9.26.2009
Concurso
Tenho dificuldade em assumir que muitas pessoas estão adormecidas ou são simplesmente parvas. Aliás, a parvoíce está a tornar-se um vírus terrível. A indiferença e a falta de respeito parece que vieram embrulhados e que toda a gente as quer colocar na lista de prendas...
Sinceramente...Não compreendo.
9.04.2009
Uma resposta brilhante
Recebido por e-mail:
As empresas hoje não querem pessoal especializado.... querem super-máquinas.
Este ano, a Offf parecia a Feira de Emprego para Designers ...
Se há quem discorde, que observem bem o anúncio de emprego que apareceu, na Segunda Feira seguinte, no Carga de Trabalhos... ao qual ALGUÉM, com iniciativa, e que a meu ver deveria ser seguida por muitos outros, respondeu da seguinte forma:
A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design
Requisitos Académicos:
Finalista ou recém-licenciada(o) em Design Competências pessoais :
* Poder de comunicação;
* Iniciativa;
* Auto-motivação;
* Orientação para resultados;
*Capacidade de planeamento e organização; * Criatividade
Competências técnicas :
Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens ® Adobe Photoshop, ® InDesign, ® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash, ® Dreamweaver, ® Premiere, ® AfterEffects, ® SoundBooth, ® SoundForge, ® AutoCad, ® 3D StudioMax ® HTML (basic), ® ActionScript 2.0 (basic), ® CSS, ® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado
Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa
A resposta a este pedido foi BRUTAL:
Boa noite,
Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André, tenho 25 anos e sou um recém licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa).
Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos:
Sou um mestre em Adobe Photoshop.
Conheço o InDesign por dentro e por fora.
O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles.
Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados...
Premiere... Até sonho com ele!
AfterEffects tem um lugar especial no meu coração.
Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge.
Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos.
Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo.
Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC.
Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERN espero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.
Cumprimentos,
André Sousa
Não é preciso comentar, pois não?
9.02.2009
O Outro
Nós não conseguimos perceber realmente o Outro. A distância entre a nossa subjectividade e outra subjectividade é imensa. O espaço da nossa vida imensa, repleta de histórias, auto-enganos, tempo, é incrivelmente extenso. A fluidez com que continuamos a viver, nisto a que chamamos “a minha vida…”, é insuportável para uma compreensão do Outro. Ou melhor dizendo, deveremos aceitar a natureza das relações.
O desconhecido, o mistério, esta distância, são essenciais para todo o drama que criamos.
Conseguimos, no entanto, isolar pontos de contacto, onde nos agarramos, onde compreendemos. Utilizamos narrativas para narrar o desconhecido, para preencher a totalidade da impoluta ignorância com sementes de partilha. Precisamos disto.
Precisamos de dizer “tu…” sem saber muito bem a quem nos referimos. Bem, sabemos que “tu” se refere a “alguém”, conhecido, muito próximo, mas a nossa compreensão do conteúdo com esse label é surreal.
Somos muito “os Outros”, quando nos esforçamos por estar próximo deles. Subtilmente, aproxima-mo-nos de nós próprios enquanto nos estendemos em direcção ao Outro.
No final de contas, a identidade pessoal é habitada por identidades pessoais, vozes e figuras presentes.
Somos todos juntos.
7.03.2009
6.27.2009
6.23.2009
Prisoners
He lives in a prison, where he is the guard and the prisoner. He changes positions every time he acknowledges his self fragmented identity. “Am I this guy who wants to be caught by the guard or am I the guard who wants to keep the prisoner away, far from my tentacles?
He fails to control the things that he questions, in those zones where black fades into grey, and life gets a foggy colored sky.
We are both prisoners of our selves and guards of your development. We flicker when those two activities touch.
He fails to get a clear picture of what happens in those moments.
He can’t be a prisoner and a guard at the same time, so he will have to cut the bushes that lead his look away from the forest. In needs to look into the forest, to see the trees, the shadows, the trail and his track. He needs to stop the frames that pull him into the agonizing perspective of fragmentation and breed deeply.
He is too many to be stuck with just two semi-individual positions. He needs to expand and to connect. He needs to feel free to change positions, to shut his voice when he wants to speak in a different position.
He needs to listen to all the voices that need to heard and dialogue with the world.
6.15.2009
Portugueses – declaração oficial
Declaro oficialmente que uma grande parte dos portugueses são basófias, zombeteiros, porcos, mal educados e estúpidos. Sobram praí 20% deles com quem se consegue estabelecer uma conversa que ultrapasse os limites a que os restantes parecem estar circunscritos. Sim, eu sou generoso na percentagem.
