4.09.2011

A tragédia e a euforia: os portugueses por dentro

Caro leitor, atenção à navegação: o mapa não é o território.


Há entre muitos Portugueses, eu incluído, um conflito interno difícil de sanar. Se por um lado gostaríamos sinceramente que Portugal fosse um país desenvolvido, ao nível dos desenvolvidos da Europa, por outro sentimos um travo adocicado e alguma satisfação por o FEEF/FMI poder intervir em Portugal. Isto é, apesar de querermos o melhor para o país, ficamos contentes com a imposição interna ou externa de medidas válidas (adequadas, consistentes e coerentes) mas duríssimas que se foquem nas causas do subdesenvolvimento e não nas consequências. Se aparentemente o argumento parece ser difícil, o seu conteúdo é muito mais interessante.

Algumas premissas de base (há sempre excepções, como é óbvio):

1- acredito que o país pode ser melhor e que se pode colocar ao nível dos mais desenvolvidos do Mundo;

2- repudio totalmente a mentalidade portuguesa. Enquanto sociedade, somos apenas medíocres. Políticos, empresários, estudantes, responsáveis vários, comentadores, comunicação social, comunidades locais, famílias, cidadãos.

Obviamente que não aprecio per se, por exemplo, que os salários das pessoas sejam reduzidos ou que os idosos se vejam privados daquilo que necessitam. No entanto, satisfaz-me que exista um esboço efectivo de libertação do país desta escória moral e inter-institucional que grassa tão copiosamente.

E qual será a causa deste conflito difícil de superar? Muito simples. Em Portugal as pessoas falam todas de assumir as suas responsabilidades e de se portarem à altura das exigências que lhes são colocadas, o que é basicamente a mesma coisa. Preserva-se a tautologia para imprimir a mesma intensidade no roda do circo que nos move. Se este argumentário faz todo o sentido, a sua realização apenas se permite no status quo do lamaçal moral.

Em Portugal joga-se bem no jogo errado. Ninguém assume com sinceridade tudo aquilo que quer para o país; ninguém tem uma visão, estratégia e medidas claras e honestas para os Portugueses; a maior parte da população é completamente ignorante, estando mais interessada na meteorologia dos dias seguintes, nas polémicas do futebol ou naquilo que o estado pode fazer por ela; nenhum político é capaz de congregar alguns pontos de consenso sobre a terra que é preciso mudar, focando-se antes na mudança do mapa da realidade.

O povo é sábio na vida mas ignorante quanto ao seu presente e futuro e os seus líderes respondem com sonhos envenenados que acreditam ser o elixir para um povo sedento de vida.

Em Portugal a memória é pormenor - ninguém se lembra das promessas que os políticos fazem, tudo se aceita sem crítica - e a responsabilidade civil é um exílio de 5 segundos de uma auto contrição;

Em Portugal pode-se fazer tudo e não se fazer nada e ser recordado com admiração por nada ter feito ou ter feito tudo mal;

Em Portugal podemos representar uma Comissão de Justiça na Assembleia da República e ao mesmo tempo destruirmos a ética do cargo em acções ignominiosas. Nada acontece;

Em Portugal o povo gostaria de conhecer escrupulosamente todas as responsabilidades financeiras dos políticos e das suas decisões. Qualquer tentativa de obter esse conhecimento é populista e sentida como desrespeito pela capacidade do líder;

Em Portugal o alcatrão é a maquilhagem dos políticos que não sem acetona; um aditivo que reverbera na sua pequenez;

Em Portugal não se faz política; em Portugal utiliza-se a narrativa para anular a política; não se discutem soluções, discutem-se manipulações, omissões, deturpações, personalizações;

Em Portugal exige um consenso nacional e salvação nacional mas todas as práticas são maniqueístas; confunde-se consenso com unanimismo e salvação com magia;

Em Portugal todos os comentadores sabem tudo sobre tudo. O Miguel Sousa Tavares é um especialista em Educação sem perceber alguma coisa sobre o assunto; o António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, derrete as dificuldades da Irlanda em lume brando para justificar o injustificável na economia portuguesa; em Portugal toda a gente sabe de tudo mesmo que nada conheça sobre a feitura do dia a dia de que fala, da ciência que se faz, dos sonhos que se criam, das vidas que se perdem;

Em Portugal põe-se todos uns contra os outros. Aquele lugar na Câmara Municipal que é uma maravilha mas que se tornará numa cunha se for ocupado por um familiar do Presidente e não por um conhecido que nos coloque lá; o dinheiro escasseia e o (in)sucesso da sociedade não permite o que as pessoas anseiam. O que se faz? Pede-se aquilo que os nossos pais tiveram mas que não conseguimos criar com o nosso esforço colectivo.

Em Portugal os jovens manifestam-se por contratos sem termo e salários elevados. Estive lá, no Porto. Ouvi e sonhei. Pensei: também quero! Mas antes disso, quero oportunidades! Quero ter a oportunidade de ser avaliado, de ser testado, que me exijam mais e melhor, que me paguem bem se eu for competente, que me alertem se eu estiver a inovar pouco e se os resultados das minhas inovações forem incipientes;

Em Portugal as pessoas pegam na obstinação acéfala dos políticos e deleitam-se com a sua combatividade, mesmo que ela signifique lutar a favor de um irrealismo atroz. Adoram quem lhes faz vibrar as entranhas sem exigir-lhes mais do que querem dar. Ouvem os queridos líderes sem uma ponta de dignidade, sem perceber que só ela permite manter a distância entre a partilha de uma visão e a colagem artesanal ao enternecimento da narrativa excitante de um líder de claque;

Em Portugal as famílias preferem participar nas festas de final do período dos seus filhos do que comparecerem às reuniões de discussão sobre a orientação escolar e vocacional;

Em Portugal o chefe manda tudo e não inspira nada. É tratado por Engenheiro e Doutor mas desqualifica o seu subordinado hierárquico se tiver a mesma formação académica. Em Portugal os Engenheiros e Doutores criam uma cortina de fumo que lhes permite manter uma realidade alternativa, na qual só se pode entrar se o Dr ou Eng estiver no cartão de crédito.

Em Portugal os tais subordinados adoram prestar reverência ao Sr. Professor, ao Sr. Engenheiro, ao Sr. Doutor. A identidade das pessoas eclipsa-se perante o sol minúsculo que habita aquelas almas. Perto dos que estudaram, junto à fonte de inspiração dos que lá chegaram, o respeitinho da reverência, a distância relacional;

Em Portugal o humor no trabalho é falta de competência. A seriedade bacoca, a repreensão escandalosa, a execução acrítica, a separação mural, e o choro interior do subordinado, são ingredientes do caldo dos pobres da humanidade. Não daqueles que ganham 2 dólares por dia;

Dói viver em Portugal. Não apenas pelo estado de coisas, mas pelo estado das pessoas.

Corrói viver em Portugal. Não pelo estado das pessoas, mas pela exasperante desesperança.

Quero sair de Portugal para continuar a gostar de Portugal. Quero ir para poder manter o ébrio sentimento de pátria.

Isto dói demais.

4.07.2011

Tremoços e momentos importantes: Sócrates no seu melhor



Fica melhor se for embora. Acredite em mim.

Portugal - now and the future

Portugal,




Images from here.

As verdades absolutas de Sócrates e a terapia

Li algures que Sócrates não aceitaria governar com FEEF/FMI, julgo que algures em NY quando foi comunicar na linguagem Bad English. Não estou certo mas julgo ter sido algo parecido. Bem, será que isso significava que agora é um ferveroso apoiante da governação com a ajuda externa?

Se a rejeitasse liminarmente, como é possível que continua candidato às próximas eleições? Estará ele disponível para governar com as medidas gravosas que serão aplicadas?

Para quem diz que não está grudado ao poder...Talvez seja super cola três colocada por marotice pelo Almeida Santos. Nunca se sabe! Os óculos que ele utiliza poderão disfarçar um ar de marotice que não é aparente.

De qualquer das maneiras, já estou a preparar um cadeirão à lá Freud para poder ter o candidato José Sócrates a narrar relaxadamente a sua história. No fundo, tenho muita simpatia pelas dificuldades ou problemas, talvez seja mais adequada, que ele apresenta.

As suas posições identitárias são particularmente interessantes, na medida em que há uma que come todas as pequenas irrupções de diversidade ao pequeno almoço. Acredito que poderei ter o Sócrates relaxado depois de fazer uma hipnose. Como não sei fazê-lo, talvez vá recorrer a um martelo pneumático. Mas não se preocupem, comprei um protector auricular para mim! Aquela porcaria faz um barulho do caneco! Para o Sócrates comprei uma bolha anti mudanças do mundo. Aquelas audiências internas, no âmbito da sua orquestra a duas notas e artistas, assim o exigem. Julgo que seria uma violência inarrável para o nosso Sócrates Jesus, ups, é Sócrates Sousa, passar por tal violência.

Portanto, digo-lhe Sócrates, estou aqui para apoiá-lo na resolução dos seus traços psicóticos e mais concretamente em toda a parafernália delirante. Não se preocupe com o preço. Já sabe que eu faço tudo pelo meu país! Ah, mas não me poderá vender dívida pública que tem aí guardada no mealheiro! Isso não vale, seu maroto!

Para terminar, durma descansado. Os gajos do FMI e FEEF não fazem barulho e fecham sempre a porta. É gente patriótica, que acredita no Tio Patinhas. Não se preocupe. Ups, adormeceu...

Durma bem. Que lindo, parece um docinho a durmir...Coisa mais querida o Sócrateszinho! Espero que não acorde! Tenho medo que venha contar, mais uma vez, que o Cristovão Colombo lhe deve 5 centavos e que a Mona Lisa enganou-o com o preço dos medicamentos para a esquizofrenia. E eu não estou com paciência para aturar o Zézinho outra vez com a mesma história! Apre!

