3.22.2011

Democracia em Portugal

Portugal é um lugar bastante estranho. Por diversas referi que é um lugar com características esquizofrénicas. Basta alguma distância, como por exemplo umas semanas fora de Portugal, para perceber que, de facto, há algo estrutural nesta sociedade que não funciona como deveria funcionar.

Portugal é uma democracia perfeita, de acordo com aquilo que é referido no Índice de Democracia. Curiosamente, de acordo com este Índice, França é uma democracia imperfeita, atrás de Cabo Verde. Adiante.



Vem a isto a propósito do desespero que grassa em Portugal sobre o momento político em que se vive. Dizem alguns que esta é uma péssima altura para acontecerem eleições. É verdade. Contudo, a Democracia é uma viagem sem paragens obrigatórias. Cabe aos homens que nela participam avaliar o que é melhor para o país, tendo em conta a responsabilidade que a Democracia lhes exige.

Dado que vivemos numa Democracia indirecta, temos que aceitar que os partidos políticos possam tomar decisões como aquela que o PSD tomou, i.e., não aceitamos que o actual governo continue a governar, dada a sua manifesta incompetência para gerir o país. Por outro lado, o governo tem o direito de referir nós temos direito a governar porque tivemos uma maioria relativa, confiada pelo povo e temos um óptimo desempenho para vos mostrar. Se a primeira parte é correcta, a última não.

De facto, no país em que ninguém se demite, tudo se admite (crédito ao PSG, Jornal de Negócios), exigir que alguém se demita por ter sido sistematicamente incompetente parece ser criminoso. Obviamente que me dirão que esta ocasião é especial. Verdade. Mas não será a Democracia Portuguesa algo especial? Não será que o governo errou de forma clamorosa ao longo dos últimos anos? Não será que teve a sua oportunidade (6 anos) para nos transmitir uma visão aliciante e resultados efectivos da gestão de Portugal? Não será que lhe foram dadas as condições possíveis e suficientes para ultrapassar os últimos 3 anos? Contudo, pouco conseguiu.

Um trabalhador pode e deve ser despedido se fizer um mau trabalho, certo? E será despedido quer esteja com problemas graves ou no momento mais feliz da sua vida. Porque não poderá o governo ter o mesmo julgamento? Será o governo mais importante que a Democracia?

A hecatombe portuguesa prevista por vários comentadores e antigos responsáveis políticos de Portugal, leva-me a pensar que a sociedade portuguesa ainda não tem a maturidade suficiente para se focar na resolução dos problemas do país. Prefere uma Democracia medrosa, cristalizada naquilo que dá jeito que seja em determinado momento, em vez de se focar na responsabilização dos seus cidadãos (partidos, governos, e outros) nos processos e resultados que a sociedade lhes exige: uma vida melhor para todos.

Salvaguardadas todas as formalidades - o mais interessante de tudo é que a Democracia não pede licença, ela é; não pede desculpa, exige; não comanda, implica; não se amedronta, prevalece.

Portugal tem um grave problema: os seus cidadãos não se conseguem organizar convenientemente de modo a produzir o país que anseiam, que desejam mas não conseguem concretizar. Demasiado fracos, demasiado esquecidos. Governados pela memória, esqueceram-me dos princípios e dos valores, sonham com os talheres de ouro na mão mas não têm nada mais para comer do que pão rijo.

É na Democracia que os homens fazem o seu melhor; será com os homens que ela melhorará.

3.17.2011

A antecipação de Sócrates

É bem provável que a UE e Merkel tenham dito a Sócrates que não haveria nenhuma hipótese do país fugir de um apoio formal da UE e FMI. O que faz Sócrates? Articula uma estratégia clara para produzir uma crise política, encostando o PSD à parede e evitando ficar com o ônus de ter sido o governo que foi apanhado nas garras do FMI.

Objectivo: vocês, PSD, não aprovam este PEC, por isso querem empurrar o país para o apoio formal. Nós, governo, somos a salvação; vocês, o dilúvio.

Simples e direitinho.

A inversão da racionalidade

Neste momento na sociedade portuguesa tudo parece estar programado para se considerar que a vitória do país é atingir um deficit de 4.6% no final de 2011 e de 3% em 2012, se não estou enganado. Leram bem? Ok, continuemos.

O que estou a dizer é que o governo está a (pretender?) ser avaliado apenas pelo cumprimento de metas do deficit, sendo que vários objectivos orçamentais do passado recente não foram alcançados. Sim, são metas importantes e é urgente reformular o funcionamento do país.

Mas...

Será que uma sociedade só tem que exigir aos seus governantes que ponham as contas do estado em ordem? Não existirão outras questões importantes na governação? Não se deverão exigir resultados objectivos e assunção de responsabilidades na gestão eficiente das áreas da administração central, educação, saúde, justiça ou nas condições que fomentem o crescimento económico?

Não se deverá exigir que o Ministro da Justiça se demita por a mulher ter recebido dinheiro indevidamente, de acordo com as instâncias da justiça?

Não se deverá exigir que o deputado Ricardo Rodrigues do PS seja posto fora do parlamento por ter "fanado" os gravadores dos jornalistas da revista Sábado? O mesmo que está presente no conselho do Ministério Público por nomeação da Assembleia da República...

Não se deverá exigir que o Ministro da Administração Interna saia por ter sido incapaz de gerir a questão dos nºs de eleitor nas últimas eleições?

Para não falar de Sócrates e as suas licenciaturas ao domingo...

Será que as pessoas têm que se deixar enganar pela afirmação do Ministro das Finanças relativamente ao TGV? Será que temos que admitir que o TGV seja feito mesmo que a economia não tenho acesso a financiamento? Será que temos que aceitar colocar fundos na construção de um comboio, deixando que as empresas, de todas as dimensões, se vejam privadas de financiamento para fazerem crescer a economia? Será que temos que aceitar isto?

Será que ninguém se indigna perante o tom messiânico de Sócrates quando fala da sua acção como primeiro ministro?

Será que ninguém se zanga com o congelamento das reformas mais baixas dos nossos velhos (nossos pais e nossos avós, enfim, pessoas)?

Será que ninguém assume responsabilidade neste país, será que ninguém se demite, que tudo se deve aceitar, como diz Pedro Santos Guerreiro no seu último editorial?

Que país é este? Que sociedade é esta que come tudo e cala, sem reflectir sobre os assuntos, sobre o SEU FUTURO?

3.16.2011

Walt Whitman - Song of myself

I have no chair, nor church nor philosophy;

I lead no man to a dinner table or library or exchange,

But each man and each woman I lead upon a knoll,

My left hand hooks you round the waist,

My right hand points to landscapes of continents,

and a plain public road.

Not I, not any one else can travel that road for you,

You must travel it for yourself.


Song of myself from Leaves of Grass 1855 A Textual Variorum of the Printed Poems, Volume I: Poems 1855-1856 Sculley Bradley, Blodgett H. W et al, eds. NY: New York University Press, 1980.

Sócrates, o Messias

Foi esclarecedor ouvir a entrevista ao PM José Sócrates ontem à noite, na Sic. Ficou claro que a sua política comprimida entre uma liderança autoritária e uma aura messiânica, redonda no inevitável: ou eu e a minha verdade ou o dilúvio. Melhor, todos aqueles que têm uma interpretação diferente da realidade são pessimistas e não são patrióticos. Todas as expressões de democracia que não se encaixem na adesão ao Grande Líder Sócrates estão condenadas. Sócrates é a democracia, daí não dar importância às formalidades que a sustentam.

É interessante verificar que é esta incapacidade de leitura da realidade que impede que o PM seja parte da solução. Não, ele é o problema. Sim, O problema principal na condução da gestão do país.

Pedro Passos Coelho, nascido num berço de valores e princípios sólidos, tem outra perspectiva. Ele disse há cerca de 2 dias que os governos vêm e os governos vão mas que o país ficará. Esta é a verdade que José Sócrates não admite, apesar de dizer que está a fazer tudo pelo seu país e que não vira a cara à luta nem desiste.

Sócrates, por mais que diga o contrário, está grudado ao poder porque é este poder que lhe permite exercer a magnitude da sua identidade empedernida em todo o esplendor. Se na primeira legislatura isso foi claro, mais óbvio é nesta legislatura.

Sócrates não hesita em angariar-nos para uma adesão bíblica da sua acção. Ao contrário do que diz, não está interessado no país. Está, isso sim, em que nós aceitemos que ele é o Messias que nos levará ao céu, apesar de num cruzamento lá atrás nos ter conduzido ao inferno.

Sócrates não tem uma identidade que gere harmonia na sociedade. Ele desequilibra e agride, gere conflitos e promove as análises simplistas, pois só elas permitem uma absorção imediata da sua verdade.

Sócrates não erra, Sócrates tem convicções.

Sócrates isola partes da realidade e devolve-nos os traços expressionistas mais carregados.

Quem gostar de papinha para os seus cérebros lamacentos, faça favor de se servir.

3.15.2011

A nuvem dos medos

Eis o resultado gráfico decorrente de perguntas muito simples feitas a vários alunos do 1º e 2º anos de escolaridade: tens algum medo? Qual é? Quais são?


Simplesmente para apreciar.

Sócrates e o misticismo

É interessante notar a frequência com que o Primeiro Ministro (reparem no pormenor do 1º..já vão perceber) José Sócrates utiliza as palavras "espírito" e "mente".
Analisemos os significados de cada uma das palavras, retirados do Dicionário Priberam Online.

Espírito (latim spiritus, -us, sopro, ar, alma)

1. Coisa incognoscível que anima o ser vivo.
2. Entidade sobrenatural. = abantesma, alma, espectro, fantasma
3. Ente imaginário.
4. Ser de um mundo invisível.

