecem horas de um insano cantar nocturno.
Num segundo, tudo fica na saudade.
Numa vida, as horas, por vezes, são segundos.
Segundos que não se querem perder.
Horas de carinho que se viram fugir.
Dias de levitação que cessam. As rochas magoam.
Foste embora num segundo.
Fico eu nas horas infinitas, procurando-te.
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