Showing posts with label Canadá. Show all posts
Showing posts with label Canadá. Show all posts

3.14.2013

A pedir numa rua de uma cidade canadiana

Hoje vi um senhor com cartaz, a pedir. A pedir numa das ruas principais de Kingston, no Canadá. A pedir. Não é o primeiro, não será o último. Se fechasse bem os olhos, diria que estava algures num país pobre ou mais pobre do que o Canadá. Afinal de contas, todos os indicadores apresentam melhorias significativas relativamente ao ano passado, crescimento económico, qualidade de vida, enfim, basta olhar para eles.

Contudo, cada vez mais me apercebo da elevada disfuncionalidade que grassa nesta sociedade. Uma camada rasteirinha, que vive de subsídios e completamente encostada ao chão, totalmente ausente da sociedade. Uma classe média baixa que vive de part-time toda uma vida ou ainda um grupo de pessoas que fazem dos trabalhos relief, que mais não são do que trabalho temporário com uma pitada de fantasia, o auxílio para as despesas. Dessa forma, aniquilados numa qualidade de vida reservada a grupos da sociedade que fazem o seu trabalho das 8 às 5, sobrevivem. Fazem aleluia a um país fantástico. Por necessidade, por quererem acreditar, por não poderem mudar. Um sinal, importante.

2.20.2013

Brain-storm! 20-02-2013

Governo já espera recessão de 2% e mais um ano para cumprir défice
Por vezes parece que isto não passa tudo de um mero exercício académico. A famosa espiral?

Antes o Relvas que tais selvas

O Relvas já deveria ter saído há muito mas o insulto fácil e obviamente deslocado (fascista?), em situações em que se poderiam colocar perguntas importantes, não é, sem dúvida, a melhor forma de mostrar o descontentamento.

Deadbeat nation

Nearly half of Canadian provinces had to be bailed out in the 1930s. Ottawa has since introduced transfer and equalization payments to the provinces, but that hasn’t kept their finances stable, nor does it mean the federal government won’t feel obliged to bail them out.

Hum... Interessante. 

2.09.2013

Canadá, Portugal e o comunismo: uma interrogação

comunism


Por mais que me tentem explicar a razoabilidade da narrativa do Partido Comunista Português (PCP), eu juro que não percebo como é que neste momento da história ainda vivem encapsulados numa prisão de vidro. Poderei dizer o mesmo da CGTP. A existência destas organizações fez sentido mas a sua ação atual é um autêntico anacronismo.

Poderíamos pensar que só em Portugal é que existe um partido comunista, sinal do nosso atraso de desenvolvimento. Acontece que tal não é verdade, como seria expectável.

Por motivos óbvios, vou centrar-me no Canadá e no seu partido comunista e no PCP.

O Partido Comunista Canadiano afirma no seu ponto primeiro:
Down through the ages, working people have dreamed of a world of freedom and equality, an end to exploitation and misery. Throughout the twentieth century, millions of people around the world rallied to the cause of socialism. Today, big business and its boosters maintain that socialism is finished, that human  development has ended, and that capitalism will endure forever.
O Partido Comunista Português afirma também no primeiro ponto do seu programa:
O Partido Comunista Português, partido político da classe operária e de todos os trabalhadores, inteiramente ao serviço do povo português e de Portugal, tem como objectivos supremos a construção do socialismo e do comunismo – de uma sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem, da opressão, desigualdades, injustiças e flagelos sociais, sociedade em que o desenvolvimento das forças produtivas, o progresso científico e tecnológico e o aprofundamento da democracia económica, social, política e cultural assegurarão aos trabalhadores e ao povo liberdade, igualdade, elevadas condições de vida, cultura, um ambiente ecologicamente equilibrado e respeito pelo ser humano.
Como sempre, na melhor tradição portuguesa, está tudo aqui, incluindo o socialismo, o comunismo, a libertação da opressão feito pelo homem e a promoção da ciência, tecnologia, cultura e ambiente. Mais completo seria impossível.

Sendo que o Partido Comunista Canadiano apresenta-se sozinho às eleições, constatamos que nos primeiros 5 mais votados não há sinais deles. Os Verdes canadianos estão lá, mas não os comunistas. Interessante seria analisar se as diferenças dos partidos verdes dos dois países são muito significativas. Julgo que sim, daí o PCP se unir aos Os Verdes nas eleições em Portugal.

