3.09.2008

Pessoas inteligentes

Um dos grandes problemas de Portugal são as pessoas inteligentes. Quando as pessoas julgam que a sua inteligência se transforma em magnanimidade relativamente às restantes pessoas; quando se julgam no direito de falarem sobre tudo como se dominassem todos os acontecimentos e se a sua explicação fosse uma bela obra de arte que escorre das suas línguas; quando imprimem à sua existência uma subtileza que os mujiques devem agraciar, agradecidos pela inspiração de tal sabedoria. Que belos! Que subtis! Que podridão! Que falta de sensibilidade! Que desencanto! Que encanto! Sim, senhores! Encantem-me! Ensinem-me a pensar como a nobreza de pensamento se expressa! Por favor! Não! E digo agora, parem de serem estúpidos, ao ponto de considerarem que um diálogo é uma imensidão de informação que flutua nos recônditos armários do vosso cérebro. Reconheçam a complexidade dos outros seres humanos! Reconheçam que são simples pessoas...inteligentes e insensíveis. Burras e sensíveis. Sejam idiotas a tempo inteiro. Tenham ideias complexas, que recolham das chapéus dos transeuntes um pouco das suas lágrimas e o odor dos vapores que emanam. Apanhem o lixo do chão. Vergam-se a...vós. Cá permanecerei a acarinhar-vos, a ouvir-vos quando me delicio com um breve trecho do século XIX. Ah! Que belos homens! Que nobreza! Fechei o livro.
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