4.29.2009

7º Encontro Volvo Clube de Portugal

Irá decorrer na sexta e sábado do corrente mês o 7º encontro nacional deste grupo de aficionados dos veículos Volvo.

As actividades do primeiro dia decorrerão na zona do Porto, sendo que no segundo dia mudam-se para terras mais para norte, em Braga.

Poderei dizer “apareçam” mas só para assistir. :P As inscrições estão fechadas. Para o ano há mais.

Visitem o forum neste endereço.

Esperam-se momentos agradáveis e interessantes de convívio! :)

Office 2007 sp2 is out

Microsoft finally released Office 2007 sp2. And this is great! Why? One of the many reasons is that Word now has the ability to open and save documents with the extension .odt, i.e., open document format. Isn’t this good news? Of course it is! :)

I think Microsoft will surprise us positively in the near future.   

4.28.2009

Age discrimination in Portugal's employment market

Age discrimination is a crime punished by European law. Nonetheless, many employers and employment agencies consider age limits in their jobs offers.
For example, look at this one (it is in Portuguese):

Perfil do candidato: - Desportista praticante;
-Disponibilidade geográfica no território português, e para viajar a nível internacional;
- Inglês, Francês falado e escrito (como factor preferencial);
- Formação técnica superior em engenharia civil ou de manutenção;
- Bom conhecimento dos códigos de construção e dos regulamentos de segurança contra incêndio;
- Conhecimento, ou experiência, do código de seguros;
- 25-30 Anos (years);
- Autónomo, com vontade de trabalhar em equipa;
- Enérgico, sorridente e dinâmico;
- Capacidade de liderança e iniciativa;
- Forte espírito de persistência;
- Rigoroso e organizado e integro;
- Pessoa de terreno;


Isn't this disrespectful? What's the purpose of a job offer? Isn't it to find the best applicant for the vacancy? Couldn't he or she be 24 or 32, or 45?
Worst, why does this happens? Where's the supervision? Where are the moral grounds? Where is respect?

You could say that they could make this infringement even implicitly, when doing the curriculum triage. Yes, and that happens. But we have to make small and ethical steps and make people accountable for their actions.

There is an obscure world of prejudice and incompetency in recruitment and selection.
No one cares...
And no one gives a shit...

Smart Installer App

Have you ever come that point where you hadn't the necessary patience to look for every software application that you need to install after a clean OS install?
Well, Smart Installer makes thing easy, making a nice package of common and useful software tools.

They are all free and really useful.

Portugal's PIB per capita decline

Looks like this crisis will bring Portugal's PIB to the bottom of the advanced economies league. Why isn't this a surprise to me?
From the 18th position to the 33th. If Portugal doesn't grow above 2% in the coming years it will become one more poor country. The sentence is here to be questioned. Let's wait and see.

4.27.2009

I’m here…

…waiting for myself to act; seeing the grass growing;

…waiting to be; seeing their feelings colors change;

…waiting to find me; seeing all the me’s in us;

…waiting for me when I was that me in the picture; seeing life ahead.

…waiting for my finger to finish this phrase. 

4.24.2009

24 de Abril de 2009

A liberdade é agora.

Why are we so…sad?

Galop World Poll _ Life Satisfaction

Portuguese people are known by their appeal to fado and saudade..But why contaminate the whole life with these metaphorical elements? Why live like a broken leave, waiting to be rescued by some savior with large smiles and bold goals? Or, is it just because society is sick and democracy fragile?

Wrong, or partially wrong. There are also defined obstacles to this lack of happiness, or should say sadness? I don’t want to repeat the diagnostic.

4.19.2009

Dicas para uma condução económica

Retirado da Revista Turbo:

DICAS para uma condução económica

Evite acelerações bruscas.
Pise o acelerador com suavidade. Pode poupar 2 litros aos 100 quilómetros.

Se parar o carro por mais de 30 segundos, desligue o motor. Alguns construtores oferecem sistemas que fazem isto automaticamente. Consegue-se poupar uma média de 1 litro e reduzir com algum significado as emissões de CO2.

Conduzir com os pneus abaixo da pressão normal exige mais esforço e consumos mais altos. Para ter uma ideia, 0,3 bar a menos significam mais 3% em consumo. Para além das questões de segurança e de um desgaste prematuro dos pneus, é aconselhável que verificar regularmente a pressão dos pneus (Com o carro carregado, aumente a pressão).

