8.26.2008

Dedal

Ela levantou a mão e rugiu o que a boca não conseguiu comunicar. A raiva borbulhava-lhe nas mãos, os sentimentos pareciam-lhe ilusões. A acção apenas uma mera consequência do deslize do fio que a ligava ao Outro.

Congelei.

Ele reagiu. Emitiu sons que se pareceram com palavras, tentando esgrimir com a ignomínia a cozedura que tinha feito do seu abuso. Abuso da permeabilidade do limite entre um céu limpo e uma tempestade.
Vejo claramente agora como um imbróglio de ininteligibilidades irrompe por entre os cantos remotos dos sentimentos. Ruge-se numa linguagem que pertence aos Deuses.

Ele recuou para um ponto em que a linguagem utilizado desculpava o corte do ténue e frágil fio com que ergueu o seu desafio. Ela mexeu o corpo. O vento zumbiu e uma dor apagou-lhe o canal que lhe levava o discernimento. Tudo se ouviu e nada se disse.

Dois dedos afastado pelo limite entre o Amor e a ignomínia, a dor e o calor que ela emite. Uma protecção contra o escudo repressivo da inércia. Esperem que ambos se picarão novamente. E dirão que nunca nada foi diferente, apenas relatado com cores de suspiros.
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