Beauty is not a state of mind: Spain inside







Pictures taken in Baiona, Galicia, Spain

The art that EFSF and IMF won't take

Not the beauty..



nor the poverty..



Pictures taken in Furadouro, Ovar, Portugal.

4.06.2011

Cognitive Behaviour Therapy Self Help Resources

I don't need to say more.

Enjoy!

The Social Meaning of Being Portuguese Canadian

An interesting but short analysis of what was like to be a Portuguese Canadian in 1979. I wonder if a similar analysis today would prove the same conclusions.

Portugal seen from outside the shell

GDP per capita stands at roughly two-thirds of the EU-27 average. A poor educational system and a rigid labor market have been obstacles to greater productivity and growth. Portugal also has been increasingly overshadowed by lower-cost producers in Central Europe and Asia as a destination for foreign direct investment. Portugal's low competitiveness, low growth prospects, and high levels of public debt have made it vulnerable to bond market turbulence

Here

A esquizofrenia é a coluna vertebral de Portugal

Portugal vendeu 455milhões de euros em dívida a 12 meses, pagando uma taxa de 5,902%, e mais 550milhões de euros no prazo a seis meses. Nesse prazo mais curto, o juro médio foi de 5,117%.

No leilão desta manhã, a procura superou em 2,3 vezes a oferta na dívida a seis meses e em 2,6 vezes no prazo mais longo.

Só falta o governo dizer que foi um sucesso!

Aqui

4.05.2011

The downward spiral - Portugal is on its knees

Investors expect Portugal rescue

Fears of lost decade stir Portuguese poll fight

Euro off on Portugal; stocks dip on China rates

Why Portugal faces death by a thousand downgrades

EU: No Mechanism To Provide Bridge Loan To Portugal

Portugal Credit-Default Swaps Rise 5 Basis Points to Record 585

A taxa de natalidade Portuguesa

Brutais dificuldades financeiras , elevados custos unitários de trabalho, baixa competitividade, população pouco instruída, justiça leprosa, corrupção a céu aberto, chico espertismo requintado, estado gigantesco no contexto da economia,e....para ajudar, a segunda mais baixa taxa de natalidade da UE a 27.

Acho que nenhum país da União Europeia congrega tantas dificuldades.


Gráfico tirado daqui.

4.04.2011

The Power of the American Economy

When someone says that the USA are in sharp decline I always doubt it. I would never underestimate the power of the American economy.

At $14.1 trillion, the U.S. economy is about 13 percent larger than that of Brazil, Russia, India, China and Germany combined, World Bank data show.

Here.

A crise da crise

"A crise dói e cansa. Vamos riscar a palavra do nosso dicionário"

por Paulo Zucula, ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique

Há muito tempo que não lia duas frases juntas, ditas por um político, que fizessem tanto sentido.

Com humildade, diálogo, visão, estratégia, e medidas adequadas, a palavra crise deverá desaparecer do léxico político. Sugiro "dificuldades".

Esta é também uma nota para mim.

Working in the health sector in Norway

To all my colleagues that are struggling to get a job in the health sector in Portugal, read below.

What is the demand for workers in the health sector?

In recent years the demand for health personnel has increased. Especially for dentists, specialists in urology,gastroenterology, anaesthesiology, psychiatry and many other areas.
There is a demand for various kinds of health workers in Norway, often in the outlying districts and coastal regions of the country. The lack of nurses and auxiliary nurses to work in the municipal health services is particularly significant at the moment.

WORKING IN THE HEALTH
SECTOR IN NORWAY
(Updated February 2011)

Additional information can be provided.

4.03.2011

Walt Whitman - now and then

There was never any more inception than there is now,
Nor any more youth or age than there is now,
And will never be any more perfection than there is now,
Nor any more heaven or hell than there is now.

Urge and urge and urge,
Always the procreant urge of the world.

from Songs of Myself.

Educare


Here.

Google Documents Features Wishlist

My wish list:

- pagination on document view. It's probably coming soon;
- omission of page number on 1st page;
- insert page numbers without being necessary to print the document;
- insert page numbers in headers and footers;
- table of contents with automatic page numbering (very useful for Thesis and other school work, for example);
- more options to format tables;
- dictionary spelling corrections available through right click;
- keyboard shortcut to hide controls;
- have print preview as an option in the toolbar;
- option to choose font sizes other than just the ones that are available;
- option to change the background color of document's page;
- fix copy and paste (It doesn't seem to work very well, even with the web clipboard extension..Not sure about this one);
- merge the Help sub menus;
- give more emphasis to Template Gallery;
- change the Tools --» Preferences. What the hell is that?! That's weird stuff for most of Docs users!;
- get back the Document styles menu (Got it and next day it was gone);


- fix the confusion between the CTRL-F and Find and Replace


- offline access to Docs. This one is OBVIOUS! :)

That's it for now.

Don't get me wrong, I truly appreciate all the efforts that Google has been putting in Docs development. They just need to address some of these issues to take Docs even further.

And hey, it's free! ;) And it also has one heck of a set of collaboration features! Love it!

On Ireland

Oh, it's the reality stupid portuguese Prime Minister!

Ratings agency Standard & Poor’s the next day said the tests’ assumptions were robust, that the worst was over, and the economy is now set to recover gradually.

Although it downgraded Ireland’s credit rating by one notch, citing increased risks for bondholders under new EU rules to come into effect in 2013, it expects the country to recover faster than Greece or Portugal — Europe’s other two worst debt offenders.

Here.

4.02.2011

Relógio viciado - breve nota

Eureka! Descobri qual é o problema de Portugal. Ok, o principal.

O problema de Portugal é que os seus políticos têm os relógios estragados. Só assim se explica que cheguem atrasados à constatação da emergência da crise ou que estejam atrasados relativamente ao pedido de ajuda ao FEEF/FMI.

4.01.2011

The Portuguese Day of Truth

I'm very uncomfortable with the Portuguese April Fools' Day. It doesn't seem to make any sense that a country where everybody is suspicious of each other is enjoying another day of lies.

To put is more correctly, what Portugal needs is the Portuguese Day of Truth (PDT). It would be great to have at least one day of truths. After that accomplishment we could evolve to other days of truth. But let's not push things out of control! I doubt that Portuguese citizens could resist - at the present time - 2 or more days of truth. Hold on your horses!

Can you imagine having a Prime Minister that sticks to reality or that doesn't perform the constant manipulation of data?

Can you imagine the Portuguese Society voting other things beside lies?

In my opinion, I'll vote for the PDT. What about you?

Graphic from here.

3.31.2011

A tvinização da sic

"Nova descida dos ratings da banca depois do violento ataque ao rating da república" - Frase em rodapé no Jornal de Economia da Sic.

Ataque? Isto é uma guerra contra as agências de rating? Elas não têm motivos de preocupação quando o estado português não tem dinheiro e somos governados por uns políticos como Sócrates que agora não quer cobrar taxas em algumas scuts?

Podemos criticar as agências de rating mas não me lembro de a Europa ter tomado alguma medida substancial aquando da crise de 2008.

To be is to communicate

As Bakhtin said, "to be is to communicate". :)

3.30.2011

Desabafo

Estou farto deste país de gente doida.

3 words: printers, justice, Portugal

Yes, printers. You know, that peripheral which produces a text and/or graphics of documents stored in electronic form, usually on physical print media such as paper. You got the point.

So, what's the relation between printers, justice and Portugal? It's simple.

Today we knew that some courts are at risk of not having printer ink cartridges because the Ministry of Justice of Portugal is lacking the financial resources to buy them. Yes, you read it right. There's nothing unreal here. This is reality.

Yes, Portugal is in Europe and we have electricity here.

O governo que só desgoverna

É nesta altura que o meu alerta de reactividade relativamente a governos tóxicos atinge o seu limite.

Muitos de vós ouviram falar do previsto aumentos dos montantes relativos aos ajustes directos. De acordo com o governo, o aumento das verbas é "absolutamente normal". Tendo a concordar. Seria absolutamente anormal que este governo acertasse uma em cheio.

Embora não tendo a certeza, há algo que me serena. Julgo que os gastos mais elevados terão passar pelo crivo do Tribunal de Contas. Tome-se isso por verdadeiro. Mesmo assim, é muito difícil aceitar que o governo tenha o descaramento para violar incessantemente a partilha colectiva de uma missão comum: poupar o mais possível e gastar pouco e bem para alcançar as metas estabelecidas.

Não é difícil perceber, portanto, que esta iniciativa abana brutalmente o sentimento de justiça das pessoas relativamente à gestão pública.

3.29.2011

Enuresis

Soon after I arrived at St Cyprian's (not immediately, but after a week or two, just when I seemed to be settling into the routine of school life) I began wetting my bed. I was now aged eight, so that this was a reversion to a habit which I must have grown out of at least four years earlier. Nowadays, I believe, bed-wetting in such circumstances is taken for granted. It is normal reaction in children who have been removed from their homes to a strange place. In those days, however, it was looked on as a disgusting crime which the child committed on purpose and for which the proper cure was a beating. For my part I did not need to be told it was a crime. Night after night I prayed, with a fervour never previously attained in my prayers, ‘Please God, do not let me wet my bed! Oh, please God, do not let me wet my bed!’, but it made remarkably little difference. Some nights the thing happened, others not. There was no volition about it, no consciousness. You did not properly speaking do the deed: you merely woke up in the morning and found that the sheets were wringing wet.

George Orwell . Such, such were the joys.

3.28.2011

Não sejas parvo

Ninguém terá justificação para se deixar passar por parvo. Quem estiver com problemas de memória poderá rever os conteúdos que a web disponibiliza. Basta procurar no Google.

Para outras questões mais graves, estarei disponível para a realização de consultas clínicas de Psicologia.

