4.28.2009

Portugal's PIB per capita decline

Looks like this crisis will bring Portugal's PIB to the bottom of the advanced economies league. Why isn't this a surprise to me?
From the 18th position to the 33th. If Portugal doesn't grow above 2% in the coming years it will become one more poor country. The sentence is here to be questioned. Let's wait and see.

4.27.2009

I’m here…

…waiting for myself to act; seeing the grass growing;

…waiting to be; seeing their feelings colors change;

…waiting to find me; seeing all the me’s in us;

…waiting for me when I was that me in the picture; seeing life ahead.

…waiting for my finger to finish this phrase. 

4.24.2009

24 de Abril de 2009

A liberdade é agora.

Why are we so…sad?

Galop World Poll _ Life Satisfaction

Portuguese people are known by their appeal to fado and saudade..But why contaminate the whole life with these metaphorical elements? Why live like a broken leave, waiting to be rescued by some savior with large smiles and bold goals? Or, is it just because society is sick and democracy fragile?

Wrong, or partially wrong. There are also defined obstacles to this lack of happiness, or should say sadness? I don’t want to repeat the diagnostic.

4.19.2009

Dicas para uma condução económica

Retirado da Revista Turbo:

DICAS para uma condução económica

Evite acelerações bruscas.
Pise o acelerador com suavidade. Pode poupar 2 litros aos 100 quilómetros.

Se parar o carro por mais de 30 segundos, desligue o motor. Alguns construtores oferecem sistemas que fazem isto automaticamente. Consegue-se poupar uma média de 1 litro e reduzir com algum significado as emissões de CO2.

Conduzir com os pneus abaixo da pressão normal exige mais esforço e consumos mais altos. Para ter uma ideia, 0,3 bar a menos significam mais 3% em consumo. Para além das questões de segurança e de um desgaste prematuro dos pneus, é aconselhável que verificar regularmente a pressão dos pneus (Com o carro carregado, aumente a pressão).

As dimensões dos pneus influenciam muito os consumos. Pneus desnecessariamente largos podem aumentar o consumo em quase 1 litro

Utilize o computador de bordo. Controlará não só o consumo médio, mas também o instantâneo e a autonomia, ajudando-o a ter uma condução bastante mais económica.
A poupança pode ir até aos 2 litros aos 100 quilómetros, conforme as circunstâncias.

Utilize o programador de velocidade, ou cruise control. Ajuda a gerir melhor o rendimento do motor e da caixa de velocidades.
Acredite que a electrónica cumpre neste caso muito melhor essa tarefa do que o pé direito mais treinado.


Use um GPS. Permite-lhe escolher o caminho mais curto, além de ter implicações positivas para a segurança. Os portáteis são os mais versáteis.

Atenção ao peso. Tire da bagageira aqueles objectos que andam sempre lá, mas que não servem para nada. O aumento da relação peso/potência faz crescer o consumo, além de alterar o comportamento do carro.
Por cada 100 quilos a mais pode gastar mais 1 litro de combustível aos 100 quilómetros. Ao fim de 15 mil quilómetros ou um ano, isso representa 150 litros de combustível e 24 kg de CO2 gastos desnecessariamente.

Evite a carga exterior.
Bicicletas e outros objectos no tejadilho aumentam facilmente o consumo em 1 litro ou mais. Quando não levar as bicicletas, retire também as barras.

Evite trajectos curtos, 25% dos trajectos urbanos não chegam aos 3 quilómetros. Evite o carro nessas circunstâncias, indo a pé ou de bicicleta. Poupará combustível e cuidará da sua saúde.

Controle a velocidade.
Quanto mais depressa andar mais gasta. Acima dos 120 km/h uma pequena variação da velocidade corresponde a um aumento exponencial do consumo. A poupança pode ultrapassar facilmente 1 litro aos 100 quilómetros.

Escolha o carro certo e não se deixe encantar com “modas”.
A decisão deve obedecer a vários factores, desde a lotação até ao percurso habitual.
Não compre mais carro que aquilo de que necessita.


Existirão muitas mais e estas porventura não serão novas, mas é sempre bom relembrar. ;)

4.09.2009

keep.me.natural

Válega is a small and undeveloped little town in the north cost of Portugal. It is habited mainly by farmers. It’s a rural area by definition with approximately 9000 inhabitants.

One of it’s hidden treasures is this place called “Cais do Puxadouro” or “Puxadouro’s* Peer”. It’s a nice and nearly untouched scenery, as you can see in this low quality photos.

DSC00408

DSC00410

Here it is in this satellite image from google maps:

CaisPuxadouroSat

* I can’t find a translation for this word. 

Enguias

E que tal umas enguias compradas na zona de Aveiro? Mnham, mnham! :)

DSC00397

4.06.2009

Bridges

..are put between us even when we are apart. They may lead to nowhere, apparently. They stand mute as we crawl the insurgence of dreams. They release dreams that are broken - one eye in each corner.
We are afraid of what we build, though the raw materials are composed by our senses and intertwined moves.
I'm only me because you are. You, anywhere, over there.

I like to think that this harmony lives but Nature doesn't care. It's only "worried" about the emergence of a natural mixing of preconceived rules and automatisms. So, Nature is this robotic organization of life, where I see life as all the things that are related to me, meaning everything in this paralel of though.

Harmony is therefore a mixing of unsettling facts that occur on Nature's automatic display, in a way that one personal identity and organization captures it as fluid.

Harmony if fluidity of oneself when peacefully sensitive to the connected dots of a mechanical and automatic Nature.

Parts of you and me






What are the touching points in these pictures?

What kind of frozen realities live in these pictures?

What's the humanity in them?

Who's dreams and horrors are represented here in these pictures?

Who took them?

Why these?

Here?

You?

I?

4.02.2009

Reflections

Have you reflected upon anything lately? Life? Death? Maybe the attitudes or behaviors of someone close to you? Emotions? Entrepreneurship? Love? Economy? Environment? Quality of life? Moving to a different country? Change your own?

Intelligent Agreement



I will make this synthesis: it seems that an intelligent approach has been made. Though, it could be seen as an empty positive agreement because of the complexity of the task. But I want to believe that with the shared leadership forces that Obama puts on the table, the recovery of a new shaped global economy will have a foot and then a trace. Let's hope that everyone works hard for the same purpose. And that includes really everyone.

3.25.2009

Ansiedade

...em poucas palavras pouco ou nada explicativas.

Não é nada mais do que uma linha cortada em vários locais, revestindo-se de uma incapacidade intermitente de comunicação na plateia interna. É uma luta entre "isto em mim que incontrolável" e um "eu fluído e pacífico". É uma projecção frágil num futuro que nunca chega, numa incerteza abominável.

Não é nada mais do que o latejar de um coração assustado com o desconhecido, com a incapacidade para controlar a própria fluência identitária.

É uma razão descontrolada, à procura de emoções controláveis, pese embora o absurdo da distinção. É um anacronismo existencial.

3.21.2009

Estátua da Liberdade - uma frase

Venham a mim os exaustos, os pobres, as massas desorientadas, ansiando por respirar liberdade.


Esta frase está gravada na base da estátua.

Poderosa.

3.20.2009

The President

This man is special. He is cool but analytic, humoured but serious, visionnaire but locally aware, loving but strict, disciplined but not boring.
He has the History in his hands. He is going to fail at some time, but he will be remembered for good reasons throughout time. No doubt about it.

Mr. President Obama.