Mente (latim mens, mentis, inteligência, alma)

1. Parte do ser humano que lhe permite a actividade! reflexiva, cognitiva e afectiva!. = entendimento, espírito, intelecto, pensamento
2. Armazenamento de experiências vividas. = memória, lembrança
3. Disposição de espírito.
4. Aquilo que se pretende fazer. = intenção, intuito, pensamento, propósito, tenção
5. Maneira de compreender ou imaginar o mundo. = imaginação, percepção!
ter em mente: lembrar-se ou ter como intenção.

Facilmente notamos o cheirinho a sobrenatural nestas duas descrições. Repare, Espírito remete para a noção de uma entidade abstracta, imaginária e, portanto, sobrenatural, e a Mente surge com a função do Espírito.

Quando Sócrates diz, por exemplo, "não está no meu espírito..." ou "tenho na minha mente que...", está basicamente a dizer-nos que orgão e função são compreendidos como sendo exactamente a mesma coisa. Daí advém que o floreado místico, repleto de mini expressões que personalizam a sua inefável autoridade, seja apenas uma expressão da identidade messiânica de Sócrates. Mais, o Messias Sócrates traz a sua sabedoria num manto sedutor, bebida pelos seus discípulos como o néctar da verdade, incontestável no seu conteúdo, bitola na sua forma.

Sócrates é o Primeiro Ministro. O primeiro. O Ministro que vai à frente, que abre o caminho, que ilumina os outros discípulos. Que mostra a verdade. Ele dá-lhes a verdade com gotas mágicas, vertidas pelo seu espírito e pela sua mente. Deles se espera que lhe lavem os pés e que lhe respondam afirmativamente à sua magnanimidade altiva. O pusilâmine escondido atrás das suas crenças e que ouse questioná-lo é vergado pelo poder da repreensão moral que o mestre lhe provocaria, o que pressupõe uma dor insuportável de exclusão da torrente da vida.

A sua sucessão é impossível, dado que nenhum Líder místico pode ser substituído. Estas lideranças são imortais, uma vez que se impregnam na carne daqueles que o seguem; atormentam os que têm dúvidas; e anulam aqueles que ousam criticá-lo.

Sócrates assume-se como o caminhante peregrino no reino da sua aura mística. Vê uma luz difusa, que o cega pela iluminação que lhe provoca no espírito. A sua verdade é A verdade; a sua rota é A rota; as suas decisões são As decisões.

Contudo, Sócrates não é realmente um líder. É apenas um homem que usa a sua inteligência e capacidade de manipulação para criar uma realidade paralela, bem expressa pela utilização do seu espírito e mente. Sócrates não poderia substituir Espírito por Alma porque sobre a Alma poderão cair punições graves. O Espírito de Sócrates, no significado aqui apresentado, eleva-se acima da repreensão ou punição.

Sócrates não é um político duro; é um político embrutecido. Sócrates não transmite sinceridade nas suas expressões verbais e corporais. Basta relembrar que todas as suas bengalas linguísticas (e.g., "absolutamente essencial") são utilizadas para segurar as fundações de um discurso tautológico, feito para uma absorção acéfala e não para um embevecido processo analítico. Ele sabe que se deixar de lado o cimento que lhe cola as palavras num discurso mono-color, várias brechas surgirão na mensagem que deseja transmitir.

Sócrates não transmite a confiança que caracteriza um líder; ele tenta colá-la com cuspe nas camadas profundas do nosso cérebro, nos alvéolos da nossa inteligência mais básica.

Sócrates é previsível e daí advém muito do seu poder. É o Mestre que quer orientar, o ancião que apresenta sempre as mesmas lições, na esperança que eles se tornem A verdade.

Sócrates é mais uma pessoa, tão insignificante e importante como tu e eu. Não tem o poder e aura mística que ele julga que possui, nem a capacidade política inata que lhe atribuem. Não, a política não é a arena dele por que ela não lhe permitiria, e se fosse, então a política teria um significado muito diferente daquele que tem.

Sócrates ilumina o seu caminho com a sua própria luz; não se alimenta da luz do seu povo. A sua energia advém da SUA missão, não da missão conferida por um povo que comanda uma nação.

Sócrates diz que o país dele tem mais de 800 anos; o país dele pertence a uma realidade aleatoriamente prevista no seu ideário; Portugal é uma abstracção total, assimilada e criada constantemente por uma narrativa multipolar. Portugal é dos Portugueses, os que estão e os que foram. Portugal nunca será de Sócrates porque ele será sempre mais que um País.

Sócrates é mais um. Nem mais, nem menos. Interessante? Sem dúvida. Mas também já escrevi sobre uma chávena de café.

3.13.2011

Não fiques à rasca! - Programa de Orientação Escolar e Vocacional/Profissional



A Orientação Escolar e Vocacional/Profissional (OEV/P) é tremendamente importante para o futuro dos alunos do 9º e do 12º anos. No entanto, um grande número de escolas não dispõe de um serviço de Psicologia que possa proporcionar-lhes um programa de OEV/P e quando dispõem, têm dificuldade em responder às solicitações idiossincráticas de cada um dos alunos.

? Quantos jovens se vêem perdidos na escolha que têm que tomar e que, indelevelmente, irá condicionar fortemente o seu percurso escolar e a sua motivação e felicidade?

? Quantos se questionam numa angústia gritante sobre se estão no curso certo ou se tomaram a melhor decisão no 9º ano?

? Quantos tomam decisões sem conhecer a oferta completa que têm à sua disposição?

Muitos, sem dúvida. Não sejas um deles! Eu posso ajudar-te!


Bem sei que é difícil tomar uma decisão vocacional aos 15, 16, 17 ou 18 anos, que seja óbvia e clara como água límpida. Por várias razões:

- Estás num processo intenso de elaboração da identidade;
- O Mundo têm evoluído muito depressa, sendo criadas novas profissões e anuladas outras à medida que os novos desenvolvimentos tecnológicos vão acontecendo;
- Existem diversas rotas académicas e muitas profissões;
- És influenciado(a) pelas vivências que vais tendo com os teus amigos, pais, irmãos e outros familiares, professores, figuras inspiradoras, pelo país e situação europeia...Enfim, uma catrefada de gente e experiências!


Vamos lá então conhecer os 3 eixos de uma decisão vocacional/profissional:

- Auto conhecimento: tens que olhar para ti próprio(a) e perceber o que és neste momento, como queres evoluir e que marca queres inculcar na tua vida.

- Conhecimento vocacional: deves analisar cuidadosamente todos os percursos académicos/formativos, ou seja, todas as opções e alternativas.

- Capacidade para relacionar o auto conhecimento e o conhecimento vocacional: isto é essencial. Poderás conhecer-te bem e ter todo o conhecimento vocacional, mas se não conseguires relacionar ambos terás muita dificuldade em tomar uma decisão consistente.


Mas tem atenção! Uma decisão vocacional/profissional deve ser:

- Múltipla (plano A, B, C, etc): devido às mudanças que estão sempre a acontecer e que são imprevisíveis. Isto não significa que não tenhas uma clara noção da “rota” que queres seguir mas deverás ser suficientemente flexível para pensar noutros planos.

- Sincera: é bom sonhar e alguém disse que o sonho comanda a vida mas há aspectos em que temos que olhar necessariamente para a realidade. Sê sincero(a) contigo!

- Lógica e racional: deve fazer-te sentido. Ok, esta pode ser mais polémica porque podes falar-me de um anseio arrebatador que tens em ser médico(a) ou pintor(a)! No entanto, a decisão deverá ser bem pensada, terá que fazer sentido e não ser apenas um desejo. Se fechares os olhos e pedires muito para ganhar o Euromilhões, não será por isso que o irás ganhar! ;)


Características do programa

- Desenhado à medida das necessidade da pessoa, privilegiando-se diferentes fases de acordo com o nível de maturação da decisão vocacional;
- Organizado em torno dos 3 eixos referidos, incluindo-se Entrevista multifactorial; Pesquisa e análise de informação vocacional; Testes de Interesses/Preferências vocacionais, Valores e de factores de Inteligência; Discussão das conclusões; Relatório.


Condições

- Local: consultório ou residência do jovem, desde que num raio de 10 km de Ovar;
- Disponibilidade para partilha de dúvidas por email ao longo do processo;
- Horários flexíveis (ao fim do dia durante a semana ou ao fim de semana);


Sobre mim

- Psicólogo Escolar, inscrito na Ordem dos Psicólogos, com experiência nas áreas da Educação e da Gestão de Recursos Humanos.
- Licenciado em Psicologia e com Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos.

Contactos

- Mail ricardopintoalmeida arroba gmail ponto com
- Twitter @rfpa
- Facebook @ricardopintoalmeida

3.10.2011

My Must Have Chrome Extensions

- Simple Calendar: nice calendar with some interesting options, like showing the current time. Great when you use Chrome with Win7 feature "auto-hide taskbar";
- Quick Notes: take notes while working with different webapps without having to open wordpad or another doc page;
- Picknick: edit your photos quickly and with efficiency, screen captures included;
- DayHiker: get your calendar events warnings without having to open Calendar;
- Instant Goo.gl Url shortener: this is easy. :P Let's you automatically copy shortened urls to Twitter, etc;
- Google Dictionary: underline the words you don't know and get their meanings;
- Dicionário PT: ease to use portuguese dictionary;
- View Thru: check hidden urls to find out if they are harmful;
- Docs PDF/PowerPoint Viewer: self explanatory. :P

These are some of the most interesting and productivity driven extensions that I found.

Any suggestions?

2.28.2011

Serviço da CP

É mesmo muito mau! Para a porcaria que fazem mais valia privatizarem o serviço! Está tudo feito para quem conhece, ou seja, é uma balbúrdia tremenda!

Só hoje:

1- máquinas automáticas avariadas e guiché fechado. O que fazer? Fácil para quem sabe. Ir para o comboio sem bilhete.

2- O placard diz que o comboio sai da linha 4 mas na linha 4 estão 2 comboios colados e quase não se percebe que são diferentes. Não se vêem indicacões do destino. O que fazer? Pois, perguntar! Mas é assim? Nenhum aviso?