As dimensões dos pneus influenciam muito os consumos. Pneus desnecessariamente largos podem aumentar o consumo em quase 1 litro

Utilize o computador de bordo. Controlará não só o consumo médio, mas também o instantâneo e a autonomia, ajudando-o a ter uma condução bastante mais económica.
A poupança pode ir até aos 2 litros aos 100 quilómetros, conforme as circunstâncias.

Utilize o programador de velocidade, ou cruise control. Ajuda a gerir melhor o rendimento do motor e da caixa de velocidades.
Acredite que a electrónica cumpre neste caso muito melhor essa tarefa do que o pé direito mais treinado.


Use um GPS. Permite-lhe escolher o caminho mais curto, além de ter implicações positivas para a segurança. Os portáteis são os mais versáteis.

Atenção ao peso. Tire da bagageira aqueles objectos que andam sempre lá, mas que não servem para nada. O aumento da relação peso/potência faz crescer o consumo, além de alterar o comportamento do carro.
Por cada 100 quilos a mais pode gastar mais 1 litro de combustível aos 100 quilómetros. Ao fim de 15 mil quilómetros ou um ano, isso representa 150 litros de combustível e 24 kg de CO2 gastos desnecessariamente.

Evite a carga exterior.
Bicicletas e outros objectos no tejadilho aumentam facilmente o consumo em 1 litro ou mais. Quando não levar as bicicletas, retire também as barras.

Evite trajectos curtos, 25% dos trajectos urbanos não chegam aos 3 quilómetros. Evite o carro nessas circunstâncias, indo a pé ou de bicicleta. Poupará combustível e cuidará da sua saúde.

Controle a velocidade.
Quanto mais depressa andar mais gasta. Acima dos 120 km/h uma pequena variação da velocidade corresponde a um aumento exponencial do consumo. A poupança pode ultrapassar facilmente 1 litro aos 100 quilómetros.

Escolha o carro certo e não se deixe encantar com “modas”.
A decisão deve obedecer a vários factores, desde a lotação até ao percurso habitual.
Não compre mais carro que aquilo de que necessita.


Existirão muitas mais e estas porventura não serão novas, mas é sempre bom relembrar. ;)

4.09.2009

keep.me.natural

Válega is a small and undeveloped little town in the north cost of Portugal. It is habited mainly by farmers. It’s a rural area by definition with approximately 9000 inhabitants.

One of it’s hidden treasures is this place called “Cais do Puxadouro” or “Puxadouro’s* Peer”. It’s a nice and nearly untouched scenery, as you can see in this low quality photos.

DSC00408

DSC00410

Here it is in this satellite image from google maps:

CaisPuxadouroSat

* I can’t find a translation for this word. 

Enguias

E que tal umas enguias compradas na zona de Aveiro? Mnham, mnham! :)

DSC00397

4.06.2009

Bridges

..are put between us even when we are apart. They may lead to nowhere, apparently. They stand mute as we crawl the insurgence of dreams. They release dreams that are broken - one eye in each corner.
We are afraid of what we build, though the raw materials are composed by our senses and intertwined moves.
I'm only me because you are. You, anywhere, over there.

I like to think that this harmony lives but Nature doesn't care. It's only "worried" about the emergence of a natural mixing of preconceived rules and automatisms. So, Nature is this robotic organization of life, where I see life as all the things that are related to me, meaning everything in this paralel of though.

Harmony is therefore a mixing of unsettling facts that occur on Nature's automatic display, in a way that one personal identity and organization captures it as fluid.

Harmony if fluidity of oneself when peacefully sensitive to the connected dots of a mechanical and automatic Nature.

Parts of you and me






What are the touching points in these pictures?

What kind of frozen realities live in these pictures?

What's the humanity in them?

Who's dreams and horrors are represented here in these pictures?

Who took them?

Why these?

Here?

You?

I?

4.02.2009

Reflections

Have you reflected upon anything lately? Life? Death? Maybe the attitudes or behaviors of someone close to you? Emotions? Entrepreneurship? Love? Economy? Environment? Quality of life? Moving to a different country? Change your own?

Intelligent Agreement



I will make this synthesis: it seems that an intelligent approach has been made. Though, it could be seen as an empty positive agreement because of the complexity of the task. But I want to believe that with the shared leadership forces that Obama puts on the table, the recovery of a new shaped global economy will have a foot and then a trace. Let's hope that everyone works hard for the same purpose. And that includes really everyone.