O Partido Comunista Português nas últimas eleições ficou em penúltimo lugar, associando-se aos Verdes, numa votação de 7.90%. Ora, Partido Comunista Canadiano mais Verdes canadianos obtiveram nas últimas eleições uma percentagem de 3.93%, 3.91% dos verdes mais 0.02% dos comunistas.

Sendo Os Verdes portugueses uma mera extenção do PCP em termos ideológicos, infelizmente, 7.90% do PCP+Verdes é cerca do dobro do Partido Comunista Canadiano mais Verdes canadianos.

A minha questão ingénua é: o que quererá isto dizer? e terá alguma significado?

Diferenças entre Portugal e o Canadá: a sociedade revisitada (2)


Num texto anterior descrevi como existem muitas semelhanças entre Portugal e o Canadá ao nível da contestação social e uma diferença significativa ao nível da criação de inteligibilidade do assunto em questão.

O caso particular prende-se com uma disputa entre os sindicatos de professores da província de Ontário e o governo. Os novos desenvolvimentos sobre este caso indicam que o governo poderá multar os sindicatos e os professores se estes desobedecerem ao governo.
If the government’s application to block job action is approved and teachers still defy the order, shuttering elementary schools for the second time this academic year on Friday, the government can take the matter to court. Teachers could be found in contempt of court, or the union could be fined $25,000 and individual teachers $2,000 – on top of being docked regular wages – for each day of illegal strike action, a government official said.
Mais uma vez questiono se aquilo que aconteceria em Portugal seria muito diferente, tanto ao nível dos sindicatos como dos governos. A contestação seria muito semelhante, é certo, mas será que o governo ousaria ameaçar multas? Tenho muitas dúvidas.

Por outro lado, e focando a forma como sociedade avalia este tipo de questões, o que temos é uma análise muito crítica por parte dos professores e sindicatos sobre as medidas do governo e uma perceção razoavelmente expectante da sociedade. Noto, por outro lado, a ausência de referências a pedidos de demissão do executivo. Isto, para mim, é estranho.

Por último, e reforçando um dos aspetos mais importantes neste tipo de casos, é a forma como eles criam sentido do problema. Mais uma vez repito, o país e a província parecem sair razoavelmente incólumes deste conflito, assim como o sistema educativo.

Estou em crer que a amplificação em Portugal, na cacofonia da comunicação social e comentadores, traria um conflito semelhante para resultados mais graves.

Diferenças entre Portugal e o Canadá: a sociedade e as suas narrativas


As sociedades vivem organizadas em torno de narrativas e significados que estão imbuídos nas nossas práticas discursivas. A nossa cultura é um processo em eterna construção. A realidade é negociada constantemente.

Serve esta breve introdução para deixar um tópico de reflexão.

Se pensarmos que o BPN e os problemas que daí decorreram foram resultado de atividades criminosas, e se nos focarmos na banca dita saudável, que age dentro da lei, então temos uma análise curiosa.
Nenhum banco português aparece na lista dos 50 bancos mais seguros do Mundo. Tão simples quanto isso. Na mesma lista, vários bancos canadianos aparecem como sendo dos mais seguros. Aliás, tão seguros que:

Moody’s is calling Canada’s bank sector the soundest in the world and a safe haven for investors in a report that also gives the federal government high marks.

Portugal e os bancos portugueses certamente que não têm essa qualificação.

Agora o mais interessante é que entre 2008 e 2010 os bancos canadianos receberam 114 biliões de dólares. Qualquer coisa como 50% do PIB Português. Estão a seguir?

Curioso é saber que este apoio do governo aos bancos teve a designação de apoio de liquidez. Lembram-se da designação europeia? Bailout. Menos simpática, não é? Para além disso, 12 biliões foi o valor que foi destinado no bailout Português para acudir aos bancos. Alguns bancos utilizaram esse dinheiro, outros não.

Ora bem, a notícia (aqui e aqui) refere que:

From October 2008 until June 2010 Canada's banks received over $114 billion from the government - which means from us, the tax payers. But the government didn’t bother telling us that this money came from us. In fact, every man, woman, and child paid over $3,400 to cover the cost. The media never makes this clear either which leads to an ignorant public.

In the U.S. and the rest of the world this is called a bank bailout. In Canada it’s called “liquidity support.” Whatever pleasant word you use, it doesn’t change the fact that the public once again has to pay for private profits.

What is especially scandalous is that during the year-and-a-half bailout period, the banks made an incredible $27 billion in profits and CEO compensation increased 19 per cent.

