5.24.2008

Interesting tools

Some Meta search engines:

- http://www.kartoo.com/
- http://www.dogpile.com/
- http://clusty.com/
- http://www.surfwax.com/


Mind mapping tools:


- http://www.xmind.org/
- http://www.thebrain.com/
- http://freehackers.org/~tnagy/kdissert.html
- http://freemind.sourceforge.net/
- http://www.mindjet.com/eu/
- http://www.mindomo.com/

5.23.2008

Velocidade da luz vs velocidade da poupança

A companhia sueca dos transportes ferroviários irá ter direito a uma frota de comboios 20% mais eficientes em termos energéticos. Pelos vistos o bicho da velocidade de 320km/h vai esperar. A velocidade da luz dará, por enquanto, direito à velocidade da eficiência energética.

Aqui

Portugal com maior desigualdade na repartição de rendimentos

O comentário fácil: porque é que isto não surpreende?

O comentário difícil: porque é que isto continua?

O comentário triste e desanimado: porque é que eu considero que isto não irá mudar nos próximos tempos?

O comentário positivo: aprendam com os países nórdicos!!!

Necessitamos de alguém com visão, que actue como um vírus de inovação, como uma lufada de ar fresco em cérebros esculpidos por poluição cerebral.

ah! A notícia! Aqui


Mas afinal os dados desta notícia estão desactualizados. Who say so? O governo. Sinceramente, mas alguém quer saber da opinião deles? Alguém quer saber da opinião de um primeiro ministro de um governo que diz que não há pessoas a morrer à fome em Portugal? Bem, de facto até tem razão. Segundo a lógica mais purista, não existem pessoas a morrer à fome em Portugal; existem pessoas que sem apoio de uma instituição não comeriam mais que um pão, ou pouco mais, num dia inteiro. Morrem à fome? No sentido mais amplo sim. Morrem paulatinamente, num sufoco constante, num mar negro em que se atolam e em que nada vêem para além de lama. A lama que lhes pinta o olhar.

5.21.2008



The World as Worlds. Inequity as a way of life. Injustice as a mote. Poverty as a reality. Arrogance as a trend.

5.18.2008

5.15.2008

Poverty

A poor man dwells upon his humble insignificance just in front of the eyes of others. They look at him, scratch their heads, look into the floor and think about the lie that surrounds a truth. No worries. It's not my poverty, they think. I need to buy a ticket to go see my dead grandmother. She died today and I have no money left to go see her. My boss fired me yesterday. And what do I have to do with that, sir? I will just create a lie on a glimpse. Wait a second...Done. Here you go: I don't have money because...I..Hum...You're lying and you're poor. You are dirty and you have no teeth. Why would I give money for your lie? Stick to my truth, dear sir! I'm not a lier. Maybe a janitor of lies, but not a lier. Oh well, I'll buy your lie, your highness! I will take this crown of harshness and look at it everyday. Oh, I'm so happy!
And he went and never came back. Came with a lie, gone a lie, but an acceptable one.

Irony included. This works out of the box. Unfortunately. A dead end.

5.06.2008

Existence of...You...?

In each and everyone of us lays an uncertainty about ourselves. Who are we? Who are you? Who am I? We struggle for answers and our questions are in itself, the answers. The polyphonic aspect of our existence as shared existence is a paramount characteristic of being. We never know who we are in a certain moment: we are, we fluidly live in the stream of consciousness. Our life as no end and no beginning. We exist in being something that doesn't recognize itself on a mirror, but instead on a tumultuous creation of meaningfulness. We deal with reality with our framework of it. It's just like being at the same time the TV and the TV show.
Although we have an never ending perception of our existence, we assume the magnitude of the circumspection aspect of the life of others. That's why we suffer so much with the loss of another. We can't and we mustn't look others as infinite beings. Why? Because that would destroy our center-other relationship. We would navigate in a sea of unintelligibility because we would have to deal seriously with the uncertainty of uncertainties: being lost on the spectrum of relations.

There isn't existence for ourselves. We exist fluidly on our efforts of co-being in our shared reality. Albeit, others have an existence. They are narrowed in their subjectivity to fit our limited capability of apprehend the others participation in our shared worlds.

5.04.2008

O rigor, a honestidade, o bem comum

Seis mil gerentes dizem ganhar apenas o salário mínimo nacional

Há seis mil gerentes e directores de empresa que garantem ganhar apenas o salário mínimo. Nestas empresas, portanto, nem um trabalhador tinha um vencimento mais baixo do que o do responsável máximo. E nas mais pequenas, o vencimento médio dos líderes rondava os mil euros, brutos. "Pouco realistas" e "pano para mangas para o Fisco", são algumas expressões usadas por empresas de recrutamento, conhecedoras dos salários correntes usados no mercado, para classificar a declaração de valores tão baixos, mesmo em tempo de maior aperto económico como o actual. Há seis mil gerentes e directores de empresa que garantem ganhar apenas o salário mínimo. Nestas empresas, portanto, nem um trabalhador tinha um vencimento mais baixo do que o do responsável máximo. E nas mais pequenas, o vencimento médio dos líderes rondava os mil euros, brutos. "Pouco realistas" e "pano para mangas para o Fisco", são algumas expressões usadas por empresas de recrutamento, conhecedoras dos salários correntes usados no mercado, para classificar a declaração de valores tão baixos, mesmo em tempo de maior aperto económico como o actual.

Os dados foram apurados pela maior base de dados laboral portuguesa - os Quadros de Pessoal (neste caso, de 2006, os mais recentes), a cargo do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP), do Ministério do Trabalho. Nesse ano, o salário mínimo foi de 385,90 euros, bruto. Por lei, está isento de IRS mas não se livra de entregar perto de 40 euros (11,5%) para a Segurança Social. Ou seja, os seis mil gerentes e directores asseguraram levar para casa apenas 343,45 euros, todos os meses.

Estes seis mil gerentes disseram ganhar exactamente o salário mínimo, mas muitos outros declaram ganhar uns euros mais. Segundo o GEP, o salário médio bruto nas empresas até quatro trabalhadores é de 863,61 euros - 712 depois de descontar impostos e Segurança Social.

Na restauração e hotelaria, o valor desce para 550,43 euros (481 líquidos), o mais baixo de todos. O cálculo sobre o desconto para IRS foi feito admitindo que o contribuinte é casado e que o cônjuge também trabalha. Trata-se de valores médios, o que significa que há seguramente muitas pessoas a ganhar substancialmente mais, ou menos.

Fugir ao Fisco?

Mesmo descontando os casos de micro-empresas e das que estão mesmo em crise, dois responsáveis por empresas que recrutam e colocam quadros (e agenciam trabalho temporário) acreditam que muitas destas seis mil pessoas fogem ao Fisco e à Segurança Social. Amândio da Fonseca, responsável pela Egor, assegura que os dados do GEP dariam "pano para mangas para as Finanças", já que "não é crível que tantas pessoas" com a responsabilidade máxima numa empresa, mesmo que uma micro-empresa, ganhem tão pouco. Sobretudo, acrescentou Pena da Costa, da Manpower, sabendo que estas pessoas podem ser responsabilizadas criminalmente pela actuação da empresa.

Descontando os casos de reais problemas financeiros, os gestores garantem ser impossível encontrar no mercado de trabalho quem assuma a responsabilidade de gerir uma empresa, por mais pequena que seja, por um salário tão baixo. "Não, é impensável encontrar quem assuma uma gerência por esse valor", assegurou Pena da Costa. O seu "preço de mercado" começa nos 1500 euros, assegurou. Amândio da Fonseca concordou. "Eu não conseguiria contratar um gerente por tão pouco, mesmo que fosse para uma micro-empresa", garantiu.


Source

4.28.2008

Incomensurabilidade

Entre mim e ti jorra um oceano de incertezas. A sintonia é acomodada e fluída. Tudo se desenvolve como se não houvesse um fim, um ponto de não retorno. Tudo é imortal e imparável. Mas quando vês alguém na sua vida, num traço circunspecto, então a vida é uma ideia com data limite.
Entre ambos, tu e outra pessoa, existem recuos que não vês, aproximações que não são desejadas e acções das quais não se tem consciência. Existe-se existindo uma vida em constante existência. Um fluidez exacerbada pelas palavras, um rio calmo e terno na realidade. Mesmo na tragédia, nas trevas vistas pelos olhos quando olham para o fundo, tudo é harmoniosamente fluído. E isto não faz sentido nenhum. Não conseguimos perceber a realidade. Nós somos a realidade. Não é possível separar elementos, pois tudo existe na simultaneidade e nas diferenças que permitem decalcar o figure/ground que não é mais que um congelamento rápido. Dialogamos a níveis inauditos para os nossos sentidos, todos os corpos vibram e dialogam com os seus interlocutores. Sempre, sempre, sempre. Sem parar. Sem restrições. Sem absolvições. Nada pára. Nada pára. Tudo pára quando paramos para pensar. O nosso Mundo, o Mundo de tudo, reduz-se a inteligibilidade criadas por sensores que delimitam a compreensão da vida. Reduz-me o círculo, reduz-se mais um pouco, e pára-se. Assim poderás pensar sobre ti. Existir é uma ideia brilhante que nunca cessa e raras vezes se extingue. Existência é uma ideia de mármore. Fria. A vida um zoom constante de realidades que se extinguem, desenvolvem, afrouxam e aceleram. Um "estou aqui a existir e sou sei disto quando me percebo que existi ao dizer isto."

4.21.2008

Oh Finland!

Finnish Customs

Social standards vary from one country to another. Here are some specifically Finnish features:

* Punctuality is extremely important.
* Small talk is often avoided. Get to the point.
* Employers value initiative. You won't necessarily be shown how to do everything.
* Open chauvinism isn't acceptable. Women expect to be treated equally, and will for example offer to pay for their share of a date. Do, however, be courteous and hold doors open etc. But then again you might hold a door open for a man, too.
* Foreigners are treated with tolerance, and rules are relaxed anyway. You're not going to ruin your reputation by breaking a social norm here or there - it's built up over time.
* People in important positions will often be humble to the point of not even mentioning their title when introducing themselves, and you can usually address your superiors by first name. This doesn't mean they don't expect the appropriate level of respect, though.
* It is not customary to use a person's name unless you're trying to attract his attention or are referring to him. When greeting someone, a simple "Hi" is enough.
* Embracing is rare, nor should you usually perform other gestures, such as touching someone's shoulder while shaking hands. The handshake itself is short and firm.
* Children are usually placed in day care at a young age, allowing both parents a normal job. If one party stays at home, it can also be the father.
* Tipping is not necessary. Good service is expected by default, and waiters/taxi drivers should have a decent base salary. If the service is exceptional, you may want to tip anyway, but no one will be offended if you don't. Rounding the bill up by a small amount to avoid change is not interpreted as an insultingly small tip, but rather as a friendly gesture.
* You should ask permission before lighting a cigarette in the company of others, even in areas where smoking is obviously permitted.
* You're expected to leave your shoes at the door when entering private residences.
* You'll probably be invited to go to a sauna at some point. Don't be nervous about the nudity - no one cares.

