7.25.2008

Prova

"Prova aquilo que sentes!"

E ele lá continuava a pensar como fazê-lo...Olhou para as mãos e vi um vazio com um pudor entristecido; olhou-se no espelho e viu passar atrás das suas costas rasgos fugidios de apelo; olhou para os pés e viu que permanecia uns 15cm acima do chão. E continuou a olhar e a imaginar como se lêem notícias sem querer adormecer na inefabilidade das respostas oferecidas.

"Compro-te!"

E comprou. Não uma matéria, sorriso, toque ou viagem. Comprou a repulsa que lhe custaria uma mudança que se apregoa quando tudo se desmorona. Comprou-se. Adquiriu-se. Alugou-se. Impediu que tivesse que provar com os olhos servidos em bandejas de € os sentimentos que lhe escorriam pelo olhar. Ao olhar-te. Ao receber o teu olhar progressivamente subindo do chão até ao tecto da vergonha, ele disse: aqui tens. A tua prenda leva um laço. Ao abri-lo terás acesso à melhor compra do Mundo. Olhou para ele a sua voz interior e perplexa abafou-lhe a voz. Rugindo uma angústia sem precedentes revoltou-se contra as palavras que cortaram-se e se destruíram ao chegar mãos da...às tuas mãos.

Pensou e pensou. Baixou os braços, levantou o pé esquerdo e esmagou o chão. Era demasiado. Haviam-lhe rejeitado a entrada na solução, ocupando-lhe a vaga deixada em aberto pela perspectiva. Reflectiu calmamente.

Ofereceu-lhe um discurso e um coração saltar. Disse-lhe que provar sentimentos só com os sentidos, não com artefactos que futilizam o tempo e sustentam a perfídia. Desde então tem sonhado com prendas que viu numa loja de sonhos.

Ouvi dizer que comprou 3 beijos, 5 abraços, 2 toques sublimes e 5 olhares. Ouvi dizer que os ofereceu e que os quiseram comprar. Rejeitou. Disse que só oferecendo os manteria perto dele e dela. Acreditei. Aliás, nunca duvidei. Meu caro, tudo é barato quando os fundamentos são sólidos.
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