In fact, Canada gave CIBC, BMO, and Scotiabank more money than their actual worth. That means Canada could have bought the failing banks, changed their backwards policies, and shared the profits with all the taxpayers.

O mais engraçado, se pensarmos nos valores em percentagem do PIB alcançamos um valor superior para os bancos canadianos do que para os bancos portugueses...

Mais uma vez, encontramos diferenças substanciais entre os dois países ao nível da substância? Não parece. Ao nível da narrativa? Completamente.

Ah grande Pessa, e esta hein?

Diferenças entre Portugal e o Canadá: a sociedade revisitada


O meu texto anterior suscitou algumas reações interessantes. Como os leitores não participaram no meu processo de escrita, pelo menos materialmente*, tenho que confessar que talvez tenha sido pouco claro.

Conhecidos vários indicadores internacionais em que o Canadá apresenta um nível de desenvolvimento humano superior ao de Portugal, incluindo a literacia e a educação como factores analisados, julguei interessante questionar uma pergunta feita num espaço de debate na CBC News. Neste canal, a questão que se colocava era se os professores de Ontário tinham direito à greve.

Bem, fiquei estupefacto por constatar que o principal canal de notícias no Canadá estava a colocar uma pergunta tão...estranha. Acho que não há dúvidas em afirmar que se trata de uma questão sem sentido.
Claro que as pessoas têm direito à greve, claro que as pessoas têm direitos e responsabilidades, assim como deveres. Portanto, que raio de pergunta era aquela? Afinal, não seria uma pergunta que faria mais sentido num suposto país menos desenvolvido como Portugal? Por que motivo fez sentido colocar esta questão?

Fui pesquisar. O problema é antigo. Decorre uma discussão há cerca de 1 ano, que versa uma série de conflitos entre o governo da província e os sindicatos dos professores. Curiosamente, muitos alunos e encarregados de educação juntaram-se aos professores, assumindo uma única voz na oposição às medidas do governo.

Por último, a discussão durou 1 ano e não houve acordo. As pessoas concordaram em discordar, revoltaram-se contra o governo liberal (não se pode dizer que um governo é Socialista nestas terras, assim como no USA), os sindicatos estão a preparar novas greves e o governo vai autorizá-las.
Resumindo: não seria de esperar que este tipo de perguntas surgisse num país supostamente menos desenvolvido e não no Canadá?

Por outro lado, note-se como este problema não afeta o país ou a província como um todo, circunscrevendo-se apenas ao conflito em questão. Não há expedientes laterais, análises rocambolescas, previsões cataclísmicas. Há um problema que não tem sido possível resolver.

Nota lateral, os sindicatos dos portos e o governo Português discutem há vários meses questões semelhantes. Os resultados parecem ser francamente mais positivos.

Ou seja, afinal será que este caso permite inferir algo sobre as diferenças entre as sociedades Portuguesa e Canadiana? Provavelmente não, provavelmente não será totalmente claro que as diferenças estejam aí.
Mais, apostaria sem dúvida na capacidade dos canadianos gerirem melhor o problema. Mas, será a minha premissa questionada se pensarmos na estupidez daquela pergunta? Ou será ainda mais interessante que aquela pergunta tenha sido contextualizada numa sequência de conflitos que duram há 1 ano? Fará sentido? O que diz sobre as diferenças ou semelhanças neste caso?

* numa perspetiva construcionista social não seria bem assim ou, se quisermos, numa perspetiva dialógica de construção da realidade.

As diferenças entre Portugal e o Canadá: a sociedade

IMG_20130103_171116

A pergunta é: should teachers have the right to strike?

Em português será qualquer coisa como: será que os professores têm direito a fazer greve? Esta questão tem sido colocada a propósito de um diferendo entre a província de Ontário e as suas restrições financeiras e os sindicatos de professores e as suas progressões na carreira, autonomia, entre outras questões.

Bem, na perspetiva dos sindicatos e dos professores, não se trata de uma questão de dinheiro mas de perda de autonomia e de direitos. Para comunicarem os seus argumentos, criaram este site intitulado FightBill115.ca.

Este exemplo vem a propósito de uma das diferenças entre Portugal e o Canadá: a forma como a comunicação social e os sindicatos agem no contexto da sociedade e as consequências que daí decorrem.
Quando em Portugal se pensa em cacofonia sem controlo, pensa-se na amplificação da comunicação social. Não há dia nas notícias portuguesas em que não esteja um político ou um comentador omnisciente, capaz de desvendar os mais ínfimos pormenores de um discurso ou a antecipar cenários de A a Z.