4.15.2008

Existence- we will never die; we have never been born

We consider reality as the simultaneously and different reaction and positioning of ourselves with Others. This is true because my inner dialogue is chatting with you: an Other, myself and us. I assume that I am addressing the World and that I am constrained by the communicational system that sustains me. I also assume that my utterances are modeled by the dialogue that I am. Thus, any particular performance of existence is a shared and simultaneous dialogued with an Other.
Therefore, have I ever really been born? Will I ever die? No.
I never felt birth or existed consciously through it. People told me that I was born, but I never addressed it. I never dialogued with it. I never was what people told me that I was. I am now. I was then, but not to me.
I'll never feel death, because it's effects will not be considered by me. Only the Other feels my death, and dialogues with me, thus creating an act that keeps me alive. But not myself. A me that flies on their dialogues with Others and with themselves. I'll not respond, even though my voice will be heard on their dialogues.
I have never been born and I will never die. That's why I can write this creepy weird things: because I imagine the dialogue between that non-existence on existence and my own existence on this world of co-being.
I reassure you that you will not die either. We are dialogically eternal.

The end of end of the begining of poverty

At the Monterrey Financing for Development Conference in 2002, world leaders pledged “to make concrete efforts towards the target of 0.7%” of their national income in international aid. In today’s dollars, that would amount to almost $200 billion each year.
Donor Countries and 0.7% Commitment

Countries already at 0.7%


ODA in 2005 as
% of GNI (gross national income)

Denmark 0.81%

Luxembourg 0.87%

Netherlands 0.82%

Norway 0.93%

Sweden 0.92%



Recent Commitment to Reach 0.7%

Belgium Reach 0.7% by 2010

Finland each 0.44% by 2007 and 0.7% by 2010

France Reach 0.5% by 2007 and 0.7% by 2012

Ireland Reach 0.7% by 2007

United Kingdom 0.47% by 2007-2008 and 0.7% by 2013

All members of the EU 15 0.56% by 2010 and 0.7% by 2015

Public perceptions reflect support for higher levels of aid. When asked what percentage of the federal budget they think goes to foreign aid, Americans' median estimate is 25% of the budget, more than 25 times the actual level. Only 2% of Americans give a correct estimate of 1% of the budget or less. When asked how much of the budget should go to foreign aid, the median response is 10%. Only 13% of Americans believe that the percentage should be 1% or less. Over 60% of Americans believe that contributing 0.7% of national income to meet the Millennium Development Goals is the right thing to do.



Here

It looks like poverty has a perceptual deficit on the eyes of some rich world citizens. Nothing that wouldn't be expected. It's just a profound and fantasy based narrative about their influence on the world's health (end). We always tend to assume larger deeds than the factual actions we make.

But, there is another side of the story, one that is guided by the vision of the enlightened countries, like Sweden. Their moral correctness stand for their actions. Hope we had more of this, and not just little hearts on the chests of powerful people.

Oh World, if you had a voice you would say: "what am I?"

4.10.2008

Give me my freedom!

"Por cada computador transaccionado no mercado de consumo, o consumidor é obrigado a pagar um imposto, sem que se chegue a aperceber. Este imposto é relativo a software que não é necessário e cujo custo está incluído no preço do computador, podendo em alguns casos chegar perto dos 300€!"



English "modified" version: Microsoft and PC stores perpetuate constant assaults on our freedom. Why pay for a software that you don't want? Where's our freedom to chose the OS that we prefer or to deny paying a software that we don't want to use?


Como recuperar o dinheiro cobrado indevidamente/ How to get your money back (Portuguese only)

The voice that I obey

Machine gun

I saw a saviour
a saviour come my way
I thought I'd see it
at the cold light of day
but now I realise that I’m
Only for me

if only I could see
You turn myself to me
and recognise the poison in my heart
there is no other place
no one else I face
remedy, we’ll agree, is how I feel
here in my reflecting
What more can I say?
for I am guilty
for the voice that I obey
too scared to sacrifice a choice
chosen for me

if only I could see
You turn myself to me
recognise the poison in my heart
there is no other place
no one else I face
The remedy, to agree, is how I feel


by Portishead

4.06.2008

I and many

A person lives in as many worlds as important relations, and takes in each of them a specific identity. There is a private audience that makes us feel like home. With the recognition of oneself through the dynamic organization of shared reality. So, we are as many as significant and different "existences" we "act" on the realities we share.

Will Kant revolve on his coffin? Or will the majority of people simply say: "is this what you have to say? Give me a break! I know that since the first time I recognized my existence on the eyes of another."

Hum...True. Science comes always late. It's actions are always meta analysis, in a way that creates a discourse that explains plausibly what people are afraid or inhibited of saying.

So, what keeps us apart of a fragmented self? Simple: the coherent organization of difference and complexity.

Anti

To be anti something means to be anti everything, since the polarity of analysis creates two dead ends where everything is collapsed in little pieces of reality. It's like a fragmented reality that focus it's main core on the layers of deviance, uncertainty, prejudice, stigma, ignorance and the need for self preservation.

When we say that we're anti X, we mean that we repudiate X, although it is a balanced aspect view of Y. So, when erasing X, we erase the total comprehension of Y and ourselves.

Being anti islamics or anti-americans generates darkness on their fundamental and righteous rights and contributions to the world. It fulfils a picture with a blurred ink; it separates what cannot be unrelated.

But, what about being anti something specific like attacking human rights on Somalia? Is it beneficial to be anti this? Does it generates action for the anti to be transformed in pro human rights?

So, anti something gets pro, in fact, a minuscule loneliness of pride. Thus, being anti americans means to say things wrongly, because an anti speech person seeks that that object of anti turns a pro "my view". And turning the world on black and white doesn't solve this. What anti means is that "we are fed up with you. We would like you to behave like us, or to respects us as we want to be respected. If you change behaviours we will dissolve our anti thoughts on your respectful understanding of ourselves."

An anti something has always a deep motivation and a hurt pride. To respond with anti you that are anti me is to block the bridge that unit us: dialogue and share of the other's positions.

Matthias Ettrich: the KDE man and his lucidity of analysis

"The desktop problem has been solved many years ago. I mean, try to compare Windows XP with KDE 3: nobody in their right mind would choose Windows over GNU/Linux based on the desktop experience alone. The Web problem has also been solved. Microsoft clearly lost the Web war -- they failed to enhance the Web in a proprietary way. What remains are some legal issues on the multimedia side that can be mostly worked around, the office documents formats issue and the flood of applications that only run on Windows, mostly games. "

"A proprietary undocumented text format as the de facto standard -- and that's what .doc is -- is a shame for all parties involved. It's like using a special patented ink that can only be read with special patented sun glasses. Who would want to use that for all their scientific, private and business documents? Probably nobody. Why they do so with computers is beyond me."

"To me personally, two things matter the most. First, how easy is it to develop applications that really utilise the power of the underlying platform? Keep in mind that those 'desktops' really are software development platforms, what you see on the screen is just the tip of the iceberg. And second, is it free, in the liberty sense of the word? Do I get the source code? Can I learn from it? Can I modify it? Can I share my modifications with others? Imagine where the world of computer science would be without Free Software! How much secret knowledge would be kept behind closed doors? Without us, people would study computer science and programming without ever having seen a real program in its entirety. That's like becoming writers without ever having read a complete book."

Do we all need more words to get the message clear? Will the ignorance and prejudices turn to appropriate based ethical knowledge about software?


Source

3.31.2008

Canada's dark side

Canada is a great country, full of amazing landscapes and nice people. It's a country that I love.

But, why so much pollution? I will not even mention that environmental crime called oil sands...

"By the numbers:


* Canada is one of the greatest consumers of energy per capita, burning the equivalent of roughly 7,700 litres of oil per person each year. This is roughly 50 times the consumption rate of Bangladesh, a country that stands to be largely eliminated by climate change-induced sea level rise.

* Canadians use more energy than all of the 760 million inhabitants of Africa.

* Canada makes up less than one half of one percent of the world's population, but is the world's eighth largest producer of carbon dioxide.

* Canadians spend about $75 billion annually - 10 percent of our GDP - on energy to heat homes and offices, and to operate cars, factories and appliances. This is equivalent to $2,500 per person.

Canada Country Analysis

Canada's greenhouse gas emissions are increasing. Energy consumption grew about 18 per cent between 1992 and 2002, while emissions rose at a rate of 1.9 per cent annually, 27 per cent since 1990. Rising emissions trigger more rapid climate change and worsen air pollution - with serious health consequences.

On a sectoral basis, the energy industry and the transportation sector contribute the greatest share of emissions. For individual Canadians, transportation accounts for almost half of greenhouse gas emissions, primarily due to automobile use. Energy use in the home accounts for the other half of greenhouse gas emissions produced by individual Canadians.

Despite our high consumption, research shows that Canadians are eager to adopt clean, renewable energy technologies. The good news is that these technologies are available now, and are becoming more affordable each year. Many Canadians also realizing that cutting energy use can mean substantial savings."

Source

There are always good news..Hope this behavioral change occurs rapidly and consistently. The World will be watching.