3.19.2009

A prisão colorida

Corremos o risco de transformar a formação e alguns agentes educativos em castigadores profissionais, não (só) pela falta de qualidade das suas abordagens mas pela insuportável percepção de sufocamento das crianças.
Daniel Sampaio fala em armazéns de crianças, em vínculos frágeis, em sociedades disfuncionais.
Eu digo, abram os olhos! Todos!

Contra a escola-armazém


Daniel Sampaio


M erece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.

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3.18.2009

Estratégia, endividamento, custos e investimentos - Entrevista a Abel Mateus

Portugal arrisca-se a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento
18.03.2009 - 09h12
Por Lurdes Ferreira
Miguel Madeira (arquivo)

Abel Mateus, lembra que "o benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica vair gerar"O ex-presidente da Autoridade da Concorrência, hoje a dar aulas na Universidade de Nova Iorque, afirma que a "lógica de fazer grandes projectos, porque vai gerar emprego, é uma lógica invertida".

O que pensa das análises que olham para Portugal como um dos países que ameaçam a integridade do euro?

Já há muitos sinais de problemas. O sinal muito claro foi dado pelas agências quando reduziram o rating da República Portuguesa, bem como de outros países do Sul da Europa e da Irlanda. O problema de restrição do financiamento externo é o mais importante e complicado da economia portuguesa, actualmente.

As estatísticas dão, para finais de 2008, 106 por cento de endividamento externo em relação ao PIB, a crescer entre oito a nove pontos percentuais do PIB ao ano. Isto altera radicalmente a situação como se analisa a economia portuguesa, porque já não se pode medir a evolução do bem-estar dos portugueses e do seu rendimento em termos do PIB.

Quando se diz que o PIB cresceu um ou 1,5 por cento, não é isso que cresce o rendimento dos portugueses, porque já temos de pagar muitos juros ao exterior. No período 2005-09, embora o crescimento médio do PIB tenha sido à volta de um por cento, em termos de rendimento nacional esteve estagnado.

O PIB deixou de ser um indicador adequado?

Deixou. Deve ser em função do rendimento, porque temos já uma taxa elevada de endividamento em relação ao exterior e pagamos muito mais juros ao exterior do que recebemos de aplicações.

Falta coragem aos políticos para olhar para esse problema?

Não sei. A Irlanda era um país que tinha crescimentos de 10 por cento ao ano, mas em termos de rendimento nacional era muito menor, porque muito desse crescimento era IDE e saía muito dinheiro por repatriação de lucros, mas eles estavam muito conscientes disso.

Portugal é um Estado falido?

Não. O que este indicador nos diz é que a evolução da economia está assente no endividamento. Se não houvesse esse endividamento não era possível atingir as taxas de investimento que temos atingido e nem era possível os níveis de consumo que temos. Para o futuro, ou se altera substancialmente o modelo ou vamos bater cada vez mais nesta restrição externa. Se está a subir oito por cento ao ano, passados 10 anos são mais 80 por cento em cima dos quase 110 por cento - que é a actual taxa de endividamento sobre o rendimento - que vamos atingir no final deste ano. Se batermos lá com a cabeça, vamos ter problemas sérios.

Somos um caso potencial islandês?

É muito diferente. A Islândia tinha, em 2006, um endividamento externo de 200 por cento do PIB, é um país pequeno, de 300 mil pessoas. Um dos grandes problemas é que esse endividamento foi resultado de uma série de bancos que se endividaram muito a comprar até cadeias de supermercado no estrangeiro e com investimentos de muito baixa rentabilidade. Uma das primeiras medidas da Islândia foi vender grande parte desses activos para reduzir a dívida. Não tem muito a ver com o que se está a passar com Portugal.

Como se mede, em termos concretos, esse risco de que fala?

O excesso de financiamento externo é devido ao facto de os agentes económicos, em particular as empresas e as famílias, estarem a um ritmo de endividamento elevado. E a origem de todas as crises financeiras é o sobreendividamento. É preciso visão suficiente para não chegar à situação em que se vai preencher o cheque mas não há lá dinheiro e não se pode levantar.

Esse é um problema para que, penso, não sou só eu, mas as agências de "rating", ao baixarem o "rating", se deve chamar a atenção.

Há também uma particularidade da economia portuguesa: olha-se para a dívida pública e diz-se que não é muito elevada, mas as empresas públicas financiam-se com crédito bancário e para muitos dos grandes projectos de investimento o Estado puxa as empresas através de project finance para obterem financiamentos bancários.

É dívida desorçamentada.

É preciso analisar o endividamento de toda a economia. Se eu passar a dívida de uns agentes para outros, isso não diminui a dívida.

Para si, o endividamento é o maior factor de preocupação?

A minha principal preocupação é que a economia se desenvolva, que se retome o crescimento em Portugal, e o problema é agravado por este endividamento.

Se crescermos nos próximos 10 anos ao mesmo ritmo que a UE - o que não tem acontecido -, a dois por cento ao ano, com estes níveis de crescimento de endividamento, a cada ano, estamos a comer meio ponto percentual ao PIB. Quer dizer que, daqui a 10 anos, estamos cinco pontos mais pobres do que a Europa e vamos regressar aos níveis com que entrámos para a CEE.

O que tem falhado?

Há um problema muito grave em Portugal nos últimos anos. Não há um documento estratégico, um pensamento estratégico. Há excelentes economistas portugueses, em universidades estrangeiras, que podiam colaborar para um documento desta natureza.

Os grandes projectos públicos de investimento não estimulam a economia?

Quando se constrói uma auto-estrada, um aeroporto, o que se pensa é que o benefício do projecto é todo o emprego e as matérias-primas que se empregam quando se vai construir. Ora, isto é o custo do projecto. Nenhum empresário vai fazer uma fábrica e dizer que o benefício de fazer a fábrica foi construí-la e colocar lá as máquinas.

O benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica depois vai gerar: vai vender e vai ter as suas receitas e os seus lucros. Esse rendimento líquido vai ter de pagar os custos. Esta lógica de fazer grandes projectos porque vai gerar emprego é uma lógica invertida. O que interessa é o rendimento adicional que se vai gerar em Portugal.

Não acredita no rendimento adicional do novo aeroporto?

É uma questão de bom senso. No novo aeroporto, coloco os custos de construção de um lado, do outro vejo se vou gerar rendimentos suficientes, porque há aqui um custo de oportunidade: esses recursos estão colocados no aeroporto, não caem do céu, e com esses recursos podia construir outras coisas, complexos turísticos, fábricas, escritórios etc.

Qual o rendimento gerado pelo novo aeroporto? O existente (Portela) está ainda longe de ter a capacidade totalmente utilizada. Se formos ao aeroporto de Heathrow, Londres, Chicago, há praticamente um avião a baixar de minuto a minuto e o movimento de Lisboa não tem qualquer comparação.

Uma professora do IST, que fez um estudo dos aeroportos europeus, concluiu que o aeroporto português podia aumentar a sua utilização à volta de 30 por cento se fosse eficientemente utilizado. Portanto, em primeiro lugar, temos de utilizar da melhor maneira possível o que temos. E daqui a quantos anos vai duplicar ou triplicar a procura dos serviços aeroportuários? Não sei, mas tenho muitas dúvidas.