2.27.2011

O pêndulo eu-tu

Os problemas poderão pertencer-te e poderás ser o/a agricultor/a árduo das tuas misérias, mas nunca o problema serás tu, como essência "arelacional". Os problemas criam-se quando as respostas dadas às situações são desadequadas e, consequentemente, acolhemos essa inadequação no nosso zoológico identitário. Contudo, deveremos olhar com atenção para os equilíbrios que se jogam na relação eu-tu/outro/algo. É nessa relação que as imagens são criadas, em que os espelhos ganham força e em que o nosso olhar perscrutador irá buscar as respostas.

Eu...Quem?

Simples como a gravilha na estrada: por que motivo será tão difícil libertar-mo-nos das nossas narrativas cimentadas pela nossa experiência de vida? Por que motivo fazê-lo implica sentirmos uma profunda sensação de estranheza relativamente à nossa existência? Por que motivo temos tanta dificuldade em mudar? Em nos transformarmos?
Colados numa estrutura identitária sólida e exuberante, como poderemos experimentar mudanças substanciais e guiadas pela nossa necessidade autoral de criarmos novos mundos?
A nossa identidade e as suas posições identitárias giram à volta de um eixo composto por três compostos:

- a relação. A elicitação da pergunta como resposta relacional. A incontrolável necessidade "to relate";
- a época histórica. É-nos permitido aquilo que é assumido nas normas culturais;
- a linguagem. Construímo-nos através da construção partilhada de significados e narramos as nossas histórias em auditórios internos e externos.

Serão estes os compostos químicos que nos calçarão as mudanças. Falta os sapatos, falta a corrida, faltam os resultados.

Por que motivo é tão difícil mudar?

2.22.2011

O Medina Carreira tem razão

A sério! Não há forma de dizer de outra maneira! Ele tem razão em estar sempre a bater no ceguinho! Pensei que o pessoal já tivesse percebido, isto é, que a comunicação social analisasse os números e que não fosse nas falinhas mansas da propaganda política e que o governo tivesse percebido que não vale a pena seguir o caminho da manipulação da realidade.

O Expresso de sábado demonstrou também que convém dar algum ânimo ao Governo. Passaram a ser os massagistas particulares deste governo.

Tudo isto relativo à tão proclamada diminuição do défice orçamental. Ok, é só um mês mas o modus operandi do governo já não deverá enganar ninguém! Pessoal, ACORDEM!

Ouviram a dissecação dos números pelo Cantiga Esteves, ontem à noite no Jornal da SICN? Elucidativo.

Se não ficaram convencidos com as explicações dele, leiam então o post do Álvaro Santos Pereira, intitulado "O despesismo continua".

Reparem como a cobrança de impostos parece estar a chegar ao limite, se é que já não chegou. Apesar do brutal aumento de impostos, das vendas de automóveis no final do ano e da fatia de 200 e tal milhões entregue em impostos apenas por algumas grandes empresas, a recolha de impostos diminui relativamente a 2008.

Notem também o aumento da despesa e o saldo global, apenas melhor do que do ano passado.

Esperemos que isto mude muito nos próximos meses, senão não haverá retórica bacoca e comunicação social fantasiosa que permita a salvação financeira do país.

2.21.2011

A saúde mental dos Portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso, médico psiquiatra

Artigo publicado no Público em 21/6/2010, copiado à bruta do blog do Zé David Almeida http://zedavidalmeida.blogspot.com/

2.18.2011

Nokia e Microsoft: o negócio

Breves pontos:

1- se o negócio implicar mais competição, perfeito.
2- gosto do conceito do WP7 mas não gosto do facto de ser closed source;
3- linux é bom. O que é Android? O que é WebOS? E o iOS não é UNIX modificado?
4- gosto muito do hardware da Nokia mas o software deles estava e está decadente. Não conseguiam/conseguem responder aos players do mercado.

Todos ganharão se a MS e a Nokia fizerem um excelente trabalho. ;)

Using Google Docs in a School

Working as a Psychologist in a school means to be in constant dialogue with students, parents and teachers, both metaphorically and literally. It means to make presentations on the Job Market with 15/16 year old's, sending psychological assessment reports to teachers or getting together with parents to discuss the development of their children. All of this demands great flexibility, not only in terms of your social skills but also in the usage of technology.

I've been using Google Docs more and more because it allows me to have my work (presentations, reports, etc) where I need them. I don't have to take them on a pen disk or take my laptop with me. The school has wifi and computers on every classroom. The docs are "there", at the distance of click, where I need them.

I think Google Docs have a great potential in schools and other large organizations, like universities. Those working environments are based on the same fundamental principles as Google Docs: collaboration/sharing/relating/getting the job done.

Nonetheless, Google Docs still has a long way to go. The sun is just rising. It still has some inconvenient bugs and some features are still missing. But we have to start somewhere!

I hope the Google Docs team continues to improve this awesome piece of software!

I'm not affiliated with Google whatsoever. I just like good technology. :)

2.10.2011

A moção do BE

O BE anunciou as chuvas de Março. A moNÇÃO virá lavar as vestes de Sócrates, que recuperará mais um pouco devido à ambivalência que reina no PSD. Se o PSD apoiar a moção, então teremos uma situação muito curiosa, uma vez que o BE acabará por colocar o tapete para o PSD e o CDS subirem ao trono dos destroços deste país em retalhos.
Mas se o PSD não quiser eliminar este governo, então teremos um espartilho num elefante, potenciadora de uma esquizofrenia ainda mais incapacitante. Roerá os ossos dos portugueses até ao tutano.
Sócrates não consegue esconder o medo de sair do poder. Encrustou-se-lhe na pele. Parece um homem mubarakiano. Quando cair será doloroso.

2.09.2011

A Obesidade Mental

Copiado à bruta de algures. Créditos ao autor, José César das Neves.

A Obesidade Mental - Andrew Oitke
Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que
revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito
em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade
moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos
do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos
que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de
carbono.

As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e
romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta
mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e
telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,
violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma
vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações
humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi
Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que
é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam
porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um
cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura
banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

Este relato vai um pouco ao encontro daquilo que tenho referido como esquizofrenia colectiva. Aceito que este termo - Obesidade Mental - é muito mais suculento. :)

2.06.2011

Pérolas para porcos - parte 2

Imaginem que compram um smartphone novo.Porreiro,certo? Certo.
Imaginem agora que passadas umas semanas o aparelho começa a ficar com pó debaixo do vidro do ecrã. Achariam estranho uma vez que foram cuidadosos na utilização.O que pensam? Bem, isto deve ter sido um pouquito de pó que entrou e deixam de prestar atenção à questão durante uns dias. Mas, um certo dia olham com mais atenção e notam que o pó começa a acumular-se. Pensam no passo seguinte que, como já adivinharam, consiste em ir à loja onde compraram o telemóvel. Entretanto, como pessoas curiosas que são, pesquisam na net para saber se mais alguma pessoa relatou semelhante situação. E não é que encontram? Adiante.
Deslocam-se à loja e contam toda a situação. Dizem-vos que o aparelho poderá ir para a garantia e vocês preparam-se para ficar 1 mês sem ele. Pensam provavelmente que vos será entregue um aparelho de substituição com caracterìsticas equivalentes. Era o recebias! 5.90€ se quiseres ter um rasco para aguentares. Imaginas que estás a sonhar..
Segue então o brilharete da empregada: se quiser enviá-lo para a garantia tem que ir à loja de S.João da Madeira (não registei a outra) fazê-lo. O quê? Começam a pensar que estão no Congo e que ao vosso lado está um leão e três girafas, mais à frente alguns porcos.
Olham para os olhos das empregadas e vestem-nas com pérolas. Para porcos. Pela vergonha do péssimo serviço, pela vergonha desta maneira tão estúpida das empresas trabalharem.

Ah! Palmas para a OPTIMUS! Do que é que precisas?

2.05.2011

Nunca desistir

A vida é, provavelmente, uma grande série de momentos duros inscritos num processo íngreme de procura de felicidade. Em alguns desses momentos as circunstâncias poderão conjugar-se para abanar as fundações do chão que pisamos. Trememos. Pensamos esconder-nos debaixo do alcatrão, no silêncio da inacção. Se o fizermos, a tristeza engole-nos e mascá-nos como tabaco bolorento. Se recusarmos a descida pela justificada ou injustificada decadência dos dias e da nossa tristeza, então poderemos pisar-nos com os tumultos que levamos às costas mas no fim teremos uma consciência serena e pacífica com as nossas nódoas. Nada mais complicado de fazer, nada mais imprescindível para ser feliz.

2.03.2011

A vergonha de Portugal

Copiado à força toda daqui. É preciso conhecer a verdade.

Repara no que faço e não no que digo

by Manuel Esteves

São muitos os economistas que vêm defendendo há algum tempo a necessidade de reduzir salários em Portugal de modo a reequilibrar a economia e a devolver a competitividade perdida nas últimas décadas.

Até agora, o Governo nunca deu a conhecer, de forma clara, a sua visão sobre este assunto. A Teixeira dos Santos tem cabido o papel de "mau da fita", fazendo sucessivos apelos à contenção salarial no sector privado. Mas do primeiro-ministro ou da ministra do Trabalho nunca se ouviu uma palavra a este respeito. Aliás, confrontado com esse cenário, José Sócrates foi claro: "O Estado não manda nisso. A nossa responsabilidade é com a Administração Pública e com as orientações que demos às empresas públicas".

Mas o pouco que foi dito contrasta muito que foi feito. Vejamos:

1) O Estado, que é o maior empregador do País, decidiu reduzir em 5% a massa salarial. Na prática, 450 mil pessoas sofreram cortes que variam entre 3,5% e 10%, condicionando as políticas remuneratórias do sector privado.