3.25.2008

Ridículo

Uma pessoa sensível e que pretende desenvolver posições harmoniosas ou justas, sonha sempre com o dia em que não será ridículo. O dia em que a polifonia daquilo que pensa se encaixa perfeitamente na mensagem transmitida. É possível que paradoxo de uma mensagem seja coberto por uma fina camada mas brilhante de assertividade. O processo até esse colorido assertivo é uma tempestade. Um sofrimento incorrigível na tentativa de agir numa posição aquilo que foi dito e contradito em várias posições. Assume-se a lúcida necessidade de concretizar uma letra simples e incisiva e uma pútrida consciência que está tudo mal. Tudo, desde o pensamento mais singelo ao rasgar mais iluminado que impinge ao próprio um enlevo duvidoso. E depois? Quando ouves? Ouves o terror inaudito de uma voz que se julga compreensiva mas enviesada. Nada feito. O que foste fazer? Mastigar a incerteza, cantar o desespero e voltar tudo ao brilhante relâmpago que jaz indelevelmente. E a corda rompe-se, o pensamento deteriora-se, é tudo posto fora e recuperado novamente. Na aura do que se quer dizer mas não se consegue transmitir como se pensa, surge..a..incompreensão. Própria, recíproca. Reavaliam-se os dedos contam as estações e pensam-se expressões de comunhão. Cortam-se as flores que não ousam crescer, não estas, e alimentamos uma nova posição. As cinzas voam. O vento está forte. O vento está fraco. O vento...não há vento. Uma lágrima tímida recolhe-se. A tua cara ilumina-se. Assim não. Ininteligibilidade. É melhor escrevê-la porque é difícil de compreender. Como compreender? Como explicar e entrar dentro do formato inculcado na terra? Como escrever lá uma dúvida, uma reserva, uma cor? Um passo? Como assumir-te como eu próprio enquanto tento alcançar o sentido do processo? Como moderar o pugilista que se esforça por matar o árbitro, não aguentando ser retraído ou avisado? Impossível. Uma posição pode ser de cristal e não partir, nem sequer rachar. Ser de tal forma fixa e irredutível que assusta pela determinação com que não se deixa reflectir. Uma posição de esmaga num cilindro e se torna um compacto que se atira para o futuro e chora-se no presente? Uma dor que pretendia ser esquecida e que faz brilhar...uma lágrima? Uma dor que impele o arrependimento a subjugar-se ao prejuízo de ver o Sol cair na cabeça e gostar de o sentir? É possível e acontece. Uma posição que se constrói aos nossos ombros, carregando as nossas costas com uma mochila que traz um mundo de...consciência tranquila. Uma consciência que se esmera ao máximo por não se questionar, por aceitar e bendizer a necessidade de aceitar que não se trata de uma mochila mas de um planeta. Um Mundo de sonhos trocados pela face que se suja para não chorar...por ti. Por vós. Uma face que vive entre a alegria da fortaleza e tristeza da sua ruína, percebida como inevitável enquanto a revolta é infestante?
Revolta.
Indecisão revoltada.
Ponderação.
O choro da água cinzenta; a alegria do enlevo.
O pano que enxagua os pedaços pequenos da insensatez..de quem?
A vida que se marca por um tom negro de exasperada fortaleza, de uma moral que surge no cimo da montanha como superior...a quem?
Pacífico é o nome que se dá a precariedade.
Precariedade é o nome que se dá à face suja e à tentativa de transmissão de uma polifonia que não se ajusta à sensibilidade de um "sim" ou "não".
Uma decisão que se toma para te dizer que sou melhor que vós.
Uma decisão que se torna um "podes sê-lo" e um "e nós tentaremos ser sempre piores que tu", puxando os teus belos cabelos até ao chão, cuspindo no chão quando nos olhamos para o espelho.
Que raio de terra é esta em que os espelhos estão todos partidos?

E a angústia renova-se. O novo ardor desloca-se para um novo diálogo. O que fazer? Ou melhor, o que ser e como ser na forma como se pretende substanciar um ser?

Como dizer sim e não ao mesmo tempo e, concomitantemente, bocejar pela ridícula necessidade de dizer "..."?
Caem com os joelhos no chão e as folhas levantam-se. O vento boceja. O homem ridículo sai de casa e leva na trela a lágrima que não se compreende. Deixa-a no jardim.

3.09.2008

Pessoas inteligentes

Um dos grandes problemas de Portugal são as pessoas inteligentes. Quando as pessoas julgam que a sua inteligência se transforma em magnanimidade relativamente às restantes pessoas; quando se julgam no direito de falarem sobre tudo como se dominassem todos os acontecimentos e se a sua explicação fosse uma bela obra de arte que escorre das suas línguas; quando imprimem à sua existência uma subtileza que os mujiques devem agraciar, agradecidos pela inspiração de tal sabedoria. Que belos! Que subtis! Que podridão! Que falta de sensibilidade! Que desencanto! Que encanto! Sim, senhores! Encantem-me! Ensinem-me a pensar como a nobreza de pensamento se expressa! Por favor! Não! E digo agora, parem de serem estúpidos, ao ponto de considerarem que um diálogo é uma imensidão de informação que flutua nos recônditos armários do vosso cérebro. Reconheçam a complexidade dos outros seres humanos! Reconheçam que são simples pessoas...inteligentes e insensíveis. Burras e sensíveis. Sejam idiotas a tempo inteiro. Tenham ideias complexas, que recolham das chapéus dos transeuntes um pouco das suas lágrimas e o odor dos vapores que emanam. Apanhem o lixo do chão. Vergam-se a...vós. Cá permanecerei a acarinhar-vos, a ouvir-vos quando me delicio com um breve trecho do século XIX. Ah! Que belos homens! Que nobreza! Fechei o livro.

3.04.2008

1h da manhã até parar

Prós?
Contras?
Prós e contras?

Contras! Contras! Contras!

Será este um país crível? Sério?

A noite prossegue o seu caminho...

100%

Satisfação a 100%. Zero dúvidas e zero críticas. Zero satisfação. O que é estar satisfeito a 100%? Satisfeito com a ideia de satisfação total com a aquisição e utilização de uma ferramenta? Resumir pensamentos a becos sem a saída "penso"? Não penso e satisfaço-me a 100%. E faço-o com a ignorância de quem me propõe um sedativo. "Ah! Que bom que é estar satisfeito a 100%! Totalmente satisfeito! que bom que é!" O que é 100%? 0% de satisfação é insatisfação total ou 100% de insatisfação?
Porque nos querem lavar o cérebro com simplicidades inertes? Não há satisfação total quando nos centramos em matéria que é passível de aquisição. E mesmo nas relações humanas, haverá satisfação a 100% ou insatisfação a 100%? Porque só interessa os pólos...não interessam os pólos. No extremos vive quem quer precipitar-se para as íngremes falésias descritas pelo êxtase da ignorância.
Será que não basta a satisfação plena com algo ou alguém? Será que não basta dizer "gosto sim, gosto muito". Satisfeito com a minha satisfação; insatisfeito com a minha satisfação.

100%-100%= secar o cérebro da água pérfida que jorra do exilir...da felicidade patética.

2.28.2008

Shut up...silence

‘What we cannot speak about we must pass over in silence.’

(Wittgenstein, 1961: section 6.5)

But we can speak about the unheard, the inaudible, about the profusion of tumultuous screaming discomfort of being silenced by...us. Then, we are no longer walkers on a shade of liberty; we walk the chosen silence, thus enriching what is meant to be heard.

2.14.2008

Say sorry



Kevin Rudd pediu Sorry to the Stolen Generations


Existem pessoas com capacidade de pedir desculpa em nome de algo grave que foi cometido por outros, ou em que a sua contribuição foi apenas a de fazer parte de uma sociedade, em que um governo cometeu actos reprováveis ao longos dos anos.
É um acto de nobreza de sentimentos. Afinal o homem que é primeiro ministro não necessita de ser um fantoche que se move à medida que a palha cai. Afinal ainda existem homens respeitáveis. Lamento só que a maioria não lhe siga o exemplo. O primeiro passo é reconhecer e depois agir. Porque será que na maior parte das vezes se age sem reconhecer, sem justificar, sem tornar as coisas inteligíveis?

Kevin Rudd, um político. Insulto?

Por cá continuaremos numa mediocridade insofismável.

A sombra

Pensar em algo desejável é pensar na sombra de algo que se rejeita. Nas costas de um pensamento voam deambulações entre um "sim" e um "não" que se degladiam pela prevalência. Forçar um ténue pensamento a focar-se na Vida é mudar o foco da luz, ainda que momentaneamente, para o sussurro da decrepitude. A forma como se organizam os frames entre a pegada de um determinado pensamento e a sombra que nele se manifesta, orienta o fluxo de pensamentos para o desejável ou para um beco em que o desejável torna-se na luz que não se vê.
Sempre a sombra da pegada imprevisível. Este diálogo cria em nós uma música de dialogicalidade que nos permite sair da sombra.

1.31.2008

Quebra

Existe um mar imenso desconhecido entre a interpenetração dos sentimentos com os pensamentos. Que raio de esquisitice esta do ser me pôr a pensar naquilo que não consegue pensar mas apenas sentir! Inebriante? Confuso. Nenhum rasgo de crueza de um pensamento que se dedica a uma paisagem de sentimentos se acalma. Quando te sinto sinto-te completamente. Não me perguntes como, porquê, durante quanto tempo. Sinto-te. E penso sobre inefabilidade de sentir algo tão belo e de tal abraço de sentimentos ser um fenómeno corporalmente total, como todos. Como todos? O que dizes? Não se nota que quando penso nesta amálgama que serpenteia a existência da vida em mim tenho dificuldade em apreender exactamente os sentimentos que pavoneiam com a sua singularidade? Nota-se claro. Penso na palavra, sinto-me e penso: "xiça! que raio! Como é que posso passar para o pensamento toda a tonalidade dos sentimentos que sinto?". Sei que sinto e sinto que não consigo pensá-os enquanto me dedico a arranjar uma maneira de os organizar. No final tenho um breve trecho; um bloco de notas que assinala que hoje houve um terramoto que implodiu em silêncio. Ninguém fala lá fora. Mantenho-me atento às mudanças no meu panorama. Penso: "Como apreender tudo tudo tudo?" Alguém responde com a minha boca que não posso. Cala-te! Lá vou eu outra vez...Quem pensa cala um pouco do que sente mas não deixa de sentir que existe muito mais para além dos arranjos que o pensamento faz da vida. Hum...o que é isto? Consegues sentir?

1.17.2008

Problema de comunicação

"..Cada homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes.
A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens."

página 131 do livro "Organizem-se: a gestão segundo Fernando Pessoa", de Fernandes, F.


À luz da Economia do trabalho, o problema do recrutamento é um problema de informação.

“Uma relação de agência ocorre quando o principal delega alguns direitos – por exemplo, direitos sobre a utilização de recursos. a um agente que está obrigado através de um contrato (formal
ou informal) a representar os interesses do principal em troca de uma remuneração de
qualquer espécie” (Eggertsson, 1995, 40-41).

De acordo com a teoria da agência as relações entre principal e agente caracterizam-se por:
a) assimetria de informação - o agente dispõe de mais informação sobre os detalhes das tarefas a
executar do que o principal o que lhe permite tirar vantagens;
b) os interesses das partes
envolvidas (principal e agente) não coincidem e muitas vezes podem entrar em conflito; e
c) a existência de comportamentos auto-interessados e oportunistas por parte dos
agentes conduzem a custos mais elevados para o principal.

1.10.2008

Tu e Deus: quem é quem?

Se Deus não responde às perguntas ou anseios dos crentes que tentam falar com ele, como será possível falar em Deus sem se dizer que Deus “está” em cada um de nós? A comunicação entre um ser que tem consciência de si próprio e uma entidade abstracta é problemática.
Aceita-se que Deus vive, de forma omnipresente, em todos os seres. Aqueles que dialogam com ele dialogam consigo próprios. Deus é personificado por uma posição individual que se molda pela imaginação que dele se cria. Portanto, todos os actos dirigidos a uma entidade abstracta como Deus visam, antes de mais, o próprio humano. Ele, ao rezar ou ao desejar algo, fala consigo próprio, dinamizando a fita elástica Eu-Outro. Será Deus um processo e não uma entidade? Um processo de auto desenvolvimento, de expressão da existência mais básica? Um artefacto cultural inefável que se assemelha à fluência da existência e à espontaneidade de existir?
Quem não acredita em Deus estará a anular uma abstracção ou a modificar o processo de diálogo que alguém que acredita mantém? Não se acreditar em Deus não significa não dialogar...connosco. Não acreditar em Deus significa colocar de parte uma forma de dialogar com o próprio, não uma particular rejeição de algo em concreto. Significa seleccionar que o humano não quer falar de si próprio assim, num diálogo com características que lhe desagradam.

