6.11.2008

Besta

Uma besta é um ser bestialmente estúpido. Uma pessoa que gira no eixo da sua centração em si próprio. É um ser que gravita nos píncaros da ininteligibilidade. Algo que flutua numa argamassa digna da sua constituição cerebral. Talvez seja apenas alguém que congelado na sua inteligência ficou a rodar no satélite que conhece: a sua imagem.

Uma besta é uma beleza de terror. Um cavernoso inferno de desgostos e frieza. Porquê? O quê?

Uma besta não responde: vocifera.
Uma besta não pensa: emite associações rebuscadas de manipulação da poeira do cérebro.
Uma besta não age: agiu. Não reflecte para além do diálogo que mantem com sua profusão organísmica de homeostase.
Uma besta não vive: massacra a vida dos outros. Suga-lhes a paciência e fixa-os na auto-punição.
Uma besta não existe: existem.
Uma besta.
O lado visível do olho tapado.
Uma incomensurabilidade.
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