2) Aumento dos descontos previsto no código contributivo: o novo código entrou em vigor em Janeiro e alarga a base de incidência das contribuições para uma parte dos trabalhadores dependentes (ao incluir outras formas de remuneração), ao mesmo tempo que aumenta as contribuições de uma parcela significativa de trabalhadores independentes e de algumas profissões, tais como os trabalhadores de IPSS, jogadores de futebol, padres, empregadas de serviço doméstico.

3) Agravamento do IRS: Em 2011 os portugueses pagarão taxas de IRS 1 a 1,5 pontos percentuais superiores às de 2009, consoante os rendimentos. A isto, acresce o corte nas deduções fiscais, como as despesas de saúde, educação, seguros de vida, PPR, entre outros.

4) Redução do "salário" dos estágios profissionais: o Governo anunciou que a bolsa dos licenciados passa de 838,44 euros para 691,71 euros brutos ou 615,62 euros líquidos (corte de 27%). Ou seja, ofereceu protecção social a estes jovens, mas obrigou-os a suportar a parte (23,75%) que normalmente caberia à entidade patronal (além da sua própria contribuição, de 11%).

5) Novo regime do subsídio de desemprego: para incentivar os desempregados a aceitar os empregos existentes, o Executivo baixou o salário que estes são obrigados a aceitar sob pena de perderem direito ao subsídio. Na prática, segundo contas da UGT, o corte pode chegar aos 16%, consoante os salários em causa.

6) Proposta de corte nas indemnizações por despedimento: ao propor a redução da compensação a que um trabalhador tem direito em caso de despedimento, o Governo está a diminuir o salário teórico a que este tem direito. É uma parcela remuneratória eventual, mas que está implícita actualmente em qualquer contrato. Na prática, muitos trabalhadores vão entrar no desemprego com menos dinheiro do que actualmente.

7) Proposta de criação de um fundo para as indemnizações em despedimento: tanto a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) como a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, consideram que a medida vai ter efeitos indirectos nos salários dos trabalhadores. O raciocínio é simples: ao prever a obrigatoriedade das empresas efectuarem um desconto determinado cada vez que contratam um trabalhador, estas tenderão a incorporar esta contribuição como um custo de contratação. Portanto, das duas uma: ou contratam menos ou contratam por menos.

8) Finalmente, a subida da taxa normal de IVA em três pontos percentuais no espaço de um ano e de um ponto para os bens essenciais e intermédios, afectou o poder de compra de todos os portugueses.

Na prática, os portugueses já estão a ganhar menos. Bem menos.


(Com a colaboração de Elisabete Miranda e Catarina Almeida Pereira).

Posso acrescentar, por exemplo, que os Psicólogos inscritos na Ordem dos Psicólogos com mais de 5 anos de experiência irão começar a pagar mensalidade de cerca de 12€/mês e que os restantes irão pagar cerca de 8€/mês. Não consegui confirmar esta informação mas quem me disse assegurou-me a sua veracidade.

No comments.

1.14.2011

Pérolas ao pescoço de porcos

Pérolas ao pescoço de porcos:

1- "Neste ano 2011 de crise, aproveite a nossa campanha de aquisição de um conjuntos de facas..." - anúncio numa rádio

2- Há uns meses e durante muitos anos, ninguém ouvia falar de taxas de juro da dívida pública ou de períodos de maturação. Está tudo bem?

3- Se a Assembleia da República é a instituição democrática que permite o endividamento do estado, porque é que não conhecemos os negócios do Governo Português na compra de dívida? Porque não sabemos a que taxa a China ficou com a dívida ou que contrapartidas eles exigiram? Está tudo bem?

4- Se existe uma contabilidade pública e uma contabilidade nacional e só uma é apreciada internacionalmente, porque será que o ministro das finanças abordou esta questão? Está tudo bem?

5- Todo o mercado olhou para a diminuição da taxa a 10 anos mas parece ter negligenciado o aumento substancial da taxa a 4 anos. A relação entre ambas levou ao aumento dos custos de financiamento. O salvamento depende de um jogo de criatividade? Está tudo bem?

6- O Renato Seabra, suspeito do homicídio de Carlos Castro, está a recolher todo o tipo de apoio popular. Será que ele era assim tão calmo e a melhor pessoa do mundo? Ou será que é por o Carlos Castro ser um homossexual assumido? Se fosse um homem a espancar uma mulher até à morte, torturando-a longamente após esse momento, será que ele também seria apoiado popularmente se se verificassem perturbações psicológicas graves na altura do acontecimento? Está tudo bem?

1.06.2011

Poesia em forma técnica

Fonema líquido vibrante;

Fonema fricativo pós-alveolar;

Fonema oclusivo velar;

Fonema nasal alveolar;

Fonema líquido em coda.

Poesia?

Estas são algumas das expressões utilizadas pelas Terapeutas da Fala na redacção do Teste Articulatório. Digam-me lá se isto não soa a poesia..! Conseguiria escrever um capítulo de um livro só com a inspiração destas 5 expressões!

12.24.2010

Palermices honoríficas

Todos nós sabemos que as palermices existem às dúzias e que são mais baratas que as de ovos. São tão baratinhas que se dão ao luxo de aparecer disseminadas por tudo o que é canto, rebordo, televisão, jornal, ou boca.
E há uma que me irrita solenemente e que diz respeito à utilização de títulos académicos para significar alguém. Não é que tenha algum problema em que as pessoas tenham títulos académicos! Nem por sombras! Também investi muito dinheiro para os ter, por isso passemos à frente da palermice de quem afirma que "se o tenho, é para o utilizar".

Só não acho que um título académico se incorpore por baixo da derme e que, à mínima abordagem, se exiba na testa de cada pessoa e pisque os olhos de mansinho a exprimir um "anda lá, diz-me...".

Economista, Advogado, Engenheiro, Professor.
Dr, Dra.

Eles andam nos cartões de crédito, bem acomodados para que as pessoas olhem e sintam "ah! Que dia de %%#$! Ao menos sou um Dr. e ali o palermóide das bombas de combustível terá que me olhar debaixo daquele paralelo ali no chão quando colocar combustível aqui no meu xpto versão 15". É claro que pode ser muito mais subliminar que esta palermice que escrevi. Mas surge mais ou menos assim num panorama emocional virtuoso.

Faz-me uma inauguração num Vila de Portugal. "O Presidente da Junta não tem título académico. Apre!" - Pensa o Presidente da Câmara e os restantes dignitários dessa bênção. "O palermóide não pode falar! Nem saberá o que dizer!" - pensa juntamente com a sua equipa.
E assim se joga a divisão para reinar. "Xô xonecas!"

Adiante. É certo que muitas pessoas passam à frente dessas designações e não se esquecem que elas existem para além dos vincos de poder que gostam de exercer sobre os demais, formados mais novos ou outros sem formação.

E como as pessoas sem títulos académicos gostariam de ter um! Ah! Que bonito! Que bom que é dizer "o Dr. cvbn disse-me que...". Ahhhhh! Tão perto do poder, da sabedoria, da distinção! Mnham!

"Ao telefone de Londres, um português retido no aeroporto de Heathrow...". No canto superior do ecrã surge..."Nome da pessoa, Economista". Imaginem que era Soldador. Também apareceria lá? E se fosse Canalizador?
Não, pois não? Pois, também acho.

É uma grande palermice esta mania portuguesa, depositária de uma cultura centrada no respeitinho (não Respeito). Mas alto lá! Isto é apenas uma consequência antiga que virou causa recente. Se antes foi apenas a consequência de uma divisão de classes (ups...comunistas com K, ponham-se a milhas! Estou a falar a sério!) para os de lá de cima reinarem. Basta olhar para a sociedade portuguesa para perceber que é verdade. Virou causa quando foi introduzida para continuar a dividir, para sugerir que o respeitinho bacoco e palermóide deverá perpetuar-se.

Acreditem, só agora no fim é que me lembrei do Engenheiro Sócrates. Hum..já não tem piada. Adiante.

Alguém: "Dr. Ricardo, vai utilizar a sala ao lado do gabinete?"
Eu: "Não..."
Alguém: interrompendo-me.."Ok."
Eu: "Não, sou Ricardo".
Alguém: "ah.."

Pois é. Ganhem juízo!

12.07.2010

Bolachas de água e sal

 

O nome da minha perplexidade tem um sabor amargo. Cheira a mães esquecidas pelo tempo, a pais ausentes da proximidade, famílias engolidas por si próprias, ignorantes da sensibilidade.

Vive-se demasiado tempo com o ar dos copos, a imensidão dos pratos, o tiq-taq do relógio. Prossegue-se incessantemente para algures longe, perto da decadência, longe do amor.

Pequeno almoço de bolachas de água e sal, leite a acompanhar. Lanche matinal de bolachas de água e sal, leite a acompanhar. A repetição dos danos envergonha a repetição dos gestos.

7 anos. 9h30m. Sono. Mãe. Filho. Escola. Dia. Caminho.

Sem tristeza, sem saber que é possível zangar-se com a mãe, que é quem se zanga pelos astros todos que habitam a sua cama, antes de dormir.

Sortuda. Próxima dos sonhos de uma vida a que aspira, talvez perdida num pesadelo do qual não se consegue libertar. E ele a caminhar suavamente, utilizando os seus chinelos mágicos, flutuantes. Sono profundo.

“Mãe, tens que me ir levar à escola!”. O Mundo está lá fora, longe dela, perto da iniciativa dele de mais tarde dizer que ela é uma sortuda. Dorme mais. Sortuda. Não tem que trabalhar. Sortuda. Não se preocupa. Sortuda. Não tem que estudar. Sortuda. “Estou aqui, mãe!” Sortuda.

Sortudo? Não. Mas não se importa. Cuida-se sem desculpa, mostra os olhos que esperam pela reciprocidade, pelos olhos dela que poderia levá-lo de nave espacial para o melhor dia da semana.

“Fiz sozinho”. Sim, é verdade, fizeste cheio de ti, cheio de desejo de viver.

Sortudo? Sim.