1.03.2008

Organização básica

O self dialógico, enquanto processo organizador da existência humana, é um constante produto da alteração da relação entre existir e existência, entre a fluidez da existência e espontaneidade de existir. É um diálogo organizador do ser humano na relação que ele mantém com a vida (inclua-se o próprio ser, os outros, o meio físico, o futuro, o passado, etc..).
Dialogamos com a nossa criação fluída, corporizada, e com a nossa imaginação dos outros que habitam o nosso espaço de existência.
Sendo que o self dialógico visa compreender a organização geral do ser humano, nunca poderá tender a decalcar em papel químico o processo Humano de existir. Pensá-lo rondará a utopia. Responder a perguntas como "qual é o objectivo de ser Humano?", "qual é o sentido da existência?", "como existimos?", será impossível fora da fluência organizadora da existência Humana. E a que nível queremos responder a estas perguntas? E qual a vantagem de o fazer? E quais as desvantagens de não querer fazer?
A impossibilidade de sermos efectivamente, fisicamente, mais do que um, leva-nos a uma solidão dialógica. Presos ao diálogo do ser com os seres, não conseguimos ultrapassar o processo necessário que funda a existência: a organização da diferença.

Menos Humanos do que Humanos

Somos estranhos. Somos espontâneos e fluídos. Espontâneos porque a nossa existência impele-nos a inovar a cada momento; fluídos porque existe um contínuo de organização da existência individual, incessante e incontrolável. É a fluência da existência. E somos menos tempo espontâneos do que fluídos. A nossa vida organiza-se tacitamente, sendo o nosso organismo o principal organizador da nossa relação com a vida, incluindo-se nesta relação todas as expressões de vida. Esta organização constante e adaptada à vida idiossincrática, permite-nos existir. Todavia, muitas vezes somos mais espontâneos do que fluídos. Isto acontece quando utilizamos o nosso organismo como chefe de uma existência. Planeamos, inventamos, organizamos, dialogamos. Temos o poder de alterar a vida de forma incisiva e tremulamente controlável. Escrevemos texto, pensamos no que deverá ser escrito e naquilo que não faz sentido escrever. Construímos. No entanto, ao mesmo tempo, somos um curso incessante de fluência de vida. Inevitável, incontrolável, sustentável. A vida flui e, retrospectivamente, olhamos para aquilo que foi feito e perguntamos: "porquê? porquê assim? porque fiz isto assim?". Desviamos a cara de um rosto amargo, fixamos o olhar numa paisagem inefável. Fluímos. Não reconhecemos o pensamento sobre algo. Nessas alturas somos Humanos, na nossa mais primitiva expressão, e menos Humanos na nossa conceptualização moderna e racional de ser Humano, de existir.

12.22.2007

Tu, AA.

Tu, a tua voz doce urde a membrana que nos une, fazendo com que a distância entre a mente e acção seja uma ilusão. Tudo surge como se o significado fosse um bote no mar, com uma luz a iluminar as rotas já conhecidas. Tudo me leva a ti. O teu odor guia-me por esta floresta da qual me alimento. Uma floresta de energia na qual vou buscar as gotas com que vertes as lágrimas, nas quais o bote se move. Que alegria! Que inefabilidade! Não me deixes aqui, perto de mim, longe de mim, longe de ti. Vem para a minha beira. Vamos encostar os ouvidos junto às nossas bocas e deliciar o escuro e os fantasmas que lá habitam. O desconhecido do sonho, o errático pesar do incógnito. Tudo conheço, tudo vejo e tudo sinto. Tudo isso! Tu, aqui, junto de mim, e beijo-te na boca, sem parar, sem parar! Ouves o som? A manifestação da arte é um requinte da existência. E que requinte! Não te mexas!

12.18.2007

Polifonia

“Até seria melhor o seguinte: eu próprio acreditar nalguma coisa daquilo que acabei de escrever. Juro-vos, meus senhores, que não acredito em coisa alguma do que escrevi, em nenhuma das palavras que acabo de garatujar! Ou seja, se calhar acredito, mas ao mesmo tempo, sabe-se lá porquê, sinto e desconfio que estou a mentir com quantos dentes tenho."

página 61 dos Cadernos do Subterrâneo de Dostoiévski

12.13.2007

Papel

Quando escrevemos reescrevemos uma imagem de nós. Ou melhor, somos outros aos olhos dos outros, e somos os mesmos no nosso Alter. Quando escrevemos anulamos um pouco do diálogo, seja por ele já ter acontecido e a escrita ser um produto, ou porque o diálogo precisa de vozes em sintonia para se imprimir na escrita. Todavia, isto está tudo errado. Não me vês a dialogar neste preciso momento? Pois, como pensei também nisso! Mas é verdade que me engano. Engano-me porque escrevo o produto de um processo interminável que se espera calmo e fluente. Quantas horas perdemos a ouvir-mo-nos? Consegues escrever nessas ocasiões? Não duvido! Eu consigo mas não no papel. Assim, desta forma tão organizada, não. Escrevo com linhas tortas ao longo de um tecido que me difunde pelo meu corpo, sem que consiga reconhecer o texto escrito. Linhas que escorrem por mim abaixo. Fica uma amálgama de existências tácitas quando me penso. Modificações fugidias de quem se escreve ao ouvir-se. Ao mesmo tempo, inevitavelmente. Como agora, inevitavelmente. Por isso, tenho dificuldade em aceitar completamente que quando escrevemos estamos perante uma mera escrita. Não, reescrevemos a existência através de novo diálogo: a escrita. Ou seja, produto é processo, diálogo é produto, diálogo é processo, escrever é reescrever, rever é voltar a escrever, sendo que o final é o princípio de um diálogo a iniciar.

12.06.2007

Liberdade

Porque é que é importante "ter" liberdade? O que é a liberdade? Para além (???) do constructo, o que significa estar livre nesta prisão do tempo? Que correntes são estas que amarram o meu olhar ao teu e nos impedem de "ser" livres? Como alcançar a liberdade senão pelas nossas meta narrativas? Que liberdade quando aprisiono um determinado espaço de inteligibilidade? A liberdade é de algodão: tão suave e quente que nos adormece. A liberdade é uma definição curiosa para justificarmos o individualismo. Será que somos menos livres quando viramos as costas uns aos outros? Porventura, seremos mais livres quanto mais livremente conseguirmos harmonizar a discussão entre as vozes que nos habitam: sem prisões preventivas, sem multas e encarceramentos. Apenas discussão, contradição, permissão, recusa, definição, imitação e diálogo. Sim, peço a tua liberdade para me libertar, sem pensar que necessitas da minha para o fazeres. Egoísmo da liberdade? Não te enganes, liberdade. Estive a falar de ti ao longo destas linhas. Agora, e digo preso a estas linhas que se cosem ao longo do meu corpo, sou livre. Amanhã também? Veremos.

Quem és tu com quem eu dialogo?

Enquanto te vejo, vejo-me a tentar tratar-me da mesma forma de sempre. Procuro-me não no teu olhar mas na compreensão de que o teu olhar lança uma miríade de memórias que me relembram da minha missão. Ponto zero da vida. Reconheço-me sem que esteja preocupado em fazê-lo. Fico confuso por pareceres querer dizer que sou sempre o mesmo. Não sou produto. Sou processo. Esqueceste que me procuro dentro de mim, dentro dos teus sonhos e angústias, mesmo quando procuras procurar-me. Vazios no espaço. Longínquos no tempo e no espaço. Provavelmente nem existes. E eu procuro-te na terra que se levanta nos meus dedos. Estarás a dialogar comigo sem quereres ver que sou eu quem tu és? Enfraqueci. Nada mais que o meu rosto te ilumina. Nem as rotas com coordenadas passadas te fazem reconhecer-me. Pois, nem eu me reconheço nos meus esforços para te mudar em mim. Nada feito das sessões que progressivamente fui anulando, tentando eternizar-me. Não, não existes e enquanto não existes tenho que reconhecer que não existo...assim. Endereço-me por carta um ano antes de me ver. Escrevo de longe, longe das minhas redes prototípicas da minha subjectividade. Estou contigo neste mar infinito no qual mergulho. Tudo é meu, mesmo que aquilo que a verdade me ilude, embora sendo a minha verdade. E é tudo falso e é tudo verdade. Saí agora de casa. Volto já. Esperas?

11.24.2007

Struggle for freedom

Dear sirs,

My name is XYZ and I am a Portuguese owner of a Toshiba A200-17Z laptop (serial number 57154848k). Since I prefer Linux, I have been using Ubuntu for some time now. But now I got to this point where I want to make a bios update and Toshiba doesn't provide it. I have contacted the Portuguese Toshiba Technical Support and I got as an answer the suggestion to ask Canonical for the bios update. This was written by Mr X of the technical support at Toshiba Portugal. Well, but if I bought a Toshiba laptop why do I have to ask a BIOS UPDATE to Canonical???? Taking this point of view, consider this parallel: imagine that I bought a Toshiba laptop and it had Ubuntu. Toshiba provided only bios update for Ubuntu. Imagine now that I wanted to install a Windows OS..Would I be invited to ask Microsoft for a Toshiba bios update? Does this make any sense??? To me and several other friends it makes none! But worse than that is that it was said by someone from Toshiba. When I bought a Toshiba laptop I was thinking on a top company with great services. Now I see that my expectations were not fulfilled. I'm very disappointed with this situation and I will consider strongly the hypothesis of not buying a Toshiba laptop again. So, my suggestion is to make available a Linux version of Toshiba's laptops bios update, as well as other important drivers updates. In my opinion, it's not to much to ask.

11.21.2007

A tua liberdade é de papel

Que liberdade por entre estes carris desenfreados? Que liberdade recebo das minhas vísceras, urgentes no seu desígnio para me alimentarem? Que liberdade me reservo na minha ânsia metafísica? Um pouco de nada dentro do meu jogo reservado. Quando os meus olhos se entrelaçam nos teus fazem-no sabendo que a liberdade de o fazer encarece a responsabilidade de os imaginar? Que coimas pago eu por não querer esta liberdade tão fictícia! Carne, tempo, regras, pegadas. Rostos mutantes maquilhados com pós de arroz. Viramos nas esquinas programadas para nos verem. Contornamos os buracos da estrada, tomamos a decisão de prosseguir. O quê? Para onde? Porquê? Constrangidos pela tua necessidade de criar hábitos, erguemos mundos polivalentes. Mudámos-lhes os temas, pintamos-lhe os contornos, até trocamos-lhes os nomes, mas o que mudámos? Um risco diferente por entre caminhos mais “correctos”? Minha liberdade de viver aprisionado! Utopia derradeira esta de não ser tu e todos em todo o momento! O escape do individual emergido no colectivo. Que fumo de fugida? Sementes de pó. Ele assenta, ele voa. Nós ficamos, nós vamos. Mudamos? Sim. E queremos? Mudamos.