Nada mau.
6.10.2009
O voo 447
Surgem novas informações sobre esta tragédia que dizem que…
Uma imagem de satélite revela que o voo 447 da Air France cruzou com uma tempestade de nuvens muito compactas e uma temperatura de 83°C negativos antes de se despenhar no Atlântico.
Isto não soa a qualquer coisa? Soa a algo que se pode meter no pacote das consequências das alterações climáticas…O dia depois de amanhã (que já é passado) explicará o que realmente se passou nesta situação.
Possivelmente, estaremos a lidar com a conjugação de vários factores e uma concatenação de acontecimentos. Teremos que perceber o que aconteceu para evitar que paire um clima de irracionalidade sobre esta situação.
Os próximos capítulos virão de um livro que, entretanto, se fechou.
6.09.2009
O que aconteceria se a Natureza fosse aceite como o nosso único Deus?
Pintariamos a Natureza com diferentes cores e chamariamos-lhe Deuses? Mas não será isso o que fazemos actualmente?
Que motivos alternativos se encontrariam para os insultos e guerras em nome de algo que é visto apenas como uma necessidade de estabelecer uma identidade diferenciada? De dizer “eu sou diferente de ti e sou porque o meu Deus, a minha religião, escreveu estas regras que, por sinal, quero que sejam vistas como muito diferentes das tuas”, ou então “a minha religião é o meu ar porque, na verdade, o teu ar é poluído pelo teu desenvolvimento económico e social e pela minha compreensão que isso soa a uma arrogância”. Deus é colocado no título de capítulos que querem apenas descrever uma forma de justificar rancores, objectivos e planos de estabelecimento de uma matriz própria. Uma forma de dizer “alto lá! Nem penses que me dominas”. Esta generalidade pode ser perigosa, pois aceita uma visão confrontativa. Talvez devessemos notar que poderão haver motivos mais complexos por detrás desta retórica e que assumem contornos que são difíceis de esmiuçar.
Será que se a Natureza fosse compreendida como o único Deus os povos estariam realmente comprometidos com a sua preservação? Provavelmente, respeitariam-na mais ou, pelo menos, pensariam três vezes antes de maltratar o seu Deus. Como seria isso possível se a nossa percepção do espaço é, vulgarmente, indiferenciada dos nossos impulsos de auto-atribuição de posse? Como ultrapassar o hiato entre “aquilo que é a Natureza” e “isto que sou Eu", que somos Nós”? Como chegar ao ponto em que se poderá dizer “a Natureza é o meu Deus e a Natureza somos nós. Nós imitamos Deus no nosso poder que nos foi concedido pela Natureza. Respeitaremos a Natureza, respeitaremos os seres humanos e não humanos, pois eles são nossos irmãos”. Irmãos? Os irmãos brigam e zangam-se. Confusos?
A ingenuidade de uma análise de Pollyana leva-nos a uma visão interessante e desejável mas o caminho para lá chegar deve ser nu e cru como a nossa carne. A Natureza é o nosso Deus e nós somos a Natureza, juntamente com a imensidão total do planeta.
Lá no fundo, não somos pragmáticos. Somos seres que se deliciam com as suas narrativas, que desejam que elas assumam um poder que não têm, impingindo uma modernidade que é passado de um Futuro sustentável.
A nossa diferença deveria levar-nos a colocar um espelho gigante no planeta, para nos darmos conta da enormidade da nossa pequenez, da imensidão do nosso compromisso humano e interdependência.
Se a Natureza fosse aceite como o nosso único Deus teriamos uma generalidade analítica resolvida. Contudo, teriamos que voltar a encontrar a diferença em algo que nos permitisse marcar os contornos de uma identidade. Cá para mim, escolheria apenas a diferença da proximidade, uma totalidade inclusão em si mesma de cada ser, justificável per se.
6.03.2009
6.01.2009
Alarm or reality or both
I have to quote this text from Green Blog.
It may be alarming but it touches some crucial points that are critical to the development of societies, to put it in broad terms.
Are we all in the same stage or are there any examples that we should follow and methodologies that you need to copy to solve this problems?
The text in bold reflects my fears. We need really to change, but change comes by changing different layers and perspectives, uniting what we strive to understand, investing in core activities. I’m afraid that the world’s most valued asset – difference – will be it’s guillotine.
Energy Bulletin has an interesting interview with Michael C. Ruppert, author of “A Presidential Energy Policy: Twenty-five Points Addressing the Siamese Twins of Energy and Money”, about peak oil and the end of cheap oil.