12.02.2010

Canada needs…

 

  • 0631 Restaurant and Food Service Managers
  • 0811 Primary Production Managers (Except Agriculture)
  • 1122 Professional Occupations in Business Services to Management
  • 1233 Insurance Adjusters and Claims Examiners
  • 2121 Biologists and Related Scientists
  • 2151 Architects
  • 3111 Specialist Physicians
  • 3112 General Practitioners and Family Physicians
  • 3113 Dentists
  • 3131 Pharmacists
  • 3142 Physiotherapists
  • 3152 Registered Nurses
  • 3215 Medical Radiation Technologists
  • 3222 Dental Hygienists & Dental Therapists
  • 3233 Licensed Practical Nurses
  • 4151 Psychologists
  • 4152 Social Workers
  • 6241 Chefs
  • 6242 Cooks
  • 7215 Contractors and Supervisors, Carpentry Trades
  • 7216 Contractors and Supervisors, Mechanic Trades
  • 7241 Electricians (Except Industrial & Power System)
  • 7242 Industrial Electricians
  • 7251 Plumbers
  • 7265 Welders & Related Machine Operators
  • 7312 Heavy-Duty Equipment Mechanics
  • 7371 Crane Operators
  • 7372 Drillers & Blasters - Surface Mining, Quarrying & Construction
  • 8222 Supervisors, Oil and Gas Drilling and Service

11.05.2010

Ver-te

 

Ver-te foi como dobrar a memória e escorrer as letras, os sons, as expressões e a beleza dos meus quadros dos nossos momentos passados pelo meu corpo abaixo. Apanhei os cacos e misturei tudo novamente. Descobri que, no essencial, pouco mudou. A tua expressão congelou-se no tempo, cosida que está à tua identidade; o teu corpo continua ligeiro e esguio; os teus olhos continuam a ser lupas que fazem um zoom perscrutador; o teu andar continua como a brisa de quem vai ao infinito e que volta já; as tuas palavras continuam carregadas de ti, cheias do peso da tua leveza singela; o teu sorriso uma amálgama de presentes futuros que se oferecem sem vergonha e sem reparares.

Eu, vertido à tua frente, não querendo entornar-me nas tuas mãos e esquecido dos pormenores mas engrandecido pelas tuas marcas suaves, fui. Ali, fui. Nem mais, nem menos, diferente do que tiveste nos teus olhos límpidos e doces, igual na essência que me transporta pelos caminhos cruzados. Melhor, pior. Errático. Ansioso por respirar a vida por todos os poros. Errático. Como todos. Como eu. Como tu. Cheio de sonhos. Breves, longos. A preto e branco, coloridos com desejos exóticos e, ao mesmo tempo, de desejos simples, rudimentares, animalescos. Animal. Grosseiro no desejo de viver, terno no desejo de me viver.

Ver-te foi como ver-te na segunda página do teu livro interior e numa das páginas do livro aberto. Páginas rasgadas, palavras riscadas, linhas desalinhadas. Ver-te foi como colar uma nova página, inserir caracteres novos mas do mesmo desenho, o teu traço único. Ver-te foi beber-te um pouco e foi bom. Refrescante.

11.03.2010

Baralhar e voltar a dar

 

Muitas vezes jogamos um jogo estranho com a vida. Colocamos as cartas nas nossas mãos, ora viradas para baixo, ora viradas para cima. O vento gira-nos as mãos, vira-nos o ADN. Sabemos que alguma coisa está lá desenhada mas não conseguimos perceber os alcance dos traços ou a profundida das cores.

Paramos. Sonhamos. Caminhamos incessantemente. Continuamos a desenhar.

Caminhamos pelas ruas desertas cheias de nós, recolhemos os olhares das esquinas e os sinais de stop da realidade. A prioridade são as nossas angústias, desejos e incongruências. Sob a vulcanidade dos nossos passos jaz a imperiosa necessidade de subir os degraus das esferas: das nossas equações interiores, dos resultados das nossas divisões.

Uma das cartas revela-se. As ruas estremecem. A convulsão activa-se, o olhar brilha. Olha aqui um pouco de mim. Vê lá isto, este material de que eu sou feito, o material de que tu és feito.

Uma das cartas esconde-se. As ruas estremecem. A convulsão activa-se, o olhar cerra-se. Percorro as entranhas da revisão da minha constituição. Há alíneas da minha composição ausentes das cartas que apresento.

Volto a produzir as cartas da minha vida. Reparo que são diferentes mas…iguais. Mudei. Os traços e as cores continuam em composição. Volto a dar. Volto a perder. Volto a tentar. Volto a ser. Volto a ouvir-me. Volto a ver-me. Volto a ver-te.

10.18.2010

The Paradox of Our Age by Dalai Lama

 

We have bigger houses but smaller families; more conveniences, but less time.

We have more degrees but less sense; more knowledge but less judgment; more experts, but more problems; more medicines but less healthiness.

We’ve been all the way to the Moon and back, but have trouble crossing the street to meet our new neighbor.

We built more computers to hold more copies than ever, but have less real communication.

We have become long on quantity, but short on quality.

These are times of fast foods but slow digestion; tall men but short characters; steep profits but shallow relationships.

It’s a time when there is much in the window

But nothing in the room.

8.31.2010

Na berma

Na floresta. No meio da floresta. A uivar, como se pretendessem vergar as árvores ao som urdido com as entranhas de noites suadas.

Um homem sentado, na berma do passeio, escondido da porta de entrada para a estação de comboios. Noite. Lá longe ouve o som que lhe cola a lua às mãos. As recordações vêm cheias de barro. Irrompem pelo chão e possuem-no durante breves minutos. Toca na pedra fria e reconhece a limpidez das suas memórias outrora felizes.

Um saco de um vazio imenso, rodeado por muralhas de betão, cozido por anos de trabalhos forçados.

Lá longe, vê ela. Sozinho, cabisbaixo. Estendido na pedra quente de uma noite de verão. Agasalhado. Imagina quem será aquele para quem se olha com um sorriso repleto de letras. Abandonado.

A tentativa de romper as luvas que o protegem do frio é levado ao extremo. Os dedos são feitos de lã. A pele é feita de lã. O olhar é feito de tristeza. O corpo, distendido, preso pela gravidade, sacode o pó de si.

O frio contorna-lhe a face, o calor dá-lhe o timbre. Discrimina os opostos, distingue-se no luar. O espelho revela-se nos rostos das pessoas que passam, nas arestas polidas dos fatos angulosos e dos acessórios de verão.

É aquele que eles vêem, escondido debaixo dos pés pretos, dono da sua caverna do tempo. Serve de gota de contraste, a tonalidade que dá coerência ao olhar que o perfura com interrogação.

Está frio aqui dentro. –5º. Os números cegam. 25º. O comboio vai partir. Ouve-se o vozeirão da partida. Partem. Logo estará lá, enrolado, coberto de si, preso às migalhas que colam, aos ratos que colaboram, às pombas que vagueiam. Eterno.

7.26.2010

Irracional

Estrada Irmãos Oliveira Lopes. Válega, Ovar, Portugal. 2010.

Uma estrada com piso tradicional, ou seja, com paralelos – muito desconfortável, por sinal – está a ser intervencionada.

Objectivo: pavimentar e fazer passeios novos. Não vou falar do facto de a obra não prever saneamento….

Objecção: a estrada possuia, de um dos lados, um passeio em excelentes condições.

Resolução: partir o passeio todo e voltar a fazer outro.

Conclusão: uma demência generalizada.

Repto: como não quero dizer asneiras, pergunto singelamente: não seria possivel aproveitar aquele passeio e realizar a restante obra??????

Final: fartinho até à ponta dos meus fraquinhos cabelinhos! Que irracionalidade é esta?

7.07.2010

?Válega?

A Vila de Válega é peculiar. Peculiarmente retrógrada. Em quase todos as perspectivas. Abramos esta janela e olhemos para a paisagem.

O que mudou substancialmente em Válega nos últimos 30 anos? Sim, é para responder. Continuo à espera. Sim, pode pensar um pouco. Não encontra nada? Hum…Pense mais um pouco enquanto desenho mais uns caracteres nesta folha agreste.

Nada. Quase nada. Porquê?

As causas: economia portuguesa rastejante - recursos financeiros escassos; na penumbra da ausência de Visão e Estratégia da Câmara Municipal de Ovar; ausência de uma Visão, Missão e Objectivos estratégicos próprios; falta de imaginação/inovação; auto-exclusão de uma ambição obrigatória; ausência praticamente total do sentido de comunidade; população com níveis de educação formal e formação cívica muito débeis, com receptividade reduzidíssima à mudança; e falta de canais de comunicação entre o Poder Local e a Comunidade.

As consequências: subdesenvolvimento social, económico, comunitário.

Mas continuo a perguntar, porquê?

Terá que continuar assim? É inevitável a decrepitude do subdesenvolvimento? Será o futuro da Vila de Válega uma recapitulação do passado?

É irritante pensar que o “sim” poderá responder a estas perguntas. Acho que toda a gente preferiria três letras diferentes…

Já se provou em Válega que é possível criar riqueza. Refiro-me ao caso único da Patinagem, tão eficazmente implementado e desenvolvido pelo Pedro Nunes e restantes colaboradores e atletas. Mas mesmo neste caso continuamos a ver um impacto reduzido. Cientes dos prémios e reconhecimentos obtidos, porque não colocar Válega no mapa Europeu como um pólo importante de Patinagem?

Não. Não se consegue. Continua tudo na mesma.

Escrevi, há algumas semanas, que tinha sido criado um espaço relacional para os idosos, o qual denominei por Sessões de Grupo. Foi divulgado um texto sobre a iniciativa no Jornal de Válega, em várias missas que ocorreram na Igreja de Válega, e colocaram-se pequenos cartazes em alguns pontos da Vila.

Contudo, apesar de 9 pessoas se terem inscrito, apenas 3 confirmaram a sua presença. Mais uma vez, a recapitulação acontece. Não é possível, ou aconselhável, realizar sessões de grupo com 3 pessoas. Não há dinâmica de grupo que se desenvolva numa amplitude e riqueza suficientes para atingir os objectivos delineados.