10.23.2007

O Contra do Pró

Existirão contras num programa como o Prós e Contras? Que maior Contra existirá do que aquele que ceifa a raíz do Pró? Será possível perceber que o programa Pós e Contras recebe da sua própria existência um grande Contra? Contra todos os pensamentos de justificação que me devoram, não ouso calar o Pró do meu Contra.
Um programa que começa tarde nunca acabará cedo. Certo! Uma criança percebe isto. Como será então possível falar, por exemplo, de produtividade, saúde, justiça, pobreza e energia sem que a nossa condição seja rasurada? A produtividade de um trabalhador (só para evitar falar de pessoa...tal seria chocante...) é afectada pela sua saúde. Um trabalhador que julgue ser importante seguir um programa que trata de assuntos interessantes vê-se confrontado com a súbita necessidade de decidir entre dormir pouco e muito pouco. Falaram de saúde (holisticamente)? De produtividade? Não fará este horário de exibição do programa de nós mais pobres? Pobres de sono, afectados na sua saúde para produzir. E será justo? Provavelmente não, Sr. Provedor do ouvinte. As vozes dos caros telespectadores não produziram uma saudável e produtiva decisão. Que justiça existirá quando uma pessoa é confrontada entre um interesse e uma necessidade? Resolve tudo com um interesse necessário e/ou com a necessidade imperativa de não olhar a interesses?
E que energia? Manter televisores ligados de madrugada para ouvir falar de energia? Não, talvez se debata os maus tratos que as crianças sofrem e essas, a essa hora, já estarão a dormir. Portanto, não faz mal.
O contexto social e histórico que mantém um programa que pretende mobilizar a sociedade (dizer “civil” implicará pedir aos militares para não ouvirem o programa? Que ironia esta...) desta maneira, denota que se está a perder uma grande oportunidade. Até lá, faremos contas sobre as horas de sono que não dormimos enquanto nos seduzem com a produtividade elevada, saúde excepcional, justiça sem demora, erradicação de pobreza e uma energia soberba. “Desculpe? Estou com sono...Estive a ver o Prós e Contras...” E sim, sou de facto muito menos inteligente que uma criança de 10 anos. Essas, felizmente, preferem ir dormir.

Que necessidade têm eles?

Qual será a necessidade de romper com a intimidade de aspectos da natureza humana? Para várias pessoas, romper será o primeiro passo que desvenda um sem número de possibilidades. Raptar partes íntimas que se movem nas relações amorosas e trazê-las ao palco público da putrefacção, não será apenas gritante como poderosamente satisfatório. Para essas pessoas, o proíbido ganha o estatuto de exibido com os contornos grotescos de quem encontra a chave para captar a atenção e a sedução mascarada. Esta putrefacção representa um assalto desmesurado. “Eu assalto a intimidade do ser porque sem trazer o sexo cru e materialista para a minha narrativa, não consigo alcançar-vos e mostrar-vos que o sexo para mim é como comer um fruto. Vejam bem! Não tenho pudor e considero-vos subjugadas ao meu poder de falar sobre a (vossa) intimidade!”. Talvez tentem imprimir um choque machista no útero da desgraça. Não compreendendo que o ser humano evoluiu, não lhes resta nada para além das muletas que sustêm o Amor. O Amor não vive de muletas. Mas isso eles descobrirão quando tentarem viver o que nos faz ser especiais. Eles lá chegarão...quando as muletas se partirem.

Que necessidade têm eles?

Qual será a necessidade de romper com a intimidade de aspectos da natureza humana? Para várias pessoas, romper será o primeiro passo que desvenda um sem número de possibilidades. Raptar partes íntimas que se movem nas relações amorosas e trazê-las ao palco público da putrefacção, não é apenas gritante mas poderosamente satisfatório. Para essas pessoas, o proíbido ganha o estatuto de exibido com os contornos grotescos de quem encontra a chave para abrir a atenção e a sedução mascarada. Esta putrefacção representa um assalto desmesurado. “Eu assalto a intimidade do ser porque sem trazer o sexo cru e materialista para a minha narrativa, não consigo alcançar-vos e mostrar-vos que o sexo para mim é como comer um fruto. Vejam bem! Não tenho pudor e considero-vos subjugadas ao meu poder de falar da vossa intimidade!”. Talvez tentem imprimir um choque machista no útero da desgraça. Não compreendendo que o ser humano evoluiu, não lhes resta nada para além das muletas que sustêm o Amor. O Amor não vive de muletas. Mas isso eles descobriram quando tentarem viver o que nos faz especiais. Eles lá chegaram...quando as muletas se partirem.

3.19.2007


Dentro de mim zangam-se as vozes humedecidas. São vozes do pântano que se cruzam no silêncio da amalgama interior. Têm nomes irreconhecíveis, tal a minha estranheza com os seus dedos, vozes da história. Conheço-os bem, venho de lá. A minha voz magnânime mendiga som, um calor entrecortado de confrontação. Inacabadas, em constante devir. Posições que se trocam, representações externas dos tentáculos internos. O “todo” que não precisa de outro meio para além da sua auto-reflexividade para chegar a si. Não. Para dialogar. De si não fogem as discordâncias, as incongruências ou as ininteligibilidades. Não são só palavras. Sou eu em diálogo. As fotos não me captam. Narro-me narrando, escutando os ineptos, os pusilânimes, os grilhetas, mas também os honrados, dignos, nobres…vozes. Conto histórias que respondem a uma relação, comigo e com o mundo, ou melhor, eu entre o Mundo e eu. Os animais descansam, a relva cresce. Respiro.

O quê?? Passagens.


São ruas largas de sorrisos e ruas largas de enternecedores gemidos. Os olhos rodopiantes desenham órbitas com pontos organizadores. A lágrima que escorre na rua esbate-se nos pés que a pisam. Um pé sorri, o outro desaba pela imensidão do buraco aberto na estrada. A incomensurabilidade adaptativa entre 2 estados de significação de vida. Dor e alegria em dois olhos são vida e morte no êxtase do inaudito da passagem. A rua alarga-se, um pé para uma rua, o outro empurrado pela motivação de resiliência. O lago, um barco, pedras, animais. O rubor das faces luzidias assemelham-se a um renascer. Passar uma montanha com dores nos pés e com alegria existencial. Sim. O carinho, vento reconfortante que impulsiona, vindo da natural expressão. O suco que seca a rua e que harmoniza os traçados. Desaguam na língua que conta a história. Sonhos, pesadelos, a mesma paisagem, mudam os tons, o riso e o toque. A integração total e complexa dos seres. A identidade. Maravilha dos maravilhados. Sublimação dos desgraçados Eu, único? Únicas, completas, complexas, comprometidas contigo, vida.

11.05.2006

Dream...

Os sonhos possuem uma iminente capacidade autoral. As comparações com o real poderão ser formativas mas aquilo que o “eu” faz é mais sublime. Utiliza a coroa e sem alusões demasiadas proclama-me rei. O objecto socializado que eu sou desaparece nos sonhos. Nos sonhos sou “eu”, “eu” e “eu”, daí o facto de os delírios de grandeza serem talvez um sonho entre normalidades pérfidas. A mudança de uma letra e consequente palavra revelam quase bilateralmente que as angústias mais despercebidas se exprimem. A capacidade e a execução profícua da autoria no sonho não padece de reflexões. A perfídia é esquecida. Existe-se. Desenvolve-se. Acorda-se o objecto e o “eu” adormece. Muitas vezes não. Flutuam, dialogam e desse diálogo um três aparece. 1+1 não é suficiente. A tonalidade da evolução de um sonho é um grande pesadelo, uma caixa de maravilhas e de formas sem valor de mercado. Não se transaccionam, não há quem os compre, não se podem verificar. A sua existência é idílica, dúbia e a nossa existência nele inefável. Não tenho dúvidas, a tensão que acompanha o desenvolvimento dos momentos é tão característica da inovação! O sonho é um diálogo entre a consciência reflexiva da realidade “acordada” e as projecções esbatidas do ser nos materiais, nos corpos, nos objectos, tempo, espaço, nos sentimentos e em todos os signos tangíveis, imagináveis e inteligíveis. Sonhar não é pensar porque não consigo provar que existo enquanto sonho. Talvez não exista enquanto sonho. Talvez tenha sido daí que nasci e me renovo, constantemente, mesmo quando não existe diálogo e o pano cai. O espectáculo empobrece, tiro-me do átrio e acordo pronto para importar-me com a vida. O sonho, esse filme passou. Não o vi. Realizei-me.

11.01.2006

Brothers

Devíamos olhar para as nossas faces remotas. Devíamos olhar os nossos amados. Perde-se o fio que liga um corpo adulto a uma história que começou bem cedo, mal acordámos. As faces serenas, de sorrisos intemporais devem ser um estandarte da pressão saudável para não esquecer. Não se trata de esquecer o amor mas de sentar os sentimentos na palpabilidade de uma expressão, em tons de carinho, de camisolas azuis com ornamentos amarelos, vermelhos e verdes. Trata-se do cabelo escuro e o rosto adocicado de quem olha sinceramente. O olhar sorrido menos fingido de todos. O colarinho vermelho já não mora naquele presente. Vive na recordação. Transforma-se numa panóplia de adereços de espaços psicológicos unidos a uma titubeante expressão corporal. Talvez por anos a passarem como raios indeléveis.
Transporto-vos para os vossos rostos actuais e sei que já não são o que rostos que vos criaram. Transformaram-se mas não vos mudaram o nome. Amamos resolutamente uma vida mas em extractos de diferentes aromas. Capitalizando a emoção transmitida de quadros incomensuravelmente distintos em direcção às vossas faces eruptivas, posso compreender-vos melhor à luz do meu amor. Sem medidores estáticos ou variáveis. Descomprometido Amor. Se agora os vossos silêncios de mármore são dolorosos e a dor um passatempo de exclusão, outrora seriam ilusões e receios do mistério do devir. Se não são os mesmos temos um problema, não o das vossas identidades mas vossas identidades em mim. A integração de uma flor com uma árvore pressupõe cronicidade, ordem, desenvolvimento. Vossas têm isso tudo e a inesquecível amnésia da doçura. Multiplicaram-se em árvores sem recordarem as flores. Vejo flores e vejo árvores e harmonizo um campo. O toque no cabelo, as bochechas de seda, os movimentos inconfundíveis e as expressões paradigmáticas são frutos de verão. Frutos colhidos, ventos passados, novos tempos. A distância é maior, a dedicação a própria arte é intensa. Sem tempo para novos retratos de imensidão temerários, surgem novos gestos infirmando a inocência, colaborando com arrojados golpes de mestre. Modificar o presente com o passado esquecido, ou seja, nadar num rio que foi oceano. Do azul das lágrimas ao azul da beleza do céu, sem esquecer os tons do verde da camisola de lã e das ternuras inexplicáveis. Tudo aqui num pedaço de viagem, sem que o vosso interior perceba, por agora. Não se cede no Amor. Cede-se à vida a adopção da evolução, com finos traços gradualmente delgados.

Para ti senhor...