Prometo não utilizar o DSM para rotular a parvoíce, falta de memória ou incapacidade para realizar cognições saudáveis.

Cumpro a promessa de praticar preços inversamente proporcionais aos resultados da irresponsabilidade e incompetência do Primeiro Ministro demissionário.

Não aceito consultas com pessoas que falem Espanhol. Não possuo fluência suficiente da língua para o fazer.

Melhores cumprimentos,

Ricardo Almeida

3.27.2011

Elections in Portugal and Canada

Despite of the fact that the two parliamentary houses are being dissolved almost at the same time, Canadians will have elections on May 2 and Portuguese on June 5.

1 month difference and Canada's not at risk of a bailout!

Portugal needs to start doing things right, that's for sure.

Oh well...

Give Them the Facts by Katharine Birbalsingh

Some excerpts taken from the article.

...this innovative, ground-breaking, 21st-century "preparing children for the modern world" lesson, contains no learning at all. There is no content, no actual knowledge that the children are writing, reading and thinking about.

Gove's reform has caused controversy because our state education system has been moving, for a long time, from teaching children "lots of stuff," to teaching them "skills" instead.

To learn how to count, one must count something. And to learn one's numbers, one must involve the skill of counting. Where then is the bone of contention?

"If they will not learn the way we teach, then we must teach the way they learn." So French teachers write texts using the names of the pupils to make French more "relevant" and entertaining.

What skills advocates don't seem to understand is that taking in knowledge also teaches one how to think.

Many state-school teachers are superb, but as they are judged by standards that value skills over content and are driven by targets and exams, content is inevitably slimmed down.

Reading a wide variety of literature increases one's emotional literacy, which is an essential skill for success.

...boring the kids to death by never teaching them any knowledge is precisely what drives them into the comfort of their Xboxes and PlayStations. We don't necessarily need a massive injection of technology in our schools to make lessons more interesting, as some would argue. We just need to teach our kids something worth learning.

Rigorous English and Maths have practically evaporated from our schools.

Knowledge comes in all shapes and sizes and if some of it was ever problematic, there is no reason to throw the baby out with the bath water.

The skills agenda is so ingrained in our thinking that we don't even question it. For all the good of "teaching people thinking skills", we seem incapable of being critical of the dogma that is depriving our children, in particular our poorest, of the privilege of basic knowledge: what the skills advocates themselves had in abundance at their own schools when growing up.

No, these quotes are not about Education in Portugal but they could be. Moreover, it's even worse in Portugal. Just remind yourself of the Magalhães computers that were given to young students or the tests that were made easier...

I leave it to your meditation.

Full article

Jolicloud and Chrome OS: some notes

Disclaimer: I'm just a Psychologist with great love for technology. I'm ignorant about coding and UX design implications.

This is meant to be just a simple analysis about two amazing projects and the web computing experience.

Jolicloud is an amazing project that uses Linux, HTML5 and the Chromium technologies to create a cloud based user experience while keeping the access to local stored apps. It uses chromium instances to launch web apps like a regular local app. Additionally, you can use Chromium to surf the web.

ChromeOS is also a Linux based project, built on top of Chromium (which lead to the best browser ever, Chrome: ok, it's my opinion). Its main attributes are speed, security and simplicity.

With the motto (in my own words) "live the web", they are working to give us nothing more than the web. Nothing more, nothing less. Although it sounds appealing, and it sure is, there's no possibility to run local apps. That's the great distinctive point when compared to Jolicloud. It can be a caveat to some people which for some reason need local apps to do their business.

To put it simply, ChromeOS is a Chrome browser with a linux kernel. It doesn't allow you to open that word document or that game that you like to play on your Windows machine.

Now you might be thinking that the hybrid approach of Jolicloud is much more interesting than ChromeOS. If you need local apps, it probably is; if not, the case can be different.

While I really enjoy Jolicloud I think that it has a great inconvenient. Let me TRY to explain. If you want to access a web site in Jolicloud you launch Chromium (or any other browser but let's keep with Chromium). But in Jolicloud you also have the possibility to click a web app, which will open like a regular app. You get Chromium and the web app as two separate apps. This is when things get weird.

You open Chromium and start browsing the web (check emails, read the news, etc), loading several tabs in the browser. But then you remember to open that amazing web app that you found in the Jolicloud "store". You click it and it opens independently of the browser. Now you have a browser with several tabs and a web app. Which leads me to ask why would you have a web app launching as a separate instance and not like a tab of Chromium? On the other hand, everything you open in ChromeOS will be presented in a tab. Every web app will in each tab. That makes a great difference to me.

How do I think that Jolicloud could fix this? Simply by forcing each web app to load as a tab of Chromium. If they do that they will improve the user experience dramatically.

I'm eagerly waiting for ChromeOS. I think that it has the potential to change the computing paradigm. Being an avid Chrome browser user and Google apps aficionado (Docs, Calendar, Reader, Books, Picasa etc), I think that if Google:

a) improves the way apps communicate between each other in the web (e.g., drag and drop between different web apps);

b) introduces integrated offline capabilities to Docs;

c) improves Docs compatibility with Microsoft's documents;

d) improves speed, memory management of tabs and security in ChromeOS;

e) brings movies and music services to the Google apps experience, syncing them with Android's software (both in tablets and smartphones);

f) convinces carriers and manufacturers (e.g., LG, Samsung) to provide Android's firmware updates without having to rely on Windows or Mac software;

g) makes it clear to customers all over the world that ChromeOS is not an evolution of Windows or OSX but a revolution in the way you interact with the web;

h) keeps stimulating developers to create great web apps (e.g., with HTML5 strengths and other web technologies); and

i) ensures that vendors will provide well designed hardware (notebooks like the Cr48 but better, and other appliances like TV's) at a good price.

If they do this they will have great chances to change considerably the computing experience of millions of people, benefiting Jolicloud and other web driven linux distributions with their success.

Título mais bem...

1º ponto: eu sei que a probabilidade de errarmos existe. Todos nós erramos. Muitas vezes porque escrevemos à pressa e não revemos o texto, outras porque simplesmente nos enganamos. Pacífico.

2º: mas de onde surgiu o vírus do "mais bem"? É "mais bem" no discurso dos políticos, é "mais bem" nas revistas, jornais e tv´s, é "mais bem" nos blogs..Pessoal, parem de fazer isso! Onde é que foram buscar esta treta?

3º: escreve-se "melhor"!

4º: não é difícil, pois não?

5º: obrigado.

6º: se eu me enganar a escrever, corrijam-me. Eu agradeço.

3.26.2011

Aditi Shankardass: A second opinion on learning disorders

Just listen and think.

Email game - read, answer and delete your emails in Gmail

Having an hard time with all the clutter in your Gmail inbox? Or do you want to do the Saturday house cleaning version of your inbox? Try Email Game It's a funny funny way to get rid of the mail that you don't need.

I never thought that I could laugh while deleting emails! Give it a try!

Screen capture app for ChromeOS

After trying some extensions, I found that Pixlr Grabber does exactly what I need: simply capture parts of webpages and share them. Period. It does what we were used to do with the Snipping tool, but way more effectively.

With Pixlr Grabber you can edit, save and SHARE.

If you use Pixlr to grab pictures for your blog (Blogger), be aware that the url of the screen capture not always work. Right click the capture and choose "copy url of image". Then, paste the url in the box "add image from the web".

A wish with a tv and ChromeOS

How great would it be to have a tv with ChromeOS, connected by wireless and with a bluetooth keyboard?

And now imagine that you could use ChromeOS to have one tab with one tv broadcast and another tab, side by side or not, with an instance of the web.

And think how cool it would be to have your Android synced with your tv...

Sounds nice, right? ;)

Comments are welcomed.

3.25.2011

Life satisfaction in Europe

Not only Portugal has a poor economical and social (e.g., education) development but it's also one of the gloomiest countries in Europe. Take a look at the results below.

Life Satisfaction in Europe

rank Country 0-10

1 Denmark 8.4 ----- BEST
2 Switzerland 8.2
3 Iceland 8.0
4 Finland 7.8
5 Sweden 7.8
6 Luxembourg 7.7
7 Ireland 7.7
8 Netherlands 7.5
9 Austria 7.5
10 Norway 7.5
11 Malta 7.4
12 Belgium 7.4
13 Cyprus 7.2
14 Spain 7.2
15 United Kingdom 7.2
16 Germany 7.0
17 Slovenia 6.9
18 Italy 6.8
19 France 6.6
20 Czech Republic 6.4
21 Greece 6.3
22 Poland 6.1
23 Portugal 5.7
24 Estonia 5.6
25 Hungary 5.5
26 Slovakia 5.5
27 Romania 5.4
28 Latvia 5.1
29 Lithuania 5.1
30 Bulgaria 4.1 ----- WORST


European happy planet Index

rank Country hpI

1 Iceland 72.3 ----- BEST
2 Sweden 63.3
3 Norway 56.0
4 Switzerland 51.6
5 Cyprus 51.3
6 Denmark 49.8
7 Malta 49.4
8 Slovenia 48.5
9 Netherlands 48.4
10 Austria 47.9
11 Latvia 47.5
12 Spain 47.4
13 Ireland 46.5
14 Italy 46.4
15 Germany 46.3
16 Finland 45.7
17 Belgium 45.5
18 France 44.8
19 Poland 43.9
20 Romania 43.7
21 United Kingdom 42.3
22 Portugal 41.8
23 Slovakia 40.8
24 Czech Republic 39.7
25 Lithuania 39.0
26 Hungary 38.3
27 Greece 38.3
28 Bulgaria 29.7
29 Luxembourg 29.6
30 Estonia 29.3 ----- WORST


But not so bad in terms of Life Expectancy

rank Country years

1 Switzerland 80.5
2 Sweden 80.1
3 Iceland 79.6
4 Italy 79.6
5 Spain 79.6
6 Norway 79.5
7 France 79.3
8 Cyprus 79.1
9 Greece 78.8
10 Belgium 78.7
11 Austria 78.7
12 Malta 78.7
13 Netherlands 78.5
14 Germany 78.5
15 United Kingdom 78.4
16 Finland 78.4
17 Ireland 78.2
18 Luxembourg 77.9
19 Denmark 77.4
20 Portugal 77.3
21 Slovenia 76.4
22 Czech Republic 75.3
23 Poland 74.6
24 Slovakia 73.8
25 Hungary 72.4
26 Bulgaria 72.1
27 Lithuania 71.9
28 Romania 71.5
29 Estonia 71.3
30 Latvia 70.7

Of course situations can change tremendously within countries (e.g., austerity measures in some European countries) but I think that the structural dissatisfaction among Portuguese citizens is deeply rooted in a collective frustration. There are many causes but let's leave that for some other time. :)

Via Happy Planet Index

The world(s) of prosperity

“If our nation took to similar economic exploitation [as the West],
it would strip the world bare like locusts… It took Britain half the
resources of the planet to achieve this prosperity. How many
planets will a country like India require?”