Resta a desilusão.

O que fazer?

5.13.2010

A vergonha

"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa - citam-se, a par, a Grécia e Portugal. Nós, porém, não possuímos como a Grécia, além de uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da Arte. Apenas nos ufamos do Sr. Lisboa, barítono, e do Sr. Vidal, lírico."


Eça de Queiroz, in "Uma Campanha Alegre", (1872) pág. 235, edição Livros do Brasil

5.07.2010

Canada needs…

 

Provincial programs

Depending on your work experience, you could come permanently to Canada through a provincial program. The rules for application may be different for each province.

To see if you are eligible to apply, please visit the sites below. You can also see which skills are needed in each province.

4.29.2010

Um momento, uma ideia

A conversação terapêutica pela narrativa partilhada e co-construída, numa perspectiva dialógica, em que as vozes e as posições identitárias das pessoas se entrelaçam num novelo infinito de possibilidades: de ser mais ou ser menos, consoante as doses de felicidade com que servem a sua vida, de ser melhor, de ser diferente, de ser.

4.28.2010

A perversidade da Europa e o euro

É completamente inaceitável que o BCE não possa emprestar dinheiro directamente aos Estados mas que o faça aos bancos, que por sua vez foram salvos pelos Estados, e que estes últimos tenham que ser financiados pelos bancos. Mas que TRETA é esta?

Que bom que é ganhar dinheiro fácil assim! Também quero!

Daí tanta vontade que a especulação renda frutos rapidamente! Quantos mais sangue houver, mais lucro se obtém!

Uma VERGONHA sem limites!

4.25.2010

Discurso de Cavaco Silva – 25/04/2010

Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, fez um belo discurso por ocasião da comemoração do 25 de Abril de 1974.

O mais interessante são os caminhos (alguns) indicados para o sucesso: a indústria criativa e o mar. Bem verdade.

Aliás, muitos discursos são óptimos mas depois encalhamos, como um barco velho que navega na banheira de um pesadelo.

Só gostaria de ver este discurso mexer-se, pular sem parar, encostar-se a todos os cantos das vilas e cidades portuguesas, vibrar de energia na boca de todos.

Quero ver acção!

Leiam o discurso. O vídeo é incómodo. As palmas uma treta.

“Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Primeiro-Ministro,
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhoras e Senhores,

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, um jovem capitão de 29 anos reuniu os seus homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Falou-lhes do estado a que Portugal chegara e terminou dizendo: «quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!».

Vieram todos, sem excepção, mesmo sabendo que corriam riscos, incluindo o risco de não regressar com vida. Ao fim de algumas horas, caía um regime cansado de guerra. É por isso que aqui estamos hoje.

Foram eles os filhos da madrugada. Não caminharam para Lisboa em busca de cargos ou de lugares. Não vieram à procura de um lugar na História – e é justamente por isso que o merecem.

Como o retratou Sophia de Mello Breyner, Salgueiro Maia foi «aquele que deu tudo e não pediu a paga». Um exemplo notável para muitos Portugueses dos nossos dias, que tantas vezes cedem às seduções vazias e efémeras da sociedade de consumo e outras tantas vezes medem o valor dos homens pelo dinheiro ou pelos bens que ostentam.

Aqueles que saíram de Santarém, de Mafra, de Tancos, de Santa Margarida, de Estremoz ou de Vendas Novas rumaram a Lisboa porque não se conformaram com o País em que viviam. Vieram todos, porque todos queriam mudar. Queriam um país livre.

Neste dia, devemos ter presente um facto muito singelo: em 2010 completam 36 anos aqueles que nasceram em 1974. São mais de três milhões os Portugueses que não possuem qualquer recordação do que foi o 25 de Abril de 1974 porque, pura e simplesmente, não tinham nascido na altura. Vêem a democracia como um dado adquirido.

Um jovem de 24 anos, que termina este ano o ensino superior, sempre viveu num Portugal membro das Comunidades Europeias. Vê a Europa como o seu espaço.

Uma criança de 8 anos não conheceu outra moeda que não o euro, não sabe como era o escudo.

Aqueles que sempre viveram em liberdade desconhecem o seu preço. Em larga medida, só nos apercebemos do valor das coisas quando nos vemos privados delas. A melhor lição de liberdade é a experiência da não liberdade.

Temos, pois, um dever de memória para com aqueles que nasceram já depois de 1974. Devemos ensinar-lhes o que custou conquistar a liberdade e que a defesa da liberdade deve ser um princípio de acção para os agentes políticos e para todos os cidadãos.

O 25 de Abril foi feito em nome da liberdade, mas também em nome de uma sociedade mais justa e solidária. Será aí, porventura, que o balanço destas três décadas de democracia se revela menos conseguido.

A sociedade portuguesa é hoje mais justa do que aquela que existia há 36 anos. No entanto, persistem desigualdades sociais e, sobretudo, situações de pobreza e de exclusão que são indignas da memória dos que fizeram a revolução de Abril.

A sensação de injustiça é tanto maior quanto, ao lado de situações de privação e de grandes dificuldades, deparamos quase todos os dias com casos de riqueza imerecida que nos chocam.

Na minha mensagem, no primeiro dia do ano de 2008, disse: “sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e da necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores”.

Embora este meu alerta não tenha então sido bem acolhido por alguns, não me surpreende que agora sejam muitos os que se mostram indignados face aos salários, compensações e prémios que, segundo a comunicação social, são concedidos a gestores de empresas que beneficiam de situações vantajosas no mercado interno.

Como já afirmei noutra ocasião, na génese da actual crise financeira e económica internacional encontra-se a violação de princípios éticos no mundo dos negócios e a avidez do lucro fácil, a que se juntaram deficiências na regulação e supervisão dos mercados e das instituições financeiras. Os custos sociais traduzem-se hoje em perda de poupanças amealhadas com grande esforço, destruição de empregos, emergência de novos pobres.

As injustiças sociais e a falta de ética são dois factores que, quando combinados, têm efeitos extremamente corrosivos para a confiança nas instituições e para o futuro do País.

A injustiça social cria sentimentos de revolta, sobretudo quando lhe está associada a ideia de que não há justiça igual para todos.

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Deixámos o império, abraçámos a democracia, escolhemos a Europa, alcançámos a moeda única, o Euro. Mas duvidamos de nós próprios. Os Portugueses perguntam-se todos os dias: para onde é que estão a conduzir o País? Em nome de quê se fazem todos estes sacrifícios?

A prova de que se acumulam dúvidas quanto ao futuro do País está no número de jovens que partem. Infelizmente, aqueles que vão para o estrangeiro são, com frequência, os mais qualificados, os mais promissores.

Mas na maioria deles persiste o desejo de regressar. Tenho-os encontrado nos Estados Unidos, em Espanha, na Alemanha, no Luxemburgo. São jovens que querem estar entre os melhores, para competir com os melhores. Dizem-me quase todos que gostariam de voltar ao seu País desde que tivessem condições para isso, sobretudo condições de trabalho nas suas áreas de especialização.

Este é um potencial que o País não pode desperdiçar. É a saída de mais jovens com valor e talento para o estrangeiro que pode fazer de Portugal um país periférico. No mundo actual, a periferia está onde mora a ineficiência do Estado, a falta de excelência no ensino, a ausência de conhecimento, de inovação e de criatividade, em suma, a periferia está onde mora o atraso competitivo.

Durante muitos anos, o facto de nos encontrarmos na periferia da Europa foi considerado uma das causas principais do nosso atraso. Portugal era a Finisterra, como já os Romanos lhe chamavam. Estávamos num extremo perdido da Península Ibérica, longe das grandes vias de circulação e comércio através das quais a Europa, desde a Idade Média, construiu progresso e edificou catedrais.

Tudo isto mudou no nosso tempo. A geografia deixou de ser uma fatalidade irremediável. Estar perto ou estar longe do centro não é algo que se meça em quilómetros, pois estamos no centro do mundo se tivermos o conhecimento e o engenho para tanto. Graças às novas tecnologias, não há longe nem distância. As noções de centro e de periferia foram radicalmente alteradas.

Num espaço global, existem por certo novas ameaças, grandes desafios que as economias emergentes nos colocam. Não podemos perder tempo, porque a concorrência será implacável. Quem ficar para trás, terá de fazer um enorme esforço de recuperação.

No mundo actual, não esperemos que os outros nos ajudem se não acreditarmos em nós próprios, se formos incapazes de fazer aquilo que nos cabe fazer.

A globalização e o aprofundamento da integração europeia obrigam-nos a procurar a diferença, a encontrar factores distintivos para o nosso País, a aproveitar bem as nossas vantagens comparativas. Devemos ter uma visão de longo prazo que indique o lugar que queremos ocupar na Europa e no Mundo.

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Portugal vive uma grave crise que é de todos conhecida. É nestas alturas que temos de ser capazes de abrir caminhos que levem o País a novas oportunidades. Irei referir dois deles: o mar e as indústrias criativas.

Portugal encontra-se na periferia da Europa, mas está no centro do mundo. Somos uma «nesga de terra debruada de mar», como nos chamou Torga, palavras que recordei nesta Sala, quando tomei posse como Presidente da República. Possuímos uma vasta linha de costa, beneficiamos da maior zona económica exclusiva da União Europeia. Poderemos ser uma porta por onde a Europa se abre ao Atlântico, se soubermos aproveitar as potencialidades desse imenso mar que se estende diante dos nossos olhos, mas que teimamos em não ver.

Como pode um país, projectado sobre o Oceano Atlântico, na encruzilhada de três continentes, ver-se a si próprio como periférico?

Para além das especificidades da nossa geografia, temos a História. Num só século, revelámos à Europa dois terços do planeta, percorrendo as costas de todos os continentes. Pusemos em contacto muitos dos povos do mundo e criámos uma língua universal. Por causa disso, Portugal continua a projectar no exterior a imagem de marca de país marítimo.