Eu perdoo-te senhor. Não fizeste por mal porque nunca conheceste o seu teor. A cultura havia esquecido a imensidão da moralidade. A ti perdoo-te o perdão. Talvez assim sigas os teus caminhos traçados na leveza dos teus marcos. A ti, tudo. Sem me preocupar com os teus números, épocas ou falhas, sem querer ouvir o banal para compreender o essencial. Sinto-te perfeitamente como especial. Não chores, mel da primavera. Não te inspires no dióxido de carbono, nem em piadas sufocantes. A tua identidade não é fumo, apenas bela. Subtil e unicamente súbita quando te esqueces da complexidade da ilusão. Eu perdoo-te assim como não te perdoo. Não há perdão para o que é impossível de ser alvo de perdão. Por isso, resta-me apenas amar-te sem perdão.

To You!

Which arrow flies forever? The one that had hit its mark. The arrow is my love for you that hit the mark, You!

A felicidade exige valentia

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." Fernando Pessoa

8.04.2006

O que faço contigo?


Há uma fortaleza dentro de uma caixinha de dor dentro de mim. Ela corrói-me, criando rasgos de uma intrépida viagem pelo infinito e uma silenciosa e abatida estada no chão frio de dois seres que não se tocam. Peles impermeáveis. Os meus desejos morrem com as palavras, as ditas e as que imagino. Dentro de mim, fora de mim. Não sou hermético, talvez semi-permeável. As minhas assas protegem-me de nada. São um surreal tactear do futuro (suspiro…) em que o que me habita neste “viver” indesejável é a voz muda dentro de mim. Estremece, vibra-me. Digo a mim próprio que não percebo. Entre o serpentear de pensamentos que pensam pensamentos dos outros, perco-me em raiva. Porém, é tristeza. O tratado da morte, de corte da fita de inauguração de um novo esquecimento. Se é triste? De que falo? Falo de se rejeitar, de evitar, de repugnância. De dor e de incómodo. Poderia descortinar loucura, tal como numa personagem assassina. De facto, somos habitáveis. Sou muitos e diversificados. Entre todos somos fortes mas há uma metáfora de uma quimera que persiste. Há coisas que não mudam e se mudam é para pior. Detesto pessimismo e cultivo-o só para ti. Alimento-te a erva. Mitigo-o e questiono-me incessantemente: como? Porquê? De facto somos especiais. Fujo de uma posição de mim e de uma audiência interna que toca uma música que me corporiza o ser. Baixo o volume da vida e escuto. Ouvem-me dizer que gosto de silêncio. Quero parar e fugir da imaginação de uma realidade. Perguntas hirtas com respostas de algodão. Não fofinhas e infinitamente…tormentas. Os meus olhos param em ti. Em ti. E em ti também. E quanto a ti, que faço contigo? Ou melhor, que faço comigo?

3.25.2006

muitos, muitos e muitos!

Herman Hesse, no romance “O Lobo das Estepes” cantava a riqueza deslumbrante da idiossincrasia e polivocalidade humana: “O peito, o corpo, é sempre uno, mas as almas que nele residem não são nem duas, nem cinco, mas incontáveis, o homem é um bulbo formado por cem folhas, um tecido urdido com muitos fios”.

3.22.2006

Xiuuuuu.....eu? Danças comigo?


Tenho um dilema. Sim, ainda para vós. Quanto mais narrativa, mais me descubro e mais receio tenho em descobrir a imensidão do desconhecido. Quanto mais me leio, mais receio tenho de te descobrir e que isso me faça redescobrir-me, pelas tuas mãos áridas de afectos.
Obrigo-me a escrever-te. A tua voz é uma crosta no tempo, parado, de um pensamento alojado no quadro para o qual o caixilho é vento. Sim, és uma voz que magoa, não por ser má mas por não poder ser boa. A finitude que te cerca é rígida. Ecoas dentro de mim, seja isso perto de ti, longe de mim, no meu discurso. Obrigo-me a ler-te e a ouvir-te. Eu, o próprio (quem, eu?), sou uma audiência dos teus argumentos. Somos breves e multiplicáveis. Tu, eu, uma audiência que me desfaz e que me ressoa e uma vaga de imaginação que, pelas mãos, me traz a salubridade do contínuo. Não a meta, não o rótulo, não a chegada, não o teu olhar. Pois bem, agora estou cansado. A tua estória chegou a um dos fins desta metanarrativa do desgosto. Será que há espaço para uma voz que seja tua mas que seja diferente de ti? Pressuponho a rareza de um belo espaço posicional. Neste momento vocês são observadores dialogantes que retocam a criação. Se fugazmente penso em ti como alguém inextricável do cordão umbilical da terra, então esse não sou eu. A isso tenho direito. De me recusar ser quem tu pensas que eu sou. És vasto e de uma imensidão despida. Um ramo esquecido e uma flor decrépita. Nada mais, nada menos. Volto a vós, senhores. Julgais-me incomodado pelos meus sentimentos? Deverias estar? A sensação de continuidade da descontinuidade só a consigo com um projecto. Raramente te incluo, perfuras a harmonia. Todavia nunca tive tanto de ti. Quanto mais de repulso mais palavras ganhas. Se te amasse talvez me divertisse a contá-las. Mas…és de gelo. Não és bem de gelo. Eu é que não me consigo aquecer. Por isso, escrevo sem interrupções como se esperasse que o pó que embeleza se mantenha. Não sei onde te localizar mas presumo que o mapa que representava não é a representação que de ti emerge agora. Localizo-te numa voz muda, rígida e, inefávelmente, sozinha. És como prisioneiro da minha voz. Suprimo-te, calcando a tua voz, antecipando os teus discursos e, quando me surpreendes pela positiva, abro mão do mar que contenho e afogo a compaixão. Como ousais fazer isso, senhor? Ele nem vos fala! Cala-te tu de mim ausente de mim! Valorizo-te, por isso mando-te calar. Exibes uma voz sonolento, previsível, sem morte. Não tocam sirenes e o prateado da lua é um exército de salvação. Prossigo pelo quadro por onde comecei. Quadro, pensamento revitalizado cada vez que imaginação embirra com os passos indeléveis da criação. Não uma subjectividade. Uma intersubjectividade, não é? Talvez fale para ti num diálogo autoritário, com os pregos que te desenham no vento. A tua presença é anunciada. O melro traz-te no bico, pois lá fora a vida também corre, sem pressas, ao seu ritmo, ao meu ritmo. Sinto uma curiosidade frustrante por aquilo que sentes. Imagino que não sentes aquilo que verdadeiramente sentes. Mas não te dou voz. Se lha darei? Dialogais connosco como se precisasses de um motivo. Mostrem-me a vossa identidade. Fez-se silêncio. Como vês, como é que te podes ver a ver o que vês? Apenas me vês, intermitentemente contigo. Tu em mim, quem sois? Uma pedra no charco, um lírio? Mudei. Respondo-te, obviamente. Não és apenas a dança que joga comigo, és a dança que eu conduzo, ao meu ritmo, ao teu ritmo, sem paragens, apenas com descansos. Não és tu, rocha roída pelo mar que me habitas. Aliás, ninguém me habita. São habitantes de “mim” uma cultura de seres, humanos, não humanos. Tu és, portanto, um ser adoptado, escolhido para uma acordo tácito. A certeza que não sentes isto é inarrável. A enculturação é o que me faz ouvir-te. Rejeitar a tua voz é aceitar a tua presença. Não te agradeço, não te censuro, apenas falo contigo e ouço-te. Porque é que eles não te ouvem? Porque a tua voz fala através da minha sem que com isso precises de um certificado de autoria. Se, objectivamente não falas, é porque ainda não aprendi o teu dialecto. Ah, para me ouvirem falar, eles têm que se calar bem e tu tens que aprender a compreender? Sim, afinal, ainda falas numa cultura imigrante. Exotopicamente, sou emigrante nos teus pensamentos, imigrante na minha enculturação, na minha tentativa de te aceitar como voz semi-independente da minha, em que a linguagem é luz e as palavras, música.

3.01.2006

Não é nada disso



Amar uma pessoa é fácil, explicar é tactear o vento e conhecer-lhe as plumas. Como um guardador de segredos que apenas conhece o segredo de guardar segredos. Como tingir o pôr do sol com as marcas idóneas das pegadas do mar. Como o girassol que patenteia o momento, num longo e amarelado campo de incertezas. Amar uma pessoa é algo relativamente inefável. Se as palavras se embriagavam, a realidade fechava as suas cortinas. Amar é encontrar em cada acordo tácito um nó que une pela desenvoltura com que se desenrola aos pés do futuro. Amar é calar metade do Universo que ama a outra parte. Amar é inexplicavelmente ageográfico. Não é uma ponte, muito menos uma linha. Não é uma barragem, uma foz ou um braço de água. Um oceano que se afunda, talvez…Um sol que se derrete..Passos. Amar é negociar com uma posição que corporizamos, uma imensidão de posições que pela sua exotopia degladia-se com o fim do mundo ao virar da esquina. Amar é uma alma atípica, materialmente indisposta, interiormente co-composta. Situa-se no paralelo da imaginação, junto à extremidade do Amor. Amar não é Amor. É fácil e acessível sentir Amor. Amar é esquecer o óbvio e procurar o corpo, a memória da memória, os fugazes momentos de sublime harmonia entre dois átomos da mesma molécula. Amar é modificar e ser modificado e não recear o Amor. Amar é indefinir uma definição e, nessa alarmante e romântica passagem, co-construir as rotas de um novo mundo. Amar é desprezar o que até aqui foi escrito e reescrever tudo de novo. Amar é rasgar a pele e o coração e, caminhar nu pela nudez.