Existe também um aparente mas paradoxal benefício desta situação, muita transparência das mensagens que são veiculadas, mas não necessariamente do conteúdo. Isto significa que uma notícia deste tipo em Portugal suporia a existência de uma revolta nacional, com alusão à Constituição da República e ao suposto atraso de Portugal e os incompetentes dos seus governantes. Qualquer coisa assim. Talvez se aludisse a Salazar e à falta de liberdade e às pressões inadmissíveis sobre os professores. Mais, como esta questão resulta de questões de natureza financeira, talvez se afirmasse que o governo era uma cambada de neoliberais ao serviço da sra. Merkel. Enfim, a mesma lenga-lenga do costume.

A verdade no entanto, e com as devidas diferenças históricas, é que as semelhanças são muitas.  Vejamos o que o presidente do sindicato dos professores do ensino secundário de Ontário afirma sobre esta famosa lei 115 de congelamento dos salários e perda de autonomia das escolas.

Ken Coran, President of OSSTF/FEESO questioned, “How can the government claim on one hand, that the education workers of Ontario, along with many other workers in this province, must have their wages and benefits cut drastically, yet, on the other hand, is willing to forgive over a billion dollars in mainly business and corporate taxes?”   

Hum...onde é que eu já ouvi isto?

Ou então:

"This government would appear to have two major priorities these days; to demonize education sector workers by blaming them for the province’s budget challenges, and to forgive businesses and corporations for not paying over a billion dollars in unpaid taxes. I think it is safe to say that while these may be government priorities, these are not the priorities of most Ontarians,” concluded Coran.
Interessante, não é?

No artigo de jornal referido atrás refere-se que:

Teachers occupy a special rung on the public-sector ladder. Many play heroic roles in motivating and inspiring children to become their best selves, and they deserve to be well compensated.
Hum...Quem é que eu já ouvi a dizer isto?

E ao afinal de 1 ano parece que não chegaram a acordo. 1 ano? 1 ano! O governo da província acabou por afirmar a sua autoridade e decidiu o que achou melhor. Claro, os sindicatos e os professores não ficaram contentes.

Imaginemos o que aconteceria em Portugal se ao final de 1 ano não houvesse um acordo entre o governo e os sindicatos...Eu sei: o governo já teria caído.

Resumindo, as diferenças parecem ser muito poucas e caracterizadas apenas por uma maior tendência de amplificação do caos, tão singular da sociedade portuguesa. Aqui é um problema do governo e dos sindicatos. O país e a província permanecem intactos, o Primeiro-Ministro contínua a dizer que o Canadá é o melhor país do Mundo, o povo continua a adorar a sua terra.
Afinal, os professores têm direito a fazer greve...?

À Fernando Pessa, e esta hein?

Portugal visto de fora


Num texto anterior terminava com uma questão muito simples: será que viver fora permitirá uma análise mais completa do que impede Portugal de se transformar?

A minha resposta é sim, absolutamente.

Viver fora de Portugal não implica um divórcio completo relativamente ao país ou, como alguns energúmenos afirmam, uma traição à pátria. Aliás, esse tipo de comentários é apenas um sinal da disfuncionalidade a que por vezes, e de forma simplista, confesso, refiro de esquizofrenia coletiva. Mas adiante, comentário à parte, a minha resposta afirmativa baseia-se em simples argumentos.

Estar fora de Portugal não implica estar fora de Portugal. Confuso? Apesar de viver no Canadá, estou perfeitamente ciente do passado, tanto da minha vida em Portugal como dos acontecimentos que lá ocorrem.

Por outro lado, o facto de viver cá coloca-me num processo de transição e desafio constantes, que infiltram constantemente as minhas reflexões sobre Portugal. A todo o momento estou a ser interpelado por uma cultura diferente, signos distintos, inteligibilidades singulares, questões diversas. Nesta interface que me coloca entre um mar revolto de adaptação e a acalmia confortável das minhas origens, brota uma percepção singular da forma como olho para Portugal.

Na perspetiva que apresento, olhar de fora para Portugal permite observar as similaridades e as variações de grau e, noutro ângulo, as diferenças que decorrem dessas variações ou a novidade que se assume como diferença.

Para não maçar o leitor, introduzo apenas uma destas comparações, que aprofundarei num texto vindouro.

As pessoas. É praticamente lugar comum afirmar que os portugueses são simpáticos e afáveis. Na minha opinião, não é bem assim ou, pelo menos, não é totalmente correto. Julgo que intensos ou emocionalmente mais exuberantes servirão melhor esse propósito.