3.12.2009

Causas e consequências

De acordo com uma notícia do Jornal Público de hoje, a polícia alemã está a tentar perceber se os videojogos violentos influenciaram o massacre. Contudo, creio que, não obstante ser mediaticamente apelativo culpar os videojogos, talvez não fosse má ideia perceber causas e não conseguências ou derivas paralelas de um sofrimento que parecia ser monstruoso, de acordo com a mesma notícia. De facto, as inextricáveis e complexas causas deste sofrimento incomensurável, que descamba numa morte desenfreada, não pode tolerar análises superficiais e inócuas, como a que esta notícia alude.
Os videojogos poderão ter sido um mero consolo e massagem a uma identidade ferida, a uma imagem corrompida pelo "só se riem de mim; não sabem qual é o meu potencial". O mais gritante e aterrador será perceber quais são os factores que influem neste desfecho.

Maus tratos em casa? Na escola?
Abusos sexuais em casa?
Relação disfuncional com os pais?
Doença psiquiátrica?
Irmãos abusadores?
Colegas de escola cruéis?
Professores não responsivos à angústia?
Vizinhos mal intencionados e agressivos?
Comportamento mimético (pensar nos US e FIN)?
Desespero relativamente ao futuro, tendo em conta a crise económica da família?
Tendência depressiva?

A fluência das distorções identitárias - Quem sou eu? O que faço aqui? Alguém gosta de mim? Ninguém se preocupa comigo! - é brutal e complexa.

Para se chegar a este ponto - matar - é necessária uma acumulação e integração de intolerâncias relativamente às frustrações e uma perda de esperança no próprio e nos outros. É necessário ser interiormente "fantasma" para se poder fazer algo como isto. A falta de solidariedade interna do jovem é infernal; a existência passa a ser um papel rabiscado.

Deixem lá os jogos em paz e preocupem-se em perceber tudo o que é verdadeiramente articulado no desenvolvimento de identidades fragmentadas, colocadas na boca do vento e disponíveis para morrer no primeiro sopro.

Love

3.08.2009

Reclaim her/his heart

Important times

How come we hardly know that we are always in importante times? Why is that our self centered humanism makes us partially blind for the need's, want's, fear's and significance our present times? Why it's so difficult to pull our eyes off that put them up there seeing the processes?

O povo problemático

..para ele próprio.

Recebido por e-mail:

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, por isso façam uma leitura atenta.
Precisa-se de matéria prima para construir um País

*Eduardo Prado Coelho - in Público*


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como
Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que
foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre
valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, lips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda
a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar
projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe
média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto
a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a
criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor
me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de
trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta
muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses
como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o
suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas
enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar
primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve
Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a
força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a
surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os
lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,
igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone
começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam
um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada Poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O
ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... *MEDITE*!

*EDUARDO PRADO COELHO*

3.03.2009

Fear

Fear is that subtle sensation of not knowing where you or your imagery fits in. It's like being one thousand persons and not having a smile. Imagine fear as the barrier that your hands build in front of your eyes. Fear of loosing, falling, suffering, loving, ourselves. Fear of the temptation that others catalogue us as X or Y.

Fear of not being without fear, comfortable with your mental maps, that you keep in your personal history.

Fear of not being without suffering, when all that is cherished is the misfortune and tragedy of personal dramas. The oblivion of hope.

Fear is that awkward thing that is felt as an invading force and as a cognitive artifact built by a troubled consciousness. I as mixed Me's without a face.

2.19.2009

Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras

Mas que treta de país é este? Aqui. Não há paciência que aguente estes mecanismos produtores de acefalia generalizada! Que sensibilidade que o poder instalado tem! Mete dó!
Proíba-se o que de facto não é fantasioso mas parece ser! Proíba-se a incompetência generalizada dos políticos e a insensibilidade da gestão de muitas empresas públicas! Proíba-se que estes sopros de censura totalitária fujam para longe! Que tristeza!

Update: O Ministério Público reconheceu a barbaridade moral da sua censura..Ups..Não se pode dizer censura...A censura não permite censura..Engraçado este trocadilho..

2.14.2009

As brumas da memória

Levantar os braços

Tem-se escrito que o Presidente da República Portuguesa afirma que os jovens não deverão baixar os braços. Mas que raio significa isto? Em abstracto parece-me bem, se não fossem os pesos de 500 kg que os jovens têm em cada braço. Sr Presidente, levantar os braços como? Gostaria de ouvir alguns sugestões concretas...Qual é o seu projecto para este país?

2.10.2009

Natureza da natureza da natureza

Não, não me enganei no título. A natureza humana é como uma prisão de leis titubeantes, cheias de calafrios perante a sua existência. Não seguem lógica contestada por Hume por que os sentimentos se expandem para além das fronteiras da comunicação. São totalitários, esmagadores, brilhantes, sombrios e harmonicamente artificiais. Isto é errado. São naturais na nossa evolução humana, mas tornaram-se um novelo de padrões calculistas, artefactos de uma natureza da artificialidade. Ou seja, natureza pintada de tons estranhos, dubiamente definidos. A generalidade é errada e não será necessário assumir que se refere à generalidade da especificidade.

A composição da paisagem interna dos sentimentos guarda a evolução na sua estrutura básica, que lança as fagulhas de toda a inteligência evolutiva humana. Contudo, utilizamos acendalhas que modificam o teor da energia que nos move. Estamos a evoluir numa natureza demasiado diferente - e isto poderá soar a redundância - da matriz humana. Não sabemos para onde vamos e não controlamos. Sim, isto assusta. Parecemos paus perdidos no mar, que albergam minúsculos sonhos e vidas. À deriva.

Para chegar aos....

animais. A sua natureza é pomposamente bela. Regozija ver como o óbvio é belo e a sua complexidade perplexa. Talvez não tenham consciência de si mesmos mas possuem uma capacidade intuitiva de organização e de inter relação assustadoramente bela. Harmonizam em vez de criarem pontos de inflexão dolorosos, que questionam até as leis invisíveis - e imprevisivelmente tacteadas - da natureza. São. Existem. E bem. Porquê? São infinitamente sinceros, na sua agonia e alegria, donos da existência e redactores de uma ordem natural. Basta ver o que nós, as bestas bestiais humanas, lhes fazemos de mal ou que fazemos de mal aos outros, o desrespeito pelos outros, a petulância com que arrogantemente achamos que dominamos a natureza. Somos assustadoramente estúpidos e desorganizadamente complexos.
Nem me apetece corrigir este texto. Que fiquem as letras onde o ser viaja.

2.04.2009

Mudar

Os barulhos.
Sons desprezáveis emitidos pelo inaudito e arfante sonho de uma coerência desgraçada, apoiada numa infância em que a significação dos eventos se fazia através de contas de subtrair.
Os gritos.
As vozes que suam, que esperneiam, que tentam levar no bico uma existência maior do que elas. A expansão do ser verifica-se pela exaustividade e paveamento da voz. A calçada da materialização da voz é o grito.
A dor.
Sons de desconforto na composição das interconexões da existência. Quebras de razoabilidade e revolta auto-dirigida. Uivos de desespero de pensamentos que descamam e se perdem na fluência do dia. Uma fugidia sensação de incapacidade de colocar um marco. Aqui sou.
Os barulhos, os gritos e a dor dos...
...
...
...
daqueles na aldeia que roem as unhas como roem os sonhos;
o toxicodependente que é independente de si;
o médico que perdeu o olhar num paciente que morreu;
uma criança que aprende a criar existências.
Todos eles, todos nós.

Um futuro por escrever

Aqui vai o texto que escrevi em nome do Movimento de Cidadãos do Concelho de Ovar para um conjunto de jornais da zona de Ovar.