“Peak Oil is not just the end of globalization. I was saying clearly that globalization was dead five years ago. It was obvious. But Peak Oil is potentially the end of the human race and that outcome is perhaps just a few years away unless the human race essentially throws every ideological sacred cow out the window and starts with a fresh piece of paper.
[…]The collapse of industrial civilization within the next five to ten years (perhaps sooner) is inevitable. It is the degree of collapse, what is destroyed in the collapse, how many people will have to die in the collapse, and what will survive the collapse that I and many others are fighting for now. That is what every human being should be concerned about and nothing less. Pursuing options while not rapidly disengaging from the current economic paradigm of infinite growth is the only real issue confronting the entire species. To not do that will be literally to consign unborn generations and those under 40 to death or a living hell.”
From here
Full interview here
Decadência revista
“Água pura e cristalina,
Fresquinha de consolar,
Vem de prós nossos lábios,
Mata a sede a quem passar.”
Insanidade
“Insanidade: fazer as mesmas coisas repetidamente esperando resultados diferentes” (Albert Einstein) (tirado daqui)
Quantas vezes olhamos para nós e damo-nos conta que as nossas ruminações são sobejamente conhecidas? Quantas vezes pensamos na nossa tonalidade emocional do momento e notamos uma familariedade sufocante?
Tendemos a ser fiéis à nossa fiabilidade identitária e a renunciar um desprendimento difícil. No entanto, queremos atingir o cume pensando apenas na subida, íngreme, rochosa. Temos dificuldade em mudar-nos para outros locais, fora do espectro confortável dos nossos raios.
Somos previsíveis e, na maior parte das vezes, loucos.
5.31.2009
Somos um ou 100 mil?
Reprodução do texto de Gonçalo M. Tavares que foi lido na revista Cais nº 140.
Enjoy!
“ - O que estás a fazer? – perguntou a minha mulher quando me viu, contra o que é costume, demorar diante do espelho.
- Nada – respondi, estou a olhar para o meu nariz, para esta narina. Ao carregar sinto uma dorzinha.
A minha mulher sorriu e disse:
- Pensava que estivesses a ver para que lado te descai.
Voltei-me como um cão a quem tivessem pisado a cauda.
- Descai? O meu nariz?
E a minha mulher, placidamente:
- Claro, querido. Olha bem para ele; descai-te para a direita.
Tinha vinte e oito anos e, até então, sempre considerara o meu nariz se não propriamente belo, pelo menos era muito decente, como todas as outras partes da minha pessoa.”
Luigi Pirandello, Um, Ninguém e Cem Mil
Como este começo intrigante (intitulado “A minha mulher e o meu nariz”"), Pirandello inicia as hostilidades em relação à ideia de que há apenas uma auto-imagem única, apaziguadora. É que todos pensamos só ter uma identidade que, muitas vezes, confundimos até com o próprio nome. Porém, a identidade é bem mais complexa do que isso.
Moscarda, o protagonista deste romance, que descobriu ter o nariz descaído, mudou a partir desta descoberta. Eis, pois, a principal conclusão da personagem Moscarda, após essa consciência de si, súbita consciência que lhe chegou por intermédio, digamos, do nariz: “Para os outros eu não era aquele que, para mim, tinha até então julgado ser”.
Por norma há esta confusão. As pessoas pensam “eu sou como me vejo. Mas na verdade há os outros. Os que nos vêem”.
Construção
“Ah, você pensa que só se constrói as casas?”, exclama Moscarda. “Eu construo-me continuamente e construo-o a si, e você faz a mesma coisa”.
E é nesta construção infinita de imagens que surgem, então, cem mil Moscarda, tantos quantos os que o viam e construíam uma determinada imagem que se baseava nas experiências que com ele tinha partilhado.
Façamos as contas de forma clara. Quando Moscarda se junta a Dida e a Quatorzo, dois amigos, o somatório não era três. Ali não estavam, de facto, apenas três pessoas, pensa Moscarda. Estavam três Didas, por exemplo:
“ 1) Dida, como era para si própria;
2) Dida, como era para mim;
3) Dida, como era para Quatorzo”
Naquela sala de estar estavam, fazendo bem as contas, não três pessoas, mas sim nove. Três vezes três.
Quantos sou?
A identidade pode, assim, ser definida como uma partilha de experiências entre duas pessoas, ou seja: a identidade não depende apenas de quem é identificado, mas também de quem identifica. Neste sentido, não se poderia- ou não se deveria – falar de identidade individual, mas sim de uma identidade definida por um par: observador, observado. É o Outro que me dá a Identidade.