Os canadianos que tenho conhecido são muito simpáticos e afáveis, mas muito menos intensos ou expressivos. Mantêm uma distância afetiva muito mais pronunciada do que os portugueses. A este propósito conto uma estória sempre interessante sobre o feedback da minha atividade de voluntariado com miúdos expulsos da escola. Comunicaram-me que deveria manter maior distância física na relação com os miúdos.

Como é óbvio, trata-se de uma questão cultural, de gestão de zonas de conforto. Curiosamente, nunca senti nenhuma reação não verbal por parte dos miúdos que me fizesse pensar dessa forma.
Noutra perspetiva, a altivez que muitas vezes se traduz numa manifestação similar a uma sociedade de castas - sr. Engenheiro, qual é a sua opinião sobre o discurso do primeiro-ministro? - não é muito frequente aqui. As pessoas tendem a ser menos formais e rígidas e, por esse motivo, menos preocupadas com o status quo.

Este é apenas um exemplo de como estar fora permite olhar-nos a nós próprios não apenas pelo prisma da comparação de duas realidades distintas mas, e principalmente, analisar em que situações é que as diferenças que se assumem negativas são vistas na sua vertente positiva.

A comparação que faço aqui não é apenas um exercício voluntário mas uma consequência natural do processo de adaptação. Nesse sentido, o resultado é espontâneo e pouco laborioso.

Portugal é muito mais do que as narrativas dominantes na sociedade portuguesa; pelo contrário, irei tentar demonstrar que é nesta diferença que deveremos identificar aquilo em que somos bons e os aspetos que devemos melhorar.

Como não tenho poder para mudar nada substancial, cinjo-me a pensar sobre como poderíamos ser melhores como sociedade. Afinal, estar fora não significa um abandono relativamente a Portugal. Muito pelo contrário.

Thinking about immigration? Be sincere.


Most of the times you think about going abroad because there you will have better x, y and z. Better jobs, better pay, better prospects, better life. The range of dreams and ingenuities that you pack in such a big transition are often beyond reasonable explanation. The question is, can it be any different?

You need change, we need change. Why can’t you simply state, I just want to know what is like to live outside the bird nest?

Well, because most of the times people won’t accept that, you can't accept that. They/you need valid explanations, according to their/your standards, for such a decision. Saying that I want to experience what it is like to immerse in a different culture and challenge myself to meet this greater challenge is seen by many as a sign of immaturity. The question, does it count? Is it important? Maybe not or maybe such opinions will keep frightening you and stopping you from living your dreams.

I had the luck to have the full support of my family. Without it, I confess, I couldn't probably make it. Weird? No, just sincere.

So, we get to my first tip for someone considering moving abroad: be sincere. With yourself. Plans may fail, expectations may not be met, but you were sincere. That counts. That is important. Very important.

Canada vs Portugal: differences on the job market in 2 words


Very different. There you go. A lot. Muito.

Three examples and a half:
  • The person that I work with at one of my jobs was a vice principal, quit, became a program facilitator and is now done with her registration to work as a massage therapist.
  • I have 3 part-times. Huh? Yes.
  • References are HUGE! Meaning, better do good at your workplace or getting a reference will be hard. Now you get why volunteering is so important here. Not only because of the money but because it gives you...you got it!
Any questions? Don’t hesitate to ask!

Being an immigrant: from abstraction to reality

Notes about immigration. 

Immigration is a process that happens for many reasons, not ruled by a single element or outcome. The first glimpse of thought can derive from a very specific aspiration or need to change, but the process of becoming an immigrant is far more complex.

From my point of view, immigration was always an opportunity to experience a whole world, with all that entails. It was an opportunity to live a very demanding challenge and getting to know a portion of the unknown. From the beginning, it’s nothing but an abstraction of a life with certain and limited experiences.

Abstractions have the power to oversimplify projected complex living experiences into some very narrow blocks of meaning. Obviously, those are not isolated silos that don’t communicate with the inevitable, YOU and the WORLD.

Linking an oversaturated emotional and cognitive exercise, like that of questioning the specificities of the culture where you live, in my case, Portugal, and diving into action, is a difficult endeavour. Reality smashes you in the face with all the details. As they say, the devil is...you know.

It all starts when you try to give form to the abstraction. Why leaving? Which country? How can I do it? When should I go? How’s it going to be there? Am I prepared? What should I take? How long will I stay? What happens if I don’t like it? Am I ruining everything? Am I being naive? Will it be worthwhile? Am I coming back? How’s going to be there compared to here?