Mahatma Gandhi, 1928

Some Portuguese Education Data




Conclusion: Portugal has a long way to go to meet the challenges to be an European developed country. You can talk about bailouts and economic crisis and that sure is important but what Portugal and its governments need is to create a compelling vision and mission for the country, asserting that guidelines and implementation of measures in the society (e.g., Education, State bureaucracy,Justice)are subject of a rigorous process of scrutiny and accountability. Portugal has no margin to fail.

Pictures taken from the good article "A Nation of Dropouts Shakes Europe"

3.23.2011

A crise política e os juros das OT portuguesas

Será que o aumento dos juros deve-se à crise política ou ao facto do BCE se ter retirado da compra das OT portuguesas?

Talvez se deva à incerteza que a crise política encerra, assim como à constatação do BCE que o Estado Português necessitará de uma ajuda financeira. Ou...

talvez não.

A Fitch já afirmou que não baixará o rating de Portugal apenas por haver eleições. Mas...

se as contas de 2010 estiverem erradas e o deficit tiver sido cerca de 8%....Então, mais vale fugir para um monte alto. Resumindo...

que tal considerar que não é apenas a crise política que está a causar um aumento nos juros das OT?

3.22.2011

Democracia em Portugal

Portugal é um lugar bastante estranho. Por diversas referi que é um lugar com características esquizofrénicas. Basta alguma distância, como por exemplo umas semanas fora de Portugal, para perceber que, de facto, há algo estrutural nesta sociedade que não funciona como deveria funcionar.

Portugal é uma democracia perfeita, de acordo com aquilo que é referido no Índice de Democracia. Curiosamente, de acordo com este Índice, França é uma democracia imperfeita, atrás de Cabo Verde. Adiante.



Vem a isto a propósito do desespero que grassa em Portugal sobre o momento político em que se vive. Dizem alguns que esta é uma péssima altura para acontecerem eleições. É verdade. Contudo, a Democracia é uma viagem sem paragens obrigatórias. Cabe aos homens que nela participam avaliar o que é melhor para o país, tendo em conta a responsabilidade que a Democracia lhes exige.

Dado que vivemos numa Democracia indirecta, temos que aceitar que os partidos políticos possam tomar decisões como aquela que o PSD tomou, i.e., não aceitamos que o actual governo continue a governar, dada a sua manifesta incompetência para gerir o país. Por outro lado, o governo tem o direito de referir nós temos direito a governar porque tivemos uma maioria relativa, confiada pelo povo e temos um óptimo desempenho para vos mostrar. Se a primeira parte é correcta, a última não.

De facto, no país em que ninguém se demite, tudo se admite (crédito ao PSG, Jornal de Negócios), exigir que alguém se demita por ter sido sistematicamente incompetente parece ser criminoso. Obviamente que me dirão que esta ocasião é especial. Verdade. Mas não será a Democracia Portuguesa algo especial? Não será que o governo errou de forma clamorosa ao longo dos últimos anos? Não será que teve a sua oportunidade (6 anos) para nos transmitir uma visão aliciante e resultados efectivos da gestão de Portugal? Não será que lhe foram dadas as condições possíveis e suficientes para ultrapassar os últimos 3 anos? Contudo, pouco conseguiu.

Um trabalhador pode e deve ser despedido se fizer um mau trabalho, certo? E será despedido quer esteja com problemas graves ou no momento mais feliz da sua vida. Porque não poderá o governo ter o mesmo julgamento? Será o governo mais importante que a Democracia?

A hecatombe portuguesa prevista por vários comentadores e antigos responsáveis políticos de Portugal, leva-me a pensar que a sociedade portuguesa ainda não tem a maturidade suficiente para se focar na resolução dos problemas do país. Prefere uma Democracia medrosa, cristalizada naquilo que dá jeito que seja em determinado momento, em vez de se focar na responsabilização dos seus cidadãos (partidos, governos, e outros) nos processos e resultados que a sociedade lhes exige: uma vida melhor para todos.

Salvaguardadas todas as formalidades - o mais interessante de tudo é que a Democracia não pede licença, ela é; não pede desculpa, exige; não comanda, implica; não se amedronta, prevalece.

Portugal tem um grave problema: os seus cidadãos não se conseguem organizar convenientemente de modo a produzir o país que anseiam, que desejam mas não conseguem concretizar. Demasiado fracos, demasiado esquecidos. Governados pela memória, esqueceram-me dos princípios e dos valores, sonham com os talheres de ouro na mão mas não têm nada mais para comer do que pão rijo.

É na Democracia que os homens fazem o seu melhor; será com os homens que ela melhorará.

3.17.2011

A antecipação de Sócrates

É bem provável que a UE e Merkel tenham dito a Sócrates que não haveria nenhuma hipótese do país fugir de um apoio formal da UE e FMI. O que faz Sócrates? Articula uma estratégia clara para produzir uma crise política, encostando o PSD à parede e evitando ficar com o ônus de ter sido o governo que foi apanhado nas garras do FMI.

Objectivo: vocês, PSD, não aprovam este PEC, por isso querem empurrar o país para o apoio formal. Nós, governo, somos a salvação; vocês, o dilúvio.

Simples e direitinho.

A inversão da racionalidade

Neste momento na sociedade portuguesa tudo parece estar programado para se considerar que a vitória do país é atingir um deficit de 4.6% no final de 2011 e de 3% em 2012, se não estou enganado. Leram bem? Ok, continuemos.

O que estou a dizer é que o governo está a (pretender?) ser avaliado apenas pelo cumprimento de metas do deficit, sendo que vários objectivos orçamentais do passado recente não foram alcançados. Sim, são metas importantes e é urgente reformular o funcionamento do país.

Mas...

Será que uma sociedade só tem que exigir aos seus governantes que ponham as contas do estado em ordem? Não existirão outras questões importantes na governação? Não se deverão exigir resultados objectivos e assunção de responsabilidades na gestão eficiente das áreas da administração central, educação, saúde, justiça ou nas condições que fomentem o crescimento económico?

Não se deverá exigir que o Ministro da Justiça se demita por a mulher ter recebido dinheiro indevidamente, de acordo com as instâncias da justiça?

Não se deverá exigir que o deputado Ricardo Rodrigues do PS seja posto fora do parlamento por ter "fanado" os gravadores dos jornalistas da revista Sábado? O mesmo que está presente no conselho do Ministério Público por nomeação da Assembleia da República...

Não se deverá exigir que o Ministro da Administração Interna saia por ter sido incapaz de gerir a questão dos nºs de eleitor nas últimas eleições?

Para não falar de Sócrates e as suas licenciaturas ao domingo...

Será que as pessoas têm que se deixar enganar pela afirmação do Ministro das Finanças relativamente ao TGV? Será que temos que admitir que o TGV seja feito mesmo que a economia não tenho acesso a financiamento? Será que temos que aceitar colocar fundos na construção de um comboio, deixando que as empresas, de todas as dimensões, se vejam privadas de financiamento para fazerem crescer a economia? Será que temos que aceitar isto?

Será que ninguém se indigna perante o tom messiânico de Sócrates quando fala da sua acção como primeiro ministro?

Será que ninguém se zanga com o congelamento das reformas mais baixas dos nossos velhos (nossos pais e nossos avós, enfim, pessoas)?

Será que ninguém assume responsabilidade neste país, será que ninguém se demite, que tudo se deve aceitar, como diz Pedro Santos Guerreiro no seu último editorial?

Que país é este? Que sociedade é esta que come tudo e cala, sem reflectir sobre os assuntos, sobre o SEU FUTURO?

3.16.2011

Walt Whitman - Song of myself

I have no chair, nor church nor philosophy;

I lead no man to a dinner table or library or exchange,

But each man and each woman I lead upon a knoll,

My left hand hooks you round the waist,

My right hand points to landscapes of continents,

and a plain public road.

Not I, not any one else can travel that road for you,

You must travel it for yourself.


Song of myself from Leaves of Grass 1855 A Textual Variorum of the Printed Poems, Volume I: Poems 1855-1856 Sculley Bradley, Blodgett H. W et al, eds. NY: New York University Press, 1980.

Sócrates, o Messias

Foi esclarecedor ouvir a entrevista ao PM José Sócrates ontem à noite, na Sic. Ficou claro que a sua política comprimida entre uma liderança autoritária e uma aura messiânica, redonda no inevitável: ou eu e a minha verdade ou o dilúvio. Melhor, todos aqueles que têm uma interpretação diferente da realidade são pessimistas e não são patrióticos. Todas as expressões de democracia que não se encaixem na adesão ao Grande Líder Sócrates estão condenadas. Sócrates é a democracia, daí não dar importância às formalidades que a sustentam.