Roubo e infidelidade
Esta sensação de que se é “um, ninguém e cem mil”, leva Moscarda a ultrapassar vários limites. Eis um exemplo: pega em papéis que são seus com a sensação de que os está a roubar ao anterior Moscarda, o homem que ele era antes. E o “antes” significa: no tempo em que não tinha a consciência de que era muitos e não apenas um só.
Eis outro limite ultrapassado: sente ciúmes, sente-se mesmo enganado pela sua mulher quando ele, ele próprio, a beija. E isto porque, raciocina Moscarda, a mulher beija o Moscarda que vê, que construiu na sua cabeça, enquanto ele, Moscarda, para si próprio é outro. A sua construção, a construção da sua própria imagem, nada se assemelha à construção que a sua mulher fez. Ela não me ama, pensa Moscarda, ela ama a imagem que tem de mim.
Portanto, Moscarda acusará a mulher de estar a ser-lhe infiel no preciso momento em que ela o beija. Está a beijar a imagem que tem dele, não está a beijá-lo.
Eis, pois, o ultrapassar de uma certa loucura. Ou, afinal, de uma certa lucidez.
Não esqueçamos: o espelho engana; não somos um, somos cem mil.
Ao ler este texto lembrei-me de Wal Whitman, Fernando Pessoa e de todos aqueles que falam sobre o Self Dialógico…Devo dizer que a arte segue sempre à frente da ciência.
Não concordo com tudo o que está escrito neste texto, mas ele é, sem dúvida, um hino muito singelo à Identidade.
Incrível, não é?
5.26.2009
Bolhas de autoritarismo
Uma sociedade democrática distingue-se de uma sociedade ditatorial através de um factor muito curioso, que passo a tentar explicar. A existência de indivíduos ou grupos que operam de acordo com matrizes repletas de comportamentos ditatoriais são, nas democracias, arranjos florais dispersos e circunscritos. A sua acção é reflectida nos outros sistemas mas como é vista sob a perspectiva “desta coisa que é a democracia”, reveste-se de outro significado. O contexto social não lhe valida os comportamentos que noutras situações seria abominável. Assim, parece apenas “normalmente” desviante.
Esses grupos ou indivíduos agem encobertos pela mediocridade e comezinha vontade de subir nas escadas do poder, de subjugar os outros à sua fortaleza de penas. Exercendo miríades de atitudes e comportamentos cheios de basófia, protegidos com uma aurélola de pseudo-respeito, amarrados à inocência de burocrata, eles são, aparantemente e paradoxalmente, muitas vezes considerados exemplos da vitalidade da democracia.
A democracia existe quando o respeito pelo outro abunda e se generaliza na sociedade. Mantem-se quando a lei impõe aquilo que já foi negociado como sendo praxis desse respeito. Rejubila quando aceita, compreende e pune todas as bolhas de autoritarismo. Enfraquece-se quando se verifica que o respeito ficou lá atrás, nos antípodas da empatia.
Há muitas por aí.
5.21.2009
5.17.2009
Tu
Quem és tu? Imaginem uma pessoa com quem têm uma relação muito próxima, um filho, um irmão, uma mãe. Alguma vez pararam e deram-se conta de estar a olhar para “algo”, “alguém”, com uma multiplicidade imensa de vida? Não apenas olhar. Sentir a totalidade de alguém coloca-nos num ponto em que questionamos a realidade. O que é isto? Como és tu tão imenso(a), tão cheio(a) de vida, tão diferente de mim, tão próximo(a) de mim, tão único(a)?
Como é possível apreender-te totalmente? O que é existe entre nós para termos uma relação tão íntima? Como és diferente de mim…
E tudo isto enquanto te dispersas nas actividades corriqueiras da rotina..Mas eu escuto-te de todas as maneiras possíveis, pensando em ti enquanto tu pensas na inebriante fluidez da acção. O teu cabelo, a tua pele, a tua altura, a maneira como caminhas, como respondes directamente e indirectamente às minhas interpelações perceptivas, o teu passado, o que eu espero de ti daí a umas horas, o teu sorriso e as tuas angústias. Escrevo-te numa pedra basilar, com códigos que se encadeiam e me transmitem uma sensação de novidade. Mesmo contigo.
Uma imensidão insofismável, que nos causa estupefacção. Afinal de contas, quem és tu, como és tu, como foste, quem irás ser? Ouves-me? Também sentes isto?
A um irmão, a um pai, a uma mãe, a uma namorada, a um amigo, a um animal amigo. Quem és tu enquanto eu sou eu a sentir-te?