For this first post, I’ll try just to answer these questions, as they give structure to the reasons that made me consider a new experience abroad.
  • Why leaving?
For many reasons. First, I always wanted to experience how’s it like to live in a significantly different country, one considered to be much *better* than Portugal. Better here means quality of life, education, etc.
Also, I have very strong opinions about how the Portuguese society works and the causes of its apparent underdevelopment, when compared to other countries in Europe, Oceania or North America, for example.
Having the experience of analyzing Portugal from a privileged outsider position, trying to understand what are the dynamics that cause this current state of affairs, was a big driver of change for me.
I think in Portugal we live a permanent flow of insanity, one that gently reminds us of schizophrenia. Our delusions, disordered thoughts or, on the other hand, an apparent anhedonia and avolition to change, are our ever present stumbling blocks. I wanted to understand that.
  • Which country?
Having visited Canada several times before and knowing of its natural beauty and famous quality of life, as well as the fact of having friends here, helped me to make the decision. Additionally, Europe was/is going through rough times and I didn’t know anyone there that could give me a hand.
  • How can I do it?
Keep in mind, coming to Canada is not an easy thing to do. I’m a permanent resident here because I was approved successfully in the Federal Skilled Worker program for the national occupation list 4151, Psychologists. Also, it takes money. Substantial sums.
My advice would be to get all the information necessary and deciding on which aspects are more important for you. Europe is definitely a more easy alternative of immigration. All the hassle of documents and visas are a no go for many that want to immigrate to other regions outside Europe.
  • When should I go?
There is a never a perfect time to do it. It’s inevitable that many tears will be shed, many laughs will be heard, regret will show in every corner. I assume that you should go when the practical conditions are met. An advice though, plan it with enough time.
  • How’s it going to be there?
You really don’t know. It’s unexpected. You need to understand that in order to better adjust to change. It has been a really interesting experience, full of positive moments but also difficult challenges. Do you think you’re fluent in English? Think again. Do you think cultural differences are beautiful? Not always. Do you think that people will love to hear about your work experience and your degrees will make the difference? Probably not. Be prepared to work in a job not entirely related to your education or experience. Build from there, for it’s a foot in the door.
  • Am I prepared?
Prepare yourself but keep in mind that it’s never really possible to be prepared.
  • What should I take?
To put it bluntly, everything that is essential. The definition of essential varies considerably. Clothes, some books, my computer.
  • How long will I stay?
You don’t know. You will have to find out. You will find the answer while you’re living the challenge.
  • What happens if I don’t like it?
You change. Again. That’s not a problem. Don’t worry. Life is change. Life is beautiful and change is inevitable. One thing, though. Not liking is very important, as loving it is great. They are experiences, they are lessons, they are consequences of living. It’s not because you change that everything will be perfect, but it’s also not because you’re not open to change that everything will be wonderful. There are pros and cons, and remember, it’s life enriching.
  • Am I ruining everything?
Hardly. What’s your definition? What were your goals? I don’t think so. Not enjoying the experience or considering that it wasn’t the best experience in the world, is just as valid as liking it. You learn, you grow, you experience.
  • Am I being naive?
It depends. Do you think it will be perfect? Think again. It’s not that different from living in your home country. There’s ups and downs, just like everywhere. Be realistic but open minded.
  • Will it be worthwhile?
Every person will have his or her opinion but what I can tell you is...yes. It’s a great experience. I have learned a lot in the past 5 months. I’ve met wonderful people, visited beautiful places, lived experiences of starting a life where everything is new and sometimes not very pleasant. Change is not a sea of roses but it’s not a road to hell, either. You have to be prepared to leave your comfort zone.
  • Will I miss family, friends, pets and the small things?
This one is obvious, at least for me. A LOT! Very, very much! You will miss everything and everyone that were very important for you and being abroad gives you different sense of what's really important in life.
  • Am I coming back?
Again, you don’t know but you will. Do you need to think about it all the time? You don’t. Is it important for you to know the answer now? No. Will you have to make a decision? Yes. Is it important? Definitely. But now? No.
  • Should I be embarrassed or feel guilt if I go back?
Why should you? You’re living an experience, what you fought for. Enjoy life and don’t feel guilt if you decide that it’s better to change. Again, it’s part of life and you will only know after being there.
  • How is it “there” compared to “here”?
A sea of differences but a lake of similarities.