Showing posts with label crise. Show all posts
Showing posts with label crise. Show all posts

5.18.2011

A minha crise internacional

Dentro da minha vida populam várias dificuldades. Nada de especialmente relevante quando todos nós as temos. Particularmente significativa, no entanto, é a descoberta que eu fiz hoje.

Ora bem, hoje descobri que todos os meus problemas, menores por sinal, tem uma causa principal. A origem que congrega a energia que por sua vez causa toda disrupção na minha vida tem uma explicação.

A causa de todos os problemas é...a crise internacional. Nem mais. A crise internacional é o motivo pelo qual sinto um lastro de incomodidade relativamente: a esta sociedade ignorante, mesquinha e provinciana; aos políticos vendedores de ilusões; à falta de oportunidades para aqueles que se esforçam; a ausência de incentivos relevantes e duradouros que premeiem o esforço, a dedicação e a inovação; aos meus compatriotas que preferem ver o estado como uma vaca leiteira e não como um tesouro a respeitar e preservar; à demagogia do estado social; aos anacronismos regionais e nacionais, entre muitos outros problemas.

Aqui está. Finalmente percebi. Finalmente.

3.31.2011

A tvinização da sic

"Nova descida dos ratings da banca depois do violento ataque ao rating da república" - Frase em rodapé no Jornal de Economia da Sic.

Ataque? Isto é uma guerra contra as agências de rating? Elas não têm motivos de preocupação quando o estado português não tem dinheiro e somos governados por uns políticos como Sócrates que agora não quer cobrar taxas em algumas scuts?

Podemos criticar as agências de rating mas não me lembro de a Europa ter tomado alguma medida substancial aquando da crise de 2008.

3.30.2011

O governo que só desgoverna

É nesta altura que o meu alerta de reactividade relativamente a governos tóxicos atinge o seu limite.

Muitos de vós ouviram falar do previsto aumentos dos montantes relativos aos ajustes directos. De acordo com o governo, o aumento das verbas é "absolutamente normal". Tendo a concordar. Seria absolutamente anormal que este governo acertasse uma em cheio.

Embora não tendo a certeza, há algo que me serena. Julgo que os gastos mais elevados terão passar pelo crivo do Tribunal de Contas. Tome-se isso por verdadeiro. Mesmo assim, é muito difícil aceitar que o governo tenha o descaramento para violar incessantemente a partilha colectiva de uma missão comum: poupar o mais possível e gastar pouco e bem para alcançar as metas estabelecidas.

Não é difícil perceber, portanto, que esta iniciativa abana brutalmente o sentimento de justiça das pessoas relativamente à gestão pública.

3.22.2011

Democracia em Portugal

Portugal é um lugar bastante estranho. Por diversas referi que é um lugar com características esquizofrénicas. Basta alguma distância, como por exemplo umas semanas fora de Portugal, para perceber que, de facto, há algo estrutural nesta sociedade que não funciona como deveria funcionar.

Portugal é uma democracia perfeita, de acordo com aquilo que é referido no Índice de Democracia. Curiosamente, de acordo com este Índice, França é uma democracia imperfeita, atrás de Cabo Verde. Adiante.



Vem a isto a propósito do desespero que grassa em Portugal sobre o momento político em que se vive. Dizem alguns que esta é uma péssima altura para acontecerem eleições. É verdade. Contudo, a Democracia é uma viagem sem paragens obrigatórias. Cabe aos homens que nela participam avaliar o que é melhor para o país, tendo em conta a responsabilidade que a Democracia lhes exige.

Dado que vivemos numa Democracia indirecta, temos que aceitar que os partidos políticos possam tomar decisões como aquela que o PSD tomou, i.e., não aceitamos que o actual governo continue a governar, dada a sua manifesta incompetência para gerir o país. Por outro lado, o governo tem o direito de referir nós temos direito a governar porque tivemos uma maioria relativa, confiada pelo povo e temos um óptimo desempenho para vos mostrar. Se a primeira parte é correcta, a última não.

De facto, no país em que ninguém se demite, tudo se admite (crédito ao PSG, Jornal de Negócios), exigir que alguém se demita por ter sido sistematicamente incompetente parece ser criminoso. Obviamente que me dirão que esta ocasião é especial. Verdade. Mas não será a Democracia Portuguesa algo especial? Não será que o governo errou de forma clamorosa ao longo dos últimos anos? Não será que teve a sua oportunidade (6 anos) para nos transmitir uma visão aliciante e resultados efectivos da gestão de Portugal? Não será que lhe foram dadas as condições possíveis e suficientes para ultrapassar os últimos 3 anos? Contudo, pouco conseguiu.