É interessante verificar que é esta incapacidade de leitura da realidade que impede que o PM seja parte da solução. Não, ele é o problema. Sim, O problema principal na condução da gestão do país.

Pedro Passos Coelho, nascido num berço de valores e princípios sólidos, tem outra perspectiva. Ele disse há cerca de 2 dias que os governos vêm e os governos vão mas que o país ficará. Esta é a verdade que José Sócrates não admite, apesar de dizer que está a fazer tudo pelo seu país e que não vira a cara à luta nem desiste.

Sócrates, por mais que diga o contrário, está grudado ao poder porque é este poder que lhe permite exercer a magnitude da sua identidade empedernida em todo o esplendor. Se na primeira legislatura isso foi claro, mais óbvio é nesta legislatura.

Sócrates não hesita em angariar-nos para uma adesão bíblica da sua acção. Ao contrário do que diz, não está interessado no país. Está, isso sim, em que nós aceitemos que ele é o Messias que nos levará ao céu, apesar de num cruzamento lá atrás nos ter conduzido ao inferno.

Sócrates não tem uma identidade que gere harmonia na sociedade. Ele desequilibra e agride, gere conflitos e promove as análises simplistas, pois só elas permitem uma absorção imediata da sua verdade.

Sócrates não erra, Sócrates tem convicções.

Sócrates isola partes da realidade e devolve-nos os traços expressionistas mais carregados.

Quem gostar de papinha para os seus cérebros lamacentos, faça favor de se servir.

3.15.2011

A nuvem dos medos

Eis o resultado gráfico decorrente de perguntas muito simples feitas a vários alunos do 1º e 2º anos de escolaridade: tens algum medo? Qual é? Quais são?


Simplesmente para apreciar.

Sócrates e o misticismo

É interessante notar a frequência com que o Primeiro Ministro (reparem no pormenor do 1º..já vão perceber) José Sócrates utiliza as palavras "espírito" e "mente".
Analisemos os significados de cada uma das palavras, retirados do Dicionário Priberam Online.

Espírito (latim spiritus, -us, sopro, ar, alma)

1. Coisa incognoscível que anima o ser vivo.
2. Entidade sobrenatural. = abantesma, alma, espectro, fantasma
3. Ente imaginário.
4. Ser de um mundo invisível.

Mente (latim mens, mentis, inteligência, alma)

1. Parte do ser humano que lhe permite a actividade! reflexiva, cognitiva e afectiva!. = entendimento, espírito, intelecto, pensamento
2. Armazenamento de experiências vividas. = memória, lembrança
3. Disposição de espírito.
4. Aquilo que se pretende fazer. = intenção, intuito, pensamento, propósito, tenção
5. Maneira de compreender ou imaginar o mundo. = imaginação, percepção!
ter em mente: lembrar-se ou ter como intenção.

Facilmente notamos o cheirinho a sobrenatural nestas duas descrições. Repare, Espírito remete para a noção de uma entidade abstracta, imaginária e, portanto, sobrenatural, e a Mente surge com a função do Espírito.

Quando Sócrates diz, por exemplo, "não está no meu espírito..." ou "tenho na minha mente que...", está basicamente a dizer-nos que orgão e função são compreendidos como sendo exactamente a mesma coisa. Daí advém que o floreado místico, repleto de mini expressões que personalizam a sua inefável autoridade, seja apenas uma expressão da identidade messiânica de Sócrates. Mais, o Messias Sócrates traz a sua sabedoria num manto sedutor, bebida pelos seus discípulos como o néctar da verdade, incontestável no seu conteúdo, bitola na sua forma.

Sócrates é o Primeiro Ministro. O primeiro. O Ministro que vai à frente, que abre o caminho, que ilumina os outros discípulos. Que mostra a verdade. Ele dá-lhes a verdade com gotas mágicas, vertidas pelo seu espírito e pela sua mente. Deles se espera que lhe lavem os pés e que lhe respondam afirmativamente à sua magnanimidade altiva. O pusilâmine escondido atrás das suas crenças e que ouse questioná-lo é vergado pelo poder da repreensão moral que o mestre lhe provocaria, o que pressupõe uma dor insuportável de exclusão da torrente da vida.

A sua sucessão é impossível, dado que nenhum Líder místico pode ser substituído. Estas lideranças são imortais, uma vez que se impregnam na carne daqueles que o seguem; atormentam os que têm dúvidas; e anulam aqueles que ousam criticá-lo.

Sócrates assume-se como o caminhante peregrino no reino da sua aura mística. Vê uma luz difusa, que o cega pela iluminação que lhe provoca no espírito. A sua verdade é A verdade; a sua rota é A rota; as suas decisões são As decisões.

Contudo, Sócrates não é realmente um líder. É apenas um homem que usa a sua inteligência e capacidade de manipulação para criar uma realidade paralela, bem expressa pela utilização do seu espírito e mente. Sócrates não poderia substituir Espírito por Alma porque sobre a Alma poderão cair punições graves. O Espírito de Sócrates, no significado aqui apresentado, eleva-se acima da repreensão ou punição.

Sócrates não é um político duro; é um político embrutecido. Sócrates não transmite sinceridade nas suas expressões verbais e corporais. Basta relembrar que todas as suas bengalas linguísticas (e.g., "absolutamente essencial") são utilizadas para segurar as fundações de um discurso tautológico, feito para uma absorção acéfala e não para um embevecido processo analítico. Ele sabe que se deixar de lado o cimento que lhe cola as palavras num discurso mono-color, várias brechas surgirão na mensagem que deseja transmitir.

Sócrates não transmite a confiança que caracteriza um líder; ele tenta colá-la com cuspe nas camadas profundas do nosso cérebro, nos alvéolos da nossa inteligência mais básica.

Sócrates é previsível e daí advém muito do seu poder. É o Mestre que quer orientar, o ancião que apresenta sempre as mesmas lições, na esperança que eles se tornem A verdade.

Sócrates é mais uma pessoa, tão insignificante e importante como tu e eu. Não tem o poder e aura mística que ele julga que possui, nem a capacidade política inata que lhe atribuem. Não, a política não é a arena dele por que ela não lhe permitiria, e se fosse, então a política teria um significado muito diferente daquele que tem.

Sócrates ilumina o seu caminho com a sua própria luz; não se alimenta da luz do seu povo. A sua energia advém da SUA missão, não da missão conferida por um povo que comanda uma nação.

Sócrates diz que o país dele tem mais de 800 anos; o país dele pertence a uma realidade aleatoriamente prevista no seu ideário; Portugal é uma abstracção total, assimilada e criada constantemente por uma narrativa multipolar. Portugal é dos Portugueses, os que estão e os que foram. Portugal nunca será de Sócrates porque ele será sempre mais que um País.

Sócrates é mais um. Nem mais, nem menos. Interessante? Sem dúvida. Mas também já escrevi sobre uma chávena de café.

3.13.2011

Não fiques à rasca! - Programa de Orientação Escolar e Vocacional/Profissional



A Orientação Escolar e Vocacional/Profissional (OEV/P) é tremendamente importante para o futuro dos alunos do 9º e do 12º anos. No entanto, um grande número de escolas não dispõe de um serviço de Psicologia que possa proporcionar-lhes um programa de OEV/P e quando dispõem, têm dificuldade em responder às solicitações idiossincráticas de cada um dos alunos.

? Quantos jovens se vêem perdidos na escolha que têm que tomar e que, indelevelmente, irá condicionar fortemente o seu percurso escolar e a sua motivação e felicidade?

? Quantos se questionam numa angústia gritante sobre se estão no curso certo ou se tomaram a melhor decisão no 9º ano?

? Quantos tomam decisões sem conhecer a oferta completa que têm à sua disposição?

Muitos, sem dúvida. Não sejas um deles! Eu posso ajudar-te!


Bem sei que é difícil tomar uma decisão vocacional aos 15, 16, 17 ou 18 anos, que seja óbvia e clara como água límpida. Por várias razões:

- Estás num processo intenso de elaboração da identidade;
- O Mundo têm evoluído muito depressa, sendo criadas novas profissões e anuladas outras à medida que os novos desenvolvimentos tecnológicos vão acontecendo;
- Existem diversas rotas académicas e muitas profissões;
- És influenciado(a) pelas vivências que vais tendo com os teus amigos, pais, irmãos e outros familiares, professores, figuras inspiradoras, pelo país e situação europeia...Enfim, uma catrefada de gente e experiências!


Vamos lá então conhecer os 3 eixos de uma decisão vocacional/profissional:

- Auto conhecimento: tens que olhar para ti próprio(a) e perceber o que és neste momento, como queres evoluir e que marca queres inculcar na tua vida.

- Conhecimento vocacional: deves analisar cuidadosamente todos os percursos académicos/formativos, ou seja, todas as opções e alternativas.

- Capacidade para relacionar o auto conhecimento e o conhecimento vocacional: isto é essencial. Poderás conhecer-te bem e ter todo o conhecimento vocacional, mas se não conseguires relacionar ambos terás muita dificuldade em tomar uma decisão consistente.


Mas tem atenção! Uma decisão vocacional/profissional deve ser:

- Múltipla (plano A, B, C, etc): devido às mudanças que estão sempre a acontecer e que são imprevisíveis. Isto não significa que não tenhas uma clara noção da “rota” que queres seguir mas deverás ser suficientemente flexível para pensar noutros planos.

- Sincera: é bom sonhar e alguém disse que o sonho comanda a vida mas há aspectos em que temos que olhar necessariamente para a realidade. Sê sincero(a) contigo!