3.25.2009

Ansiedade

...em poucas palavras pouco ou nada explicativas.

Não é nada mais do que uma linha cortada em vários locais, revestindo-se de uma incapacidade intermitente de comunicação na plateia interna. É uma luta entre "isto em mim que incontrolável" e um "eu fluído e pacífico". É uma projecção frágil num futuro que nunca chega, numa incerteza abominável.

Não é nada mais do que o latejar de um coração assustado com o desconhecido, com a incapacidade para controlar a própria fluência identitária.

É uma razão descontrolada, à procura de emoções controláveis, pese embora o absurdo da distinção. É um anacronismo existencial.

3.21.2009

Estátua da Liberdade - uma frase

Venham a mim os exaustos, os pobres, as massas desorientadas, ansiando por respirar liberdade.


Esta frase está gravada na base da estátua.

Poderosa.

3.20.2009

The President

This man is special. He is cool but analytic, humoured but serious, visionnaire but locally aware, loving but strict, disciplined but not boring.
He has the History in his hands. He is going to fail at some time, but he will be remembered for good reasons throughout time. No doubt about it.

Mr. President Obama.

3.19.2009

A prisão colorida

Corremos o risco de transformar a formação e alguns agentes educativos em castigadores profissionais, não (só) pela falta de qualidade das suas abordagens mas pela insuportável percepção de sufocamento das crianças.
Daniel Sampaio fala em armazéns de crianças, em vínculos frágeis, em sociedades disfuncionais.
Eu digo, abram os olhos! Todos!

Contra a escola-armazém


Daniel Sampaio


M erece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.

© Copyright PÚBLICO Comunicação Social SA

3.18.2009

Estratégia, endividamento, custos e investimentos - Entrevista a Abel Mateus

Portugal arrisca-se a ser um cheque sem cobertura por causa do endividamento
18.03.2009 - 09h12
Por Lurdes Ferreira
Miguel Madeira (arquivo)

Abel Mateus, lembra que "o benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica vair gerar"O ex-presidente da Autoridade da Concorrência, hoje a dar aulas na Universidade de Nova Iorque, afirma que a "lógica de fazer grandes projectos, porque vai gerar emprego, é uma lógica invertida".

O que pensa das análises que olham para Portugal como um dos países que ameaçam a integridade do euro?

Já há muitos sinais de problemas. O sinal muito claro foi dado pelas agências quando reduziram o rating da República Portuguesa, bem como de outros países do Sul da Europa e da Irlanda. O problema de restrição do financiamento externo é o mais importante e complicado da economia portuguesa, actualmente.

As estatísticas dão, para finais de 2008, 106 por cento de endividamento externo em relação ao PIB, a crescer entre oito a nove pontos percentuais do PIB ao ano. Isto altera radicalmente a situação como se analisa a economia portuguesa, porque já não se pode medir a evolução do bem-estar dos portugueses e do seu rendimento em termos do PIB.

Quando se diz que o PIB cresceu um ou 1,5 por cento, não é isso que cresce o rendimento dos portugueses, porque já temos de pagar muitos juros ao exterior. No período 2005-09, embora o crescimento médio do PIB tenha sido à volta de um por cento, em termos de rendimento nacional esteve estagnado.

O PIB deixou de ser um indicador adequado?

Deixou. Deve ser em função do rendimento, porque temos já uma taxa elevada de endividamento em relação ao exterior e pagamos muito mais juros ao exterior do que recebemos de aplicações.

Falta coragem aos políticos para olhar para esse problema?

Não sei. A Irlanda era um país que tinha crescimentos de 10 por cento ao ano, mas em termos de rendimento nacional era muito menor, porque muito desse crescimento era IDE e saía muito dinheiro por repatriação de lucros, mas eles estavam muito conscientes disso.

Portugal é um Estado falido?

Não. O que este indicador nos diz é que a evolução da economia está assente no endividamento. Se não houvesse esse endividamento não era possível atingir as taxas de investimento que temos atingido e nem era possível os níveis de consumo que temos. Para o futuro, ou se altera substancialmente o modelo ou vamos bater cada vez mais nesta restrição externa. Se está a subir oito por cento ao ano, passados 10 anos são mais 80 por cento em cima dos quase 110 por cento - que é a actual taxa de endividamento sobre o rendimento - que vamos atingir no final deste ano. Se batermos lá com a cabeça, vamos ter problemas sérios.

