7.12.2008

A ordem do caos

E ele disse que a ordem do caos leva-o à loucura, à lancinante dor de reconhecer num paradoxo a resolução da inteligibilidade pessoal. A tristeza de reconhecer na consciência uma fragmentação que observa os marcos que ficam para trás. Atrás do tempo, longe da lógica, refugiado entre dois pontos que se reúnem num lugar distante que não se chama nem se designa. A loucura de viver o terror que ele sente deveria ser crime quando julgada pelo nosso tribunal interno. No entanto, tal como o juiz e o arguido, ele é ambos ao mesmo tempo. Literalmente errado, vivencialmente correcto.
Se tudo se desenvolve com ordem então a organização da posição do self predominante rejubila. A angústia serve-se gelada como o rigor da metodologia. A flauta toca sons hipnóticos e ele continua, aparentemente, calmo, coerente, em paz. De repente, gritos!
Medo e alegria temerosa.
Reconheces.
"E vi que tudo era estranho porque continuava a fazer o que não queria fazer." Paz. Terror. Angústia. Paz. Consequência.
Não age.
Terror e tristeza persistentes.
"E senti que não poderia continuar assim, afastado deste tremor de terra que abre as estradas e me engole."
Vives enjaulado num fio frágil que une o espaço à massa atómica negra.
Resistes e desistes. Cais. Vociferas que tens uma doença e não sabes como deixar de a ter. Se ao menos ela não parecesse estar dentro de ti! Errado! Ao longo de ti, entre a ponta da tua língua e a ponta das tuas acções.
A fragmentação das bombas cessa.
As luzes diminuem-se de intensidade.
Chega uma mão no escuro e segura-te o olhar.
Encostaste suavemente.
"Sou eu." "Eu quem?" "Eu?" "Sim, tu!" "Eu, finalmente!"
Bem vindo!
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