- Lógica e racional: deve fazer-te sentido. Ok, esta pode ser mais polémica porque podes falar-me de um anseio arrebatador que tens em ser médico(a) ou pintor(a)! No entanto, a decisão deverá ser bem pensada, terá que fazer sentido e não ser apenas um desejo. Se fechares os olhos e pedires muito para ganhar o Euromilhões, não será por isso que o irás ganhar! ;)


Características do programa

- Desenhado à medida das necessidade da pessoa, privilegiando-se diferentes fases de acordo com o nível de maturação da decisão vocacional;
- Organizado em torno dos 3 eixos referidos, incluindo-se Entrevista multifactorial; Pesquisa e análise de informação vocacional; Testes de Interesses/Preferências vocacionais, Valores e de factores de Inteligência; Discussão das conclusões; Relatório.


Condições

- Local: consultório ou residência do jovem, desde que num raio de 10 km de Ovar;
- Disponibilidade para partilha de dúvidas por email ao longo do processo;
- Horários flexíveis (ao fim do dia durante a semana ou ao fim de semana);


Sobre mim

- Psicólogo Escolar, inscrito na Ordem dos Psicólogos, com experiência nas áreas da Educação e da Gestão de Recursos Humanos.
- Licenciado em Psicologia e com Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos.

Contactos

- Mail ricardopintoalmeida arroba gmail ponto com
- Twitter @rfpa
- Facebook @ricardopintoalmeida

3.10.2011

My Must Have Chrome Extensions

- Simple Calendar: nice calendar with some interesting options, like showing the current time. Great when you use Chrome with Win7 feature "auto-hide taskbar";
- Quick Notes: take notes while working with different webapps without having to open wordpad or another doc page;
- Picknick: edit your photos quickly and with efficiency, screen captures included;
- DayHiker: get your calendar events warnings without having to open Calendar;
- Instant Goo.gl Url shortener: this is easy. :P Let's you automatically copy shortened urls to Twitter, etc;
- Google Dictionary: underline the words you don't know and get their meanings;
- Dicionário PT: ease to use portuguese dictionary;
- View Thru: check hidden urls to find out if they are harmful;
- Docs PDF/PowerPoint Viewer: self explanatory. :P

These are some of the most interesting and productivity driven extensions that I found.

Any suggestions?

2.28.2011

Serviço da CP

É mesmo muito mau! Para a porcaria que fazem mais valia privatizarem o serviço! Está tudo feito para quem conhece, ou seja, é uma balbúrdia tremenda!

Só hoje:

1- máquinas automáticas avariadas e guiché fechado. O que fazer? Fácil para quem sabe. Ir para o comboio sem bilhete.

2- O placard diz que o comboio sai da linha 4 mas na linha 4 estão 2 comboios colados e quase não se percebe que são diferentes. Não se vêem indicacões do destino. O que fazer? Pois, perguntar! Mas é assim? Nenhum aviso?

2.27.2011

O pêndulo eu-tu

Os problemas poderão pertencer-te e poderás ser o/a agricultor/a árduo das tuas misérias, mas nunca o problema serás tu, como essência "arelacional". Os problemas criam-se quando as respostas dadas às situações são desadequadas e, consequentemente, acolhemos essa inadequação no nosso zoológico identitário. Contudo, deveremos olhar com atenção para os equilíbrios que se jogam na relação eu-tu/outro/algo. É nessa relação que as imagens são criadas, em que os espelhos ganham força e em que o nosso olhar perscrutador irá buscar as respostas.

Eu...Quem?

Simples como a gravilha na estrada: por que motivo será tão difícil libertar-mo-nos das nossas narrativas cimentadas pela nossa experiência de vida? Por que motivo fazê-lo implica sentirmos uma profunda sensação de estranheza relativamente à nossa existência? Por que motivo temos tanta dificuldade em mudar? Em nos transformarmos?
Colados numa estrutura identitária sólida e exuberante, como poderemos experimentar mudanças substanciais e guiadas pela nossa necessidade autoral de criarmos novos mundos?
A nossa identidade e as suas posições identitárias giram à volta de um eixo composto por três compostos:

- a relação. A elicitação da pergunta como resposta relacional. A incontrolável necessidade "to relate";
- a época histórica. É-nos permitido aquilo que é assumido nas normas culturais;
- a linguagem. Construímo-nos através da construção partilhada de significados e narramos as nossas histórias em auditórios internos e externos.

Serão estes os compostos químicos que nos calçarão as mudanças. Falta os sapatos, falta a corrida, faltam os resultados.

Por que motivo é tão difícil mudar?

2.22.2011

O Medina Carreira tem razão

A sério! Não há forma de dizer de outra maneira! Ele tem razão em estar sempre a bater no ceguinho! Pensei que o pessoal já tivesse percebido, isto é, que a comunicação social analisasse os números e que não fosse nas falinhas mansas da propaganda política e que o governo tivesse percebido que não vale a pena seguir o caminho da manipulação da realidade.

O Expresso de sábado demonstrou também que convém dar algum ânimo ao Governo. Passaram a ser os massagistas particulares deste governo.

Tudo isto relativo à tão proclamada diminuição do défice orçamental. Ok, é só um mês mas o modus operandi do governo já não deverá enganar ninguém! Pessoal, ACORDEM!

Ouviram a dissecação dos números pelo Cantiga Esteves, ontem à noite no Jornal da SICN? Elucidativo.

Se não ficaram convencidos com as explicações dele, leiam então o post do Álvaro Santos Pereira, intitulado "O despesismo continua".

Reparem como a cobrança de impostos parece estar a chegar ao limite, se é que já não chegou. Apesar do brutal aumento de impostos, das vendas de automóveis no final do ano e da fatia de 200 e tal milhões entregue em impostos apenas por algumas grandes empresas, a recolha de impostos diminui relativamente a 2008.

Notem também o aumento da despesa e o saldo global, apenas melhor do que do ano passado.

Esperemos que isto mude muito nos próximos meses, senão não haverá retórica bacoca e comunicação social fantasiosa que permita a salvação financeira do país.

2.21.2011

A saúde mental dos Portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso, médico psiquiatra

Artigo publicado no Público em 21/6/2010, copiado à bruta do blog do Zé David Almeida http://zedavidalmeida.blogspot.com/

2.18.2011

Nokia e Microsoft: o negócio

Breves pontos:

1- se o negócio implicar mais competição, perfeito.
2- gosto do conceito do WP7 mas não gosto do facto de ser closed source;
3- linux é bom. O que é Android? O que é WebOS? E o iOS não é UNIX modificado?
4- gosto muito do hardware da Nokia mas o software deles estava e está decadente. Não conseguiam/conseguem responder aos players do mercado.

Todos ganharão se a MS e a Nokia fizerem um excelente trabalho. ;)

Using Google Docs in a School

Working as a Psychologist in a school means to be in constant dialogue with students, parents and teachers, both metaphorically and literally. It means to make presentations on the Job Market with 15/16 year old's, sending psychological assessment reports to teachers or getting together with parents to discuss the development of their children. All of this demands great flexibility, not only in terms of your social skills but also in the usage of technology.

I've been using Google Docs more and more because it allows me to have my work (presentations, reports, etc) where I need them. I don't have to take them on a pen disk or take my laptop with me. The school has wifi and computers on every classroom. The docs are "there", at the distance of click, where I need them.

I think Google Docs have a great potential in schools and other large organizations, like universities. Those working environments are based on the same fundamental principles as Google Docs: collaboration/sharing/relating/getting the job done.

Nonetheless, Google Docs still has a long way to go. The sun is just rising. It still has some inconvenient bugs and some features are still missing. But we have to start somewhere!

I hope the Google Docs team continues to improve this awesome piece of software!

I'm not affiliated with Google whatsoever. I just like good technology. :)

2.10.2011

A moção do BE

O BE anunciou as chuvas de Março. A moNÇÃO virá lavar as vestes de Sócrates, que recuperará mais um pouco devido à ambivalência que reina no PSD. Se o PSD apoiar a moção, então teremos uma situação muito curiosa, uma vez que o BE acabará por colocar o tapete para o PSD e o CDS subirem ao trono dos destroços deste país em retalhos.
Mas se o PSD não quiser eliminar este governo, então teremos um espartilho num elefante, potenciadora de uma esquizofrenia ainda mais incapacitante. Roerá os ossos dos portugueses até ao tutano.
Sócrates não consegue esconder o medo de sair do poder. Encrustou-se-lhe na pele. Parece um homem mubarakiano. Quando cair será doloroso.

2.09.2011

A Obesidade Mental

Copiado à bruta de algures. Créditos ao autor, José César das Neves.

A Obesidade Mental - Andrew Oitke
Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que
revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito
em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade
moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos
do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos
que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de
carbono.

As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e
romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta
mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e
telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,
violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma
vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações
humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi
Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que
é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam
porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um
cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura
banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

Este relato vai um pouco ao encontro daquilo que tenho referido como esquizofrenia colectiva. Aceito que este termo - Obesidade Mental - é muito mais suculento. :)

2.06.2011

Pérolas para porcos - parte 2

Imaginem que compram um smartphone novo.Porreiro,certo? Certo.
Imaginem agora que passadas umas semanas o aparelho começa a ficar com pó debaixo do vidro do ecrã. Achariam estranho uma vez que foram cuidadosos na utilização.O que pensam? Bem, isto deve ter sido um pouquito de pó que entrou e deixam de prestar atenção à questão durante uns dias. Mas, um certo dia olham com mais atenção e notam que o pó começa a acumular-se. Pensam no passo seguinte que, como já adivinharam, consiste em ir à loja onde compraram o telemóvel. Entretanto, como pessoas curiosas que são, pesquisam na net para saber se mais alguma pessoa relatou semelhante situação. E não é que encontram? Adiante.
Deslocam-se à loja e contam toda a situação. Dizem-vos que o aparelho poderá ir para a garantia e vocês preparam-se para ficar 1 mês sem ele. Pensam provavelmente que vos será entregue um aparelho de substituição com caracterìsticas equivalentes. Era o recebias! 5.90€ se quiseres ter um rasco para aguentares. Imaginas que estás a sonhar..
Segue então o brilharete da empregada: se quiser enviá-lo para a garantia tem que ir à loja de S.João da Madeira (não registei a outra) fazê-lo. O quê? Começam a pensar que estão no Congo e que ao vosso lado está um leão e três girafas, mais à frente alguns porcos.
Olham para os olhos das empregadas e vestem-nas com pérolas. Para porcos. Pela vergonha do péssimo serviço, pela vergonha desta maneira tão estúpida das empresas trabalharem.