Um futuro por escrever – um debate

O trabalho é central na vida das pessoas e significativo de todos os aspectos sociais nos quais os seres humanos participam. Sejamos nós desempregados, crianças, adultos ou idosos, temos todos uma relação directa com o trabalho.
O trabalho, nas sociedades Pós-Modernas, não é apenas algo que fazemos, é algo que apresentamos nos nossos cartões de visita, imbuídos de uma valorização social que determina que estejamos guardados numa determinada gaveta e não noutra.
Contudo, os nossos cartões de visita estão a ficar esborratados.
As certezas passaram a receio e o medo tem vindo a instalar-se.
As falências das empresas passam a ser falências das pessoas.
Falências da percepção de utilidade na sociedade; da compra de bens essenciais; da criação
de riqueza; das explicações que se dão aos filhos ou amigos; e da alegria da criação das minudências
totalitárias na vida das pessoas – a casa, o carro, a electricidade, a água, as prendas…
A injustiça passa a transpirar por todos os poros das palavras que utilizamos para falar do
desemprego.
O concelho de Ovar está, por isso, a suar.
O tilintar das pessoas que são despedidas soa eterno e mais parecem gotas de um suor frio.
As, ainda há pouco, estruturas organizacionais sólidas soam agora à decrepitude do desmoronamento. As ilustrações de sucesso transformaram-se em folhetins de tristeza.
O Movimento de Cidadãos do Concelho de Ovar (MCCO) reconhece a necessidade de transformar as tonalidades que pintam os nossos dias.
Nesse sentido, urge fazer algo positivo, que vá ao encontro das expectativas das pessoas e que lhes sirva de estímulo, criando-se, assim, uma sociedade concelhia inclusiva, participativa, unida
na criatividade e no empreendedorismo. É necessário, portanto, que todos participem.
O MCCO propõe-se criar um debate introdutório com especialistas de todos os quadrantes, em que todos vós, especialistas nas vossas inteligências, angústias, criatividade, ou motivação,
participem. Queremos fazê-lo brevemente mas queremos ouvir-vos primeiro. As vossas sugestões
relativamente este primeiro passo juntar-se-ão em todos os nossos passos.
O que consideras essencial discutir sobre o desemprego? O empreendedorismo? A criação de sinergias entre comerciantes? O desenvolvimento do turismo? O apoio psicossocial aos desempregados em situação mais frágil? O papel da autarquia?

Qual é a tua visão para Ovar?

Podes fazê-lo para pelanossaterra@gmail.com

Obrigado!

1.24.2009

Ambiguidades

Algumas pessoas disseram que a crise financeira iria trazer um novo paradigma na inteligibilidade dos negócios. Sinceramente, só se for daqui a muito tempo. O que é que vemos actualmente? Empresas que continuam na mesma linha de sempre: redução de lucros (não prejuízo!) e pumba! layoffs ou como em português se diz, para o olho da rua! (sinceramente, nunca percebi porque referem o "olho"...). Será este o novo paradigma? Não creio...E isto porquê? Porque, de facto, ainda estamos a passar pela tempestade. O sistema irá credibilizar-se com grande esforço e só daqui a muito tempo. Até lá continuam a gemer os fundamentos vigentes e os gananciosos de sempre.
Basta pensar nas discrepâncias salariais nas empresas portuguesas...Será que alguma coisa mudou mesmo?
Céptico; desanimado; não crente; pessimista; realista; desiludido.

1.19.2009

Desemprego em Espanha e deficit na Irlanda

Números verdadeiramente dramáticos são traçados para o desemprego, com Bruxelas a prever que a população activa sem trabalho dispare dos 11,3% estimados para 2008 para 16,1% no fim deste ano, antes de chegar aos 18,7% em 2010.


Aqui

Ouch!!! 18.7????

Irlanda com uma contracção de 5% e um défice de 11% do PIB é o país da UE que se depara com o pior cenário em 2009.


Aqui

11% de deficit????

1.17.2009

Futuro Portugal

Gostaria de ver em Portugal uma luta de desenvolvimento entre regiões, em que o financiamente às regiões se fizesse, no princípio, de forma justa (regiões menos desenvolvidas receberiam mais), ajustando-o posteriormente de acordo com os seus níveis de desenvolvimento.
Gostaria de ver em Portugal um Interior vibrante, dinâmica, com clusters de empresas que apostam no emprego qualificado e aldeias, cidades e vilas com infraestruturas e marketing para acolher pessoas com desejo de desenvolver uma vida diferente.
Gostaria de ver em Portugal apoios brutais à Cultura concomitamente com a criação de condições óptimas para as pessoas e empresas criarem os seus negócios.
Gostaria de ver em Portugal uma cultura de excelência e de respeito.
Gostaria de ver em Portugal que a corrupção fosse brutalmente punida e que todos pagassem os seus impostos.
Gostaria de ver em Portugal uma paixão generalizada pelo meio ambiente, em que as cidades, vilas e cidades fossem criadas em harmonia com a Natureza.
Gostaria de ver em Portugal apoios ao emprego e não apoios através de subsídios de desemprego, desmesurados e incitadores à mediocridade;
Gostaria de ver em Portugal empresários que se preocupassem menos em ter o seu carro topo de gama, casas luxuosas, etc, e mais com os salários péssimos que pagam aos trabalhadors;
Gostaria de ver em Portugal a liberdade que teima em fugir.
Gostaria de ver algo que não é Portugal.
Gostaria de viver num novo Portugal.

1.14.2009

Não há vergonha em Portugal - Transparência inside

A ANSOL lançou um site de verdadeiro serviço público baseado na base: contratos públicos online. Lá poderá encontrar todo o tipo de jumentices que se passam no nosso País.

Exemplos:

Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas
Preço do contrato (Euro): 97.560,00 €

Receptor GPS
Preço do contrato (Euro): 10.910,00 €

AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS
Preço do contrato (Euro): 2.922.000,00 €

VINHO TINTO E BRANCO
Preço do contrato (Euro): 652.300,00 €

3 computadores mais uns quantos “fones” por cerca de 380.000,00€ e “Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”, para a Divisão de Obras Municipais” por 6.572.983,00€.

e muito mais há neste maravilhoso antro de corrupção e desperdício de recursos!

1.13.2009

Search engines

Three great search engines!

Cuil search engine

Cuil searches more pages on the Web than anyone else—three times as many as Google and ten times as many as Microsoft.
Rather than rely on superficial popularity metrics, Cuil searches for and ranks pages based on their content and relevance. When we find a page with your keywords, we stay on that page and analyze the rest of its content, its concepts, their inter-relationships and the page’s coherency.
Then we offer you helpful choices and suggestions until you find the page you want and that you know is out there. We believe that analyzing the Web rather than our users is a more useful approach, so we don’t collect data about you and your habits, lest we are tempted to peek. With Cuil, your search history is always private.

Cuil is an old Irish word for knowledge. For knowledge, ask Cuil.

Google Dark

dark' is a fully functional Google search. It pulls Google results and is Powered by Google. The only difference is visual. This site's sole purpose is to provide an alternative to those tired of the standard Google bright white page. enjoy :)

Dopile

Dogpile puts the power all the leading search engines – Google, Yahoo!, Live Search, and Ask – together in one search box to deliver the best combined results. The process is more efficient and yields more relevant results.
Dogpile.com is on a mission to help rescue pets. We call it our Search & Rescue program. When you search the Web on Dogpile, a portion of revenue generated will be donated to the American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA®). Whether your searches are conducted directly from the Dogpile site, from a Dogpile desktop toolbar, or a Dogpile widget on a social networking page, a portion of the revenue generated will help animals in need. The more you search, the more you can help us rescue pets and reach our ultimate goal of raising $1 million by the end of 2009. Search & Rescue is an exciting opportunity for all pet lovers.