2.11.2006

E tu, sabes o que é?


estou com uma ilusão no ponto mais longínquo dos dedos...
é o ponto divergente entre a abrupta necessidade de ser e a profunda vontade de voar....
a paixão é uma ilusão porque amas uma pessoa que não existe na sua singularidade mas enquanto divindade co-construída...a ilusão é uma distorção da realidade...Amor não existe na realidade..é um sôfrego recolher da natureza...o Amor não é uma ilusão mas o Amor pode iludir e pode desvancer...aí cairá na realidade? não sei nem quero saber. Amor sem paixão é inteligível mas paixão sem Amor é vulgar.
Paixão, realidade, Amor, irrealidade.
Durabilidade (arghh de termo) ou longevidade: paixão pouco duradoura em norma e Amor duradouro em norma...a irrealidade e fluidez do subliminar perfura o tempo. A paixão corroi.
O Amor só pode vir a ser real se a paixão corroer o Amor e a realidade. Resultado? filhos? naa... Resultado: qualquer coisa fluída que não admite palavras adequadas, só imaginação embelezada. Possível? ...longevidade? creio que breve em média...Conhecimento? vivo na ignorância...
finito

e a "coisa fluída que não admite palavras adequadas, só imaginação embelezada" é o amor?
não..
não sei o que é...
mas é bom..
é um derivado do amor?

admito que não é fácil perceber...
é um ramo (no sentido de árvore) de uma raíz....
é o Amor e não é ele..
é Paixão e não é ela..

mas tens razão não é o amor...é qualquer coisa que existe mas que inda não lhe deram um nome
não, são os dois juntos...
é qualquer "coisa" que admite o "não-amor"..
porque o amor pode ser traduzido em palavras


o desejo pelo "amor futuro"...

pode?
não sei..nunca soube ou descobri o que é o Amor...
secalhar aquilo que nós achamos que é o amor
pode ser traduzido em palavras
mas dou-lhe nome próprio para a eventualidade de o conhecer ter como apresentação o nome dele..
é qual é o nome dele?
é Amor...
é o senhor
o senhor não...
ele tb é um senhor mas não O senhor..
também não é Deus...sou profundamente ateu...é a minha crença..ou melhor, substituo Deus com os outros pensamentos...
mas escreves deus com letra maiúscula, porquê?
o mais estranho é essa inteligível estado poder ser incluído pelo "não amor" ou desejo de amor por outros que não o seu objecto...
porque lhe dou o nome próprio dos que acreditam nele..
ele existe...nas crenças das pessoas...
por isso é que faz sentido o "se acreditares o suficiente é verdade"
as pessoas precisam de acreditar em algo superior
o Amor é algo semelhante...
quando deixas de acreditar o Amor flui para outro ser...
mas nunca podemos deixar de acreditar
acreditar num Amor para um determinado "objecto de Amor"...
o Amor, esse não diminui ou destrói-se...modifica-se..
se diminuir é porque não era amor
isso não sei...

acho a palavra amor tão usada que as pessoas não sabem o que é e usam-na em vão
se diminuir é porque foi Amor e provavelmente não voltará a ser..
calorias de palavras é bom
mas não quando pões numa o que poderá pertencer a outras ainda não descobertas...
mas até se descobrir as pessoas assumem como outra coisa
até chegar uma pessoa e dizer que isso não é assim
e não tem esse nome
pois...secalhar é o ventre do tempo..
outra questão interessante...
serão os Amores mutuamente excludentes?
um ramo para cada fruto..
Um Amor para cada pessoa, co-criados pelo mesmo ser?
concebo o Amor em relação, obviamente...e em diálogo interior...em múltiplas posições...provavelmente sim, o amor vem da mesma raíz mas como os frutos são diferentes, não há dois iguais a forma de os amor ou de lhes conceder o amor vai ser diferente
é a forma de os amar
claro...
estou a pensar se será possível, por ex., uma pessoa mulher Amar dois homens ao mesmo tempo....
é possível
eu acho que sim
e querer os dois até ao fim e não saber quem Ama mais... (o problema é que não há termómetros no Amor)
por causa disso a forma de os amar não vai ser igual, porque eles não são iguais
é isso mesmo, não há termómetros
claro...é óbvio dado que o Amor existe numa relação não numa Alma aristotélica..
se eu Amo digo-o quando ele em sintonia ilumina ambos os rostos...
se sinto ciúme, é o medo do futuro a chamar...
se peço confirmação de Amor, estou a ter pena de mim e a querer aconchegar-me no meu self pitty...
se Amo, Amo e não perco tempo a não Amar..
posso ter ciúme de um Amor que não tenho...mas nunca do que tenho...
isso é verdade
é uma perspectiva, muitas mais existirão...qual a melhor? não existe..
pois não
cada pessoa tem a sua, é como a religião
mas é assim que eu me faço sentido...

2.01.2006

Errante


Percorri a face dos caminhantes errantes naquele tarde de Inverno. Os flocos de neve, passadeiras de um rumo incerto. Trazia nos meus olhos os lagos de Verão e tentava escamotear a presença dos traços que me trouxeram ao presente. Pensava naqueles momentos indecifráveis e irrepetíveis, nesses momentos em que o tempo era um espaço e o espaço um tempo coerente. O tormento do momento fez-me perceber de que folhas são feitas as memórias que caem de uma árvore que teima em ser irresistível ao domínio. Era um espaço de ruas interceptáveis, as mãos sibilantes rodopiavam no desejo. Porque teria sido assim? Não uma pena escritora, não um olhar delicioso ou uma cintura torneada pelo vazio e ausência. Uma mescla de reconhecidos tumultos. O cabelo longo, liso, imaginante e imaginado não era de Sansão. As formas brancas, luzidias, íngremes, apaixonadas pelo tacto não eram desenhos no papel químico dos mitos de quem ousa desafiar. A passada deambulante, errante, construída de olhares que me viam e me empurravam para o irreconhecimento. Um ponto entre o nada e o desejo. As delgadas ruas do passado conduziam-se sem demoras e sem agravos. Agrafei nessa noite o aleatório ao sonho. Não insisto em sonho, apenas o foi no momento em que os olhares trocaram-se e a gravidade das memórias exultaram-se. Perderam-se vidas, aquelas que viriam na cesta que cada um traz perto do coração. Escrevemos no corpo nu um corpo desejável que seja decifrado concomitantemente com a ilusão da fusão. Não foi o aço aparente das normas com que se reescrevem as vidas que necessitei de me expandir. Os passos eram cintilantes e a pele um tapete com um mural com insígnias. Nunca o teria visto sem a ríspida ausência. Era um quadro martelado pelo vazio, diria. Era um novo sânscrito, uma velha descoberta, um novo rosto e uma velha e recalcada rua. O fundo em que os trotes dos cavalos marchavam, provocavam espasmos de alegria. Não seria um tempo deslizante, sem memória. Um fluído coerente em que à superfície nada era preciso dizer excepto o que as palavras mudas do olhar e do silêncio transmitiam. Tinham sido anos leves em que a presença e a ausência não se distinguiam. O ponto em que chave entrou e abriu um rumo aceita agora chaves alternativas. As portas abertas e as janelas fechadas, o rumo centrífugo do coração. Nem o som das máquinas do tempo, nem os sussurros do passado enquanto a cama absorvia o vermelho do céu quente, importavam. Eram desígnios que serviam como fragmentos de um catálogo. Não tinha filme de nada, apenas uns olhos humedecidos e um caminhar errante. Abri os olhos, não havia parênteses naquele olhar fulminante. As formas das maçãs rosadas das bochechas do Sol iluminavam um ponto mais. Um lugar em que as sombras se desprendiam dos seus respectivos albergues. Era uma rota de olhares suspensos em que amar não seria apenas verbo mas um espaço fluído de intimidade intemporal. A pergunta não teria resposta, apenas se cozia com o futuro, um marco indelével.

1.22.2006

Quem és tu?



Já te terei dito que vivo de rudeza. Já terei ouvido de ti a sinceridade do teu peso. Peso pluma, cores monocromáticas. Porém, que me resta senão desmentir-me? Preso, insuspeito da dúvida, terei que segurar-te com gravidade. Encomendei segredos, recebi becos sem saída. Procurei perguntas, recebi caminhos verdes de rota infinita. Aí encontrei-te. Nem pálida, côr de Primavera esquecida. Não seja a banalidade tua inimiga nem a ilusão o sonho inatingível. Não te deixei ir. Raptei-te para os meus braços. Chocolate derretido com inspiração. Montanhas, vales, pastores do tempo, vazio e voo. Nem migração, nem mutabilidade. Congelado. O futuro bem longe. O sonho de não te deixar ir. A terra áspera com que me cubro, o mar límpido dos teus olhos com embarcações de vento...Trouxe-te para porto inseguro: o Amor. A pele aguda das saudades, cobertor do sonho, metade desconhecida, metade por redescobrir. Por isso e não com isso, abandonei-te pela saudade de te percorrer em marés ininterruptas. Lua cheia, terras movimentadas, mar castanho. Agora vagueias pela minha pele. Um corropio de armas de destruição maçica, dores da magia. Descobres o ventre da minha voz cada que, sem mapa, encontras a chave da partida. São graves os teus passos, chumbos nos meus músculos. Impossível respirar, nem que seja respirar-te. O melhor, namorados de água, é respirar-mo-nos. Beber vozes fluídas sem ouvir os ruídos mecânicos do positivismo. Vagueias, sem pressa, redundantemente. Observas de que matéria são as minhas ilusões. Abandonáste-te ao relento, esperáste reciclagens de vida. Insofismável Amor, redobrada pele que te absorveu. És liquido que se espalha pelos meus dedos, marcando as palavras com etiquetas de presença. Migalhas de pão dizes tu. E porque é que a tradição não pode ser futuro? Pois bem, aqui tens. Não tens quantidade, tens insufláveis pétalas de odor carnal. Abana-te, segura-te caule, ela é forte e decide os braços de acordo com o humor. Pára, pára um pouco. Ouvi-te sem te interromper. Sabes de que cor são os meus olhos? Sabes que gosto de caminhar à beira mar? Sabes que gosto de ti e que não consigo fazer uma condição disso? Sabes que o chão que calcas é a pele do mundo, terra dos deuses? Sabes que os sonhos são de pele e que a pele é o cobertor da diferença? Sabes que percorri mundos rudes para te poder ver por um segundo? Lembraste que nesse segundo estavas a sonhar-me? Sim, eu era o dia quando estava escuro. Sabes que nesse segundo não houve tempo nem espaço? Sim, é uma indefinição da matéria. Sabes que gosto de te abraçar calmamente, de te tocar e sentir que és diferente do sonho? Sabes que a tua voz são vozes que vociferam cânticos suspeitos de renascença? Sabes que o diálogo que mantens comigo é de mármore e que dele retiro o frio para me aquecer? Sabes que te quero calar e colher? Parar. Respirar. Caminhar. Dar a mão e silenciar a vibração que fazes no ar. Sabes que não tenho uma pergunta que seja para te fazer? Pois bem, quebrei. Ouço-te dizer que quebráste. Sempre te mostráste como um livro. Um livro que eu abria, escolhia uma página e lia uma linha da tua vida. Mas sabes, agora não te consigo ler. Estás codificado numa linguagem que não tem vida. Não, não é um paradoxo. Não mantemos uma relação? Que raio estás praí a dizer? Não me percebes? Sou eu...mas quem sou eu? Tu, eu? A minha pele, minha, tua? Os meus sonhos, meus, teus? Foi por isso que eles rasgaram a pele. A terra abriu, o calor derreteu-os, as pessoas ficaram preocupadas. Eles eram dois apaixonados, disseram que de uma lenda. Não acredito, tantas vezes os vi dentro de mim, como um teatro privado. Dialogavam sem cessar, criando metamorfoses na minha vida. Agora que estou velha, quem são vocês? Partes de mim adormecidas? Quem são vocês que me partilharam com os ritmos das estações? Pára velha mulher. Foste o exilir dos nossos corações. As nossas recordações são o teu futuro. Ficarás mais velha, serás de pó e nós de terra, e nós...seremos um diálogo do tacto perpetuado por vozes que se espalharão pelas ruas da imensidão. Serão os buracos que iremos abolir. Criaremos árvores de seda, correntes de algodão. Seremos monumentos, estaremos ao teu lado na lápide. Seremos um pouco dos automatismos que nos pensam. Seremos a natureza humana sem pressa. Não vos esquecerei. Afinal, vocês ainda virão de mim um dia para me acompanharem na descoberta do Amor. Sim, sabem agora quem são?