Ah! Palmas para a OPTIMUS! Do que é que precisas?

2.05.2011

Nunca desistir

A vida é, provavelmente, uma grande série de momentos duros inscritos num processo íngreme de procura de felicidade. Em alguns desses momentos as circunstâncias poderão conjugar-se para abanar as fundações do chão que pisamos. Trememos. Pensamos esconder-nos debaixo do alcatrão, no silêncio da inacção. Se o fizermos, a tristeza engole-nos e mascá-nos como tabaco bolorento. Se recusarmos a descida pela justificada ou injustificada decadência dos dias e da nossa tristeza, então poderemos pisar-nos com os tumultos que levamos às costas mas no fim teremos uma consciência serena e pacífica com as nossas nódoas. Nada mais complicado de fazer, nada mais imprescindível para ser feliz.

2.03.2011

A vergonha de Portugal

Copiado à força toda daqui. É preciso conhecer a verdade.

Repara no que faço e não no que digo

by Manuel Esteves

São muitos os economistas que vêm defendendo há algum tempo a necessidade de reduzir salários em Portugal de modo a reequilibrar a economia e a devolver a competitividade perdida nas últimas décadas.

Até agora, o Governo nunca deu a conhecer, de forma clara, a sua visão sobre este assunto. A Teixeira dos Santos tem cabido o papel de "mau da fita", fazendo sucessivos apelos à contenção salarial no sector privado. Mas do primeiro-ministro ou da ministra do Trabalho nunca se ouviu uma palavra a este respeito. Aliás, confrontado com esse cenário, José Sócrates foi claro: "O Estado não manda nisso. A nossa responsabilidade é com a Administração Pública e com as orientações que demos às empresas públicas".

Mas o pouco que foi dito contrasta muito que foi feito. Vejamos:

1) O Estado, que é o maior empregador do País, decidiu reduzir em 5% a massa salarial. Na prática, 450 mil pessoas sofreram cortes que variam entre 3,5% e 10%, condicionando as políticas remuneratórias do sector privado.

2) Aumento dos descontos previsto no código contributivo: o novo código entrou em vigor em Janeiro e alarga a base de incidência das contribuições para uma parte dos trabalhadores dependentes (ao incluir outras formas de remuneração), ao mesmo tempo que aumenta as contribuições de uma parcela significativa de trabalhadores independentes e de algumas profissões, tais como os trabalhadores de IPSS, jogadores de futebol, padres, empregadas de serviço doméstico.

3) Agravamento do IRS: Em 2011 os portugueses pagarão taxas de IRS 1 a 1,5 pontos percentuais superiores às de 2009, consoante os rendimentos. A isto, acresce o corte nas deduções fiscais, como as despesas de saúde, educação, seguros de vida, PPR, entre outros.

4) Redução do "salário" dos estágios profissionais: o Governo anunciou que a bolsa dos licenciados passa de 838,44 euros para 691,71 euros brutos ou 615,62 euros líquidos (corte de 27%). Ou seja, ofereceu protecção social a estes jovens, mas obrigou-os a suportar a parte (23,75%) que normalmente caberia à entidade patronal (além da sua própria contribuição, de 11%).

5) Novo regime do subsídio de desemprego: para incentivar os desempregados a aceitar os empregos existentes, o Executivo baixou o salário que estes são obrigados a aceitar sob pena de perderem direito ao subsídio. Na prática, segundo contas da UGT, o corte pode chegar aos 16%, consoante os salários em causa.

6) Proposta de corte nas indemnizações por despedimento: ao propor a redução da compensação a que um trabalhador tem direito em caso de despedimento, o Governo está a diminuir o salário teórico a que este tem direito. É uma parcela remuneratória eventual, mas que está implícita actualmente em qualquer contrato. Na prática, muitos trabalhadores vão entrar no desemprego com menos dinheiro do que actualmente.

7) Proposta de criação de um fundo para as indemnizações em despedimento: tanto a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) como a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, consideram que a medida vai ter efeitos indirectos nos salários dos trabalhadores. O raciocínio é simples: ao prever a obrigatoriedade das empresas efectuarem um desconto determinado cada vez que contratam um trabalhador, estas tenderão a incorporar esta contribuição como um custo de contratação. Portanto, das duas uma: ou contratam menos ou contratam por menos.

8) Finalmente, a subida da taxa normal de IVA em três pontos percentuais no espaço de um ano e de um ponto para os bens essenciais e intermédios, afectou o poder de compra de todos os portugueses.

Na prática, os portugueses já estão a ganhar menos. Bem menos.


(Com a colaboração de Elisabete Miranda e Catarina Almeida Pereira).

Posso acrescentar, por exemplo, que os Psicólogos inscritos na Ordem dos Psicólogos com mais de 5 anos de experiência irão começar a pagar mensalidade de cerca de 12€/mês e que os restantes irão pagar cerca de 8€/mês. Não consegui confirmar esta informação mas quem me disse assegurou-me a sua veracidade.

No comments.

1.14.2011

Pérolas ao pescoço de porcos

Pérolas ao pescoço de porcos:

1- "Neste ano 2011 de crise, aproveite a nossa campanha de aquisição de um conjuntos de facas..." - anúncio numa rádio

2- Há uns meses e durante muitos anos, ninguém ouvia falar de taxas de juro da dívida pública ou de períodos de maturação. Está tudo bem?

3- Se a Assembleia da República é a instituição democrática que permite o endividamento do estado, porque é que não conhecemos os negócios do Governo Português na compra de dívida? Porque não sabemos a que taxa a China ficou com a dívida ou que contrapartidas eles exigiram? Está tudo bem?

4- Se existe uma contabilidade pública e uma contabilidade nacional e só uma é apreciada internacionalmente, porque será que o ministro das finanças abordou esta questão? Está tudo bem?

5- Todo o mercado olhou para a diminuição da taxa a 10 anos mas parece ter negligenciado o aumento substancial da taxa a 4 anos. A relação entre ambas levou ao aumento dos custos de financiamento. O salvamento depende de um jogo de criatividade? Está tudo bem?

6- O Renato Seabra, suspeito do homicídio de Carlos Castro, está a recolher todo o tipo de apoio popular. Será que ele era assim tão calmo e a melhor pessoa do mundo? Ou será que é por o Carlos Castro ser um homossexual assumido? Se fosse um homem a espancar uma mulher até à morte, torturando-a longamente após esse momento, será que ele também seria apoiado popularmente se se verificassem perturbações psicológicas graves na altura do acontecimento? Está tudo bem?

1.06.2011

Poesia em forma técnica

Fonema líquido vibrante;

Fonema fricativo pós-alveolar;

Fonema oclusivo velar;

Fonema nasal alveolar;

Fonema líquido em coda.

Poesia?

Estas são algumas das expressões utilizadas pelas Terapeutas da Fala na redacção do Teste Articulatório. Digam-me lá se isto não soa a poesia..! Conseguiria escrever um capítulo de um livro só com a inspiração destas 5 expressões!

12.24.2010

Palermices honoríficas

Todos nós sabemos que as palermices existem às dúzias e que são mais baratas que as de ovos. São tão baratinhas que se dão ao luxo de aparecer disseminadas por tudo o que é canto, rebordo, televisão, jornal, ou boca.
E há uma que me irrita solenemente e que diz respeito à utilização de títulos académicos para significar alguém. Não é que tenha algum problema em que as pessoas tenham títulos académicos! Nem por sombras! Também investi muito dinheiro para os ter, por isso passemos à frente da palermice de quem afirma que "se o tenho, é para o utilizar".

Só não acho que um título académico se incorpore por baixo da derme e que, à mínima abordagem, se exiba na testa de cada pessoa e pisque os olhos de mansinho a exprimir um "anda lá, diz-me...".

Economista, Advogado, Engenheiro, Professor.
Dr, Dra.

Eles andam nos cartões de crédito, bem acomodados para que as pessoas olhem e sintam "ah! Que dia de %%#$! Ao menos sou um Dr. e ali o palermóide das bombas de combustível terá que me olhar debaixo daquele paralelo ali no chão quando colocar combustível aqui no meu xpto versão 15". É claro que pode ser muito mais subliminar que esta palermice que escrevi. Mas surge mais ou menos assim num panorama emocional virtuoso.

Faz-me uma inauguração num Vila de Portugal. "O Presidente da Junta não tem título académico. Apre!" - Pensa o Presidente da Câmara e os restantes dignitários dessa bênção. "O palermóide não pode falar! Nem saberá o que dizer!" - pensa juntamente com a sua equipa.
E assim se joga a divisão para reinar. "Xô xonecas!"

Adiante. É certo que muitas pessoas passam à frente dessas designações e não se esquecem que elas existem para além dos vincos de poder que gostam de exercer sobre os demais, formados mais novos ou outros sem formação.

E como as pessoas sem títulos académicos gostariam de ter um! Ah! Que bonito! Que bom que é dizer "o Dr. cvbn disse-me que...". Ahhhhh! Tão perto do poder, da sabedoria, da distinção! Mnham!

"Ao telefone de Londres, um português retido no aeroporto de Heathrow...". No canto superior do ecrã surge..."Nome da pessoa, Economista". Imaginem que era Soldador. Também apareceria lá? E se fosse Canalizador?
Não, pois não? Pois, também acho.