1.11.2009

..."Bom. Então acho extraordinário que eu esteja vivo. E sinto-me bem eu. Mas não me sinto sozinho. Outras partes de mim estão em outro lado e são os filhos que dormem, ou os trabalhadores com quem falei, ou a terra que ajudei a trabalhar. E é como se eu fosse só uma parte de qualquer coisa muito grande que vai para além das pessoas conhecidas e chega às pessoas conhecidas dessas e a outras e para o passado e para o futuro."...

in Aparição, Vergílio Ferreira, p. 148-149

Beauty in freedom




1.04.2009

I miss Finland







Let them speak for themselves..

Search me


Search me is a visual search engine that gives you the opportunity to really look what you are looking for. It also allows you to create stacks of the pages that you usually visit. Try it! It's worthwhile.

12.27.2008

O Primeiro Ministro de Portugal

O Primeiro Ministro de Portugal (PMP) não é mais do que um óptimo vendedor, o que até é abonatório da sua pessoa. A sua postura envergonha a política e torna a democracia um produto comercializável. O que ele quer é que nós consumamos a visão irrealista que ele pretende transmitir do país, salvaguardando nesse complexo artefacto de ilusão uma marca José Sócrates. Não, não se trata de optimismo, trata-se de estupidificação dos seus ouvintes. Tenta tapar-lhes a boca com adesivos que mais parecem fitas de promoção de uma marca qualquer. A questão é que não consegue e não pode prender as vozes na sua pegajosa retórica do “absolutamente essencial”.

Ele simplesmente não possui a dimensão moral de um Primeiro Ministro. Utiliza expressões ridículas como “one in a lifetime crisis” para reforçar o que disse em Português, tornando o que poderia ser importante numa amálgama de gargalhadas silenciosas e jocosas; vende computadores montados em Portugal a um preço moral vergonhoso numa cimeira com chefes de estado. Afirma de forma infantil que todos os assessores utilizam aquele computador e não precisam de mais nenhum porque permite realizar todas as tarefas. De facto, o PMP não é nada mais do que o chefe da turma, determinando narrativas erráticas e fantasiosas que sufocam a ética na política.

12.23.2008

A dor da dificuldade: Aerosoles

A Aerosoles tem por cima de si um céu negro, carregado de muitas histórias de pessoas que têm medo. Medo do desemprego, medo que as dificuldades da sua empresa sejam muito mais que as dificuldades de uma semana ou de um mês.

"A Aerosoles, o maior grupo de calçado português, não pagou o subsídio de Natal e, neste momento, tenta garantir o pagamento dos salários deste mês aos 1360 funcionários, 661 dos quais portugueses."

Desejo que tudo seja resolvido rapidamente e que muitos trabalhadores continuem a dar o seu melhor por aquilo que têm ajudado a criar.

Update:

Aerosoles garante subsídios de Natal e salários de Dezembro!

Boas notícias. :)

Resta assegurar a saúde da empresa durante os próximos anos.




War

Do you really want to preview the massive destruction that bombs can provoke to our cities and countries?

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12.22.2008

Vozes

As vozes de quem amamos persistem no tempo. São como tilintar de um sino no eco imenso de uma planície. O som deixa-se de ouvir mas a vibração resiste à infinitude. Permanecem vivas, como fantasmas sem abrigo.

Vivem com abrigo em nós. Volta-mo-nos para a sede que varre o timbre esquecido da sua voz. E arrepia-mo-nos por percebermos que existe terra livre das nossas pegadas em nós. Marcas indeléveis que usurpam-nos a nossa periferia e traz-nos ao conforto da sensação de estarmos juntos e tristes sozinhos, apesar de acompanhados.

Relembramos as vozes que nos cantam. Não a nossa. Essa confunde-se com o nosso queixume. Falo, tal como Vergílio Ferreira, da exasperada visualização de um ser que não sabíamos ter aquela totalidade em nós. De facto, somos a fluidez incessante de um jorrar de acção. Não entendemos aquilo que somos. “Somos” enquanto nos entretemos a viver. Mas não percebemos quem “existe” nos nossos olhos.

O vidro quebra-se. Estilhaçado no chão…Reflecte a luz de um sorriso partido. Estamos condenados à precariedade de nos sentirmos apenas no rio e não na pintura do rio. E fugimos, fugimos para bem longe das vozes que nos habitam; e voltamos para bem perto de nós, junto ao código postal dos nossos pontos cardiais de sorrisos sonoros e de pálpebras humedecidas. Relembramos as matizes dos espectros singelos que lhes perpassavam o olhar. Um olhar sonoro, cheio de azáfama, rugindo por um pedaço do bolo bolorento que continuamos a deixar em nós. Ao largo de nós; ao largo de ti.

Ouço a tua voz. Aqui ela fala para toda a minha audiência. E eu escuto-te. Como se eu fosse uma metáfora bamboleante, à procura de um surrealismo esotérico para te apaparicar. Vives há vários anos longe. Vens quando não me pedes. Vi-te ao passar por aquela rotunda, que jorrava água nos meus olhos enquanto sorrias numa imagem que eu congelei na minha memória. Mas tu prossegues quase nos 70 anos, se hoje estivesses com a tua carne neste Mundo horrivelmente repleto de seres mecânicos, insolentes, controlados por visões não humanos. Tu persistes e beijas-me a fronte quando eu vou dormir. Tu resistirás em mim enquanto eu não esquecer de mim em ti.

A year-end message from Deloitte

Did you know that 63 million US citizens travel during the holiday season?

Funny and interesting message.

12.21.2008

Oh yeah! Drive!

If you don’t watch your back, this is what might happen to you. Two little doggy fellows trying eagerly to drive! Watch out! ;)

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Olives – Trás-os-Montes

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Want to help make some olive oil? :)

12.06.2008

Causas de menor sindicalização: algumas ideias

Introdução

Nos últimos anos o Mundo sofreu mutações consideráveis. As complexas alterações criadas localmente produziram mudanças globais muito relevantes. O Mundo ficou mais complexo, integrado, interdependente, estando os países mais intrincados e as suas relações comerciais, culturais e diplomáticas mais reforçadas.

Esta complexidade trouxe dúvida e precariedade, tornando a existência individual e dos grupos uma actividade que se deverá referenciar, obrigatoriamente, aos processos de socialização complexos actuais. Contudo, o Mundo não se refere a uma uniformidade complexa, mas a uma multiformidade repleta de especificidades e movimentos económicos e culturais assimétricos.

O “Novo” Mundo criado pela evolução da globalização coloca em cheque tudo o que lá atrás foi construído. Actualmente, este Mundo parece suster-se na sua própria complexidade, imprimindo-nos um quadro que coloca o passado como uma decrepitude infecciosa. A pós-modernidade e a globalização têm colocado em xeque as metanarrativas, trazendo à tona toda a precariedade e ausência de certezas.

Tais evoluções ou, mais correctamente, mudanças, têm produzido alterações substantivas na organização do trabalho, levando a que os actores das organizações sejam participantes de graus diferentes nestes movimentos.