Somos um caso potencial islandês?

É muito diferente. A Islândia tinha, em 2006, um endividamento externo de 200 por cento do PIB, é um país pequeno, de 300 mil pessoas. Um dos grandes problemas é que esse endividamento foi resultado de uma série de bancos que se endividaram muito a comprar até cadeias de supermercado no estrangeiro e com investimentos de muito baixa rentabilidade. Uma das primeiras medidas da Islândia foi vender grande parte desses activos para reduzir a dívida. Não tem muito a ver com o que se está a passar com Portugal.

Como se mede, em termos concretos, esse risco de que fala?

O excesso de financiamento externo é devido ao facto de os agentes económicos, em particular as empresas e as famílias, estarem a um ritmo de endividamento elevado. E a origem de todas as crises financeiras é o sobreendividamento. É preciso visão suficiente para não chegar à situação em que se vai preencher o cheque mas não há lá dinheiro e não se pode levantar.

Esse é um problema para que, penso, não sou só eu, mas as agências de "rating", ao baixarem o "rating", se deve chamar a atenção.

Há também uma particularidade da economia portuguesa: olha-se para a dívida pública e diz-se que não é muito elevada, mas as empresas públicas financiam-se com crédito bancário e para muitos dos grandes projectos de investimento o Estado puxa as empresas através de project finance para obterem financiamentos bancários.

É dívida desorçamentada.

É preciso analisar o endividamento de toda a economia. Se eu passar a dívida de uns agentes para outros, isso não diminui a dívida.

Para si, o endividamento é o maior factor de preocupação?

A minha principal preocupação é que a economia se desenvolva, que se retome o crescimento em Portugal, e o problema é agravado por este endividamento.

Se crescermos nos próximos 10 anos ao mesmo ritmo que a UE - o que não tem acontecido -, a dois por cento ao ano, com estes níveis de crescimento de endividamento, a cada ano, estamos a comer meio ponto percentual ao PIB. Quer dizer que, daqui a 10 anos, estamos cinco pontos mais pobres do que a Europa e vamos regressar aos níveis com que entrámos para a CEE.

O que tem falhado?

Há um problema muito grave em Portugal nos últimos anos. Não há um documento estratégico, um pensamento estratégico. Há excelentes economistas portugueses, em universidades estrangeiras, que podiam colaborar para um documento desta natureza.

Os grandes projectos públicos de investimento não estimulam a economia?

Quando se constrói uma auto-estrada, um aeroporto, o que se pensa é que o benefício do projecto é todo o emprego e as matérias-primas que se empregam quando se vai construir. Ora, isto é o custo do projecto. Nenhum empresário vai fazer uma fábrica e dizer que o benefício de fazer a fábrica foi construí-la e colocar lá as máquinas.

O benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica depois vai gerar: vai vender e vai ter as suas receitas e os seus lucros. Esse rendimento líquido vai ter de pagar os custos. Esta lógica de fazer grandes projectos porque vai gerar emprego é uma lógica invertida. O que interessa é o rendimento adicional que se vai gerar em Portugal.

Não acredita no rendimento adicional do novo aeroporto?

É uma questão de bom senso. No novo aeroporto, coloco os custos de construção de um lado, do outro vejo se vou gerar rendimentos suficientes, porque há aqui um custo de oportunidade: esses recursos estão colocados no aeroporto, não caem do céu, e com esses recursos podia construir outras coisas, complexos turísticos, fábricas, escritórios etc.

Qual o rendimento gerado pelo novo aeroporto? O existente (Portela) está ainda longe de ter a capacidade totalmente utilizada. Se formos ao aeroporto de Heathrow, Londres, Chicago, há praticamente um avião a baixar de minuto a minuto e o movimento de Lisboa não tem qualquer comparação.

Uma professora do IST, que fez um estudo dos aeroportos europeus, concluiu que o aeroporto português podia aumentar a sua utilização à volta de 30 por cento se fosse eficientemente utilizado. Portanto, em primeiro lugar, temos de utilizar da melhor maneira possível o que temos. E daqui a quantos anos vai duplicar ou triplicar a procura dos serviços aeroportuários? Não sei, mas tenho muitas dúvidas.