Que justificação pode existir para que um país que dispõe de tão formidável recurso natural, como é o mar, não o explore em todas as suas vertentes, como o fazem os outros países costeiros da Europa?

Porque retiram esses países tanto valor e criam tanto emprego com a exploração económica do mar, e nós não?

Temos de repensar a nossa relação com o mar. Repensar o modo como exploramos as oportunidades que ele nos oferece. Importa afirmar a ideia de que o mar é um activo económico maior do nosso futuro.

Setenta por cento da riqueza gerada no Mundo transita por mar. Devemos pois apostar mais no sector dos transportes marítimos e dos portos.

Mas também no desenvolvimento de fontes marinhas de energia, de equipamentos para a exploração subaquática de alta tecnologia, de produtos vivos do mar para a biotecnologia ou das indústrias de equipamento, de reparação e de construção navais.

Temos de incentivar a prospecção e exploração da nossa plataforma continental, cujo projecto de levantamento se encontra em apreciação nas Nações Unidas.

Pensando na combinação do mar com o nosso clima temperado, importa desenvolver as actividades marítimo-turísticas, a náutica de recreio, o turismo de cruzeiros. A par disso, temos de fomentar a aquacultura e a manutenção de uma frota de pesca sustentável.

A ausência de um pólo desenvolvido de indústrias marítimas é de facto surpreendente quando Portugal apresenta um conjunto de vantagens comparativas que são extremamente relevantes à escala europeia.

Às vantagens decorrentes da nossa geografia, da História e da imagem externa do País podemos ainda juntar as estratégias e políticas para o mar desenhadas nos últimos seis anos em Portugal e na própria União Europeia. Não é necessário fazer mais estudos e relatórios. Basta agir em cumprimento daquelas estratégias.

É essencial que criemos condições e incentivemos os agentes económicos a investir no conjunto dos sectores que ligam economicamente Portugal ao mar.

Penso, desde logo, na criação de condições de competitividade e estabilidade fiscal para os transportes marítimos e para os portos portugueses, que lhes permitam, pelo menos, igualar as condições dos demais Estados costeiros da União Europeia, bem como dinamizar as auto-estradas do mar, juntamente com os nossos parceiros da União.

Sem querer transmitir a ideia de que o mar é a panaceia para todos os nossos problemas, entendo que o mar deve tornar-se uma verdadeira prioridade da política nacional.

Abraçando um desígnio marítimo seremos mais fortes, porque dependeremos menos dos transportes rodoviários internacionais, cada vez mais condicionados pelas políticas europeias do ambiente.

Seremos mais fortes porque com a exploração da energia a partir do mar poderemos enfrentar melhor os desafios da segurança e sustentabilidade energética, reduzindo a dependência do exterior e promovendo novas tecnologias.

Portugal e os Portugueses precisam de desígnios que lhes dêem mais coesão, mais auto-estima e mais propósito de existir. O mar é certamente um deles.

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Graças à nossa riqueza histórica e cultural, ao talento de muitos dos nossos jovens, à capacidade de adaptação da nossa mão de obra e ao nosso clima privilegiado, temos ainda a possibilidade de desenvolver centros de excelência que se configurem como marcas distintivas à escala europeia.

À semelhança do que ocorreu noutras cidades da Europa, de Barcelona a Berlim, passando por Amesterdão ou Estocolmo, podemos fazer com que alguns centros urbanos se convertam em grandes pólos internacionais de criatividade e conhecimento.

Além da capital do País, o Porto é uma cidade que dispõe de todas as condições para ser um pólo aglutinador de novas indústrias criativas, ligadas às artes plásticas, à moda, à publicidade, ao design, ao cinema, ao teatro, à música e à dança, mas também à informática, à comunicação e ao digital.

Não é de hoje a vitalidade cultural portuense, como não é de hoje a capacidade empreendedora das gentes do Norte. O Porto sempre se orgulhou da sua vida intelectual e esse orgulho é legítimo: das letras às artes plásticas, passando pela arquitectura, aí existe muito do melhor que Portugal fez nas últimas décadas.

Uma aposta forte dos poderes públicos, conjugada com a capacidade já demonstrada pela sociedade civil relativamente a projectos culturais de referência, poderão fazer do Porto e do Norte uma grande região criativa, sinónimo de talento, de excelência e de inovação.

Aí existe um tecido humano feito de gente activa e dinâmica, um espírito de inovação e de risco, um culto do que é novo e diferente. Há capital humano de excelência, há estabelecimentos de ensino e equipamentos de qualidade. Só falta mobilizar esforços para transformar o Porto e o Norte numa grande região europeia vocacionada para a economia criativa e fazer desse objectivo uma prioridade da agenda política.

Estudos recentes vieram mostrar que as actividades culturais e criativas podem desempenhar um papel de crescente relevância na economia portuguesa, à semelhança do que ocorre noutras sociedades desenvolvidas e pós-industriais. Na Região Norte, aliás, foram já lançadas iniciativas visando tirar partido das suas potencialidades neste domínio.

O Porto presta-se claramente a exercer um papel de núcleo dinamizador do engenho criativo. O seu espaço urbano, aliando o antigo e o moderno, o esplendor do barroco das igrejas e a sobriedade da arquitectura contemporânea, pode converter-se numa marca de projecção internacional através de um movimento colectivo e inovador que atraia novas dinâmicas de desenvolvimento, com criadores talentosos, artistas portugueses e estrangeiros, empresários jovens com sentido de oportunidade.

Temos aí um enorme potencial para desenvolver um turismo diferente e de qualidade e para fundar uma nova centralidade alicerçada no vanguardismo estético e na inovação tecnológica e empresarial.

Portugueses,

Há 36 anos, marcámos encontro com um destino de liberdade. Não nos deixámos abater por um regime de muitas décadas que caiu em poucas horas.

É nosso o País. Temos florestas e temos o mar. Temos jovens talentosos que aqui querem viver. Temos cidades e regiões à espera de se afirmarem. É desta matéria-prima que se fazem os sonhos.

No dia de hoje, celebramos a esperança dos que acreditaram, sobretudo em si próprios.

Sem ilusões nem falsas utopias, devemos acreditar porque temos razões para isso.

Há uma razão, acima de todas. Motivo de ser como somos, ela é a nossa maior razão de esperança. Connosco a temos, há muitos séculos, com ela vivemos desde que nascemos. Essa razão de esperança tem um nome: chama-se Portugal.

Obrigado.”

4.10.2010

O Livro da Minha Mãe – Albert Cohen

Mas porque serão maldosos os homens? Porque se tornam tão rapidamente odiosos, mordazes? Porque adoram vingar-se, dizer mal dos outros, se acabarão por morrer, pobres deles? Que a horrível aventura dos humanos que chegam a esta terra, se riem, se agitam, e depois subitamente se imobilizam, não os torne bondosos, é inacreditável. E porque se apressam a responder numa voz de catatua, se lhes falamos num tom delicado, o que os leva a pensar que somos pessoas sem importância, ou seja, sem perigo? É assim que os ternos precisam de se zangar para que os deixem em paz, ou mesmo, o que é trágico, para serem estimados. E se fôssemos deitar-nos e dormir terrivelmente? A criança, enquanto está a dormir está a medrar. Sim, vamos dormir, o sono tem as vantagens da morte sem os seus pequenos inconvenientes. Vamos instalar-nos no aprazível caixão. Como gostaria de poder tirar, qual desdentado que tira a dentadura e a mergulha num copo de água ao pé da cama, de tirar o meu cérebro da caixa, de tirar o meu coração demasiado palpitante, este pobre desgraçado que tão bem cumpre o seu dever, de tirar o meu cérebro e o meu coração e mergulhá-los, os dois pobres milionários, em soluções refrigerantes, enquanto dormisse como uma criança que nunca mais voltarei a ser. Como são escassos os humanos e quão depressa se desertifica o mundo.

4.04.2010

A Memória Colectiva

A memória colectiva – o passado esquecido e o futuro incompreensível

A vida e o futuro só fazem sentido porque há uma dinâmica totalitária orgânica que nos segura num caminho coerente, apreensível por nós e reconhecido pelos outros. Refiro-me à memória. Sem ela a significação ou valoração são impossíveis.

Pensemos na Demência, Alzheimer ou Agnosia. Perturbações que, com causas e efeitos diferentes, produzem a opacidade da realidade. Simplesmente, a vida deixa de fazer sentido. Indizível, inefável. Nem sequer será irreal. Não será. A consciência derrete-se.

Portanto, o presente e o futuro só farão sentido se houver memória – dos factos pessoais, dos factos colectivos. Quero referir-me aos colectivos, embora seja inevitável que devamos subentender os pessoais.

A política como arte de criação de decisões colectivas necessárias ao desenvolvimento de uma comunidade, é, inevitavelmente, ininteligível numa perspectiva de curto prazo. Apenas uma perspectiva visionária conterá as acções que se viram para o futuro e que fazem sentido no presente.

Quando os cidadãos políticos concorrem a uma eleição deverão ter em conta que poderão, de facto, ser eleitos. Nesse sentido, tudo aquilo que prometerem deverá submeter-se ao contrato da honra e ao teste da memória. Cumpriram? Não cumpriram? Porquê? Que factor impediu a concretização? Que justificação foi emitida? Não é possível que existam promessas que depois não sejam cumpridas sem que haja um factor impeditivo inquestionável e uma justificação razoável. Omitindo estas informações perturba-se o respeito, a verdade, a decência da arte de servir a comunidade.

Por outro lado, grande parte de nós está apenas interessada em saber como será o amanhã – o tempo, quem ganha o jogo, o aumento salarial, as férias, as compras, o que irão arranjar na nossa rua, o carro novo, os impostos que vão baixar ou subir. Esquecemos, demasiadas vezes, o passado – o que foi prometido, o que foi votado, os votos responsabilizantes, a decência, o pormenor – e o futuro– o que queremos ser enquanto comunidade daqui a 10 ou 15 anos e como iremos atingi-lo.