O presente trabalho tem como objectivo dar a conhecer e discutir algumas das causas da menor sindicalização em Portugal e em outros países. Ao definir-se este objectivo focar-se-ão também, incontornavelmente, fenómenos que embora parecendo laterais, influem de forma decisiva nas causas reconhecidas ou inferidas.

Sindicatos

Antes de se focarem os motivos pelos quais existe uma diminuição do número de pessoas sindicalizadas, interessa definir de que se fala quando se trata de sindicatos. De acordo com Costa e Sampaio e Melo (1979), um sindicato é uma “associação de trabalhadores por conta de outrem, ou de profissões liberais, para defesa dos seus interesses económicos, culturais e profissionais” (p. 1317). Trata-se, portanto, de um grupo de indivíduos afectos a uma profissão ou sector profissional que se unem numa plataforma comum, organizada, com disposições gerais e estatutos, com o objectivo de defender os interesses relevantes para a acção enquanto trabalhadores. Seguindo a premissa de que a Democracia aceita e valoriza a emergência de vozes que reclamam o seu direito de participar no rumo de um país, os sindicatos assumem-se como representantes de grupos profissionais que pretendem afectar o rumo das organizações e das políticas seguidas por um determinado Governo.

Sindicatos, trabalhadores sindicalizados e os seus fenómenos organizativos: uma análise multifactorial

Actualmente existe uma declarada e visível contestação pública de vários sindicatos (e.g., Fenprof) que protestam contra aquilo que consideram ser prejudicial para a classe que representam. Contudo, um sindicato não é apenas uma associação de trabalhadores, uma totalidade perfeitamente limitada pela classe profissional ou grupo que representa. A percepção empírica e subjectiva é de que os sindicatos por vezes emergem como plataformas que se complexificam e se afastam das pessoas que representam. Tal leva a que se fale, por exemplo, em sindicatos e em professores, quebrando a univocalidade (mas talvez reforçando a robustez das opiniões) da defesa dos interesses da classe profissional definida pela existência do sindicato. Surge, pois, a questão de se conhecer os elos que relacionam o representante (sindicato) e os representados (professores). Como exemplo, tome-se a actual contestação dos professores. De acordo com João Marcelino, director do Diário de Notícias o conflito tem levantado um problema de representatividade. O autor prossegue

afirmando que se o acordo [entre sindicatos e Ministério da Educação] não resolveu a questão de fundo e a avaliação continua a merecer o repúdio maioritário dos professores, quem são as partes e como se encontram? Que têm os sindicatos, desta vez, para oferecer a ambos os lados na vista de uma solução - e quererão mesmo encontrá-la?

Este é um exemplo de que talvez os sindicatos estejam a ver a sua definição enquanto associação ultrapassada (ou complementada) pelo poder da mobilização das pessoas que representam. Tal poderá levar a colocar a seguinte hipótese: “Quanto mais unida e mobilizada for uma classe profissional relativamente à defesa de um determinado interesse, menor a necessidade e o poder interventivo de uma estrutura representativa formal e definida estatutariamente”. Uma observação fácil e intrépida, apesar de leviana, consistiria em dizer que tal alavanca a “morte” dos sindicatos. No entanto, não se crê que tal afirmação seja sustentável.

A actual situação da contestação dos professores ganhou uma magnitude considerável, sendo consequência de um crescendo dinâmico de insatisfação transversal e inicialmente verbalizada pelos vários sindicatos dos professores. Portanto, a actual baralhação dos actores do contexto desta contestação resulta não da morte anunciada dos sindicatos ou da sua capacidade mas do nível de mobilização dos professores que abafou o som da “representatividade” dos sindicatos. Tal parece ser paradoxal, uma vez que o grupo representado engole a formalidade da sua representação.

Poder-se-ia conjecturar que estes movimentos contestatários dos professores revelam o poder de milhares de vozes que falam em uníssono. Provavelmente não será incorrecto fazê-lo. Contudo, tal não responde directamente à nossa pergunta de conhecer “as causas da menor sindicalização”. Apenas revela, indirectamente, que, neste caso, a definição de sindicato é precária enquanto representante de um quadro fiel e suficientemente abarcante de uma classe profissional.

Todavia, nem todas as lutas (como os sindicatos gostam de definir) provocam tal êxtase e mobilização como a que se verifica com a actual contestação dos professores. Existem actualmente cerca de 300 sindicatos operacionais em Portugal (Stoleroff & Naumann, 2000) e raras são as vezes em que a sua posição e acção são publicamente e largamente visíveis. Contudo, não se tome com isso que a sua acção é desprovida de valor.

Em muitos contextos sócio-profissionais marcados pela concentração de pessoas de baixos recursos intelectuais (mas não só), que devotam pouca energia no debate coerente e consistente de exigência e respeitabilidade dos seus direitos, encontra-se frequentemente um queixume generalizado inócuo que oculta uma insatisfação resignada. Com uma perpetuação de inércia, muitos trabalhadores colocam, muitas vezes, nas mãos dos sindicatos o medo que sentem com as consequências percebidas da globalização e da situação do seu país (e.g., a precariedade dos vínculos; os baixos ordenados), e de outros factores estruturantes das relações laborais (e.g., o paternalismo; o fatalismo). Colocam, desta forma, a voz interior da luta que desejam na melhoria de vida, na verbalização bem audível dos sindicalistas que aparentemente não são afectados pelas punições temidas. Este seria um motivo que justificaria, por exemplo, a existência de uma maior taxa de sindicalização em determinadas classes profissionais.

Nas últimas décadas a economia de Portugal diversificou-se, constituindo um sector de serviços cada vez mais prevalente. Tal significa uma reconstituição da importância dos sectores económicos em Portugal. O sector industrial, comummente assumido como um angariador muito forte de sindicalizados, decaiu na sua importância relativa e contribuição para o produto interno bruto. Estas mudanças significaram uma diminuição do número de sindicalizados em indústrias manufactureiras (Stoleroff & Naumann, 2000). Para além deste factor estrutural, existiram também movimentos conjunturais (e.g., perda da segurança do emprego provocada por salários em atraso) que abalaram a confiabilidade e relevância dos sindicatos na defesa dos interesses dos trabalhadores (ibidem).

Um dos quadros analíticos mais interessantes na observação das dinâmicas de grandes grupos sociais diz respeito ao fenómeno de “free ride”, ou numa tradução livre, “viagem grátis”. De facto, ao analisarmos os fenómenos de sindicalização e de angariação ou repelência de trabalhadores de uma classe profissional, constatamos, pela análise empírica, que existem indivíduos que não acreditam que a sindicalização é importante mas, no entanto, criticam abertamente o patronato e os sindicatos, escudando-se nessa crítica a razão para não se sindicalizarem. Contudo, aceitam claramente os benefícios das consequências positivas da acção dos sindicatos. Poder-se-ia afirmar que este padrão atitudinal e comportamental segue um fio condutor de apropriação indevida. Contudo, estas situações poderão indicar várias peculiaridades.

O fenómeno de free ride (Booth, 1985) verifica-se quando numa situação em que um grupo se reúne para fazer lobby relativamente a um bem potencial para todos os membros, existem indivíduos que querem desfrutar dos benefícios conseguidos sem incorrer nos custos implicados. Ao fazê-lo, eles incorrem numa dinâmica perversa.