Um trabalhador pode e deve ser despedido se fizer um mau trabalho, certo? E será despedido quer esteja com problemas graves ou no momento mais feliz da sua vida. Porque não poderá o governo ter o mesmo julgamento? Será o governo mais importante que a Democracia?

A hecatombe portuguesa prevista por vários comentadores e antigos responsáveis políticos de Portugal, leva-me a pensar que a sociedade portuguesa ainda não tem a maturidade suficiente para se focar na resolução dos problemas do país. Prefere uma Democracia medrosa, cristalizada naquilo que dá jeito que seja em determinado momento, em vez de se focar na responsabilização dos seus cidadãos (partidos, governos, e outros) nos processos e resultados que a sociedade lhes exige: uma vida melhor para todos.

Salvaguardadas todas as formalidades - o mais interessante de tudo é que a Democracia não pede licença, ela é; não pede desculpa, exige; não comanda, implica; não se amedronta, prevalece.

Portugal tem um grave problema: os seus cidadãos não se conseguem organizar convenientemente de modo a produzir o país que anseiam, que desejam mas não conseguem concretizar. Demasiado fracos, demasiado esquecidos. Governados pela memória, esqueceram-me dos princípios e dos valores, sonham com os talheres de ouro na mão mas não têm nada mais para comer do que pão rijo.

É na Democracia que os homens fazem o seu melhor; será com os homens que ela melhorará.

3.17.2011

A antecipação de Sócrates

É bem provável que a UE e Merkel tenham dito a Sócrates que não haveria nenhuma hipótese do país fugir de um apoio formal da UE e FMI. O que faz Sócrates? Articula uma estratégia clara para produzir uma crise política, encostando o PSD à parede e evitando ficar com o ônus de ter sido o governo que foi apanhado nas garras do FMI.

Objectivo: vocês, PSD, não aprovam este PEC, por isso querem empurrar o país para o apoio formal. Nós, governo, somos a salvação; vocês, o dilúvio.

Simples e direitinho.

A inversão da racionalidade

Neste momento na sociedade portuguesa tudo parece estar programado para se considerar que a vitória do país é atingir um deficit de 4.6% no final de 2011 e de 3% em 2012, se não estou enganado. Leram bem? Ok, continuemos.

O que estou a dizer é que o governo está a (pretender?) ser avaliado apenas pelo cumprimento de metas do deficit, sendo que vários objectivos orçamentais do passado recente não foram alcançados. Sim, são metas importantes e é urgente reformular o funcionamento do país.

Mas...

Será que uma sociedade só tem que exigir aos seus governantes que ponham as contas do estado em ordem? Não existirão outras questões importantes na governação? Não se deverão exigir resultados objectivos e assunção de responsabilidades na gestão eficiente das áreas da administração central, educação, saúde, justiça ou nas condições que fomentem o crescimento económico?

Não se deverá exigir que o Ministro da Justiça se demita por a mulher ter recebido dinheiro indevidamente, de acordo com as instâncias da justiça?

Não se deverá exigir que o deputado Ricardo Rodrigues do PS seja posto fora do parlamento por ter "fanado" os gravadores dos jornalistas da revista Sábado? O mesmo que está presente no conselho do Ministério Público por nomeação da Assembleia da República...

Não se deverá exigir que o Ministro da Administração Interna saia por ter sido incapaz de gerir a questão dos nºs de eleitor nas últimas eleições?

Para não falar de Sócrates e as suas licenciaturas ao domingo...

Será que as pessoas têm que se deixar enganar pela afirmação do Ministro das Finanças relativamente ao TGV? Será que temos que admitir que o TGV seja feito mesmo que a economia não tenho acesso a financiamento? Será que temos que aceitar colocar fundos na construção de um comboio, deixando que as empresas, de todas as dimensões, se vejam privadas de financiamento para fazerem crescer a economia? Será que temos que aceitar isto?

Será que ninguém se indigna perante o tom messiânico de Sócrates quando fala da sua acção como primeiro ministro?

Será que ninguém se zanga com o congelamento das reformas mais baixas dos nossos velhos (nossos pais e nossos avós, enfim, pessoas)?

Será que ninguém assume responsabilidade neste país, será que ninguém se demite, que tudo se deve aceitar, como diz Pedro Santos Guerreiro no seu último editorial?