É uma grande palermice esta mania portuguesa, depositária de uma cultura centrada no respeitinho (não Respeito). Mas alto lá! Isto é apenas uma consequência antiga que virou causa recente. Se antes foi apenas a consequência de uma divisão de classes (ups...comunistas com K, ponham-se a milhas! Estou a falar a sério!) para os de lá de cima reinarem. Basta olhar para a sociedade portuguesa para perceber que é verdade. Virou causa quando foi introduzida para continuar a dividir, para sugerir que o respeitinho bacoco e palermóide deverá perpetuar-se.

Acreditem, só agora no fim é que me lembrei do Engenheiro Sócrates. Hum..já não tem piada. Adiante.

Alguém: "Dr. Ricardo, vai utilizar a sala ao lado do gabinete?"
Eu: "Não..."
Alguém: interrompendo-me.."Ok."
Eu: "Não, sou Ricardo".
Alguém: "ah.."

Pois é. Ganhem juízo!

12.07.2010

Bolachas de água e sal

 

O nome da minha perplexidade tem um sabor amargo. Cheira a mães esquecidas pelo tempo, a pais ausentes da proximidade, famílias engolidas por si próprias, ignorantes da sensibilidade.

Vive-se demasiado tempo com o ar dos copos, a imensidão dos pratos, o tiq-taq do relógio. Prossegue-se incessantemente para algures longe, perto da decadência, longe do amor.

Pequeno almoço de bolachas de água e sal, leite a acompanhar. Lanche matinal de bolachas de água e sal, leite a acompanhar. A repetição dos danos envergonha a repetição dos gestos.

7 anos. 9h30m. Sono. Mãe. Filho. Escola. Dia. Caminho.

Sem tristeza, sem saber que é possível zangar-se com a mãe, que é quem se zanga pelos astros todos que habitam a sua cama, antes de dormir.

Sortuda. Próxima dos sonhos de uma vida a que aspira, talvez perdida num pesadelo do qual não se consegue libertar. E ele a caminhar suavamente, utilizando os seus chinelos mágicos, flutuantes. Sono profundo.

“Mãe, tens que me ir levar à escola!”. O Mundo está lá fora, longe dela, perto da iniciativa dele de mais tarde dizer que ela é uma sortuda. Dorme mais. Sortuda. Não tem que trabalhar. Sortuda. Não se preocupa. Sortuda. Não tem que estudar. Sortuda. “Estou aqui, mãe!” Sortuda.

Sortudo? Não. Mas não se importa. Cuida-se sem desculpa, mostra os olhos que esperam pela reciprocidade, pelos olhos dela que poderia levá-lo de nave espacial para o melhor dia da semana.

“Fiz sozinho”. Sim, é verdade, fizeste cheio de ti, cheio de desejo de viver.

Sortudo? Sim.

12.02.2010

Canada needs…

 

  • 0631 Restaurant and Food Service Managers
  • 0811 Primary Production Managers (Except Agriculture)
  • 1122 Professional Occupations in Business Services to Management
  • 1233 Insurance Adjusters and Claims Examiners
  • 2121 Biologists and Related Scientists
  • 2151 Architects
  • 3111 Specialist Physicians
  • 3112 General Practitioners and Family Physicians
  • 3113 Dentists
  • 3131 Pharmacists
  • 3142 Physiotherapists
  • 3152 Registered Nurses
  • 3215 Medical Radiation Technologists
  • 3222 Dental Hygienists & Dental Therapists
  • 3233 Licensed Practical Nurses
  • 4151 Psychologists
  • 4152 Social Workers
  • 6241 Chefs
  • 6242 Cooks
  • 7215 Contractors and Supervisors, Carpentry Trades
  • 7216 Contractors and Supervisors, Mechanic Trades
  • 7241 Electricians (Except Industrial & Power System)
  • 7242 Industrial Electricians
  • 7251 Plumbers
  • 7265 Welders & Related Machine Operators
  • 7312 Heavy-Duty Equipment Mechanics
  • 7371 Crane Operators
  • 7372 Drillers & Blasters - Surface Mining, Quarrying & Construction
  • 8222 Supervisors, Oil and Gas Drilling and Service

11.05.2010

Ver-te

 

Ver-te foi como dobrar a memória e escorrer as letras, os sons, as expressões e a beleza dos meus quadros dos nossos momentos passados pelo meu corpo abaixo. Apanhei os cacos e misturei tudo novamente. Descobri que, no essencial, pouco mudou. A tua expressão congelou-se no tempo, cosida que está à tua identidade; o teu corpo continua ligeiro e esguio; os teus olhos continuam a ser lupas que fazem um zoom perscrutador; o teu andar continua como a brisa de quem vai ao infinito e que volta já; as tuas palavras continuam carregadas de ti, cheias do peso da tua leveza singela; o teu sorriso uma amálgama de presentes futuros que se oferecem sem vergonha e sem reparares.

Eu, vertido à tua frente, não querendo entornar-me nas tuas mãos e esquecido dos pormenores mas engrandecido pelas tuas marcas suaves, fui. Ali, fui. Nem mais, nem menos, diferente do que tiveste nos teus olhos límpidos e doces, igual na essência que me transporta pelos caminhos cruzados. Melhor, pior. Errático. Ansioso por respirar a vida por todos os poros. Errático. Como todos. Como eu. Como tu. Cheio de sonhos. Breves, longos. A preto e branco, coloridos com desejos exóticos e, ao mesmo tempo, de desejos simples, rudimentares, animalescos. Animal. Grosseiro no desejo de viver, terno no desejo de me viver.

Ver-te foi como ver-te na segunda página do teu livro interior e numa das páginas do livro aberto. Páginas rasgadas, palavras riscadas, linhas desalinhadas. Ver-te foi como colar uma nova página, inserir caracteres novos mas do mesmo desenho, o teu traço único. Ver-te foi beber-te um pouco e foi bom. Refrescante.

11.03.2010

Baralhar e voltar a dar

 

Muitas vezes jogamos um jogo estranho com a vida. Colocamos as cartas nas nossas mãos, ora viradas para baixo, ora viradas para cima. O vento gira-nos as mãos, vira-nos o ADN. Sabemos que alguma coisa está lá desenhada mas não conseguimos perceber os alcance dos traços ou a profundida das cores.

Paramos. Sonhamos. Caminhamos incessantemente. Continuamos a desenhar.

Caminhamos pelas ruas desertas cheias de nós, recolhemos os olhares das esquinas e os sinais de stop da realidade. A prioridade são as nossas angústias, desejos e incongruências. Sob a vulcanidade dos nossos passos jaz a imperiosa necessidade de subir os degraus das esferas: das nossas equações interiores, dos resultados das nossas divisões.

Uma das cartas revela-se. As ruas estremecem. A convulsão activa-se, o olhar brilha. Olha aqui um pouco de mim. Vê lá isto, este material de que eu sou feito, o material de que tu és feito.

Uma das cartas esconde-se. As ruas estremecem. A convulsão activa-se, o olhar cerra-se. Percorro as entranhas da revisão da minha constituição. Há alíneas da minha composição ausentes das cartas que apresento.

Volto a produzir as cartas da minha vida. Reparo que são diferentes mas…iguais. Mudei. Os traços e as cores continuam em composição. Volto a dar. Volto a perder. Volto a tentar. Volto a ser. Volto a ouvir-me. Volto a ver-me. Volto a ver-te.

10.18.2010

The Paradox of Our Age by Dalai Lama

 

We have bigger houses but smaller families; more conveniences, but less time.

We have more degrees but less sense; more knowledge but less judgment; more experts, but more problems; more medicines but less healthiness.

We’ve been all the way to the Moon and back, but have trouble crossing the street to meet our new neighbor.

We built more computers to hold more copies than ever, but have less real communication.

We have become long on quantity, but short on quality.

These are times of fast foods but slow digestion; tall men but short characters; steep profits but shallow relationships.

It’s a time when there is much in the window

But nothing in the room.

8.31.2010

Na berma

Na floresta. No meio da floresta. A uivar, como se pretendessem vergar as árvores ao som urdido com as entranhas de noites suadas.

Um homem sentado, na berma do passeio, escondido da porta de entrada para a estação de comboios. Noite. Lá longe ouve o som que lhe cola a lua às mãos. As recordações vêm cheias de barro. Irrompem pelo chão e possuem-no durante breves minutos. Toca na pedra fria e reconhece a limpidez das suas memórias outrora felizes.

Um saco de um vazio imenso, rodeado por muralhas de betão, cozido por anos de trabalhos forçados.

Lá longe, vê ela. Sozinho, cabisbaixo. Estendido na pedra quente de uma noite de verão. Agasalhado. Imagina quem será aquele para quem se olha com um sorriso repleto de letras. Abandonado.

A tentativa de romper as luvas que o protegem do frio é levado ao extremo. Os dedos são feitos de lã. A pele é feita de lã. O olhar é feito de tristeza. O corpo, distendido, preso pela gravidade, sacode o pó de si.

O frio contorna-lhe a face, o calor dá-lhe o timbre. Discrimina os opostos, distingue-se no luar. O espelho revela-se nos rostos das pessoas que passam, nas arestas polidas dos fatos angulosos e dos acessórios de verão.

É aquele que eles vêem, escondido debaixo dos pés pretos, dono da sua caverna do tempo. Serve de gota de contraste, a tonalidade que dá coerência ao olhar que o perfura com interrogação.

Está frio aqui dentro. –5º. Os números cegam. 25º. O comboio vai partir. Ouve-se o vozeirão da partida. Partem. Logo estará lá, enrolado, coberto de si, preso às migalhas que colam, aos ratos que colaboram, às pombas que vagueiam. Eterno.