O tamanho dos grupos na análise deste fenómeno é importante. Quanto maior for um grupo maior será a sua incapacidade de vigilância e de detecção dos elementos que praticam o free ride. Este será, talvez, um dos aspectos que explica a diminuição do número de sindicalizados. É notório que muitos trabalhadores assumem uma perspectiva hedonística laboral, i.e., assumem facetas que os leva a colarem-se aos benefícios e a rejeitarem as dificuldades de os alcançar. Um outro de factor motivador de free ride poderá ser os baixos salários praticados em muitos sectores e profissões. Não será de todo inaudito ouvir ou registar comentários de pessoas que pelo facto de auferirem salários baixos tendem a colocar a hipótese de sindicalização para último plano, dada a necessidade de pagar as quotas sindicais. Contudo, este fenómeno estará acoplado também a outro tipo de dinâmica.

Muitos trabalhadores talvez sigam uma avaliação socialmente determinante da sindicalização. Empiricamente, a adesão a um sindicato é, actualmente e em larga medida, sancionada pela perda de respeitabilidade ou de estatura moral. Não é invulgar ouvir que as pessoas não precisam de se sindicalizar, porque todas as informações estão disponíveis (e.g., leis do trabalho; facilidade em obter informações do ACT) e facilmente acessíveis a todos. Existe, portanto, uma invalidação da competência moral do trabalhador por parte de uma comunidade, o que reforça a tendência dos trabalhadores a privilegiarem a convergência com a voz dominante. Poder-se-á compreender estes fenómenos à luz do contexto actual ou da sua diferença relativamente a outros contextos, o que implica rever a temática da globalização e do capitalismo anteriormente referidos.

De facto, hoje em dia a globalização e o capitalismo parecem ter imposto um discurso único e pegajoso em que a percepção de precariedade do emprego impõe receio aos trabalhadores em serem identificados como “sindicalistas que só querem destruir a empresa pedindo cada vez melhores condições de trabalho e salários mais elevados”, sendo este um dos motivos que comummente se ouve off the record.

Todos os factores abordados ao longo desta análise recolhem algum tipo de confirmação ou são complementados no estudo levado a cabo por Conceição Cerdeira (s.d.), nomeadamente nas seguintes constatações: a) decréscimo da sindicalização e crescente atomização dos sindicatos; b) crescimento de “corporativismos” profissionais; c) transformação sociológica da composição sindical (sector de serviços contribui com 64%); d) menor capacidade de mobilização de acções de luta; e e) menor frequência de recurso (e mais selectivo) à greve.

Existem, portanto, inúmeros factores que poderão influir na diminuição das taxas de sindicalização, sendo que eles, de forma qualitativa e quantitativa, variam de acordo com o sector profissional, contexto sócio-económico do país, momento histórico Mundial, fenómenos de grupos sociais, modas comportamentais, entre outros.

Níveis de sindicalização em vários países

A diminuição das taxas de sindicalização não se verifica apenas em Portugal. Tendo em conta os factores já abordados, isso quererá dizer que existem factores com influência local que perpassam barreiras geográficas. Simonson (2005) descreve no seu artigo “Trends in Class based Trade Union Membership in Great Britain” algumas das constatações e conclusões que explicam e descrevem a tendência de decréscimo das taxas de sindicalização:

· Verificou-se um declínio acentuado das taxas de sindicalização entre 1964 e 1997, sendo que apenas entre 1974 e 1979 se verificou um aumento de sindicalizados na população activa. Após 1979 verificou-se um declínio marcado, resultante, talvez, da introdução de legislação prejudicadora da actividade dos sindicatos;

· A diminuição da percentagem de homens sindicalizados diminuiu mais do que no caso das mulheres, sendo que até houve um aumento relevante de mulheres sindicalizadas entre 1975 e 1983. As taxas de sindicalização são, hoje em dia, as mesmas entre homens e mulheres;

· Diminuição, no grupo dos homens, das influências específicas das classes profissionais, i.e., alteração da composição das classes e dos sectores profissionais (aumento do sector dos serviços e diminuição dos sectores industrial e da agricultura);

· Notório decréscimo das percentagens de homens sindicalizados em todas as classes profissionais, sendo menos pronunciado na classe de trabalhadores mais qualificados. Não existe uma tendência objectiva no grupo das mulheres;

· A alteração da composição das classes não explica na totalidade a diminuição do número de sindicalizados.

Contudo, não foi apenas no Reino Unido que se verificou uma redução do número de pessoas sindicalizadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a redução entre 1970 e e 2003 foi de cerca de 2.3 milhões de sindicalizados. Por outro lado, o Canada obteve uma subida no número de sindicalizados em igual período de cerca de 2.9 milhões de sindicalizados. Na União Europeia verificou-se uma subida acentuada de 10 milhões de trabalhadores sindicalizados entre 1970 e 1980, sendo que a partir desta última data e até 2002 houve uma redução de 7.3 milhões. Na Itália registou-se um padrão semelhante, havendo um aumento substancial entre 1970 e 1980 e um declínio considerável desde então (Visser, 2006).

Um dos factores explicativos desta redução do número de trabalhadores sindicalizados deveu-se à mudança da obrigatoriedade para a voluntariedade da sindicalização. Outro facto curioso apresentado pelo autor diz respeito ao facto de existirem países em que a taxa de sindicalização das mulheres é tão alta quanto a dos homens (Canada, Reino Unido e Irlanda) ou até mais elevada (Suécia, Noruega e Finlândia).

O autor prossegue referindo que o declínio da sindicalização está concentrado de forma clara no sector privado da economia, enquanto as taxas de sindicalização no sector público continuam elevadas.

Visser (2006) finaliza destacando alguns dos factores que contribuíram e que contribuem para a desaceleração do número de trabalhadores sindicalizados: a) globalização; b) declínio do emprego no sector público e concomitante aumento no sector dos serviços; c) aumento das taxas de desemprego de longa duração; e d) contratos de trabalhos mais flexíveis.

Como é possível constatar, existe uma quantidade muito considerável de factores que assumem preponderância na diminuição do número de sindicalizados. Contudo, as variações são sensíveis aos contextos específicos de cada país e momento histórico, pese embora existam factores transversais (e.g., mudanças económicas estruturais e conjunturais provocadas pela globalização).

Entrevista a um delegado sindical: uma visão

De modo a complementar o trabalho apresentado optou-se por trazer para este diálogo uma voz que fala na primeira pessoa e a partir da função de sindicalista. Trata-te de um trabalhador de uma empresa concessionária de auto-estradas, com 48 anos, 12º ano, 25 anos de serviço e sindicalista há mais de 15. Apresentam-se de seguida as perguntas feitas e as respostas obtidas de forma integral.

1. Porque resolveu ser delegado sindical?

2. Qual é o objectivo que considera ser mais importante na acção de um sindicato?

3. Quais são os pontos menos positivos que considera existirem na generalidade dos sindicatos?

4. Tem existido um decréscimo de trabalhadores sindicalizados nos últimos anos. Qual é a sua justificação para este decréscimo?

1. Resolvi ser delegado sindical por considerar ser uma função bastante estimulante, onde se pode interagir nos vários sectores da sociedade, mais concretamente na área laboral. É necessário que os trabalhadores sejam informados dos seus direitos e deveres, resultando daí um melhor profissional, contribuindo também para a sua formação;

2. O objectivo primário de um sindicato deve passar pela honestidade da informação a prestar ao trabalhador e contribuir para o seu desenvolvimento, assim como preservar a paz social na empresa;

3. Destaco um, que por vezes se exprime na criação de instabilidade laboral no interior das empresas, menosprezando o posto de trabalho de cada trabalhador, querendo somente o aproveitamento político do voto eleitoral;

4. A justificação para o decréscimo de trabalhadores sindicalizados deve-se ao facto de os sindicatos não se actualizarem nas políticas laborais. A negociação entre empresas e sindicatos tem que ser feita na base do diálogo, cedências de ambas as partes e nunca esquecer que é o posto de trabalho que está em causa. Os bons acordos de trabalho por vezes não são aqueles que contemplam questões monetárias, mas sim direitos adquiridos.