1.06.2006

Espaço e tempo

Um quadrado. Vi-te por um retrato. Tecto vermelho, orquídeas pousadas nos pés dos deuses. Paredes pintadas de guerras, memórias de temp(l)os destruídos. A princesa vagueava pelo ar, o espaço do futuro. Os mercadores das especiarias que aguçam a vontade de te cultivar despertaram. Vejo as rotas, rotas do meio. Filhos, espelhados ao longo do húmido soalho recriavam a vontade de redescobrir. Os profetas deslizavam pelas espadas longos cânticos que ouvi ressoar nas paredes. Zumbidos do teu coração. Alertas de repouso. A vida está aqui. Um circulo. Mãos dadas, beijos queimados pela brisa maritima. Os dias enamorados com as noites. A secura do feno bamboleante nas tuas costas. Transportas a memória e o que com ela não fizeste, a memória da ilusão e a ilusão da memória. Percebi-te, infinitamente espartilhada, quando, sem pressa, me deliciei a conjungar as mãos no horizonte. Vinhas de este. Trazias numa mão a pressa de amar e na outra o esquecimento do amor. Estava sentado na posição de lótus. Acarinhava ao centro o passado no espaço do presente e o futuro no espaço do teu olhar. A amplitude assutou-me! Tive que desenhar-te no mapa para te poder conter em mim. Perdi nesse momento a noção da finitude. Encontrei o medo de sentir. O medo de perder adquiriu-o o meu silêncio. Nesse momento intemporal, insurgiu-se o que eu temia: a figura passível de ser amada. Foi uma brusquidão que acelerou o tempo. Vi as rotas, os fumos, as caras, as saudades, as partidas, as caras tristes, cáries da saudade. Agora, parto em busca de uns espaço e tempo renováveis, a partir dos quais me possa lançar para a imensidão. Seguir-se-à a inconsciência, da emoção de explicação tácita, exaurível de demónios, insofismável. Descanso nos telhados do mundo. A vida passa, colhe flores e arranca pétalas..escolhe rumos. Calhou-nos a corola, calhou-nos o cerne da vida, calhou-nos viver sem tempo e espaço. Algures no espaço estelar, vejo daqui, brincam e degladiam-se beijos cortantes, abraços carnudos, cabelos sublimes. Qual sansão, o mundo vem atrás e traz a infinitude do acreditar, do fulminante reinado do sublime. Erguemos as mãos. Quem serão elas? Mãos de quem?

12.26.2005

(Passagem das Horas)

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei de sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravassar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente

Álvaro de Campos


As palavras são preciosas. A cada gota um olhar, a cada lágrima um desejo, cada amante um navio. O mar, esse mar do norte levou-me para ti. Dos teus braços, a represa dos sonhos.

Speechless.

12.17.2005

Subversão do perpétuo

Eu só poderia gostar de ti se fosses muitos...não que fosses muitos iguais. Só te gostaria de abraçar se fosses diferente. Tu infirmas o ventos, tornas a minha voz exaurível. Imbricas o gladiador que me derruba a consciência. Tu és diferente e quando olho para ti, por inacreditável que pareça, não me vejo. És meu criador, meu servo, meu amante? Abandonáste-me...vejo-te assim nas noites quentes bafejadas pela nossa presença, vejo-te dialogando comigo, pedindo-me sonhos e memórias, ventos de mudança, canções perdidas. Que te dei eu? Calei-me. Pois caláste-te quando eu te mandava falar. Mentia, subvertia-me. Mentia as minhas verdades porque não conseguia ser verdadeiro o suficiente para te mentir. Mentia para te mentir não te dando verdades sobre mim. É culpa minha. Não te apoquentes. Foi culpa minha. Eu que tenho ideologia própria, um sistema multiuniversal distinto do teu, que se passa comigo? E tu porque é que não ajudáste também? Entorpecido, enganado, pousado sobre a vida, deslizando sobre a podridão do discurso único. Também não o ajudáste. Não tens voz audível...soas a radiofonia encarcerada. Emites apenas para ti. Não queres saber de ninguém. És uma paisagem de pedras verdes porque verdes são as tuas mãos tóxicas. Pois bem, estou diferente e por isso tu estás diferente. Já me sinto na tua consciência. Já sinto que tens uma consciência que mutila as muralhas de rostos que me separam de ti. Contradizes-me? Como ousas tal? És ilógico, vou-te fechar nas vozes do meu eu subterrâneo. És demasiado polifónico. E tu, tu atinente soldado traidor, quem és tu? Lutei contigo quando estavas sentado nas orlas da desesperança. Lembraste que fui eu quem te trouxe pela colarinho até ao peito da costa? Deves-te lembrar, disseste "Que areia! Quem me traz? Eu?". Lembro-me bem. Estavamos no Inverno, estação interior, Verão estação dos deuses. Era quente a revolução. Sem cravos, sem vida, sem revolucionar nada que vos permitisse revolucionar. Mas, esperem. Foi a nossa pequena revolução. Remamos noites e manhãs infindáveis e anulámos tardes quentes de mais. O frio excomungável...o diabo nos pormenores...eu estava à espreita. Réptil. Quieto. Silencioso. Esperava não ver rugir no silêncio da noite. Tinha, tinhamos uma missão a cumprir. Eu só poderia gostar de ti se fosses muitos. Eu fui muitos que se escondiam das palavras uns dos outros. Eu só poderia gostar de mim se vocês fossem olhares para lá do meu alcance. Se fossem diferentes, substâncias parcas de amargura quando amargura servia o meu nome. Passaram-se 20 anos. Estamos mais velhos, estou mais velho. Cada vez vos excluo mais. Acreditem que não é por pensar que vocês são memorias antigos ou museus de guerra. Tenho uma praia de memórias. Consigo regurgitar ódios. Consigo abraçar amores. E consigo abraçar-te. A ti também...a ti,....tu ainda te lembras de mim? Vivemos de costas voltados 20 anos, praticamente desde que te criei. Sim, sempre fui um espelho baço dos teus desejos, amâlgamas de efeitos sem substrato, folha sem raíz. Mecânico sem mecânica, professor sem aluno, aluno de mim mesmo. Autodidacta do esquecimento. Aperfeicoei-me sentado aos teus pés. Arrastaste-me sem piedade como se de ar o corpo fosse feito. Criaste numa prisão de sonhos, um terror de desejos, em que desejar é morrer mais e mais e mais e novamente, novamente, novamente, novamente. Faço as minhas pazes ao som desta música que traz memórias vivas, carne viva aos bocados, partes do meu corpo espalhado pelo multiverso que não foi fácil recuperar. A minha voz, poeta morto de uma pessoa vida, uma vida morta sem a iluminação das vossas consciências. Como é difícil perdoar-me. Arrepende-te bem. Arrepende-te devagar. Eu espero. Eu também. Eu não fujo, digo agora. Acuso-te de seres a voz do mundo. Acuso-te de não teres tido a sublime sensibilidade do tacto. Eu, odeio-te homem! Tu deixaste-me preso, enviaste-me para o esquecimento! Olha para mim! Eu não olhei para ele. Cobarde, sei que sou. Olha para mim homem despersonalizado! Olha para ti! Não consigo...és demasíado dependente..de mim. Não te quero mas não está nas minhas mãos excluir-te. Exclui-me, mata-me, desintegra-me, cala a minha boca calando a tua. Testa-me. Sou um roteiro sem fim. Não acabarei, não definharei. Serei menos que tu nas emoções quando me emocionar. Serei tanto como vocês quando de mim quiserem a minha vida. Tomem-na! Não receio o discurso da subversão. Desautorizem-se, corrijam-me. Engano-me, minto-me, multiplico-me, extravasso-me, inquieto-me, subverto-me. Renasço.

12.10.2005

Momento

Eles são bebés de guerra. São demónios. Flores gigantes que arrancam do céu os sonhos que vêm de longe. São troncos velhos, de alecrim, microscópicos. Somos isto. São conversas macroscópicas, conversas em que o mundo fala a nossa voz. As nossas vozes. Somos isto também. Sou isto. São bolurentos momentos de figuras invertidas, espelhos das marés. Olhos fechados, mãos abertas, costas navios flutuantes nos céus. Sonhos, somos isto. São, sou aquele. Há consciência da partida. Falo de mim para mim. Eles são livros sem letras, letras sem forma. Vejo-me e dou-me a olhar. Há consciência na chegada. Não há consciência. Abro a porta, são eles, eu, que partimos. É um cubo invertido, é uma bola invertida. É como o mundo, eles, eu, tu, mais distantes do que longínquos, apenas não tão perto como de nós próprios, de mim próprio. Fala do plural no plural. Eles são eu mas eu não consigo ser eles. Eles são momentos de sol em brisas de nevoeiro, neblina....que afuguenta os debates monológicos de fim do dia, que chamam a diferença. Eles são rios que escorrem nas lágrimas do xisto. Sou de mármore. Talvez uma flor ininteligível...quem sabe, o raio de luz morto caído no chão esvaziado em sangue. Sou tão lento como ele e ele mais rápido do que eu. Tu. Quem és tu? E tu que vês? Não falas, não vês, não sentes...o que és? Eles são de tempo. Fui, era. És pó sedimentado nas memórias. Serei. Sou o vento migratório, transporto as minhas poluições, as nossas, as tuas. São ortodoxos, sou liberal, somos democratas. São de papel, inscritos na água, sem rasto. Eles são novos, vestidos a rigor, demasiado bonitos para serem sombras. São de carne sem sangue, de músculos desfeitos. Articulam discursos que saem das suas bocas como as penas saem da minha. São casacos feitos em casa, fatos de palhaço, de índio, de quem será presidente. São vários e são tristes. São demasiado felizes para serem tristes. Tu, Wodelsim, quem sou? Escreves e não paras. És uma contradição. Escreves coisas sem sentido esperando delas sentido. Wodelsim, és um impróperio. Fazes mal! És uma serpente com coração de dador de orgãos. És uma alma ambiciosa. Corres de mais. Eu sou como tu dizes, apenas um existente escondido. Não queria ser indelicado mas mais pareces um comentário à inversão estética da minha vida. Eles são sinos, rugem como o sopro mais silencioso de uma noite de neve. São savanas áridas, em que nos molhamos, em que te molhas. Arrancas as balas do chão, sintéticos da vida. Ele é engenheiro, tirou um curso nas universidades do tempo. Cria aparelhos que conectam a vida à inexistência. É brilhante e baço, e não gostas muito de mim. Sim, eu não deixo de gostar dos cais de poemas que trazes às costas, íngremes e sublimes. Castanhas como a água que corre nas minhas veias. Sou de barro. Escreves-me de barro e falas comigo, modulando-me a voz, moldando-me o corpo, rotulando-me a identidade. Quem queres que eu seja agora que escrevo para ti?