É inaceitável que um político não cumpra as premissas do contrato que estabeleceu com a comunidade. Porque não se trata da comunidade DELE ou dos seus amigos. Trata-se da comunidade. Uma palavra que tende a esfumar-se juntamente com o seu significado mas que deverá ser reavivada pela honra, seriedade, frontalidade, frugalidade, e visão dos cidadãos que querem servi-la.

É profundamente corrosivo que os cidadãos (políticos ou não) vivam no mundo opaco da ausência de memória. Esquecem-se dos números, acções, comportamentos, negociações, negócios, honra, respeito, frugalidade e visão de longo prazo. Sem memória e sem visão de longo prazo estaremos condenados a vegetar num presente decrépito e a não lutar colectivamente por um futuro melhor.

Os insectos e os humanos

Sinto-te tentado a falar sobre o concelho de Ovar e como gostaria que fosse.

Imagens dispersas mas coerentes no seu projecto.

…as paisagens enternecidas, o planeamento urbanístico rigoroso, os jardins de uma beleza incontornável, a história descrita nos bancos de jardim, a disciplina do Potencial Total, as pistas seguras para as bicicletas, as escolas bonitas, as lojas cheias de produtos e serviços interessantes, os concursos de inovação frequentes, a limpeza dos espaços, as casas bem arranjadas, floridas e reparadas, os rios transbordantes de vida, as árvores, as boas notícias de Ovar a nível local, regional e mundial, os trabalhos dos alunos expostos pela cidade, o voluntariado em massa, a visão para os próximos 10 ou 15 anos em concurso por entre todos os cidadãos, os hostels criativos e sedutores, um parque empresarial com clusters de excelência, um hospital colorido e próximo da segurança emocional, passeios bem tratados, parques públicos com fauna e flora da região, o museu natural ao ar livre, serviços públicos mais próximos do cidadão, a cultura a céu aberto, uma biblioteca aberta 24 horas por dia, os convidados estrangeiros e nacionais que falam sobre gestão pública, economia, ambiente…enfim… e muito, muito mais...!

Cultura. Ambiente. Economia. Social. Eu e tu.

E os insectos.

Um Mundo de realizações por acontecer, um Mundo que nos vive.

E os humanos.

A mudança. Para o conhecimento, para a criatividade, para a exigência, para a transparência, para o rigor, para a tolerância, para a excelência.

O Sol não se deita e certamente não se levanta. Rodamos, giramos. Ficamos.

Somos, certamente, importantes. Temos a capacidade de criar! Mas somos apenas nós, parte da Natureza. Cheios de poder para destruir ou anular.

Se todos os insectos se extinguissem rapidamente, nós desapareceríamos todos em pouco tempo; se todos nós nos extinguíssemos rapidamente, a Natureza floresceria.

Temos um livro em que escrevemos constantemente. Esse livro é de todos e todos escrevem, mesmo aqueles que não conhecem as letras ou não sabem para onde elas vão.

Gostaria de escrever neste livro tudo aquilo que imagino para Ovar.

E tu?

3.23.2010

Marketplace of Ideas

Liberdade. Debate de ideias e perspectivas. Transparência. Lógica. Razão. Lei.

Este termo – Marketplace of Ideas[1] –, cunhado por um tribunal americano na segunda metade do século passado, a propósito da deliberação sobre um processo que envolvia a Universidade do Estado de New York e professores assistentes que recusaram assinar uma declaração em como não eram comunistas, recolhe o seu fundamento na sabedoria de um dos fundadores da república americana, Thomas Jefferson.

Respeito. Participação. Educação. Verdade. Comunidade.

Todos nós concordamos numa ideia: queremos o melhor para nós. Egoisticamente compenetrados na nossa existência, esperamos que tudo de bom nos aconteça. Queremos ser felizes. Legitimamente. Contudo, será que poderemos extrapolar pacificamente esta perspectiva íntima de uma evolução exponencial na nossa escala interior? Afinal, a existência pessoal fundamenta-se na Relação. Connosco, com os outros, com a comunidade.

Uma comunidade que se cria de acordo com um Mercado de Ideias vibrante, que rejubila perante os desafios do futuro e o respeito pelo passado; que se enquadra num fórum cívico activo, em que os políticos têm uma visão, uma missão e prestam contas, e em que a comunidade as exige; que é renovável na sua energia incomensurável de criação de beleza. A estética da qualidade de vida. Um espaço livre de debate sério, que respeita a lei, a razão, a verdade e o bem comum. Um espaço sensato e partilhado.

A Ovar falta um vibrante e consequente Mercado de Ideias; um estado geral de comunicação multi-direccional, em que as vozes que sobem alto nos palcos desçam junto às vozes, que cosidas pela descrença, aguardam ansiosamente um beliscão para participarem.

É aflitivo viver numa comunidade que, por vários motivos e agentes, flutua no mar dos humores da unicidade discursiva, que aceita relações promíscuas, simpatias patéticas, cegueira parcial, numa apatia tremenda. Falta-nos algo. Alguns dirão, falta-nos tudo. Eu não acredito.

Temos uma pletora de pessoas inteligentes (aquelas com as quais discordamos também podem ser inteligentes…) capazes de algo interessante; recursos naturais riquíssimos; um novo Mundo por explorar.

Falta-nos uma visão para Ovar. O Mercado de Ideias fica assim inaugurado. Uma aspiração, um sonho, uma meta, uma ambição. Um documento materializado por ideias diversas mas consistentes, acções claras, linhas orientadores definidas, inclusiva de todos os agentes, ciente das dificuldades e organizado na estratégia e na sustentabilidade.

Deixo-lhe um repto: qual é a sua Visão da cidade de Ovar de 2025? Quais deverão ser as nossas – Comunidade – prioridades estratégicas

[1]-Poder-se-á traduzir este termo, de uma maneira simplista, como o Mercado das Ideias.

3.12.2010

Superb

Job for the boys, money for the boys - os responsáveis políticos começaram a falar inglês. Previsão de crescimento do pib nas próximas duas semanas: 5%! As agências de rating congratulam-se com a subida a um novo patamar de estupidez.

Quanto mais te afundares, com mais força te poderei puxar pelas orelhas. Brilhante.

2.14.2010

Ausência

A ausência das letras deve-se a algo estranho. Não a falta de pensamentos que tilintem mas de um suspiro que se prolongue pelo silêncio enquanto os dedos articulam a dança dos rabiscos. Aqui estão eles. Nada mais do que "deixa-me cá ver...Hum...que tal?".
A saudade de colocar num espaço branco, completamente nu, um sangue quente que grita pelos rasgos.....de vida.
Aqui estão eles!
Ausentes do papel, presentes no gutural esboço dos pensamentos sóbrios ou doidos que nadam nestas notas - toca a abanar a cabeça..O som...

12.15.2009

2 memórias

Um cinema. Duas velhinhas.
O que leva duas velhinhas (velhinhas? velhinha és tu, oh pascácio!!!) a irem ao cinema, num dia de semana e à noite?
Ou melhor, o que motiva duas pessoas jovens idosas a falarem durante um filme como se estivessem no sofá a apreciar a telenovela da TVI?
Ah! Que exagero!
Simplesmente atentas ao drama de um filme razoável e, provavelmente, entusiasmadas pelo facto de serem apenas mais duas pessoas numa sala de cinema exígua. Relaxadas. Bonitas. Sinceras.
O resto da plateia, surpreendida e com sorrisos abertos, titubeava a rebeldia de umas velhinhas. Que espanto, hein?
"Que queridas!"
A verdade é que não estamos habituados a que os menos jovens furem os preconceitos.
Surpreendemo-nos, pateticamente!

12.01.2009

12 simple things

Copiado à descarada daqui. Podem não ser medidas novas mas é sempre bom refrescar os nossos pensamentos.

1- Turn it off
Turn off lights, televisions, videos, stereos and computers when not in use - they can use 10 to 40% of the power when on standby. Also, unplug chargers as soon as they have finished charging.

2- Be exact
Fill the kettle with only as much water as you need.

3- Close it
Don't leave fridge doors open for longer than necessary.

4- Check your tires
Properly inflated tires can improve your car’s fuel efficiency.

5- Use no plastic
Use cloth bags when going shopping and avoid buying products which use too much plastic.

6- Fan up
Instead of using air conditioners in the summer, wear cool clothes, and use a fan.

7- Drive less
Do your weekly errands in a single trip or pay your bills online. Walk, bike, ride the bus or carpool.

8- Optimize your speed
You will consume up to 25% less fuel if you drive no more than 90 km/hr.

9- Drive hybrid
A hybrid or other fuel-efficient car emits less carbon dioxide.

10- Replace them
Replace your incandescent bulb with a compact fluorescent light bulb (CFL). CFLs cost 3 to 5 times as much but use less than a third of the power. Also, replace old fridge and other appliances with energy-efficient ones.

11- Watch what you eat
Choose food produced close to your home.

12- Recycle
Consume less, and re-use old products.

11.09.2009

A confusão

Andamos todos às turras, criando sofrimento, amor, tristeza, alegria e toda uma panóplia de incompreensões.
Magoamos os Outros e somos magoados por eles. Não compreendemos o que eles pensam e eles não nos compreendem.
Zangamo-nos. Fazemos as pazes. Ouvimos. Não compreendemos. Dizemos. Não nos compreendem.
E cansamo-nos. De tentar perceber e de sermos percebidos. De tentar explicar e explicarmos. De tentar com que tudo seja harmonioso, que não façamos sofrer aqueles de quem gostamos. E gostamos mas não conseguimos evitar que eles possam sofrer e que nós os possamos fazer sofrer. E sofremos por os fazer sofrer. E sofremos porque apesar de gostarem de nós, não gostam como nos desejamos, preenchendo as nossas necessidades, fazendo-nos sofrer.
Há paciência para esta confusão toda? Para esta dor que provocamos uns aos outros?