As respostas obtidas permitem perceber que para este trabalhador e sindicalista os pontos mais importantes da sua acção são a colaboração e prestação de informação relevante aos trabalhadores e a conservação dos postos de trabalho, utilizando sempre o diálogo como ferramenta que permite ultrapassar impasses e melhorar relações, não esquecendo o equilibro entre as exigências dos trabalhadores e empresas.

Como se pode notar no ponto 4, a análise justificativa do decréscimo de sindicalizados alude a falhas internas dos processos actuação dos sindicatos, como seria previsível numa opinião de uma pessoa que exerce uma função sindical. Não obstante, é curioso o entrevistado não ter elaborada a sua resposta e referido outros factores estruturais e conjunturais.

Auto avaliação de um sindicato

Ouvida a voz de um sindicalista considerámos relevante conhecer um pouco de uma auto-avaliação da acção de um sindicato.

O Sindicato da Construção, Obras Públicas e Serviços afins, por ocasião do seu VI Congresso, com o mote “Pelo Emprego e Protecção Social”, refere, a certa altura, no Relatório do Secretariado Nacional, alguns pontos de natureza menos positiva da sua acção enquanto sindicato:

· Falta de quadros sindicais adequadamente formados e enquadrados em cada Empresa dos Sectores de Actividade que representam;

· Dificuldade em fazer passar a informação estratégica global, definida no actual contexto social, em que se enfrentam enormes ataques aos direitos conquistados pela via negocial;

· Prática de comunicação e informação com lacunas no que respeita ao conteúdo, mas sobretudo quanto à oportunidade;

· Acção negocial com o patronato ligada, quase exclusivamente, aos momentos formais da negociação dos Contratos Colectivos de Trabalho, Acordos Colectivos de Trabalho e AE’s, apesar de ter havido evolução positiva nos últimos anos, em virtude de iniciativas do sindicato, no sentido de suscitar questões pertinentes para discussão informal;

· Participação insuficiente, no que respeita a horas de formação de quadros sindicais, muitas vezes por indisponibilidade ou incompatibilidade impostos pelo horário de trabalho; e

· Excessiva parcimónia de representantes sindicais que, por vezes, não veiculam para o Secretariado as reclamações e preocupações dos seus colegas das Empresas.

Existem, portanto, pontos de referência de melhoramento da acção sindical que este sindicato julga pertinentes e que dizem respeito à acção negocial e à qualidade dos quadros sindicais. Mais uma vez tem-se uma perspectiva única e concretizada pela análise da acção operacional dos factores que contribuem para menores níveis de sindicalização.

Conclusão

Os níveis de sindicalização são voláteis e dependentes de vários factores, uns extrínsecos aos sindicatos e outros decorrentes da qualidade da sua própria acção. A interdependência entre estes factores traduz um quadro muito complexo, o que coloca um esforço imenso na diferenciação da potência de cada factor.

Como é possível constatar neste trabalho, existem falhas nos processos e nas estruturas e mudanças rápidas de ordem qualitativa e quantitativa nas sociedades dos países ditos desenvolvidos que colocam em xeque a actuação dos sindicatos. Muitas vezes se ouve dizer que muitos sindicatos e sindicalistas ficaram presos nas lutas do passado. Talvez esse seja um relato lúcido, levando a pensar que a sua implosão resulta da incapacidade de se mudarem e de se adaptarem aos novos paradigmas. Todavia, talvez esta conclusão seja errada em muitos contextos, dada a multiplicidade e as diferenças qualitativas dos contextos que se analisam. Irrefutável será dizer que de facto o Mundo mudou muito, como é possível perceber de forma óbvia.

Concluindo, dever-se-á referir que o alcance deste trabalho não assegura uma explanação exaustiva dos factores que foram aflorados. Permitiu, porém, um debate inclusivo de várias vozes válidas sobre o tema em assunto e uma reflexão sobre as múltiplas causas da menor sindicalização.

12.01.2008

God is in Dostoevsky

dostoevsky 

Todos somos responsáveis de tudo, perante todos.

O lúcido António Coimbra de Matos sobre o “Dr.”, “Engº” e afins

Entrevistador: E esse acesso deve ser notório. Há pessoas que precisam que todos saibam do poder de que estão investidas.

António Coimbra de Matos: Há uns anos, tinha consultório na Rua Padre António Vieira; vivia pior, não tinha secretária e ia eu ao banco fazer as minhas contas. Um colega meu era também cliente desse banco. Uma vez, o gerente disse-me que o meu colega era muito esquisito e que tinha feito um pé-de-vento porque queria que pusessem nos cheques “Professor Doutor”. Não lhe chegava o nome.

Entrevistador: O que quer isso dizer?

António Coimbra de Matos: A gente chama a isto identidade de papel. Se me sinto bem como sou, basta-me ser o Coimbra de Matos. Se não me sinto bem como sou, agarro-me aos títulos: sou director, sou professor….É uma identidade de papel que compõe a minha identidade pessoal.

Identidade de papel é, de facto, uma expressão feliz para mostrar como se constrõem fortunas de poder com castelos de fumo. E assim, infelizmente, se vive em Portugal.

Entrevista lida no Jornal de Negócios (28/11/2008)

11.30.2008

O Eu que ficou lá atrás

RIC17

Sintomas

As relações por vezes azedam e tornam azedas as pessoas e aquilo que as une. O que afasta torna-se negro e os seus olhares tristes pela amargura de se terem que chatear.

As falhas de comunicação e os espinhos que crescem na inexactidão dos factos leva a que as pessoas deixem de responder a partir das acções que ocorrem e passem a responder através do quadro fusco e impreciso na mescla de sentimentos, pensamentos, projecções futuras e sensações.

É triste vê-los assim. E é difícil perceber os limites da razoabilidade de cada movimento. Ambos se amam e ambos se desentendem pela amargura que criam um ao outro. Não se ama com pré-condições de análise e de relacionamento.

O Amor implica despirmos o orgulho e colocá-lo no espaço que ambos calcam, dando espaço a que a carne crua das acções seja aceite por pensamentos igualmente livres de gordura pouco saudável.

Amar é criar consensos que estanquem a perversidade dos movimentos relacionais insustentáveis. É fazer rewind e compreender o que ficou mal gravado e substituir esses pedaços de incompreensão por discussão activa das posições de cada um.

Comunicar é difícil e mais difícil é quando se define através uma história cheia de contornos sinuosos, agrestes, podres.

Parar. Colar substitutos de incompreensão com entendimentos calmos e esclarecedores.

Amar é, por isso, também parar, olhar nos olhos do Outro e perceber que aquilo que se guarda no olhar pode não conter exactamente o que pensamos, dizemos, o que temos medo de dizer e aquilo que gostariamos de dizer.

Amar significa parar para abraçar a totalidade da amargura e da felicidade perdida.

11.28.2008

...

Portugal é uma comédia para quem pensa e uma tragédia para quem sente.

By Horace Walpole

Just an advice

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