Que país é este? Que sociedade é esta que come tudo e cala, sem reflectir sobre os assuntos, sobre o SEU FUTURO?

3.16.2011

Sócrates, o Messias

Foi esclarecedor ouvir a entrevista ao PM José Sócrates ontem à noite, na Sic. Ficou claro que a sua política comprimida entre uma liderança autoritária e uma aura messiânica, redonda no inevitável: ou eu e a minha verdade ou o dilúvio. Melhor, todos aqueles que têm uma interpretação diferente da realidade são pessimistas e não são patrióticos. Todas as expressões de democracia que não se encaixem na adesão ao Grande Líder Sócrates estão condenadas. Sócrates é a democracia, daí não dar importância às formalidades que a sustentam.

É interessante verificar que é esta incapacidade de leitura da realidade que impede que o PM seja parte da solução. Não, ele é o problema. Sim, O problema principal na condução da gestão do país.

Pedro Passos Coelho, nascido num berço de valores e princípios sólidos, tem outra perspectiva. Ele disse há cerca de 2 dias que os governos vêm e os governos vão mas que o país ficará. Esta é a verdade que José Sócrates não admite, apesar de dizer que está a fazer tudo pelo seu país e que não vira a cara à luta nem desiste.

Sócrates, por mais que diga o contrário, está grudado ao poder porque é este poder que lhe permite exercer a magnitude da sua identidade empedernida em todo o esplendor. Se na primeira legislatura isso foi claro, mais óbvio é nesta legislatura.

Sócrates não hesita em angariar-nos para uma adesão bíblica da sua acção. Ao contrário do que diz, não está interessado no país. Está, isso sim, em que nós aceitemos que ele é o Messias que nos levará ao céu, apesar de num cruzamento lá atrás nos ter conduzido ao inferno.

Sócrates não tem uma identidade que gere harmonia na sociedade. Ele desequilibra e agride, gere conflitos e promove as análises simplistas, pois só elas permitem uma absorção imediata da sua verdade.

Sócrates não erra, Sócrates tem convicções.

Sócrates isola partes da realidade e devolve-nos os traços expressionistas mais carregados.

Quem gostar de papinha para os seus cérebros lamacentos, faça favor de se servir.

2.22.2011

O Medina Carreira tem razão

A sério! Não há forma de dizer de outra maneira! Ele tem razão em estar sempre a bater no ceguinho! Pensei que o pessoal já tivesse percebido, isto é, que a comunicação social analisasse os números e que não fosse nas falinhas mansas da propaganda política e que o governo tivesse percebido que não vale a pena seguir o caminho da manipulação da realidade.

O Expresso de sábado demonstrou também que convém dar algum ânimo ao Governo. Passaram a ser os massagistas particulares deste governo.

Tudo isto relativo à tão proclamada diminuição do défice orçamental. Ok, é só um mês mas o modus operandi do governo já não deverá enganar ninguém! Pessoal, ACORDEM!

Ouviram a dissecação dos números pelo Cantiga Esteves, ontem à noite no Jornal da SICN? Elucidativo.

Se não ficaram convencidos com as explicações dele, leiam então o post do Álvaro Santos Pereira, intitulado "O despesismo continua".

Reparem como a cobrança de impostos parece estar a chegar ao limite, se é que já não chegou. Apesar do brutal aumento de impostos, das vendas de automóveis no final do ano e da fatia de 200 e tal milhões entregue em impostos apenas por algumas grandes empresas, a recolha de impostos diminui relativamente a 2008.

Notem também o aumento da despesa e o saldo global, apenas melhor do que do ano passado.

Esperemos que isto mude muito nos próximos meses, senão não haverá retórica bacoca e comunicação social fantasiosa que permita a salvação financeira do país.

2.10.2011

A moção do BE

O BE anunciou as chuvas de Março. A moNÇÃO virá lavar as vestes de Sócrates, que recuperará mais um pouco devido à ambivalência que reina no PSD. Se o PSD apoiar a moção, então teremos uma situação muito curiosa, uma vez que o BE acabará por colocar o tapete para o PSD e o CDS subirem ao trono dos destroços deste país em retalhos.
Mas se o PSD não quiser eliminar este governo, então teremos um espartilho num elefante, potenciadora de uma esquizofrenia ainda mais incapacitante. Roerá os ossos dos portugueses até ao tutano.
Sócrates não consegue esconder o medo de sair do poder. Encrustou-se-lhe na pele. Parece um homem mubarakiano. Quando cair será doloroso.